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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição Oficina Tropical, de Francisco Vidal. Fotografia cortesia zet gallery.


Vista da exposição Oficina Tropical, de Francisco Vidal. Fotografia cortesia zet gallery.


Vista da exposição Oficina Tropical, de Francisco Vidal. Fotografia cortesia zet gallery.


Vista da exposição Oficina Tropical, de Francisco Vidal. Fotografia cortesia zet gallery.


Vista da exposição Oficina Tropical, de Francisco Vidal. Fotografia cortesia zet gallery.


Vista da exposição Oficina Tropical, de Francisco Vidal. Fotografia cortesia zet gallery.


Tempestade 15 (2020), da série “Tempestade”, Francisco Vidal. Imagem cortesia zet gallery.

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ARQUIVO:


FRANCISCO VIDAL

OFICINA TROPICAL




ZET GALLERY
Rua do Raio, 175 4710-923
4710-923

14 MAR - 31 MAI 2020


 

[Com os museus temporariamente fechados por todo o mundo, a Artecapital continua a publicar críticas de exposições interrompidas devido à Covid-19] 

 

 

 

Francisco Vidal tem vindo a desenvolver, nos últimos quinze anos, uma prática artística de inequívoca dimensão autobiográfica, embora esta não deva ser confundida nem tida como mera manobra autopromocional ou autorreferencial, mas antes como a íntima extensão de si mesmo, através da continuada tradução pictórica, obsessiva na cor e no desenho, da sua individualidade e identidade, num eterno work-in-progress.

Nascido em Portugal, de pais angolanos e cabo-verdianos, o artista combina influências estéticas desacordantes, como o cubismo, a banda desenhada, padrões africanos ou a cultura hip-hop dos anos 80, para além do graffiti contemporâneo e da street art. A sua prática artística, por intermédio do desenho, pintura, escultura e da instalação, reflete transversalmente reminiscências das suas origens - uma educação transcultural, descendente da intersecção entre a cultura angolana, cabo-verdiana e portuguesa - o que resulta numa obra pictoricamente vibrante e irreverente. Exemplo deste melting-pot visual é esta exposição, «Oficina Tropical», patente na Zet Gallery, em Braga, encerrada temporariamente devido à pandemia da Covid-19, em que apresenta quase uma centena de obras, fundamentalmente pensadas para este local, onde se explora a multiplicidade de cores, ideias, suportes e referências, empregues pelo artista.

Vidal, ao refletir possibilidades de expressão estética na relação com a sociedade e efemérides portuguesa e angolana, inflige significância a um trabalho profundamente enraizado com as suas heranças transculturais. Com efeito, as suas obras abordam temas como a raça, a miscigenação cultural e a diáspora africana, que espelham preocupações sociais e a sua própria autoconsciência enquanto indivíduo, como são exemplo as obras que apresenta nesta nova série de trabalhos. Nesta exposição e, por extensão, transversalmente em toda a obra do artista, combina-se a fúria da cor e a liberdade do desenho. Um remix de referências e influências, em livre associação, que reflete a autêntica poética da criatividade contemporânea, abraçada pela multiculturalidade.

Maioritariamente constituída por desenhos e pinturas, esta nova série de trabalhos ilustra os mais significativos acontecimentos na vida do artista, ocorridos nos últimos meses que antecederam a inauguração da exposição. Por intermédio da forma, linha e da cor, tudo o que acontece à sua volta é absorvido na pintura e no desenho. Destacando-se, aqui, os acontecimentos onde transparece uma profunda natureza humana, como a escolha em representar Moussa Marega, uma percetível crítica à injustiça racial que sofreu recentemente o futebolista.

Ora reflexão, ora crítica, os desenhos e as pinturas multiplicam-se num percurso plástico circundante, revelando tácitas marcas de inquietações sociais, universais e intemporais. Representativo desta constante reflexão social, são as desconcertantes pinturas sobre catanas de flores de algodão, que integram esta exposição. Apesar da sua composição alegre e colorida, estas pinturas escondem uma simbólica referência aos tempos da escravatura. As obras aludem à batalha de 1961, ocorrida na Baixa de Cassanje, uma região produtora de algodão, agora considerada como o início da Guerra da Independência angolana. Em 1961, sob o regime colonial português, os trabalhadores revoltaram-se na Baixa de Cassanje insatisfeitos com as condições de trabalho forçado e as tropas portuguesas lançaram uma bomba de napalm nos campos de algodão que provocou um elevado número de mortos.

Seja na revelação de passados históricos menos conhecidos (como na série de retratos que elaborou sobre as muitas figuras que contribuíram para o pensamento angolano contemporâneo), seja na representação da contemporaneidade atual (que se constrói a partir de acontecimentos do quotidiano relacional) ou na busca por um futuro socialmente comprometido (que passa pela aproximação à arte, como a sua proposta em criar escolas direcionadas para o ensino artístico); é recorrente no trabalho de Vidal a constante reflexão social na busca da hegemonia angolana que designa como «Luuanda Rising».

Assente no movimento afrofuturista, Francisco Vidal traça cenários de um país passado, presente e futuro através de uma elaborada construção imagética consciente de uma condição pós-colonial involuntária, nunca se desunindo do seu compromisso com o real contemporâneo seja este social, político ou artístico.

 

 

 

Francisca Correia
Aluna de Programação e Produção Cultural na ESAD.CR. Encontra-se neste momento a realizar um estágio curricular na Artecapital, na área de produção e divulgação de conteúdos.

 



FRANCISCA CORREIA