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MERCADO DA ARTE NÃO SENTE CRISE FINANCEIRA MUNDIAL2008-02-11A Bolsa Europeia caiu mais de 15% em cinco semanas e a do Japão fechou o mês de Janeiro com as piores cifras dos últimos 25 anos. O medo de uma recessão nos Estados Unidos e a falta de fé na própria economia levou os investidores a retirar massivamente os seus fundos de rendimento variável. No mercado imobiliário não pára de crescer o número de propriedades sem vender. Cabe-nos perguntar, pois, para onde está a ir a liquidez que abandona os mercados tradicionais. Encontramos parte da resposta num mercado mais tradicional ainda: o das matérias-primas e bens tangíveis. O preço do ouro supera já os 900 dólares por onça e os analistas vêem-no daqui até ao fim do ano em 12 mil dólares, apesar dos bancos centrais estarem a liquidar as suas reservas a um ritmo de 60 toneladas mensais. Outros metais como o cobre e o paládio rondam também os seus máximos históricos, como os futuros sobre petróleo, que duplicam os da Guerra do Golfo. Essa poderia ser também a explicação de que a crise financeira mundial não está a deixar-se sentir no mercado da arte. A Christie’s facturou 298 milhões de euros nos seus primeiros leilões de arte moderna e impressionista de Fevereiro, muito acima das previsões. A sua principal concorrente, Sotheby’s, lograva 194 milhões de euros, a cifra mais alta de toda a sua história na Europa. O ano de 2008 começou de maneira muito semelhante a como terminou o ano passado: com absoluto predomínio da arte contemporânea e com os mestres expressionistas muito perto de Picasso. Nos leilões da Sotheby’s da semana passada em Londres, triunfaram Franz Marc e Alexei von Jawlensky. O primeiro pulverizou o seu próprio record com Cavalos a Pastar III, que duplicou a estimativa inicial da sala (16,4 milhões de euros). De Jawlensky colocou-se em 12,6 milhões de euros uma obra que já tinha sido leiloada em Nova Iorque havia quatro anos, Schokko (com chapéu). Na altura, custou pouco mais de 6 milhões. Os leilões da Christie’s confirmam esse excelente acolhimento que ultimamente dispensam marchands e coleccionistas ao expressionismo alemão e austríaco. Uma colecção de oito obras de Egon Schiele vendeu-se por um total de 15,6 milhões de euros e um nu feminino triplo de Karl Schmidt-Rottluff foi adjudicado por mais de 4 milhões, outro record mundial para o artista. Tríptico 1974-1977 de Francis Bacon, esteve também quase a superar a marca do seu autor (36,27 milhões de euros), tendo sido arrebatada por 35,2 milhões de euros, convertendo-se assim na obra mais cara alguma vez vendida num leilão europeu. Outra peça que superou amplamente o seu preço de saída foi La Lectrice, retrato de Dora Maar, pintado por Pablo Picasso, que se vendeu por quase 10 milhões de euros. O Palco, de Renoir, triplicou o preço estimado com 9,4 milhões de euros e um óleo de Giacometti intitulado Buste foi adquirido por 7,5 milhões de euros, o dobro da estimativa inicial e o segundo preço mais alto jamais pago por uma pintura do escultor suíço. O presidente da Christie’s na Europa, Jussi Pylkkänen, assegura que a arte está a actuar como “valor refúgio em tempos de turbulência”. O director executivo da Sotheby’s International, Robin Woodhead, crê além disso que “o êxito dos leilões de arte impressionista e moderna destes dias demonstra que o mercado quer qualidade acima de todas as coisas”. Seguramente quer também confiança. Disponível em: www.arteinformado.com |














