Links

PERSPETIVA ATUAL


Luisa Cunha, Do what you have to do (1994). © Vera Marmelo


On Kawara, One Million Years [Past and Future] (2002) [audio]. © Vera Marmelo


Julião Sarmento, Tribu (1978). © Vera Marmelo


Pedro Tudela, FlexoTan (2005). © Vera Marmelo


Laura Belém, Escutura (2001-2005). © Vera Marmelo


Gonçalo Barreiros, Sem título (2008). © Vera Marmelo


Ricardo Jacinto, Diplopias (2013). © Vera Marmelo


Ricardo Jacinto, Diplopias (2013). © Vera Marmelo


Michael Snow, Hearing Aid (1976). © Vera Marmelo


Michael Snow, Hearing Aid (1976) [pormenor]. © Vera Marmelo

Outros artigos:

2020-10-21


BRUNO MARQUES


2020-09-16


FÁTIMA LOPES CARDOSO


2020-08-14


PEDRO CABRAL SANTO E NUNO ESTEVES DA SILVA


2020-07-21


PEDRO CABRAL SANTO E NUNO ESTEVES DA SILVA


2020-06-25


PEDRO CABRAL SANTO E NUNO ESTEVES DA SILVA


2020-06-09


PEDRO CABRAL SANTO E NUNO ESTEVES DA SILVA


2020-05-21


MANUELA HARGREAVES


2020-05-01


MANUELA HARGREAVES


2020-04-04


SUSANA GRAÇA E CARLOS PIMENTA


2020-03-02


PEDRO PORTUGAL


2020-01-21


NUNO LOURENÇO


2019-12-11


VICTOR PINTO DA FONSECA


2019-11-09


SÉRGIO PARREIRA


2019-10-09


LUÍS RAPOSO


2019-09-03


SÉRGIO PARREIRA


2019-07-30


JULIA FLAMINGO


2019-06-22


INÊS FERREIRA-NORMAN


2019-05-09


INÊS M. FERREIRA-NORMAN


2019-04-03


DONNY CORREIA


2019-02-15


JOANA CONSIGLIERI


2018-12-22


LAURA CASTRO


2018-11-22


NICOLÁS NARVÁEZ ALQUINTA


2018-10-13


MIRIAN TAVARES


2018-09-11


JULIA FLAMINGO


2018-07-25


RUI MATOSO


2018-06-25


MARIA DE FÁTIMA LAMBERT


2018-05-25


MARIA VLACHOU


2018-04-18


BRUNO CARACOL


2018-03-08


VICTOR PINTO DA FONSECA


2018-01-26


ANA BALONA DE OLIVEIRA


2017-12-18


CONSTANÇA BABO


2017-11-12


HELENA OSÓRIO


2017-10-09


PAULA PINTO


2017-09-05


PAULA PINTO


2017-07-26


NATÁLIA VILARINHO


2017-07-17


ANA RITO


2017-07-11


PEDRO POUSADA


2017-06-30


PEDRO POUSADA


2017-05-31


CONSTANÇA BABO


2017-04-26


MARC LENOT


2017-03-28


ALEXANDRA BALONA


2017-02-10


CONSTANÇA BABO


2017-01-06


CONSTANÇA BABO


2016-12-13


CONSTANÇA BABO


2016-11-08


ADRIANO MIXINGE


2016-10-20


ALBERTO MORENO


2016-10-07


ALBERTO MORENO


2016-08-29


NATÁLIA VILARINHO


2016-06-28


VICTOR PINTO DA FONSECA


2016-05-25


DIOGO DA CRUZ


2016-04-16


NAMALIMBA COELHO


2016-03-17


FILIPE AFONSO


2016-02-15


ANA BARROSO


2016-01-08


TAL R EM CONVERSA COM FABRICE HERGOTT


2015-11-28


MARTA RODRIGUES


2015-10-17


ANA BARROSO


2015-09-17


ALBERTO MORENO


2015-07-21


JOANA BRAGA, JOANA PESTANA E INÊS VEIGA


2015-06-20


PATRÍCIA PRIOR


2015-05-19


JOÃO CARLOS DE ALMEIDA E SILVA


2015-04-13


Natália Vilarinho


2015-03-17


Liz Vahia


2015-02-09


Lara Torres


2015-01-07


JOSÉ RAPOSO


2014-12-09


Sara Castelo Branco


2014-11-11


Natália Vilarinho


2014-10-07


Clara Gomes


2014-08-21


Paula Pinto


2014-07-15


Juliana de Moraes Monteiro


2014-06-13


Catarina Cabral


2014-05-14


Alexandra Balona


2014-04-17


Ana Barroso


2014-03-18


Filipa Coimbra


2014-01-30


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2013-12-09


SOFIA NUNES


2013-10-18


ISADORA H. PITELLA


2013-09-24


SANDRA VIEIRA JÜRGENS


2013-08-12


ISADORA H. PITELLA


2013-06-27


SOFIA NUNES


2013-06-04


MARIA JOÃO GUERREIRO


2013-05-13


ROSANA SANCIN


2013-04-02


MILENA FÉRNANDEZ


2013-03-12


FERNANDO BRUNO


2013-02-09


ARTECAPITAL


2013-01-02


ZARA SOARES


2012-12-10


ISABEL NOGUEIRA


2012-11-05


ANA SENA


2012-10-08


ZARA SOARES


2012-09-21


ZARA SOARES


2012-09-10


JOÃO LAIA


2012-08-31


ARTECAPITAL


2012-08-24


ARTECAPITAL


2012-08-06


JOÃO LAIA


2012-07-16


ROSANA SANCIN


2012-06-25


VIRGINIA TORRENTE


2012-06-14


A ART BASEL


2012-06-05


dOCUMENTA (13)


2012-04-26


PATRÍCIA ROSAS


2012-03-18


SABRINA MOURA


2012-02-02


ROSANA SANCIN


2012-01-02


PATRÍCIA TRINDADE


2011-11-02


PATRÍCIA ROSAS


2011-10-18


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-09-23


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-07-28


PATRÍCIA ROSAS


2011-06-21


SÍLVIA GUERRA


2011-05-02


CARLOS ALCOBIA


2011-04-13


SÓNIA BORGES


2011-03-21


ARTECAPITAL


2011-03-16


ARTECAPITAL


2011-02-18


MANUEL BORJA-VILLEL


2011-02-01


ARTECAPITAL


2011-01-12


ATLAS - COMO LEVAR O MUNDO ÀS COSTAS?


2010-12-21


BRUNO LEITÃO


2010-11-29


SÍLVIA GUERRA


2010-10-26


SÍLVIA GUERRA


2010-09-30


ANDRÉ NOGUEIRA


2010-09-22


EL CULTURAL


2010-07-28


ROSANA SANCIN


2010-06-20


ART 41 BASEL


2010-05-11


ROSANA SANCIN


2010-04-15


FABIO CYPRIANO - Folha de S.Paulo


2010-03-19


ALEXANDRA BELEZA MOREIRA


2010-03-01


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-02-17


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-01-26


SUSANA MOUZINHO


2009-12-16


ROSANA SANCIN


2009-11-10


PEDRO NEVES MARQUES


2009-10-20


SÍLVIA GUERRA


2009-10-05


PEDRO NEVES MARQUES


2009-09-21


MARTA MESTRE


2009-09-13


LUÍSA SANTOS


2009-08-22


TERESA CASTRO


2009-07-24


PEDRO DOS REIS


2009-06-15


SÍLVIA GUERRA


2009-06-11


SANDRA LOURENÇO


2009-06-10


SÍLVIA GUERRA


2009-05-28


LUÍSA SANTOS


2009-05-04


SÍLVIA GUERRA


2009-04-13


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2009-03-23


PEDRO DOS REIS


2009-03-03


EMANUEL CAMEIRA


2009-02-13


SÍLVIA GUERRA


2009-01-26


ANA CARDOSO


2009-01-13


ISABEL NOGUEIRA


2008-12-16


MARTA LANÇA


2008-11-25


SÍLVIA GUERRA


2008-11-08


PEDRO DOS REIS


2008-11-01


ANA CARDOSO


2008-10-27


SÍLVIA GUERRA


2008-10-18


SÍLVIA GUERRA


2008-09-30


ARTECAPITAL


2008-09-15


ARTECAPITAL


2008-08-31


ARTECAPITAL


2008-08-11


INÊS MOREIRA


2008-07-25


ANA CARDOSO


2008-07-07


SANDRA LOURENÇO


2008-06-25


IVO MESQUITA


2008-06-09


SÍLVIA GUERRA


2008-06-05


SÍLVIA GUERRA


2008-05-14


FILIPA RAMOS


2008-05-04


PEDRO DOS REIS


2008-04-09


ANA CARDOSO


2008-04-03


ANA CARDOSO


2008-03-12


NUNO LOURENÇO


2008-02-25


ANA CARDOSO


2008-02-12


MIGUEL CAISSOTTI


2008-02-04


DANIELA LABRA


2008-01-07


SÍLVIA GUERRA


2007-12-17


ANA CARDOSO


2007-12-02


NUNO LOURENÇO


2007-11-18


ANA CARDOSO


2007-11-17


SÍLVIA GUERRA


2007-11-14


LÍGIA AFONSO


2007-11-08


SÍLVIA GUERRA


2007-11-02


AIDA CASTRO


2007-10-25


SÍLVIA GUERRA


2007-10-20


SÍLVIA GUERRA


2007-10-01


TERESA CASTRO


2007-09-20


LÍGIA AFONSO


2007-08-30


JOANA BÉRTHOLO


2007-08-21


LÍGIA AFONSO


2007-08-06


CRISTINA CAMPOS


2007-07-15


JOANA LUCAS


2007-07-02


ANTÓNIO PRETO


2007-06-21


ANA CARDOSO


2007-06-12


TERESA CASTRO


2007-06-06


ALICE GEIRINHAS / ISABEL RIBEIRO


2007-05-22


ANA CARDOSO


2007-05-12


AIDA CASTRO


2007-04-24


SÍLVIA GUERRA


2007-04-13


ANA CARDOSO


2007-03-26


INÊS MOREIRA


2007-03-07


ANA CARDOSO


2007-03-01


FILIPA RAMOS


2007-02-21


SANDRA VIEIRA JURGENS


2007-01-28


TERESA CASTRO


2007-01-16


SÍLVIA GUERRA


2006-12-15


CRISTINA CAMPOS


2006-12-07


ANA CARDOSO


2006-12-04


SÍLVIA GUERRA


2006-11-28


SÍLVIA GUERRA


2006-11-13


ARTECAPITAL


2006-11-07


ANA CARDOSO


2006-10-30


SÍLVIA GUERRA


2006-10-29


SÍLVIA GUERRA


2006-10-27


SÍLVIA GUERRA


2006-10-11


ANA CARDOSO


2006-09-25


TERESA CASTRO


2006-09-03


ANTÓNIO PRETO


2006-08-17


JOSÉ BÁRTOLO


2006-07-24


ANTÓNIO PRETO


2006-07-06


MIGUEL CAISSOTTI


2006-06-14


ALICE GEIRINHAS


2006-06-07


JOSÉ ROSEIRA


2006-05-24


INÊS MOREIRA


2006-05-10


AIDA E. DE CASTRO


2006-04-20


JORGE DIAS


2006-04-05


SANDRA VIEIRA JURGENS



A EXPOSIÇÃO INVISÍVEL



CARLA CARBONE

2020-12-01




 

 

Em 9 de Março de 1913, a orquestra de Balilla Patrella tocava no Teatro Costanzi, em Roma, e despertava Luigi Russolo para uma nova arte dos sons, a “Arte dos ruídos”. Russolo, no início do seu manifesto futurista, publicado dois dias depois, atribuía justamente a Patrella a inspiração para as suas futuras criações sonoras.

Precisamente nesse manifesto, o compositor salientava a diversidade de sons e ruídos, que se iam disseminado, proliferando, pelas cidades e campos, e que provinham da “multiplicação das máquinas”, que se faziam sentir, e ressoar cada vez mais por aquela época.

A Russolo os sons da natureza já não o satisfaziam mais. Considerava-os puros, é certo, suaves até, mas não causavam a surpresa e o estímulo dos então sons descobertos pelas máquinas.

Para o artista a escuta agora passava pela “polifonia complexa”, pelo “colorido instrumental”, pelo “acorde dissonante”. Cansava-o ver salas de concertos inteiros a repetir o mesmo, a reproduzir, como dizia, “o mio queixoso de um violino”. Chamava-lhes “sons anémicos”, enjoativos, dotados de aborrecimento.

A primeira sala d’ A Exposição Invisível começa assim, justamente, com uma instalação áudio de Russolo, Risveglio di una Cittá, de 1913. Acompanham-na, numa disposição quase centrífuga, outras três instalações sonoras. Audios de Marinetti e Kurt Schwitters são escutados nesta primeira divisão. Em todos eles, de forma direta ou indireta, vemos a ligação a Russolo. A própria obra La Battaglia di Adrianopoli, de Fillipo Tommaso Marinetti, presente neste grupo, surge mencionada no manifesto futurista de Russolo, “A Arte dos Ruídos”, 1911. (Russolo transcreve-a rigorosamente). Também Marinetti rejubilava nestas coisas da máquina. Em 1909 enaltecia o progresso, a velocidade, o rugido dos motores.

Um ano depois, um grupo de artistas, integrando Russolo, publicaria na revista Poesia, em Milão, um manifesto dedicado aos pintores futuristas. É desse modo, como pintor, que Russolo se apresenta no seu próprio manifesto de 1911. Reforçando a forma como os artistas destas primeiras vanguardas, do início do século XX, se deslocavam, de modo ágil pelos diferentes meios. Fossem eles pintura, literatura, poesia, ou som. As suas motivações artísticas eram, assim, desenvolvidas de forma multisensorial e total.

Por outro lado Kurt Schwitters é evocado por meio de um excerto sonoro de Ursonata, 1932. Tal como os artistas anteriores Schwitters foi importante na conquista, e aplicação, do sonoro nas obras de arte. Também denunciava um gosto pelo progresso e pela máquina. Através de um poema de Hausmann, Schwitters procurava transmitir a importância do inesperado, dos imprevistos oferecidos pelo material sonoro proveniente de sons mecânicos. Era todo um manancial estranho que se abria, descobria, e apresentava ao artista, fornecendo novos caminhos de criação. Tornava-se, por isso, importante para o artista aquilo que não era facilmente entendido, compreendido - Schwitters achava aliciante o desconhecido.

 

Pedro Tudela, FlexoTan (2005). © Vera Marmelo

 

A exposição desperta várias e evocações. Ao longo do tempo que passamos a percorrer as salas, somos convidados a mergulhar nesse desconhecido, que, por instantes, nos parece perpétuo. Sustamos a respiração. Não se trata de uma exposição para principiantes.

Não é, tão pouco, uma exposição concebida para ver, mas para escutar. Não é uma exposição para encontrar o que gostaríamos de ver, mas para pôr a pensar. Para questionar. Para tentar compreender o que nos causa estranheza. Para interpretar os rumores e as vozes que se disseminam, entrecruzam, diluem nos vários espaços. Entre eles sobressaem os lamentos resignados de Joseph Beuys, em Ja, Ja, Ja, Ja, ou os estrondos emitidos pelas peças instaladas por Pedro Tudela.

Nietzsche, em A Gaia Ciência, falava-nos justamente da estranheza a propósito de som, e mais precisamente de música - o filósofo era compositor e melómano. Para Nietzsche era preciso “aprender a ouvir”- depois era preciso “esforço e boa vontade para suportar, apesar da sua estranheza, praticar a paciência com o seu aspeto e expressão, o bom coração com a sua singularidade”. Tal como o filósofo, com a aprendizagem da música, esta exposição pede uma experiência de escuta e deambulação que não se esgota num primeiro contacto. Pede tempo, esforço, para ser compreendida. O elogio da estranheza em Schwitters retoma a sua força. Pelo som poderá a arte transmitir com mais transparência e pureza, a sua mensagem? Longe da imagem ruidosa, esgotada, cansada, que ninguém consegue ver? Por isso lhe chamo a exposição do silêncio. O silêncio suficiente para que se pare, para que, com clareza, se retome os verdadeiros acontecimentos em arte.

Frases, algumas lamuriosas, outras descritivas sobre espaços, outras ainda em forma de ladainha, ecoam nas salas. Fragmentos de vozes, parecem despertar a urgência em repensar os fundamentos da arte, e quiçá, atrevo-me a pronunciar, a condição, desastrosa, da própria humanidade?

Mencionemos a peça de Luísa Cunha, um perpétuo “do what you have to do”, ecoa ao início da exposição. Ou a peça audio de Julião Sarmento, “Tribu”. Ainda a instalação de Laura Belém, acompanhada pelo impressionante título: “Escutura”. Entre outros como Rodney Graham, Dennis Oppenheim, Maria Thereza Alves, Jimmie Durham, Tacita Dean, Robert Barry, On Kawara, Joan Jonas, Bruce Nauman, Ricardo Jacinto, António Dias, Gonçalo Barreiros, Ceal Floyer, Michael Snow, Juan Munoz, James Lee Byars, ajudam a compor esta portentosa exposição, assente numa viagem pelo sonoro, e com curadoria de Delfim Sardo.

 

 

 

Carla Carbone
Estudou Desenho no Ar.co e Design de Equipamento na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Completou o Mestrado em Ensino das Artes Visuais. Escreve sobre Design desde 1999, primeiro no Semanário O Independente, depois em edições como o Anuário de Design, revista arq.a, DIF, Parq. Algumas participações em edições como a FRAME, Diário Digital, Wrongwrong, e na coleção de designers portugueses, editada pelo jornal Público. Colaborou com ilustrações para o Fanzine Flanzine e revista Gerador.