Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Museo de Arte Contemporáneo, Santiago do Chile


Catalina Donoso


Sebastían Leyton


Claudia Aravena

Outras exposições actuais:

BIENAL DE ARTE DE VENEZA DE 2026

IN MINOR KEYS


Vários locais / Veneza, Veneza
LEONOR VEIGA

TIAGO BAPTISTA

UMA VOZ NA PEDRA


Clube de Desenho, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ROSA BARBA

DESENHAR VOCABULÁRIOS


CAM - Centro de Arte Moderna, Lisboa
MARIANA VARELA

CATHERINE OPIE

TO BE SEEN


National Portrait Gallery, Londres
CONSTANÇA BABO

COLECTIVA

UM SILABÁRIO POR RECONSTRUIR IV


Culturgest (Porto), Porto
MAFALDA TEIXEIRA

CRISTINA ROBALO

ANTES DE SUBIR À TONA


Fundação Carmona e Costa, Lisboa
LIZ VAHIA

COLECTIVA

SOUND FIELD


3 + 1 Arte Contemporânea, Lisboa
CARLA CARBONE

SILVESTRE PESTANA

COLAPSO


Galeria Municipal do Porto, Porto
ANA CAROLINA ESTEVES

TARRAH KRAJNAK

REPOSE EXPOSE COUNTERPOSE


Fondation A Stichting, Bruxelas
ISABEL STEIN

COLECTIVA

O PODER DE MINHAS MÃOS


Sesc Pompeia, São Paulo
CATARINA REAL

ARQUIVO:


COLECTIVA

Arte Contemporáneo Chileno: Desde el Otro Sitio/Lugar




MUSEO DE ARTE CONTEMPORÁNEO - FACULTAD DE ARTES DA UNIVERSIDAD DE CHILE
Parque Forestal s/n


11 MAI - 20 AGO 2006


Encerrado durante cerca de um ano para obras de remodelação, o MAC de Santiago do Chile reabriu com “Arte Contemporâneo Chileno: Desde El Otro Stio/Lugar”, a primeira exposição do projecto “Travesías/Crossings: Chile - Ásia Pacífico”. Co-produzida com o National Museum of Contemporary Art (Coreia) em 2005, a exposição regressa assim ao Chile, após uma primeira apresentação em Seul. O objectivo da experiência de co-produção e itinerância agora iniciada é a circulação e a aproximação cultural (e também económica) daqueles eixos culturais periféricos, durante um período de cinco anos. O financiamento empresarial que ambos os países conseguiram para o projecto permite compreender melhor a dimensão da exposição, que reúne mais de cinquenta artistas chilenos, divididos entre um grande núcleo de 35 artistas da colecção do MAC (representativas da arte chilena produzida entre 1950 e 2005), um segundo núcleo de cinco artistas, associado ao período de repressão ditatorial de Pinochet (1973-1990) e um último grupo de artistas emergentes dos anos 90, cuja produção reflecte o actual contexto de consolidação democrática do Chile.

Naturalmente que tão apertados pressupostos se repercutem numa selecção de artistas e trabalhos de fortes implicações críticas à realidade social e política chilena, mas esse terá sido um dos riscos assumidos desde início pelos curators do projecto (Francisco Brugnoli e Beatriz Bustos). A distância que separa Chile (e Coreia) dos grandes eixos de influência ocidental está na origem de uma exposição que ordena distintos momentos cronológicos nacionais, vedada que está a possibilidade de, salvo raras excepções, fazerem parte da história mundial e, neste caso específico, da história da arte mundial. Mesmo, sendo essa referência inspiradora (Europa e EUA) particularmente visível para o núcleo dos anos 60, como Roberto Matta, Rodolfo Opazo, Carlos Ortúzar ou Matilde Pérez. O núcleo mais recente de artistas expressa maior inconformismo e uma mais generalizada subversão de meios e discursos. A arte contemporânea que se produz actualmente no Chile atravessa um período de expansão e catarse discursiva. Catalina Doloso, Pablo Langlois, Sebastían Leyton ou Pablo Rivera (artistas que atravessaram o autoritarismo de Pinochet) apresentam interessantes dispositivos de instalação que clarificam pontos de referência e de manifesto, sejam reflexão crítica sobre a natureza da produção artística, sejam referência para denúncias de ordem social, a partir de uma reapropriação de elementos do quotidiano. Quanto à chamada geração de 90 (Máximo Corvalán, Alexis Carreño, Patrick Hamilton ou Marcela Moraga entre outros), cuja selecção de obras privilegiou a inclusão de instalações especialmente perturbantes para a realidade chilena, expressa ainda uma euforia libertadora pós-Pinochet, evidenciando uma forte tendência sociológica de pressão e actualização das principais fontes de instabilidade social chilena, donde as questões de identidade e territorialidade (e sua perda) assumem proporções inquietantes e paradoxais, dada a difusão internacional de notícias sobre a recuperação económica, a par de uma crescente contestação dos inúmeros grupos minoritários e desfavorecidos.


Miguel Caissotti