Links

O ESTADO DA ARTE


The Merge, Pak. Imagem cortesia Nifty Gateway

Outros artigos:

2022-06-30


ARTE DIGITAL E CIRCUITOS ONLINE
 

2022-05-29


MULHERES, VAMPIROS E OUTRAS CRIATURAS QUE REINAM
 

2022-04-29


EGÍDIO ÁLVARO (1937-2020). ‘LEMBRAR O FUTURO: ARQUIVO DE PERFORMANCES’
 

2022-03-27


PRATICA ARTÍSTICA TRANSDISCIPLINAR: A INVESTIGAÇÃO NAS ARTES
 

2022-02-26


OS HÁBITOS CULTURAIS… DAS ORGANIZAÇÕES CULTURAIS PORTUGUESAS
 

2022-01-27


ESPERANÇA SIGNIFICA MAIS DO QUE OPTIMISMO
 

2021-12-26


ESCOLA DE PROCRASTINAÇÃO, UM ESTUDO
 

2021-11-26


ARTE = CAPITAL
 

2021-10-30


MARLENE DUMAS ENTRE IMPRESSIONISTAS, ROMÂNTICOS E SUMÉRIOS
 

2021-09-25


'A QUE SOA O SISTEMA QUANDO LHE DAMOS OUVIDOS'
 

2021-08-16


MULHERES ARTISTAS: O PARADOXO PORTUGUÊS
 

2021-06-29


VIVER NUMA REALIDADE PÓS-HUMANA: CIÊNCIA, ARTE E ‘OUTRAMENTOS’
 

2021-05-24


FRESTAS, UMA TRIENAL PROJETADA EM COLETIVIDADE. ENTREVISTA COM DIANE LINA E BEATRIZ LEMOS
 

2021-04-23


30 ANOS DO KW
 

2021-03-06


A QUESTÃO INDÍGENA NA ARTE. UM CAMINHO A PERCORRER
 

2021-01-30


DUAS EXPOSIÇÕES NO PORTO E MUITOS ARQUIVOS SOBRE A CIDADE
 

2020-12-29


TEORIA DE UM BIG BANG CULTURAL PÓS-CONTEMPORÂNEO - PARTE II
 

2020-11-29


11ª BIENAL DE BERLIM
 

2020-10-27


CRITICAL ZONES - OBSERVATORIES FOR EARTHLY POLITICS
 

2020-09-29


NICOLE BRENEZ - CINEMA REVISITED
 

2020-08-26


MENSAGENS REVOLUCIONÁRIAS DE UM TEMPO PERDIDO
 

2020-07-16


LIÇÕES DE MARINA ABRAMOVIC
 

2020-06-10


FRAGMENTOS DO PARAÍSO
 

2020-05-11


TEORIA DE UM BIG BANG CULTURAL PÓS-CONTEMPORÂNEO
 

2020-04-24


QUE MUSEUS DEPOIS DA PANDEMIA?
 

2020-03-24


FUCKIN’ GLOBO 2020 NAS ZONAS DE DESCONFORTO
 

2020-02-21


ELECTRIC: UMA EXPOSIÇÃO DE REALIDADE VIRTUAL NO MUSEU DE SERRALVES
 

2020-01-07


SEMANA DE ARTE DE MIAMI VIA ART BASEL MIAMI BEACH: UMA EXPERIÊNCIA MAIS OU MENOS ESTÉTICA
 

2019-11-12


36º PANORAMA DA ARTE BRASILEIRA
 

2019-10-06


PARAÍSO PERDIDO
 

2019-08-22


VIVER E MORRER À LUZ DAS VELAS
 

2019-07-15


NO MODELO NEGRO, O OLHAR DO ARTISTA BRANCO
 

2019-04-16


MICHAEL BIBERSTEIN: A ARTE E A ETERNIDADE!
 

2019-03-14


JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO – O JOGO DO INDIZÍVEL
 

2019-02-08


A IDENTIDADE ENTRE SEXO E PODER
 

2018-12-20


@MIAMIARTWEEK - O FUTURO AGENDADO NO ÉDEN DA ARTE CONTEMPORÂNEA
 

2018-11-17


EDUCAÇÃO SENTIMENTAL. A COLEÇÃO PINTO DA FONSECA
 

2018-10-09


PARTILHAMOS DA CRÍTICA À CENSURA, MAS PARTILHAMOS DA FALTA DE APOIO ÀS ARTES?
 

2018-09-06


O VIGÉSIMO ANIVERSÁRIO DA BIENAL DE BERLIM
 

2018-07-29


VISÕES DE UMA ESPANHA EXPANDIDA
 

2018-06-24


O OLHO DO FOTÓGRAFO TAMBÉM SOFRE DE CONJUNTIVITE, (UMA CONVERSA EM TORNO DO PROJECTO SPECTRUM)
 

2018-05-22


SP-ARTE/2018 E A DIFÍCIL TAREFA DE ESCOLHER O QUE VER
 

2018-04-12


NO CORAÇÂO DESTA TERRA
 

2018-03-09


ÁLVARO LAPA: NO TEMPO TODO
 

2018-02-08


SFMOMA SAN FRANCISCO MUSEUM OF MODERN ART: NARRATIVA DA CONTEMPORANEIDADE
 

2017-12-20


OS ARQUIVOS DA CARNE: TINO SEHGAL CONSTRUCTED SITUATIONS
 

2017-11-14


DA NATUREZA COLABORATIVA DA DANÇA E DO SEU ENSINO
 

2017-10-14


ARTE PARA TEMPOS INSTÁVEIS
 

2017-09-03


INSTAGRAM: CRIAÇÃO E O DISCURSO VIRTUAL – “TO BE, OR NOT TO BE” – O CASO DE CINDY SHERMAN
 

2017-07-26


CONDO: UM NOVO CONCEITO CONCORRENTE À TRADICIONAL FEIRA DE ARTE?
 

2017-06-30


"LEARNING FROM CAPITALISM"
 

2017-06-06


110.5 UM, 110.5 DOIS, 110.5 MILHÕES DE DÓLARES,… VENDIDO!
 

2017-05-18


INVISUALIDADE DA PINTURA – PARTE 2: "UMA HISTÓRIA DA VISÃO E DA CEGUEIRA"
 

2017-04-26


INVISUALIDADE DA PINTURA – PARTE 1: «O REAL É SEMPRE AQUILO QUE NÃO ESPERÁVAMOS»
 

2017-03-29


ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O CONCEITO CONTEMPORÂNEO DE FEIRA DE ARTE
 

2017-02-20


SOBRE AS TENDÊNCIAS DA ARTE ACTUAL EM ANGOLA: DA CRIAÇÃO AOS NOVOS CANAIS DE LEGITIMAÇÃO
 

2017-01-07


ARTLAND VERSUS DISNEYLAND
 

2016-12-15


VALORES DA ARTE CONTEMPORÂNEA: UMA CONVERSA COM JOSÉ CARLOS PEREIRA SOBRE A PUBLICAÇÃO DE O VALOR DA ARTE
 

2016-11-05


O VAZIO APOCALÍPTICO
 

2016-09-30


TELEPHONE WITHOUT A WIRE – PARTE 2
 

2016-08-25


TELEPHONE WITHOUT A WIRE – PARTE 1
 

2016-06-24


COLECCIONADORES NA ARCO LISBOA
 

2016-05-17


SONNABEND EM PORTUGAL
 

2016-04-18


COLECCIONADORES AMADORES E PROFISSIONAIS COLECCIONADORES (II)
 

2016-03-15


COLECCIONADORES AMADORES E PROFISSIONAIS COLECCIONADORES (I)
 

2016-02-11


FERNANDO AGUIAR: UM ARQUIVO POÉTICO
 

2016-01-06


JANEIRO 2016: SER COLECCIONADOR É…
 

2015-11-28


O FUTURO DOS MUSEUS VISTO DO OUTRO LADO DO ATLÂNTICO
 

2015-10-28


O FUTURO SEGUNDO CANDJA CANDJA
 

2015-09-17


PORQUE É QUE OS BLOCKBUSTERS DE MODA SÃO MAIS POPULARES QUE AS EXPOSIÇÕES DE ARTE, E O QUE É QUE PODEMOS DIZER SOBRE ISSO?
 

2015-08-18


OS DESAFIOS DO EFÉMERO: CONSERVAR A PERFORMANCE ART - PARTE 2
 

2015-07-29


OS DESAFIOS DO EFÉMERO: CONSERVAR A PERFORMANCE ART - PARTE 1
 

2015-06-06


O DESAFINADO RONDÒ ENWEZORIANO. “ALL THE WORLD´S FUTURES” - 56ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DE VENEZA
 

2015-05-13


A 56ª BIENAL DE VENEZA DE OKWUI ENWEZOR É SOMBRIA, TRISTE E FEIA
 

2015-04-08


A TUMULTUOSA FERTILIDADE DO HORIZONTE
 

2015-03-04


OS MUSEUS, A CRISE E COMO SAIR DELA
 

2015-02-09


GUIDO GUIDI: CARLO SCARPA. TÚMULO BRION
 

2015-01-13


IDEIAS CAPITAIS? OLHANDO EM FRENTE PARA A BIENAL DE VENEZA
 

2014-12-02


FUNDAÇÃO LOUIS VUITTON
 

2014-10-21


UM CONTEMPORÂNEO ENTRE-SERRAS
 

2014-09-22


OS NOSSOS SONHOS NÃO CABEM NAS VOSSAS URNAS: Quando a arte entra pela vida adentro - Parte II
 

2014-09-03


OS NOSSOS SONHOS NÃO CABEM NAS VOSSAS URNAS: Quando a arte entra pela vida adentro – Parte I
 

2014-07-16


ARTISTS' FILM BIENNIAL
 

2014-06-18


PARA UMA INGENUIDADE VOLUNTÁRIA: ERNESTO DE SOUSA E A ARTE POPULAR
 

2014-05-16


AI WEIWEI E A DESTRUIÇÃO DA ARTE
 

2014-04-17


QUAL É A UTILIDADE? MUSEUS ASSUMEM PRÁTICA SOCIAL
 

2014-03-13


A ECONOMIA DOS MUSEUS E DOS PARQUES TEMÁTICOS, NA AMÉRICA E NA “VELHA EUROPA”
 

2014-02-13


É LEGAL? ARTISTA FINALMENTE BATE FOTÓGRAFO
 

2014-01-06


CHOICES
 

2013-09-24


PAIXÃO, FICÇÃO E DINHEIRO SEGUNDO ALAIN BADIOU
 

2013-08-13


VENEZA OU A GEOPOLÍTICA DA ARTE
 

2013-07-10


O BOOM ATUAL DOS NEGÓCIOS DE ARTE NO BRASIL
 

2013-05-06


TRABALHAR EM ARTE
 

2013-03-11


A OBRA DE ARTE, O SISTEMA E OS SEUS DONOS: META-ANÁLISE EM TRÊS TEMPOS (III)
 

2013-02-12


A OBRA DE ARTE, O SISTEMA E OS SEUS DONOS: META-ANÁLISE EM TRÊS TEMPOS (II)
 

2013-01-07


A OBRA DE ARTE, O SISTEMA E OS SEUS DONOS. META-ANÁLISE EM TRÊS TEMPOS (I)
 

2012-11-12


ATENÇÃO: RISCO DE AMNÉSIA
 

2012-10-07


MANIFESTO PARA O DESIGN PORTUGUÊS
 

2012-06-12


MUSEUS, DESAFIOS E CRISE (II)


 

2012-05-16


MUSEUS, DESAFIOS E CRISE (I)
 

2012-02-06


A OBRA DE ARTE NA ERA DA SUA REPRODUTIBILIDADE DIGITAL (III - conclusão)
 

2012-01-04


A OBRA DE ARTE NA ERA DA SUA REPRODUTIBILIDADE DIGITAL (II)
 

2011-12-07


PARAR E PENSAR...NO MUNDO DA ARTE
 

2011-04-04


A OBRA DE ARTE NA ERA DA SUA REPRODUTIBILIDADE DIGITAL (I)
 

2010-10-29


O BURACO NEGRO
 

2010-04-13


MUSEUS PÚBLICOS, DOMÍNIO PRIVADO?
 

2010-03-11


MUSEUS – UMA ESTRATÉGIA, ENFIM
 

2009-11-11


UMA NOVA MINISTRA
 

2009-04-17


A SÍNDROME DOS COCHES
 

2009-02-17


O FOLHETIM DE VENEZA
 

2008-11-25


VANITAS
 

2008-09-15


GOSTO E OSTENTAÇÃO
 

2008-08-05


CRÍTICO EXCELENTÍSSIMO II – O DISCURSO NO PODER
 

2008-06-30


CRÍTICO EXCELENTÍSSIMO I
 

2008-05-21


ARTE DO ESTADO?
 

2008-04-17


A GULBENKIAN, “EM REMODELAÇÃO”
 

2008-03-24


O QUE FAZ CORRER SERRALVES?
 

2008-02-20


UM MINISTRO, ÓBICES E POSSIBILIDADES
 

2008-01-21


DEZ PONTOS SOBRE O MUSEU BERARDO
 

2007-12-17


O NEGÓCIO DO HERMITAGE
 

2007-11-15


ICONOLOGIA OFICIAL
 

2007-10-15


O CASO MNAA OU O SERVILISMO EXEMPLAR
 

ARTE DIGITAL E CIRCUITOS ONLINE

CONSTANÇA BABO

2022-06-30




 

 

Criar, colecionar e divulgar arte no espaço online é cada vez mais comum e reflete a atual era tecnológica, na qual o digital se afirma enquanto principal meio de percepção e de interação com o mundo. A esfera da internet e das redes tem vindo a tornar-se numa forte alternativa aos tradicionais circuitos da arte, consistindo numa plataforma eficaz tanto na apresentação e na disseminação, quanto na validação das obras, algo que outrora se encontrava circunscrito às instituições culturais e ao mercado da arte.

O digital é, pois, um lugar paralelo, desterritorializado, transversal e, de certo modo, autónomo, na medida em que permite maior liberdade não só ao nível da criação, como da circulação e da recepção dos objetos artísticos. Os artistas autonomizam-se e, em certa medida, desvinculam-se das entidades institucionais e dos seus respetivos modelos e condicionalismos. A internet permite uma certa independência face às hierarquias e aos regimes de legitimação da arte, ao mesmo tempo que propicia um contacto mais direto com o público e uma maior participação deste último (Couchot e Hillaire, 2003, p. 190). Se o sistema da arte era definido por circuitos fechados, agora, com a digitalização, torna-se num campo aberto.

Recorde-se que a atual condição digital foi impulsionada pelos novos media, de estética e dinâmica organizacional próprias, que lançaram inúmeras possibilidades de exibição, coleção e arquivo, bem como de reunião de distintos objetos, ou referências e representações, num mesmo espaço virtual. Como tal, rapidamente as instituições recorreram a meios tecnológicos enquanto ferramentas para inúmeros fins. No caso da internet, a sua utilização só se popularizou a partir dos anos 2000, primeiramente para anunciar artistas, exposições e eventos e, depois, para a criação de databases de museus e galerias. Mais recentemente, surgem instituições sustentadas em metaversos, ou seja, em universos virtuais e espaços expositivos inteiramente digitais, a par de novos formatos, tais como galerias e feiras virtuais.

Contudo, embora a internet tenha afirmado o seu lugar na esfera da arte, prevaleceu uma falta de acordo por parte da comunidade museológica relativamente ao valor da “web-specific art” (Dietz, 1998), algo que também sucedeu com os restantes novos media. Isso decorre da temporalidade ambígua e da elevada interatividade do digital, por um lado, e, por outro, da transfiguração dos objetos, nomeadamente da sua condensação em dados. Com as novas tecnologias emerge um novo permanente e o efémero passa a registado, ao mesmo tempo que se dificulta a distinção entre arte e não arte e se diluem as fronteiras entre local e não-local. Dá-se, assim, o colapso dos conceitos espaço físico e materialidade, o que, por sua vez, problematiza a posse dos objetos e a economia da arte.

Observem-se os non-fungible tokens (NFT), com os quais se evidenciam inúmeros desafios do online. Eles fazem corresponder obras de arte a unidades de dados e permitem que as mesmas sejam adquiridas sem a sua deslocação física, ao mesmo tempo que facilitam a circulação tanto de objetos e artistas, como de compradores, mesmo com menor poder de compra, como os jovens. Ora, embora isto se traduza na evolução e na ampliação do mercado da arte, também o altera estruturalmente, sobretudo ao retirá-lo do domínio dos magnatas e grandes colecionadores. Indique-se a leiloeira Phillips cujas exposições e leilões, de obras “materiais” e “imateriais”, introduzem peças nos circuitos da arte e afirmam valores.

Contudo, note-se que, sendo os NFT representativos do valor da arte, consistindo na sua propriedade (digital), garantem a autoria e a posse. Ademais, preservam o “original”, pois os algoritmos circunscrevem os exemplares de uma dada obra, ao contrário das infinitas possibilidades de reprodução da fotografia. Não obstante, é a partir desta última e da problemática da reprodutibilidade técnica, teorizada por Benjamin (1935), que se requer pensar a atualidade digital.

Recorde-se que a fotografia, sendo acessível a todos e tendo possibilitado a cópia, a apropriação e a colagem, democratizou a produção de imagens. Conduziu à desmistificação da arte e da capacidade autoral, criativa e de génio, o que, até então, determinava a autenticidade e a originalidade das obras. Esta situação acentua-se com os novos media, e enuncia-se com conceitos tais como copyright e propriedade intelectual. Há, igualmente, uma renovada democratização das massas, e se a fotografia banalizou a criação e a produção imagéticas, e o cinema estimulou a atividade crítica, as redes digitais e a ampla esfera da comunicação incitam permanentes partilhas, cópias e opiniões públicas. Para tal também contribui, como sublinha Bragança de Miranda (2007, p. 202), a capacidade da tecnologia em transpor toda a matéria em imagem total, numa espécie de “imagem-da-técnica”. O resultado é um excesso de imagens que contribui para a perda da aura e do valor cultural, e a substituição deste último pelo valor expositivo, para além do previsto por Benjamin.

Relativamente aos desafios próprios do digital, decorrem, sobretudo, das suas inovação e imprevisibilidade. Desde logo, na internet, tudo tende a sofrer alterações e a caducar com o tempo, conduzindo a páginas vazias e “404-Object not found”. Ademais, os novos media são raramente concebidos de raíz, pois as técnicas de reprodução e sintetização instalam inéditas formas de ready-made, num copy past que permite utilizar e redefinir elementos pré-existentes em infinitas manipulações e conjugações. Como refere Manovich (2013, p. 352), é sempre possível, através de “data fusions”, criar novos algoritmos ou expandir os existentes.

O digital permite selecionar, utilizar e redefinir elementos, numa infinidade de criações, edições, adições e transformações, contexto no qual se destaca o computador. Por conseguinte, e como explica Flusser (1984, p.108), com o digital, uma das noções basilares da arte, a criação, passa a ser entendida enquanto produto de uma informação pré-existente, associada a um processamento data. Acrescenta-se que, mesmo na sua apresentação, cada objeto pode apresentar-se de diversas formas e ocultar ou revelar, de cada vez, distintos aspetos da sua composição visual, física ou, mesmo, conceptual.

Perante este complexo e revolucionário panorama verifica-se um prevalente paradoxo entre uma tecnocracia, ou determinismo tecnológico, e uma tecnofobia expressa, sobretudo, pela defesa do sistema da arte postulado desde a modernidade. Ora, o que aqui se propõe é abraçar o desenvolvimento tecnológico através da sua integração nas várias dimensões da esfera da arte, mas, simultaneamente, preservar os contínuos debates e crítica, os quais são fundamentais tanto na reestruturação dos quadros e modelos do sistema da arte, como na preservação do valor e de uma certa “aura” do objeto artístico.

 


Constança Babo
Doutoranda em Arte dos Média na Universidade Lusófona de Lisboa e bolseira FCT, tendo como área de investigação o objeto artístico dos novos média e os seus modelos expositivos. É mestre em Estudos Artísticos - Teoria e Crítica de Arte pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e licenciada em Artes Visuais - Fotografia pela Escola Superior Artística do Porto. Tem publicado artigos científicos e textos críticos.

 


:::

Referências bibliográficas

BRAGANÇA DE MIRANDA (2007). Teoria da Cultura. Nova Vega.
BENJAMIN, W. (2006 [1935]). A Obra de Arte na Época da Sua Possibilidade de Reprodução Técnica. Assírio & Alvim.
COUCHOT, E.; HILLAIRE, N. (2003). L’Art Numérique. Éditions Flammarion.
DIETZ, S. (1998). Curating (on) the Web
FLUSSER, V. (1996). “Digital Apparition”. In Druckrey, T. (ed) Electronic Culture. Technology and visual representation. (p. 242-245). Aperture.
MANOVICH, L. (2013). Software takes command. Bloomsbury.