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A FOTOGRAFIA TAMBÉM SE SENTA NO BANCO DOS RÉUS2008-04-10A foto enoja. Representa algo do qual apenas se podem ver imagens. É uma mão arrancada atirada para o chão, da qual pendem tiras de carne e fragmentos de osso. A mão é, simplesmente, um resto humano fotografado por Todd Masiel a 11 de Setembro depois dos atentados contra as Torres Gémeas de Nova Iorque. A perturbadora imagem foi publicada pelo New York Daily News, rompendo um tabu não escrito que proíbia mostrar as vítimas do maior ataque terrorista perpetrado em solo norte-americano. A mão de Maisel provocou um enorme escândalo e deu origem à seguinte pergunta e consequente debate: porque não podem mostrar-se os mortos? Segundo o seu autor, a resposta é: “para não reviver os fantasmas da guerra do Vietname”. A essa imagem somam-se as fotos anónimas de torturas na prisão iraquiana de Abu Ghraib, que fizeram perder toda a credibilidade à administração de George W. Bush. Ambas são bons exemplos do dilema que explora “Controverses”, uma exposição explora os limites éticos e jurídicos do uso das imagens, recentemente inaugurada no Musée de L’Elysée, em Lausanne. Através das 80 fotografias seleccionadas pelo comissário Daniel Girardin para esta mostra, intitulada “Une histoire juridique et éthique de la photographie”, procura-se dar resposta a complicadas perguntas que nem sempre podem ser respondidas de forma evidente. Mas uma conclusão a que o visitante chega rapidamente é que um dos temas mais polémicos é, e tem sido sempre, o sexo. Outro campo polémico é o da religião. Em Lausanne apresentam-se as provocadoras séries realizadas para a Benetton pelo controverso Oliviero Toscani, entre elas o célebre beijo entre um padre e uma freira, cuja distribuição foi proíbida em Itália, sob pressão do Vaticano, e retirada em França. Disponível em: www.elpais.com |














