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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.


Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.


Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.


Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.


Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.


Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.


Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.


Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.


Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.


Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.


Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.

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ARQUIVO:


PEDRO BARATEIRO

O MEU CORPO, ESTE PAPEL, ESTE FOGO




CASA DA CERCA - CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua da Cerca
2800-050 Almada

26 SET - 28 FEV 2021


 


Quando Merleau-Ponty falava da unidade das coisas, no espaço, referia-se a ela como se de um pequeno mistério se tratasse. O pensador perguntava, mais ou menos, o seguinte: “Como é que o sabor, o cheiro, a cor, o som das coisas, tão diferentes entre si, poderão ser entendidas como pertencendo única e exclusivamente a uma mesma coisa?"

E como é que se identificam as coisas segundo categorias, grupos ou padrões?

“As coisas do mundo”, como dizia Merleau-Ponty, “não são apenas objetos neutros, que se estendem à nossa frente, para serem contemplados. Cada um desses objetos simboliza ou desperta uma forma particular de acção, de reação perante os mesmos, que pode ser favorável ou desfavorável. (…) É por esse motivo que os gostos das pessoas, e as atitudes que tomam, em relação ao mundo, podem ser decifradas através dos objetos que escolhem”.

A nossa relação com as coisas não é exterior a elas: cada uma delas “fala com o nosso corpo e com o modo como vivemos”. Estão “impregnadas no modo como vivemos, com as nossas características”. sejam “hostis ou doces, e circundam-nos como símbolos de formas de vida que gostamos ou odiamos”. As coisas, e o “seu halo”.

As coisas e as observações mais profundas, as coisas que não se livram do olhar dos poetas. Porque os poetas têm a propriedade de ver além das propriedades observáveis. Eles penetram na sua essência, e fazem-nos ver o que elas falam. E o que nos oferecem, então, essas coisas?

Som, cor, forma, por vezes o odor.

A exposição de Pedro Barateiro, é uma oferenda aos vários sentidos.

As coisas não se apresentam somente através de um sentido, mas, tal como falava Sartre, (dando o exemplo do limão), através da cor, forma, textura, som. Despertam memórias, e situam os homens em ideias e representações.

 

Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.

 

Encarnam significados porque precisamente despertam emoções e reações em nós, “nos nossos corpos”. Cada qualidade do objeto está relacionada com as outras qualidades sensoriais do mesmo objeto. Cada uma das qualidades do objeto reafirma as outras e reforça o seu todo.

E as coisas não aparecem, sem que estejam em relação umas com as outras. E com a própria memória. Os objetos evocam passados. Barateiro parece fazê-lo de forma exímia. Deambula pelos vários tempos da arte, e a sua História. É impossível não lembrar Flavin, e as suas esculturas em néon. O pensamento matemático, geométrico e, segundo Gablik, epistemológico do cubo. Torna-se, por isso, difícil não recordar os monumentos do minimalismo, invocando o mesmo Flavin, e a obra “Monument for V. Tatlin”, 1964.

 

Fotografia: António Jorge Silva / Casa da Cerca.

 

A exposição de Barateiro é um piscar de olhos, também, a outros géneros artísticos. Porque não evocar a Pop Art?, com os seus devaneios de massas, e com a generalização das mensagens escritas por SMS, a acentuar ainda mais a ausência do ser amado. O artista aqui toma partido exaustivamente do som familiar do toque do telemóvel.

Na exposição de Pedro Barateiro pode ver-se também o amor que dedica à Video Art, com um passeio no existencialismo humano – e que nos faz recuperar as deambulações de Bas Van Ader.

 

 

 



CARLA CARBONE