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DUCHAMP, PICABIA E RAY NA TATE MODERN DE LONDRES2008-02-21À entrada da nova exposição na Tate Modern de Londres, há uma reprodução da Gioconda com bigode e barbicha e os jovens que passam por ali tiram fotografias com os telemóveis. Alguns, tavez muitos deles, não terão nunca ouvido o nome de Marcel Duchamp, autor do que, à primeira vista, não parece mais do que uma baderna artÃstica. Junto a essa imagem, há duas frases que podem resumir a filosofia de Duchamp e dos seus dois amigos a quem está dedicada a exposição: o também francês Francis Picabia e o norte-americano Man Ray. “Podem fazer-se obras de arte que não sejam obras de arte?â€, pergunta o primeiro. “Sempre gostei de me divertir seriamenteâ€, afirma Picabia. Duchamp, sem dúvida o mais importante dos três para a evolução da arte contemporânea, está hoje, para o bem ou para o mal, em toda a parte. O simples urinol de porcelana, que, assinado com o nome de R. Mutt e intitulado Fonte, escandalizou em 1917 os organizadores da exposição da Sociedade Americana de Artistas Independentes, revolucionou o próprio conceito de arte. A partir daquele momento, qualquer objecto de produção industrial poderia converter-se numa obra de arte desde que o artista o proclamasse como tal e o exibisse no espaço adequado. Nem sequer teria de ser belo: Duchamp não pretendeu nunca que a sua “fonte†fosse elogiada pela sua beleza intrÃnseca. Não queria que funcionasse só no plano estético, mas pretendia que fosse indiferente a esse valor. O importante já não era sequer o objecto criado (perante os postulados de Kant, poderia prescindir-se totalmente do juÃzo estético), mas sim a atitude do artista. É pois muito oportuna uma exposição como a que se inaugura hoje na Tate (e que estará aberta até dia 26 de Maio) para entender essa corrente artÃstica que hoje parece dominá-lo todo e que passou a chamar-se “arte conceptualâ€. Intitulada simplesmente “Duchamp, Man Ray, Picabiaâ€, resulta inovadora já que, em lugar de estudar cada um destes três pioneiros em separado ou no contexto de um movimento, analisa as suas afinidades, os seus gostos partilhados, as suas conexões e a forma como cada um deles influenciou os outros. Ainda que de origem social distinta, Duchamp e Picabia tinham em comum uma atitude irreverente, irónica e anarquista, tanto perante a vida como perante a arte. Em 1915 viajaram para Nova Iorque, onde conheceram Man Ray, outro artista que procurava na altura uma forma de expressão individual. Os três ficaram amigos imediatamente e contribuiram para fundar o movimento Dada, primeiro em Nova Iorque, e logo depois, em Paris. DisponÃvel em: www.elmundo.es |














