Links

NOTÍCIAS


ARQUIVO:

 


“AALTO” UMA EXPOSIÇÃO QUE ANTECIPA OS 50 ANOS DA MORTE DE ALVAR AALTO

2025-07-19




A Fundação de Serralves apresenta "Aalto", uma exposição que antecipa os 50 anos da morte de Alvar Aalto(1898 – 1976), uma das maiores figuras da história da arquitetura. "Aalto" focar-se-á no extenso corpo de obra desenvolvido com ambas as esposas, Aino Aalto (1894 – 1949) e Elissa Aalto (1922 – 1994), exibindo 31 projetos demonstrativos de um percurso singular, com curadoria de António Choupina, diretor de Arquitetura da Fundação de Serralves.

A família Aalto revolucionou a vertente humanista da arquitetura moderna, radicando-a numa ligação orgânica à natureza: pelo contexto, pelas formas, pelos materiais e pelo conforto — tendo produzido inúmeras peças de design através da sua empresa de mobiliário, Artek, adquirida pela Vitra em 2013.

Os Aalto tiveram, por isso, um papel determinante na transformação da arquitetura moderna, deixando um legado que se materializou tanto na arquitetura como no design, através de peças e edifícios que marcaram a identidade cultural do século XX.

Durante o período entre as duas guerras mundiais, Alvar e Aino Aalto contribuíram de forma decisiva para a afirmação da jovem nação finlandesa no panorama internacional, participando em eventos como os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM) e nas Exposições Universais de Paris e Nova Iorque. Entre as suas obras mais emblemáticas destacam-se a Biblioteca de Viipuri (atualmente em território russo), a Villa Mairea (Finlândia), a Baker House (EUA) e a Maison Carré (França).

Particular destaque merece o Sanatório de Paimio, um projeto visionário concebido no contexto do advento dos antibióticos, onde os Aalto demonstraram como a arquitetura pode promover a saúde e o bem-estar. Estudaram cuidadosamente elementos como a exposição solar, a ventilação natural e até a insonorização de componentes quotidianos, como os lavatórios.

Este edifício é um dos treze projetos atualmente nomeados a Património Mundial da UNESCO e um dos motivos pelos quais a Medalha Alvar Aalto é dedicada a contributos significativos para a criação arquitetónica, tendo-se tornado um dos mais relevantes prémios internacionais.

Entre os galardoados, como James Stirling, Jørn Utzon ou Tadao Ando, encontram-se os portugueses Paulo David e Álvaro Siza, que em 1988 recebe a medalha homónima daquele que havia sido um dos seus heróis desde que comprou a primeira revista de arquitetura, no início da década de 1950.

É justamente com essa medalha que se entra na exposição, mimetizando formalmente o anfiteatro do seu próprio atelier e sublimando a intimidade da sua Casa Experimental através da impressão digital que deixa propositadamente indentada no perímetro.

Contudo o percurso expositivo não se inicia aqui, nas décadas de 1950-60, mas sim cronologicamente na década de 1920, à esquerda, terminando com a morte de Elissa em 1994, à direita. Trinta e um anos depois, contemplamos agora 31 projetos, assim como outros que pontualmente os contextualizam, simbolicamente organizados a partir de temas bíblicos, enfatizando o impacto da sua obra na construção da fé luterana.

"Aalto" é uma exposição organizada pela Fundação de Serralves – Departamento de Arquitetura, em colaboração com o Alvar Aalto Museum, e tem curadoria de António Choupina, diretor de Arquitetura da Fundação de Serralves, com coordenação Diana Cruz e Sónia Oliveira.

Sobre Alvar Aalto

Alvar Aalto (1898–1976) teve uma carreira excecionalmente rica e variada como arquiteto e designer, tanto na Finlândia como no estrangeiro.

Depois de se formar como arquiteto no Instituto de Tecnologia de Helsínquia (mais tarde Universidade de Tecnologia de Helsínquia e agora parte da Universidade Aalto) em 1921, Aalto fundou o seu primeiro atelier de arquitetura em Jyväskylä. As suas obras iniciais seguiam os princípios do Classicismo Nórdico, o estilo predominante na época. No final dos anos 1920 e início dos anos 1930, realizou várias viagens pela Europa, durante as quais ele e a sua esposa Aino Marsio, também arquiteta, se familiarizaram com as mais recentes tendências do Modernismo, o Estilo Internacional.

A fase puramente Funcionalista do trabalho de Aalto durou vários anos. Esta permitiu-lhe alcançar reconhecimento internacional, em grande parte devido ao Sanatório de Paimio (1929–1933), um marco importante do Funcionalismo. Aalto adotou os princípios do design funcional e centrado no utilizador na sua arquitetura. A partir do final dos anos 1930, a expressão arquitetónica dos edifícios de Aalto passou a ser enriquecida com o uso de formas orgânicas, materiais naturais e uma maior liberdade na organização dos espaços.

Era característico de Aalto tratar cada edifício como uma obra de arte completa – até ao mobiliário e à iluminação. Em 1935, foi fundada a Artek com o objetivo de promover a crescente produção e venda de mobiliário desenhado por Aalto. O design do seu mobiliário combinava praticidade e estética com produção em série, seguindo a principal ideia da Artek de incentivar uma vida quotidiana mais bela no lar. No que diz respeito ao design, Aalto demonstrava um particular interesse pelo vidro, pois oferecia a oportunidade de trabalhar o material de uma forma inovadora, com formas livres. A sua vitória no concurso de design de vidros Karhula-Iittala, em 1936, levou à criação do mundialmente famoso vaso Savoy.

A partir da década de 1950, o atelier de arquitetura de Aalto passou a dedicar-se principalmente ao desenho de edifícios públicos, como a Câmara Municipal de Säynätsalo (1948–1952), o Instituto de Pedagogia de Jyväskylä, atualmente Universidade de Jyväskylä (1951–1957), e a Casa da Cultura em Helsínquia (1952–1956). Os seus planos de ordenamento urbano representam projetos de maior escala do que os edifícios mencionados acima, sendo os mais notáveis os centros cívicos de Seinäjoki (1956–1965/87), o centro da cidade de Rovaniemi (1963–1976/88) e o parcialmente construído centro administrativo e cultural de Jyväskylä (1970–1982).

Desde o início da década de 1950, o trabalho de Alvar Aalto centrou-se cada vez mais em países fora da Finlândia, tendo sido construídos vários edifícios, tanto privados como públicos, com base nos seus projetos no estrangeiro.


Fonte: Fundação de Serralves