Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição - pormenor. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição - Cemitério em primeiro plano. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens


Erika Verzutti, vista da exposição. Centre Pompidou. Fotografia: Audrey Laurens

Outras exposições actuais:

BIENAL DE ARTE DE VENEZA DE 2026

IN MINOR KEYS


Vários locais / Veneza, Veneza
LEONOR VEIGA

TIAGO BAPTISTA

UMA VOZ NA PEDRA


Clube de Desenho, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ROSA BARBA

DESENHAR VOCABULÃRIOS


CAM - Centro de Arte Moderna, Lisboa
MARIANA VARELA

CATHERINE OPIE

TO BE SEEN


National Portrait Gallery, Londres
CONSTANÇA BABO

COLECTIVA

UM SILABÃRIO POR RECONSTRUIR IV


Culturgest (Porto), Porto
MAFALDA TEIXEIRA

CRISTINA ROBALO

ANTES DE SUBIR À TONA


Fundação Carmona e Costa, Lisboa
LIZ VAHIA

COLECTIVA

SOUND FIELD


3 + 1 Arte Contemporânea, Lisboa
CARLA CARBONE

SILVESTRE PESTANA

COLAPSO


Galeria Municipal do Porto, Porto
ANA CAROLINA ESTEVES

TARRAH KRAJNAK

REPOSE EXPOSE COUNTERPOSE


Fondation A Stichting, Bruxelas
ISABEL STEIN

COLECTIVA

O PODER DE MINHAS MÃOS


Sesc Pompeia, São Paulo
CATARINA REAL

ARQUIVO:


ERIKA VERZUTTI

ERIKA VERZUTTI




CENTRE POMPIDOU
Place Georges Pompidou
75191 Paris

20 FEV - 15 ABR 2019


 

 

Era a imagem inversa desta primeira que eu teria desejado mostrar ao início, a visão que temos do exterior do museu através das grandes janelas do Centro Pompidou, sobre a exposição da artista brasileira Erika Verzutti (até 15 de abril), a sua primeira exposição retrospectiva na Europa. Do exterior, vemos um grande cisne branco a servir de base a uma dúzia de pequenas esculturas, vemos cinco ilhotas cheias de pequenas esculturas coloridas entre as quais os visitantes navegam. O topo das paredes é pintado de amarelo, como um sol fantasmagórico, e, mais que diante de uma exposição, acreditamos estar num santuário colorido, exuberante, onde nunca seremos iniciados, mas que admiraremos de longe.

É claro, é preciso entrar, esquecer o discurso convencional que tenta vincular este trabalho ao da exposição mostrada ao lado (como se a geração de formas se pudesse reduzir a um processo orgânico) e mergulhar dentro deste universo precioso, irónico e impertinente. Erika Verzutti é uma hedonista que não tem nada a ver com conceitos abstratos ou pós-modernos (o que a torna difícil de enformar pelos bons espíritos da arte contemporânea: o prefácio do catálogo é uma prova hilariante). Mesmo a curadora Christine Macel (que, no entanto, já tinha apresentado Verzutti em Veneza em 2017) parece ter dificuldade em aceitar esta multitude, a sua recusa das regras, esta liberdade, que não podemos incluir no compartimento "feminismo" ou no compartimento "política", tão práticos. Avessa às práticas comuns, Verzotti é herdeira de Tarsila do Amaral (e do seu marido, o antropófago Oswald de Andrade), e rende-lhe aqui tributo com pequenas esculturas de pepinos fálicos que às vezes se beijam e acariciam.

 

Erika Verzutti, Bikini, 2015, bronze e acrílico, 61x40x9cm

 

Mas o seu trabalho não pode ser reduzido ao tropicalismo: as suas colunas, as suas "tartarugas", as suas estelas inscrevem-se numa história de arte barroca ou surrealista, entre natureza e cultura, entre arte primitiva, mesmo arcaica, e a civilização do ecrã. As suas peças carregam a impressão dos seus dedos, as suas aberturas sensuais acolhem ovos coloridos. Ela trabalha a argila, o bronze, o papel machê, o gesso, o betão, a cera, o que quer que seja, estas formas tanto prosaicas quanto estranhas nascem na ponta dos seus dedos como criações mágicas.

 

Erika Verzutti, Grávida, 2014, bronze, betão, enamel, cera e acrílico, 90x60x28cm

 

Erika Verzutti, Missionário, 2011, bronze e acrílico, 31x10x16cm

 

O seu erotismo é leve e irreverente, todo em sensualidade colorida e formas suaves, redondas e voluptuosas; a sua série "Missionário" evoca a posição em questão mais do que as conversões religiosas, com as Vénus pontiagudas (Yogi) e as Ladies em bananas (JosephineBaker?). Ambivalente e astuta, ela joga perfeitamente com a ambiguidade, o artifício (vejam o ensaio de Chris Sharp no catálogo, em torno de Byung-Chul Han) e profere por vezes enormidades que o seu entrevistador acredita ingenuamente e recolhe meticulosamente sem saber o que fazer com isso.

A exposição também inclui os "Cemitérios", reuniões no chão de desperdícios, de fracassos da artista, passos aceites, relíquias que também podemos ver como uma rejeição do bem sucedido, numa reconciliação com o defeito: nenhum "verdadeiro" artista faria isto (Rodin, talvez) e Verzutti deleita-se, evidentemente, novamente fora das regras, das convenções.

Esta energia sobe mesmo para as paredes: várias obras passaram da escultura de chão ao baixo-relevo (vejam a análise de José Augusto Ribeiro no catálogo). São formas coloridas, também sempre arredondadas, que saem da parede em direcção a quem olha, como um ecrã táctil, uma janela absurda tornada viva, activa, vigorosa. Não sabemos o que pensar deste trabalho, ou melhor, não sabemos como analisá-lo, preferimos senti-lo, fundirmo-nos com ele; a experiência da visita é mais sensível ou mística que intelectual, e essa é a façanha contra corrente de Erika Verzutti.

 



MARC LENOT