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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Angela Bulloch , “The Disenchanted Forest”, 2005. Instalação - materiais diversos. Dimensões variáveis


Rebecca Horn, “The Hybrid (Der Zwitter), 1987. Pó de carvão, funil de vidro, metal. Largura da instalação:148 cm, funil; 54x54 cm


Ernesto Neto, “Sem Título”, 1999. Especiarias (cravinho e curcuma). Dimensões variáveis

Outras exposições actuais:

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IN MINOR KEYS


Vários locais / Veneza, Veneza
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O PODER DE MINHAS MÃOS


Sesc Pompeia, São Paulo
CATARINA REAL

ARQUIVO:


COLECTIVA

Helga de Alvear - Conceitos para Uma Colecção




MUSEU COLEÇÃO BERARDO
Praça do Império
1499-003 Lisboa

30 JUL - 22 OUT 2006

Intuição e conhecimento

Ao sabor do tempo, a galerista espanhola Helga de Alvear foi configurando uma colecção de arte contemporânea plural e coerente. Atenta à produção artística das últimas três décadas, a coleccionadora tem vindo a conciliar intuição e conhecimento teórico, definindo dessa forma o perfil essencialmente representativo da sua colecção, oferecendo-a assim como imagem pessoal, mas transmissível, do panorama artístico actual. Em entrevista publicada no jornal da exposição, Helga de Alvear define com frontalidade a essência do verdadeiro coleccionador: “Um comprador decora a sua casa. Um coleccionador compra de forma continuada e sabe em que direcção se move”.


As obras de arte que agora se apresentam no CCB provam precisamente o valor desta colecção e ainda o estatuto de visibilidade e consagração crítica que identificamos de modo imediato não só na qualidade das obras como nos nomes dos seus autores. Constituída em obediência a nichos temáticos bem definidos por Bárbara Coutinho e a própria coleccionadora, que contextualizam os principais trilhos da arte contemporânea, desde o experimentalismo interdisciplinar do período minimalista e pós-minimalista ao pluralismo actual de uma arte afinal sem “princípio de autoridade” (Jean-Louis Pradel, citado por Bárbara Coutinho), a exposição acaba por adquirir um valor pedagógico suplementar, podendo observar-se aí alguns bons exemplares das correntes que determinaram a melhor produção artística do Ocidente desde o período do pós-guerra, com excepção do Expressionismo Abstracto norte-americano. Com efeito, de Donald Judd e Dan Flavin a Rodney Graham, de Joseph Beuys a Marina Abromovic, de Bernd e Hilla Becher a Andreas Gursky e Jeff Wall, de Hélio Oiticica a Stan Douglas, de Imi Knoebel a Luc Tuymans, de Hanne Darboven a Thomas Hirschhorn, ou de Helena Almeida e Julião Sarmento a Rui Chafes, a colecção de Helga de Alvear revela uma ressonância extraordinária em torno dos vários regimes que trabalham e questionam o estatuto contemporâneo do objecto e da própria imagem, bem como as reais possibilidades de comunicação da arte erudita neste início de milénio.


Na verdade, percorrer esta colecção é perceber que para lá de um certo estatuto mainstream, ela revela uma coerência interna assinalável, em que as próprias obras adquirem a capacidade de dialogarem entre si, independentemente da sua origem epocal ou temática. Isso é visível inclusive a partir da montagem da exposição que explora de um modo particularmente feliz essa potencialidade inscrita na própria colecção. Aliás, nessa medida, seria interessante ler o valor desta colecção por comparação com alguns desequilíbrios encontrados, por exemplo, na Colecção Berardo que, dentro em breve, ocupará a quase totalidade do imenso espaço expositivo do CCB. Se no acervo de Berardo verificamos uma estratégia de aquisições quase impessoal, determinada por uma orientação mais historicista, na colecção de Helga de Alvear identificamos um conjunto de valores opostos. Ou seja, Alvear pensou todas as suas aquisições, respondendo não apenas à sua intuição, determinada em parte pela sua experiência de galerista, mas igualmente ao seu gosto apaixonado pelas obras de arte da nossa contemporaneidade, e ainda a um valor vivencial cosmopolita, de ligação ao meio artístico espanhol e internacional, que considera determinante uma leitura crítica e informada sobre cada um dos artistas representados.


David Santos