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FUNDAÇÃO DALÍ INCORPORA AUTO-RETRATO INÉDITO DO PINTOR

2008-01-25




A Fundação Gala-Salvador Dalí apresentou um auto-retrato inédito do artista como resultado de um intercâmbio com uma colecção privada e que incorporou a exposição temporária de auto-retratos de Dalí, inaugurada no passado mês de Outubro no Teatro-Museo de Figueras, em Girona, Espanha.

A tela, intitulada “Autorretrato desplagándose en tres” ou “Arlequín”, é uma peça de 1926 de influência “picassiana” e que poderá ver-se no Teatro-Museo Dalí até finais do Verão.

No verso deste óleo encontra-se um quadro pintado por Dalí em 1923 denominado “Paisaje con olivos”, uma panorâmica de Cadaqués, se bem que esta pintura não poderá ver-se, já que o quadro será exposto apenas do lado do auto-retrato.

“Dalí era muito egocêntrico, gostava muito de representar-se a si mesmo”, recordou na apresentação do quadro o director do Teatro-Museo Dalí, Antoni Pitxot. Quando Dalí visitou Picasso no seu estúdio de Paris, em 1926, teve a oportunidade de ver muitos dos seus quadros, entre eles um em que se representava uma cabeça, e que teve nele grande influência, pois nesse ano Dalí pintou uma série de auto-retraros à base de cabeças cortadas a despegar-se.

A peça procede de uma colecção privada que a cedeu temporariamente à Fundação Dalí, e, na sua realização, Dalí aproveitou o verso de uma paisagem pintada três anos antes na parte rugosa da tela. “Interessava-nos porque cruza-se com a exposição de três auto-retratos que nos emprestou o Museu de San Petersburgo e que já se apresentou no final do ano”, recordou a directora do Centro de Estudos Dalinianos, Montse Aguer.

A imagem despegada com que Dalí se representa a si próprio com um jogo de cores primárias foi objecto de diversas interpretações. Há autores que defendem a teoria de que o representado não é Dalí, mas sim Federico García Lorca, pela semelhança com uma fotografia encontrada de Lorca a apanhar sol na praia e com uma grande sombra projectada. “Com Dalí nunca se sabe, mas para mim está claro que a obra faz parte do conjunto dos seus auto-retratos”, assegurou Pitxot, que afirmou também que a peça está “carregada de conteúdo e conexões históricas”. Antoni Pitxot realçou especialmente o único olho com o qual Dalí costumava representar-se e a insistente sombra negra que percorre a cara, formando uma das orelhas.

A pintura escondida por detrás do auto-retrato pertence a um “Dalí mais íntimo”, segundo Pitxot. “Era habitual, durante esta primeira época, que Dalí reutilizasse os seus quadros. O mestre Nuñez tinha-os ensinado a aproveitar a parte não preparada da tela porque absorvia melhor as cores, segundo dizia”, comentou Pitxot. “A Fundação possui uma obra que se colocará ao lado desta tela para a exposição”, avançou Montse Aguer.

A nova tela apresenta também traços comuns com outras obras como “Naturaleza muerta al claro de luna”, “Maniquí de Barcelona” ou “Dos figuras”, entre outras. Nestas obras encontram-se motivos iconográficos parecidos como o rosto despegado, olhos que se convertem num só olho ou cabeças cortadas sobre uma sombra negra.

A incorporação temporária deste novo óleo pôde materializar-se graças à política de intercâmbio de obras que a Fundação Dalí começou o ano passado entre museus e colecções privadas.

Disponível em: www.elmundo.es