Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Bart Lodewijks, “PortoDrawingâ€, 2006. Culturgest, Porto. Fotografia: Rita Burmester


Bart Lodewijks, “PortoDrawingâ€, 2006. Culturgest, Porto. Fotografia: Rita Burmester


Bart Lodewijks, “PortoDrawingâ€, 2006. Culturgest, Porto. Fotografia: Rita Burmester


Bart Lodewijks, “Gent Drawingâ€, 2005. Fotografia: Huig Bartels


Bart Lodewijks, “Gent Drawingâ€, 2005. Fotografia: Huig Bartels

Outras exposições actuais:

BIENAL DE ARTE DE VENEZA DE 2026

IN MINOR KEYS


Vários locais / Veneza, Veneza
LEONOR VEIGA

TIAGO BAPTISTA

UMA VOZ NA PEDRA


Clube de Desenho, Porto
LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

ROSA BARBA

DESENHAR VOCABULÃRIOS


CAM - Centro de Arte Moderna, Lisboa
MARIANA VARELA

CATHERINE OPIE

TO BE SEEN


National Portrait Gallery, Londres
CONSTANÇA BABO

COLECTIVA

UM SILABÃRIO POR RECONSTRUIR IV


Culturgest (Porto), Porto
MAFALDA TEIXEIRA

CRISTINA ROBALO

ANTES DE SUBIR À TONA


Fundação Carmona e Costa, Lisboa
LIZ VAHIA

COLECTIVA

SOUND FIELD


3 + 1 Arte Contemporânea, Lisboa
CARLA CARBONE

SILVESTRE PESTANA

COLAPSO


Galeria Municipal do Porto, Porto
ANA CAROLINA ESTEVES

TARRAH KRAJNAK

REPOSE EXPOSE COUNTERPOSE


Fondation A Stichting, Bruxelas
ISABEL STEIN

COLECTIVA

O PODER DE MINHAS MÃOS


Sesc Pompeia, São Paulo
CATARINA REAL

ARQUIVO:


BART LODEWIJKS

Bart Lodewijks




CULTURGEST (PORTO)
Edifício Caixa Geral de Depósitos Avenida dos Aliados, 104
4000-065 Porto

22 JUL - 30 SET 2006

Que farias com este espaço?

No início, lugares feios geram resistência. Parecem perigosos. Uma permanência nesses lugares permite descobrir que a fealdade apela à capacidade de compreender.
Bart Lodewijks


“Que farias com este espaço?†foi a frase escolhida por Bart Lodewijks e pela sua mulher, Danielle van Zuijlen, na primeira apresentação (a um de Dezembro de 2002) do projecto Hotel Mariakapel, um espaço de exposições e residências em Horn, na Holanda. Confrontados com o trabalho que agora apresenta no espaço da Culturgest no Porto podemos compreender a posição central que esta questão ocupa no corpo do seu trabalho. Não desdenhando o valor dos trabalhos que têm vindo aí a ser apresentados, vale a pena visitar a galeria da Culturgest no Porto também pela sua arquitectura, pelas dificuldades que apresenta e questões que levanta enquanto espaço expositivo copiosamente ornamental. Nesta exposição, mais especificamente, é este espaço que está sob a análise de um artista que tem vindo, precisamente e através do seu percurso, a estudar as possibilidades do lugar, significado e/ou significante.

O trabalho de desenho a carvão e giz produzido apenas com recurso a um simples nível sobre as paredes da galeria parte de um confronto individual com as possibilidades particulares do espaço em questão. A utilização da perspectiva como auxiliar do olhar na decomposição das propriedades da imagem liga Lodewijks à pintura holandesa dos finais do século XVI/princípios de XVII. Usualmente optando por intervir em exteriores, em zonas já de si complexas e muitas vezes socialmente fracturadas, os desenhos do artista pretendem-se como uma acção individual de transformação do lugar. “PortoDrawingâ€, que podemos ver agora, não se afasta da linha que até agora descrevemos, embora, como o artista admitiu, tenha sido um trabalho particularmente desafiante dada a tipologia arquitectónica do espaço onde interveio.

No pequeno texto que acompanha a exposição o autor diz que a sua “prática artística é um resultado de estar em viagem†a partir de aqui sublinhamos o conceito de deriva, presente nos desenhos de Bart Lodewijks no sentido em que a análise que é imposta sobre o espaço modifica-o sem anular minimamente a sua presença ou diminuir o valor dos seus elementos. Ao invés de uma sobreposição de camadas existe uma superação do primeiro enquadramento, uma passagem rápida para a sugestão de uma construção lateral, existe “a encenação da fuga do tempo, num espaço social condenado à renovação criadoraâ€(1). O trabalho é actor num exercício de contemporização de um palco que, tanto pelo seu anacronismo como pelo seu excesso, é de si agressivo à intervenção e, ainda mais, à intervenção contemporânea. A partir do momento em que “PortoDrawing†se instala nas paredes liberta-se delas num aparente paroxismo, quando abre a perspectiva através da multiplicação das possibilidades de assimilação do envolvente. Ao invés de servir de moldura, o espaço expositivo é enquadrado e sufragado pelo discurso presente da obra.


Nota:
(1) I.S. n.º 3, Dezembro de 1959 in “Internacional Situacionista – Antologiaâ€, Edições Antígona, Lisboa, 1997



José Roseira