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SUSAN PHILIPSZ E O PODER DA EVOCAÇÃO

2007-12-18




Através do poder evocador do som, Susan Philipsz tem vindo a construir uma obra artística que a posicionou durante os últimos anos dentro do panorama internacional e que, com efeito, a levou a ser convidada para a recente edição do conhecido e prestigioso Sculpture Münster Project. Enquanto uns criadores fazem do uso da cor, outros das formas e alguns da exaltação dos materiais a via fundamental para estruturar os seus trabalhos, Philipsz define a sua obra a partir da memória, das referências e das emoções que os sons podem produzir.

O Centro Galego de Arte Contemporánea - CGAC de Santiago de Compostela, apresenta de 20 de Dezembro de 2007 a 30 de Março de 2008, uma mostra da artista escocesa a partir da ostentação da vacuidade dos seus espaços expositivos. Estes são preenchidos com as sensações e memórias que vive cada visitante a partir de escutar o canto da própria Philipsz, com o qual nos propõe uma nova forma de nos relacionarmos com uma arquitectura que tinha muito claras as suas funções mas que agora se sugere desde novas perspectivas.

Philipsz cria peças sonoras com a sua própria voz, a qual, longe de ter sido educada para o canto, ajuda pelo seu carácter espontâneo e não profissional a estabelecer vínculos emocionais entre as peças e o espectador. Canções populares muito conhecidas são interpretadas pela artista para reformular com as suas instalações a percepção do espaço expositivo num convite peculiar para a experiência artística. Deste modo, a subjectividade desempenha aqui um papel de grande importância, porque configura uma obra diferente segundo cada espectador. No entanto, o que pretende Philipsz com o seu trabalho é explorar os limites da capacidade performativa do visitante ao poder este deslocar-se a outros espaços e momentos, e indagar nas possibilidades escultóricas que podem criar-se a partir do som como elemento modelador. É pois que, com muito poucos recursos, s e apresentam peças de alto poder metafórico que fazem da escassez de meios parte daquilo que concede, precisamente, profundidade ao discurso plástico.

Disponível em: www.masdearte.com