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ENTREVISTA



RAPHAEL FONSECA


Raphael Fonseca chega a Lisboa vindo do Denver Art Museum, depois de uma década a atravessar instituições no Rio de Janeiro, em Niterói, no Porto, em Munique, em Singapura e em Amesterdão — uma trajetória que confirma o seu lugar entre as cem personalidades mais influentes das artes visuais, segundo a revista ArtReview. Curador da 14.ª Bienal do Mercosul, ainda com a poeira de "Estalo" por assentar, Fonseca traz para a Culturgest a experiência de quem já mediou entre continentes, gerações e temporalidades, e que agora aceita o risco de recomeçar num edifício que, mais do que arquitetura, é convite: à contemplação lenta, à queda vertical do olhar, à descoberta progressiva de um espaço que não se revela de imediato.
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O ESTADO DA ARTE



CARLOS FRANÇA


O TRAUMA E A CINZA: A COLECÇÃO DUERCKHEIM EM SERRALVES
A premissa curatorial de Vexation of Spirit apoia-se na ideia de que a arte é um terreno de elaboração da dor colectiva. No entanto, quando estas representações do trauma transitam do estúdio do artista para a colecção de um banqueiro multimilionário e, subsequentemente, para as paredes imaculadas de um museu contemporâneo, ocorre um fenómeno de mitigação. O horror concreto do Holocausto e da guerra é sublimado em valor estético e financeiro. A violência deixa de ser uma ferida aberta para se transformar num "estilo" ou numa "atitude" artística validada pelo mercado institucional. O espectador já não confronta a destruição na sua dimensão puramente histórica e política, mas sim como uma experiência sublime e neutralizada pela curadoria.
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PERSPETIVA ATUAL

INÊS FERREIRA-NORMAN


AS LINHAS QUE COSEM O MURALISMO, A GENTRIFICAÇÃO E O QUE É IN-INSTITUCIONALIZÃVEL: ‘FAZUNCHAR’ EM FIGUEIRÓ DOS VINHOS
Figueiró dos Vinhos, Covilhã, Viseu, Tomar, Aveiro, Caldas da Rainha, Lisboa, Porto, são cidades e vilas onde se acolhem festivais e festas de arte urbana, ou arte pública como se começa a ouvir. O que é que estes festivais trazem às populações? E o que fazem dos artistas e do discurso artístico, dentro e fora da comunidade street? O Fazunchar é um festival de arte urbana e comunitária em Figueiró dos Vinhos que começou em 2019. Fazunchar, significa fazer em Lainte, que era um dialeto usado em Figueiró entre mercadores de lanifícios. Na edição deste ano, foi mesmo este património lanar, têxtil, o slogan do Fazunchar.
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OPINIÃO

LEONOR GUERREIRO QUEIROZ


ALICE NEEL: BEAUTIFULLY IMPERFECT
Enquanto “colecionadora de almasâ€, a pintora não se limitava a ver rostos e a representá-los de forma simultaneamente doce e fria; procurava também fixar aquilo que é inefável em cada pessoa, o que escapa à compreensão humana total – o espírito. É precisamente por considerar a beleza como algo profundo, inerente à alma humana e não à superfície da pele, que a sua pintura se revela singular. Existe uma beleza que não procura a perfeição. A beleza das pessoas reais, dos corpos que se mexem, vivem e amam, basta por si só. Mais do que retratos de indivíduos, são retratos de uma vida e de uma época e das relações que se estabelecem nos vários contextos económicos e socioculturais.
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ARQUITETURA E DESIGN

JOÃO ALMEIDA E SILVA


ANTES DO EDIFÃCIO: FRANK GEHRY E O DESEJO PELA ARQUITECTURA
Entrar em O século de Gehry é encontrar uma arquitectura anterior ao edifício. A exposição não começa com uma obra concluída, nem sequer com a imagem estabilizada de uma forma reconhecível. Antes da forma icónica e da obra convertida em imagem pública, aparece aquilo que habitualmente permanece nos bastidores: não o edifício, mas as operações que o tornam possível. Nas salas seguintes, essa escolha torna-se mais evidente. As maquetas não se apresentam como modelos finais, impecavelmente acabados e destinados a afirmar a autoridade do projecto. Os desenhos participam do mesmo movimento. Não são objectos autónomos destinados à contemplação, mas momentos de um pensamento em transformação.
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ARTES PERFORMATIVAS

BRUNO MARQUES


O CURADOR-CURANDEIRO. NOTAS SITUADAS SOBRE O LABORATÓRIO HUNI KUIN DE RUI MOURÃO
Pode um curador curar? A pergunta não surgiu diante de um livro, nem durante a preparação de uma exposição. Surgiu em Belém do Pará, no decurso de uma performance de Rui Mourão no Museu da Universidade Federal do Pará. A certa altura, deixei de acompanhar o que acontecia apenas a partir da posição de curador. A performance aproximou-se, envolveu-me e passou, literalmente, pelas minhas mãos. Durante alguns instantes, já não me encontrava simplesmente diante de uma obra que ajudara a tornar possível: encontrava-me dentro do campo de relações que ela activava.
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:: Pivô celebra 15 anos com Leilão Anual e reafirma modelo coletivo de apoio à produção artística contemporânea



PREVIEW

20ª edição MOTELX - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa | 3 a 13 de Setembro, Cinema São Jorge e Cinemateca Portuguesa


O MOTELX celebra 20 de anos de existência com a maior edição de sempre. Mais de 170 filmes oriundos de mais de 40 países, mais de 145 sessões e muita vida fora das salas de cinema.
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EXPOSIÇÕES ATUAIS

RODRIGO CASS

GEOMETRIA SENSÃVEL


Escola das Artes | Universidade Católica do Porto, Porto

Um objeto, um espaço e uma ação. É assim que o vídeo-instalação Geometria Sensível (2024) dá título à primeira exposição de Rodrigo Cass em Portugal. Organizada pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa com colaboração com a Brotéria, e curadoria de Nuno Crespo e João Sarmento SL, a exposição está dividida em dois pólos – Porto e Lisboa – e reúne entre si cerca de três dezenas de obras do artista brasileiro, uma pequena selecção que atravessa a sua prática artística desde o seu início até aos dias de hoje.
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RUI CALÇADA BASTOS

SEGUNDO SONO


Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, Almada
As paisagens e as obras suspensas delongam e demoram no olhar. O lampejo dos vestígios de tinta aleatórios, mas que prefiguram a existência do ato criativo, e da gestualidade pictórica do artista, sugerem também a fugacidade do tempo, tornado evidente. O gesto, o movimento, são desvendados por meio de uma acção demorada e contemplativa do observador.
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MICHAEL NAJJAR

HETEROTOPIC TURBULENCES


Galeria Filomena Soares, Lisboa
Michael Najjar, o artista visual alemão que promete vir a ser o primeiro artista a navegar no espaço. No meio de uma paisagem povoada por Elon Musk, Space X, Deep Blue Aerospace e as novas formas de mineração na Lua, há mais de uma década o artista investe em treinamentos pré-viagem e acesso a infra-estruturas espaciais na expectativa de, muito brevemente, poder vir a conhecer o espaço. O artista usa a sua própria experiência em cosmódromos, paisagens lunares como as da Islândia e instalações de treinamento em microgravidade para produzir imagens híbridas de fotografia e pintura com a ajuda da inteligência artificial.
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MARIA JOSÉ OLIVEIRA

EU QUE JÃ FUI EU


MNAC - Museu do Chiado , Lisboa
Não nos poderá ser indiferente a vida já longa de Maria José, hoje com 83 anos. É inevitável reconhecer como a passagem do tempo, a degeneração do(s) corpo(s) e a sua aproximação natural à morte – temas que desde sempre estão presentes na sua prática artística –, são-no agora especialmente tocantes e reveladores, o que confere à exposição uma atmosfera “onde os sons e os silêncios se tornam diferentes e esquecidosâ€.
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COLECTIVA: ERA UMA VEZ NA AMÉRICA

FARIBA HAJAMADI: CONVERSA DE CORVOS


Pavilhão Julião Sarmento, Lisboa
Até 18 de outubro, o Pavilhão Julião Sarmento acolhe duas exposições que se cruzam no novelo da memória: Era uma Vez na América, com obras de diversos artistas, e Conversa de Corvos, da artista nascida no Irão Fariba Hajamadi. Ambas são forjadas a partir da coleção de Sarmento e têm curadoria de Isabel Carlos, sendo a primeira, Era Uma Vez Na América, feita em parceria com a artista norte-americana Rita McBride, que também empresta obras suas ao espaço.
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ATHINA KOUMPAROULI

MANIFESTA 16 RUHR


Kulturkirche Liebfrauen, Duisburg
Para a sua 16.ª edição, a bienal nómada europeia Manifesta instala-se na região de Ruhr, na Alemanha, sob o título This is not a Church. Ocupando igrejas construídas durante a reconstrução do pós-guerra, hoje marcadas pela secularização e pelo abandono, a bienal propõe pensar a transformação destes espaços como um processo inseparável da memória, defendendo que novas formas de vida coletiva dependem de um envolvimento ativo com os vestígios materiais e históricos do passado. É neste horizonte conceptual que se inscreve a intervenção de Athina Koumparouli.
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MIRANDA PENNELL

H IS FOR HISTORY N IS FOR NOW


Solar - Galeria de Arte Cinemática, Vila do Conde
A Solar - Galeria de Arte Cinemática tem mostrado no mesmo período em que decorre o Festival Curtas de Vila do Conde, projectos de vencedores da Competição Experimental de anos anteriores. É o caso da artista que ocupou o espaço da galeria este ano, Miranda Pennell, que venceu a Competição Experimental da 32.ª edição do Curtas Vila do Conde em 2024 com o filme "Man Number 4â€. O filme, com nove minutos de duração, é uma dissecação digital de uma fotografia encontrada numa rede social e resume o tema de toda a exposição de Pennell: o que significa ser espectador de uma imagem?
LER MAIS LIZ VAHIA