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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Yves Klein, "Globe terrestre bleu", 1962. Colecção particular. Crédito: Adagp, Paris 2006


Yves Klein, IKB 75. Monochrome bleu sans titre, 1960. 199 x 153 x 2,5 cm. Collection Louisiana Museum of Modern Art, Humlebaek, Dinamarca. Créditos: Adagp, Paris 2006


Yves Klein, "Anthropométrie de l’époque bleue", 1960. 156,50 x 282,50 cm. Collection Centre Pompidou, Musée national d'art moderne. Foto: Adam Rzepka, Centre Pompidou. Créditos: Adagp, Paris 2006


Yves Klein, "La grande anthropométrie bleue", 1960. Grande bataille. 280 x 428 cm. Collection FMGGuggenheim Bilbao Museoa, 2006. Créditos: Adagp, Paris 2006


Yves Klein. CORPS, COULEUR, IMMATERIEL. Centre Pompidou - Sala das Esponjas. Fotografia: Georges Méguerditchian - Centre Pompidou


Yves Klein, Vent Paris-Nice, 1960. Colecção particular, Cortesia Galerie Gmurzynska, Zurique, Suiça. Créditos: Adagp, Paris 2006


Yves Klein, "Ci-gît l'Espace", 1960. 125 x 100 x 2,5 cm. Collection Centre Pompidou, Musée national d'art moderne. Foto: Jacques Faujour. Créditos: Adagp, Paris 2006


Yves Klein, "Le Saut dans le vide", 5, rue Gentil-Bernard, Fontenay-aux-Roses, octobre 1960. Créditos: Yves Klein, ADAGP, Paris 2006 - Foto: Shunk-Kender


Retrato de Yves Klein, 1962. Fotografia: Harry Shunk

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ARQUIVO:


YVES KLEIN

Yves Klein – Corps, couleur, immateriel




CENTRE POMPIDOU
Place Georges Pompidou
75191 Paris

05 OUT - 05 FEV 2007

Uma esponja cheia de céu

As esponjas são o animal mais voraz, podem absorver todo o azul do céu.


Yves Klein, o artista que foi dono do céu conseguiu atingir o seu objectivo máximo, o vazio.


A impregnação na matéria, nas obras de Klein provoca ao sair da exposição uma amnésia, o imaterial não permanece na memória, vive-se no momento.


Tive a sorte de poder visitar a exposição “Yves Klein- Corps, couleur, immateriel” sozinha, sem público nem guardas-sala e foi esta experiência de contacto directo com as suas obras-matéria (pigmentos cromáticos, esponjas, folha de ouro) e obras-impressão (de corpos femininos e dos elementos físicos como o vento, o fogo) que me permitiu re-pensar a imaterialidade do seu corpus artístico.


A crítica nos últimos 25 anos, vê predominante Klein como o criador do IKB (International Klein Bleu), como um pintor abstrato, com um eventual retorno ao figurativo primitivo nas suas “antropomorphies” e “cosmogonies”.


Além de exaltar o misticismo na sua breve carreira (YK morre com 34 anos), Pierre Restany o teorizador do Nouveau Réalisme em França, na sua recente monografia sobre Klein “Le feu au cœur du vide” (1986, re-edição 2001, La Difference, Paris), reconduz a obra do artista à influência do ocultismo; e a exposição do Beaubourg desencadeou inúmeras novas publicações entre as quais, duas novas biografias e dois números hors-série das publicações Beaux-Arts e Art Press, dedicados a Klein.
O IKB voltou à capa das revistas de arte francesas, nos seus números de Outubro.


O rastilho que esta exposição (não retrospectiva) nos permite seguir é de ver Klein como um performer e o continuum existente entre a sua acção artística plástica, teatral, musical e mesmo política.
A sua vida é orquestrada como uma obra total e cheia de ironia.
As obras monocromáticas de Klein são um espaço aberto de cor, onde a possibilidade de evasão imaginativa ultrapassa a moldura formal da tela.
Não são o campo formal de Malévitch.


A sua sinfonia “Monoton-Silence” (1947-1961) além de ser uma performance, em si mesma, é a banda sonora das suas sessões de “antropomorphies” abertas ao público.
A sua performance teatral faz-se no espaço vazio, é a prática de Peter Brooks avant la lettre.


Ele afirma “Le corps seul vit, tout-puissant, et ne pense pas (…) je déteste l’obscurantisme soi-disant mystique” em “Le Dépassement de la problématique de l’art” 1959.


A exposição é organizada de uma forma circular, na ampla galeria 1 do sexto piso; defronte a nós no início do percurso estão representados o azul, o ouro e o rosa e é com esta trilogia que a exposição se encerra; seguindo a máxima de Yves Klein, de que o artista é um personagem público: as obras são expostas paralelamente a uma parte biográfico-documental de fotografias, vídeos, cartas e registos áudio subtilmente acessíveis em dispositivos inseridos nos bancos destinados ao público.


Klein nasceu a olhar para o céu e para o mar na praia, na cidade de Nice, em 1928; filho de artistas plásticos, fez a sua formação autodidacta pelas viagens que relizou: Irlanda, Itália, Espanha e Japão.


É no Japão que conhece a arte marcial do Judo, na qual se torna um mestre e professor na Academia de Paris. Será também no Japão que as folhas de ouro impressas nos papéis dos mortos o impressionam.


A impregnação no azul começa pelo globo-terrestre, visto por Gagarine na missão espacial de Abril de 1962, “A Terra é de um azul intenso e profundo”.
Klein não acredita na conquista do espaço feita pelo Sputnik ou por outras naves espaciais mas pela impregnação física da sensibilidade do homem no espaço; escreve a Fidel Castro (1958) e ao presidente Eisenhower nos EUA (1958) entre outros para lhes comunicar a “Revolução azul”, o mundo azul.


A meio do percurso surge a sala das esponjas, onde 7 esponjas são expostas em plintos como uma metáfora à cabeça dos visitantes impregnados de matéria.


O Ouro, Klein expõe-no tal como ao pigmento azul e rosa sobre telas, em monocromias.


Depois no percurso da exposição seguem-se os traçados do imediato, nas obras-impressão executadas com a intervenção do fogo ou do vento como em COD 10 “Vent Paris–Nice” (1960).


Klein impregna de matéria o corpo das suas modelos para fazer os seus famosos “sudários”. A acção pictórica veste-se de corpo, a acção veste-se de matéria, ficam as marcas do vampiro.


O fogo, decompõe-se nas três cores de Klein, e ele apercebe-se do facto em Krefeld na Alemanha, onde executa as suas telas sujeitas a combustão.


A exposição termina com um ex-voto dedicado a Santa Rita de Cascia em Itália e com um túmulo em ouro, a obra “ Ci gît l’Espace” (Aqui jaz o espaço, 1960) realizada com folha de ouro, espoja impregnada de pigmento azul e rosas artificiais.


O artista salta de encontro ao vazio onde levita.
Ele não é como James Turrel, na definição de Georges Didi-Huberman “O homem que caminha na cor”, ele é o homem que entra dentro da cor.


A performance, no entanto, vive-se no momento, deixa apenas marca impressa no suporte fotográfico (“Le Saut dans le vide”, Fontenay-aux-Roses, Outubro, 1960, fotografia de Harry Schunk) ou no vídeo ou no animal das suas esponjas.


As esponjas espremidas voltam ao vazio inicial mas houve um momento em que eram todo o azul do mundo.


Sílvia Guerra