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EXPOSIÇÃO DE ARNO BREKER DIVIDE ALEMANHA

2006-07-26




Arno Breker (1900-1991) é unanimemente considerado o escultor de eleição do regime nazi. A estética dos corpos arianos, idealizada por Hitler, reflecte-se nos corpos atléticos e monumentais concebidos por Breker – alguns dos quais podem ser vistos no Estádio Olímpico de Berlim (cerca de 90 % da sua obra foi destruída pelos Aliados). Rejeitada pela grande maioria dos alemães, a sua obra tem sido mantida fora dos circuitos expositivos. A polémica estalou, recentemente, com a abertura na cidade de Schwerin (situada no extremo noroeste da Alemanha, berço preferencial de actividades neo-nazis) de uma exposição dedicada a Breker, abarcando um total de 70 esculturas entre outras peças essencialmente documentais. Muitos foram os críticos, artistas e galeristas que se uniram para exigir o encerramento da exposição, por considerarem inaceitável que uma
instituição pública dê visibilidade e pretenda retirar dividendos turísticos a partir da promoção daquele que foi um dos principais pilares artísticos que sustentou o regime (em parceria com, por exemplo, Leni Riefenstahl que, de resto, realizou um documentário sobre o escultor). Em sua defesa, os responsáveis pela área da cultura da cidade que acolhe a mostra, alengam tratar-se de uma oportunidade para relançar o debate em torno das relações entre a arte e a ideologia e também, de certo modo, para revelar facetas menos negativas associadas à figura de Breker - insistindo que foi ele quem evitou que diversos artistas e figuras ligadas à cultura, entre os quais Picasso e Peter Suhrkamp (editor), fossem deportados para campos de extremínio (quase como se existisse uma “Lista de Breker”, paralelismo estabelecido com a “Lista de Schindler”). A exposição pode ser vista até 22 de Outubro.

Disponível em:
www.elpais.es