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O OLHAR ENIGMÁTICO DE ELLEN KOOI NA CASA ENCENDIDA2008-04-21Tudo parece transformar-se diante da sua câmara. Os lugares misteriosos que encontramos nesta exposição de Ellen Kooi (Leeuwarden, 1962) são cenários holandeses comuns, sem maior transcendência, se assim pode dizer-se, do que a da beleza dos seus prados, bosques e rios, mas que depois de serem vistos a partir da fantasia que vive no interior desta fotógrafa são dotados de um poder enigmático, que os converte num apelo ao olhar dos espectadores que demonstrem possuir também capacidade para surpreender-se e continuar as narrativas abertas que Kooi traça em cada uma das suas obras. Descobrir em menina um retrato do seu avô e fantasiar com as histórias que essa imagem e a personagem lhe sugeriam foi a origem da sua paixão pela fotografia e agora é ela que interpela o público a continuar as suas fábulas. A arte (a influência da pintura holandesa tradicional, mas também o sublime de Friedrich e a magia quotidiana de Andrey Wyeth), o teatro a dança, da qual utiliza o corpo como meio de expressão, convivem nas fotografias para ter como resultado surpreendentes cenografias. O seu método de trabalho é meticuloso e tem também a ver com o cinema; primeiro desenha as cenas, procura as localizações, dirige os modelos e ilumina de uma maneira muito precisa, sendo este um dos grandes segredos das suas panorâmicas de grande formato. A mulher, a melancolia e a frustração ocupam um papel protagonista junto à natureza e a união de tudo isto dá lugar a essas imagens enigmáticas. “Dentro por fuera”, de Ellen Kooi poderá visitar-se até 15 de Junho e aproxima-nos da sua produção através de 30 das suas melhores fotografias. O título da mostra pode relacionar-se com a ideia da existência de mundos distintos dentro de um mesmo universo e, nesse sentido, a artista assinala como no seu trabalho podem observar-se duas áreas: “um aqui e um ali, um dentro e um fora, um mundo interno e externo”. Dualidades como a da água, que é o símbolo da passagem do tempo e da vida, ou as da beleza e da vulnerabilidade, estão muito presentes nas suas representações e o risco de perder o que existe é algo em que a fotógrafa insiste muito. Disponível em: www.masdearte.com |














