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ALEMANHA: CRÍTICAS AO PLANO DE EXPANSÃO DO LOUVRE PARA ABU DHABI

2007-02-27




O presidente do Prussian Cultural Heritage Foundation, Klaus-Dieter Lehmann, apontou duras críticas à decisão francesa de ceder o nome do Louvre e parte do seu acervo para o planeado museu a erguer em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos), alertando para que a manobra conduzirá, em última instância, à “comercialização” dos tesouros nacionais. Abu Dhabi será considerada uma “capital artística pretensamente global mas na realidade profundamente artificial, perdida no meio das areias do deserto” que atrairá exclusivamente turistas do jet-set não contribuindo, consequentemente, para a partilha cultural internacional. Escreveu no Die Süddeutsche Zeitung que o Louvre “está a agir como uma companhia com uma estratégia claramente definida de maximização dos lucros, devendo temer-se que as rápidas vantagens financeiras transformem os museus em bens flutuantes ao sabor de leis e tendências de mercado, sem qualquer tipo de relação com o contexto cultural”. O complexo, projectado para estar concluído em 2012, atraiu quarto arquitectos premiados que desenharão os museus e o centro de espectáculos a erguer na Saadiyat Island, localizada a 500 metros da costa de Abu Dhabi. O conceituado norte-americano Frank Gehry será responsável pela construção daquela que será a maior artéria do Guggenheim. “A participação do Guggenheim Museum não é surpreendente”, afirmou no artigo. “O que surpreende é o facto de parecer que a nova política cultural francesa adoptou uma variante do mesmo modelo”. Defendeu que o acordo ameça “corromper” o sistema de empréstimo de obras de arte entre museus e poderá resultar numa redução do número de exposições que dependem da partilha de especialistas e de obras. “O contexto cultural deixou de ser decisivo em detrimento do efeito Mona Lisa - a espectacularidade individual das obras ”. Declarou ainda que os tramites da transacção vão render à França cerca de 1 bilhão de euros. Circulou recentemente uma petição que recolheu cerca de 4500 mil assinaturas protestando contra o que consideram ser a penhora da herança cultural francesa.

Disponível em:
www.bloomberg.com