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ARQUITECTO FRANCÊS DESCOBRE SEGREDO DAS PIRÂMIDES2007-04-04Desde Heródoto até hoje, a Humanidade levou milénios a questionar-se como puderam os antigos egípcios construir a pirâmide de Keops. Pelo caminho elaboraram-se múltiplas teorias, mas nenhuma com um resultado tão convincente como a que o arquitecto francês Jean-Pierre Houdin apresentou em Paris. Apoiando-se numa intuição do seu pai, engenheiro, e servindo-se de uma reconstrução em três dimensões da pirâmide, Houdin assegura que os egípcios conseguiram levantar a colossal sepultura de Keops através de uma rampa em espiral construída no interior do edifício. O seu eterno morador, o rei da IV dinastia (entre cerca de 2590 e 2565 a.C.), mandou erguer durante o seu reinado aquela que é hoje a única sobrevivente das sete maravilhas do mundo. O seu túmulo é a primeira das pirâmides de Gizé, uma necrópole da antiga cidade de Memphis, a 8 km do Cairo, onde se erguem os três mausoléus mais célebres da História: de Kefrén, Mykerinos e do próprio Keops. Mas como levantar 5 milhões e meio de toneladas a 146 metros de altura em somente 20 anos e com as técnicas rudimentares da Antiguidade? Até agora sustentava-se que a primazia se devia à utilização de uma rampa exterior à pirâmide, mas a teoria não era de todo satisfatória. O próprio Houdin explicou que, se a rampa tivesse chegado até ao topo (com uma inclinação aceitável para os carregadores) teria consumido o dobro de pedras e que o trabalho de construção e desmantelamento teria sido colossal. Para optimizar o trabalho, Houdin pensa que os egípcios empreenderam, em primero lugar, a construção de uma rampa exterior à pirâmide que alcançou 43 metros de altura, o que supõe 65% do volume do monumento. A partir daí, e graças à simulação realizada em três dimensões, o arquitecto francês pôde observar que esta rampa deixava de ser eficaz. Por isso, defende, os egípcios optaram por construir uma rampa interna, que avançava ao ritmo dos trabalhos. Introduzindo variantes dos tipos de materiais, cargas e coeficientes de fricção, o programa informático criado por Houdin permite a reconstrução virtual do trabalho realizado há mais de 4.000 anos. O arquitecto descreve a rampa em forma de espiral, com mais de 1.600 metros de altura, uma inclinação suave de 7% e dividida em segmentos rectilíneos ao longo das paredes do edifício. Através destes esquemas os blocos de pedra rectangulares, mais pequenos que na base, eram mais facilmente transportáveis. O problema surgia na hora de realizar a curva em cada volta da espiral. Nessas zonas, a construção não havia sido fechada e tinham-se criado uma espécie de patamares em que o trenó que suportava a pedra era elevado e girado, através de um sistema de grúas de madeira e cordas, para poder aguentar o patamar seguinte do percurso. Os construtores desmantelavam simultaneamente a rampa externa e utilizavam as suas pedras na construção do resto da pirâmide. Houdin também recorreu a programas de simulação para organizar oficinas (com o estudo dos postos de trabalho, a ergonomia, a conecção entre as plantas e o uso de recursos) para entender o sistema de organização laboral dos egípcios durante o reinado de Keops. O arquitecto chegou à conclusão de que em cada patamar da espiral trabalhava um grupo de 10 a 12 homens que, depois de terem subido o bloco até ao seguinte patamar, voltavam ao seu posto através de uma galeria exterior sem atrasar o desenvolvimento da obra. O método permitia demorar menos de um minuto para que um bloco percorresse cada tramo. Houdin também defende que a subida dos blocos de granito se realizou através de uma galeria interior que permitia optimizar o trabalho evitando-se a exposição contínua dos trabalhadores ao sol e assegurando um ambiente seguro e estável. Disponível em: www.elmundo.es |














