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NAUFRÁGIO ROMANO PERDIDO HÁ DOIS MIL ANOS RESSURGE NUM LAGO SUÍÇO

2026-04-03




Os vastos oceanos da Terra albergam centenas de milhares de espécies marinhas — e cerca de três milhões de barcos perdidos. No mês passado, a organização sem fins lucrativos suíça Octopus Foundation juntou-se ao Gabinete Cantonal de Arqueologia de Neuchâtel e ao Serviço Arqueológico do Estado de Friburgo para ajudar a trazer à luz mais um naufrágio no Lago Neuchâtel. Aí, os mergulhadores encontraram um conjunto de 600 peças de cerâmica, armas e ferramentas com 2000 anos, todas milagrosamente preservadas por sedimentos que foram levados pela erosão devido aos projetos de correção hídrica do Jura.

A Fundação Octopus trabalha nesta região desde que o seu fundador, Julien Pfyffer, conheceu o arqueólogo subaquático de Neuchâtel, Fabien Langenegger, em 2018. "Ele sabia da existência de três naufrágios diferentes que precisavam de ser estudados devido à erosão subaquática", disse Pfyffer por e-mail.

Em 2024, o engenheiro Fabien Droz avistou o mais recente projeto da fundação, chamado naufrágio do Eagles, de cima, através de um drone. Em novembro desse ano, Langenegger e Pfyffer realizaram um mergulho para confirmar e avaliar o local, a 8 metros de profundidade. Recolheram diversas amostras para “análise rápida”, incluindo um pedaço de madeira. A datação dendrocronológica situou o naufrágio entre 50 a.C. e 50 d.C. — o início do Império Romano.

Em breve, os investigadores perceberam que o grande conjunto de pratos, taças e cálices de cerâmica agrupados no centro desta área de 60 por 24 metros era recente, “muito provavelmente produzido por um oleiro e destinado à venda”, afirmou a Octopus Foundation. Infelizmente, não foi encontrada nenhuma marca do oleiro que revele a sua origem. As análises iniciais indicam que são do Planalto Suíço.

Assim, este naufrágio suíço destaca-se de outros que a Octopus Foundation ajudou a trazer à luz no Lago Neuchâtel. De facto, Pfyffer considera esta uma descoberta única na vida. "Normalmente, os objetos encontrados no solo foram usados, vendidos, partidos, descartados ou enterrados com os mortos", disse. "Aqui, o acidente está a fornecer-nos objetos totalmente novos que muito provavelmente se tornarão uma referência para [este] período específico."

O próprio navio continua desaparecido. "A minha visão optimista leva-me a crer que, talvez aliviados pelo peso da carga, os marinheiros e soldados romanos tenham conseguido salvar o seu barco", disse Pfyffer.

Treze especialistas regressaram em 2025 para mapear e escavar o local mais a fundo, reunindo 150 objetos para conservação no Museu de Arqueologia de Laténium, nas proximidades. Encontraram também fragmentos de duas ânforas de cerâmica usadas para azeite ou vinho numa área mais distante, bem como rodas de carruagem de madeira e metal.

As equipas só regressariam um ano depois. Mantiveram o local do naufrágio em segredo. A Fundação Octopus chegou mesmo a desenvolver um sistema de vigilância subaquática.

No mês passado, recuperaram os restantes 450 artefactos. A tarefa revelou-se difícil, uma vez que as delicadas cerâmicas estavam em grande parte empilhadas. Foram ainda encontradas ferramentas e armas de metal, levando a equipa a crer que esta carga se destinava a uma legião romana que se estabeleceria nas margens do Reno. Um cesto de vime, milagrosamente conservado, continha uma variedade de cerâmicas, talvez utilizadas pelos cozinheiros do navio.

Os objetos serão expostos no Laténium, aguardando estudos e conservação.


Fonte: Artnet News