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SÃO PAULO, UMA BIENAL SEM OBRAS DE ARTE?2007-11-19O brasileiro Ivo Mesquita, recentemente nomeado director artístico da 28ª edição da Bienal de São Paulo, a realizar-se entre 19 de Outubro e 30 de Novembro de 2008, sob o título “Em vivo contato”, acaba de anunciar que este evento artístico, considerado como o maior acontecimento das artes plásticas da América Latina e a segunda bienal mais antiga depois de Veneza, carecerá de obras de arte para centrar-se numa reflexão sobre o momento da arte actual. A bienal, segundo Mesquista, “responde a um modelo de exposição do século XIX e estamos no século XXI. Não creio que este modelo esteja esgotado, mas necessita de uma revisão profunda”. Não haverá, pois, obras de arte no edifício construído por Niemeyer, todavia, poderá consultar-se uma extensa biblioteca com a história das edições anteriores, desde a primeira em 1951, assim como informação sobre as cerca de 200 bienais que se celebram actualmente no mundo. Mesquita, curador e crítico independente, trabalhou como curador nas últimas quatro Bienais de São Paulo e é, além disso, director do Museu de Arte Moderna de São Paulo. O anúncio está a provocar uma forte polémica em toda a América Latina. Na opinião do chileno Mário Navarro, o único artista local que participou no evento paulista em 2006, “as obras são essenciais, uma bienal sem elas não funciona e se querem destinar este evento só à reflexão ou ao estudo entre artistas, sem dúvida alguma que o público irá cansar-se”. Nas últimas edições, a Bienal atraiu perto de um milhão de visitantes. Ao contrário, responsáveis de museus como o também chileno Patrício Muñoz Zárate (assistente de direcção do Museu de Belas Artes) sublinha que “há uma crise neste contexto, a Bienal de São Paulo deve reformular-se, parece-me bem esta decisão, para analisar o que se passará no futuro e se continuará a justificar-se no século XXI um evento num recinto fechado, como se fosse mais um museu”. Concorda ele Francisco Brugnoli, director do Museu de Arte Contemporânea, que aposta numa reformulação do evento, perguntando-se se “com a chegada da Internet e das novas tecnologias, se justificará seguir neste formato”. Disponível em: www.arteinformado.com |














