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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Alexandre Estrela, "Stargate", 2002. Projecção vídeo, mono canal, DVD PAL.


Alexandre Estrela, “Sem Solâ€, 1999. Projecção vídeo, mono canal, DVD PAL.


Alexandre Estrela, "The Nails' Feedback", 1998. Instalação vídeo; dois pregos; vídeo DVD NTSC.


Alexandre Estrela, "Back to Contact", 2003. Monitor de televisão, mono canal, DVD NTSC.

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ARQUIVO:


ALEXANDRE ESTRELA

Stargate




MNAC - MUSEU DO CHIADO
Rua Serpa Pinto, 4
1200-444 Lisboa

07 JUL - 17 SET 2006


Há muito aguardada, “Stargate†faz jus às expectativas e surge como uma das melhores mostras do ano. Dando simultaneamente a devida visibilidade em Portugal a Alexandre Estrela (Lisboa, 1971) e transformando o Museu do Chiado num espaço fluido onde os diferentes trabalhos se articulam de forma inteligente, criando uma série de discursos e de reflexões em torno da sua obra, a mostra afasta-se de quaisquer percursos historicistas, retrospectivos ou antológicos. Efectivamente, as 11 obras expostas dão a ver (e a conhecer) o percurso artístico de Estrela, que encontra dentro da heterogenidade uma coerência e unidade no questionar os próprios media utilizados.
As matrizes da obra de Estrela podem ser encontradas nas práticas conceptuais, surgindo o processo como o elemento central de toda uma criação de complexos dispositivos de análise da produção de imagens e da sua recepção.

Frequentemente os seus trabalhos parecem conseguir rasgar uma ténue linha de desenvolvimento entre os elementos que toma como ponto de partida e aqueles que depois cria apresentando novas leituras que vêm questionar as obras originais, a sua função e o modo como estas são percebidas.
Tal é o caso de “Intermission†de 1996 que, reproduzindo a interpretação de Kubrick em “2001: Uma Odisseia no Espaço†do monólito descrito no livro homómino de C. Clarke, realça o fragmento de película totalmente negra que surge por duas vezes no filme, mas que mais não é do que a própria manifestação da presença do grande bloco de pedra.

Na peça que dá nome à exposição, “Stargate†de 2002, Estrela filma a parte de trás da tampa da objectiva de uma câmara; mas pelas grandes dimensões da imagem projectada e pela lentidão com que a lente se vai aproximando do objecto, aquilo que vemos parece mais um elemento do cenário de um filme de ficção científica, como a “Guerra das Estrelasâ€, ou uma escultura primitiva feita em metal do que a tampa de um dispositivo electrónico moderno.

O processo de desconstrução do modo como geralmente percepcionamos e conhecemos os objectos é também desenvolvido em “I to Infinity†de 2006, em que o artista transporta o modo de construção das imagens cubistas para uma projecção vídeo em que se observa a contínua visão fractal de uma câmara de filmar fragmentada em múltiplas perspectivas simultâneas centradas em torno da objectiva, onde a lente se move ininterruptamente. Este trabalho remete para uma das suas primeiras obras vídeo, “TV’s Back†de 1995, peça não incluída na exposição mas que, ao mostrar um televisor que transmite a parte de trás de um outra televisão, aborda a mesma impossibilidade de percepcionar diversos elementos de um só objecto ao mesmo tempo e retorna às reflexões tautológicas que o aproximam do conceptual.

Outro aspecto muito interessante na obra de Alexandre Estrela é a relação entre imagem e som. Nesta perspectiva, a obra “Hear Hereâ€de 2002 é de uma simplicidade genial: baseando-se no método de avaliação da distância das tempestades (pelas diferenças de velocidade da propagação da luz e do som), o artista cria uma projecção vídeo interrompida aleatoriamente por flashes brancos, seguidos de um forte rumor, estabelecendo em milhas a hipotética distância entre a luz e os sons produzidos.

O “Sem Sol†(1999) desenvolve-se numa mesma relação entre som e imagem. Partindo da palavra Sol, que em português tanto significa a estrela e uma nota musical, Estrela remove todas as notas sol de uma música dos l@n ao mesmo tempo que projecta uma reprodução do astro que ilumina a terra. Cada vez que na música corresponde a uma ausência desta nota, a imagem fica preta. Tudo se centra na ausência, que se torna assim uma presença concreta, de certo modo como no monólito de Kubrick.

Outras obras, como “Making a Star†(1996), “TV Burner†(2002) ou “The Nails' Feedback†(1998) surgem a partir de disfunções dos aparelhos televisivos e de vídeo, mantendo, contudo, a mesma mestria, inteligência e humor ao questionar a produção de imagens, a percepção e o conhecimento, elementos que fazem de Alexandre Estrela um artista notável e desta “Stargate†um momento memorável no panorama expositivo de 2006.





Filipa Ramos