Links

ENTREVISTA



ALOÑA INTXAURRANDIETA


Entrevista a Aloña Intxaurrandieta, uma das constituintes da Wiki-historias, plataforma de intervenção cultural local, do País Basco, e também on-line, cujo objectivo primordial é reunir mulheres para que em conjunto possam gerar mecanismos para uma sua maior integração no mercado da arte, quer da produção artística de mulheres artistas, quer de mulheres mediadoras. A reescrita da (muitas vezes subjectiva) história da arte, e a criação de paradigmas discursivos mais justos desde uma perspectiva de género, tem vindo a ser um dos objectivos desta plataforma que procura contrariar um sistema que reproduz modelos falocêntricos, não só nas representações artísticas da feminilidade mas também no sistema de legitimação de artistas e que, portanto, ainda tende a favorecer claramente mais os homens em detrimento das mulheres.
LER MAIS


O ESTADO DA ARTE



AUGUSTO M. SEABRA


UMA NOVA MINISTRA
Fazendo uso de uma retórica amarga e de extrema decepção, o ex-ministro socialista da Cultura, Manuel Maria Carrilho, num diagnóstico acutilante do total falhanço do “Compromisso para a Cultura” do programa do governo socialista, o de Sócrates I, interrogava mesmo se o quadriénio 2005-2009 não se teria transformado numa “legislatura perdida”. Foi ainda muito pior que isso. Mais do que apenas uma capacidade, a memória é – deve ser – um dos nossos instrumentos fundamentais de percepção e análise.
LER MAIS

Jorge Lopes - very contemporary

28 de Janeiro a 13 de Março
(+)

PERSPECTIVA ACTUAL

SUSANA MOUZINHO


CHANTAL AKERMAN. POÉTICAS DO QUOTIDIANO
A galeria Marian Goodman em Paris acolheu até recentemente uma instalação da cineasta belga Chantal Akerman, intitulada “Maniac Summer”. Akerman, que desde meados dos anos 90 expõe regularmente em galerias e museus, estreou-se com a instalação do filme “D’Est” (1), na Galerie Nationale du Jeu de Paume em Paris no ano de 1995, a convite da comissária e crítica Catherine David. Chantal Akerman passou assim a integrar um grupo de cineastas (entre eles, Abbas Kiarostami e Agnès Varda) que utiliza o museu ou a galeria como meio de exibição de trabalho fotográfico ou com imagens em movimento, e como plataforma para pensar as formas de comunicabilidade das imagens e o cinema.
LER MAIS

ROSANA SANCIN


NOTAS SOBRE A CENA ARTÍSTICA DE LIUBLIANA
Este texto resulta de uma série de entrevistas feitas a alguns dos protagonistas da cena artística de Liubliana. A ideia surgiu do encontro com Roman Uranjek, membro do grupo Irwin, com quem já tinha trabalhado na exposição “Irwin - A História Re-construída”, realizada na Culturgest, em Lisboa. É evidente que faltam alguns elementos essenciais ao sistema de arte esloveno, um mercado de arte desenvolvido e transparente, reflexão crítica e políticas de educação adequadas. No entanto, apesar da sua dimensão, a maioria dos entrevistados considera a cena artística de Liubliana muito dinâmica e com grande visibilidade no contexto internacional.
LER MAIS

OPINIÃO

SOFIA NUNES


O CASO DE JOS DE GRUYTER E HARALD THYS
A exposição “Jos de Gruyter e Harald Thys”, comissariada por Miguel Wandschneider e recentemente apresentada na Culturgest, foi sem dúvida uma das melhores exposições que pudemos assistir ao longo de 2009. Lamentavelmente, passou ao lado dos balanços de alguma crítica especializada com responsabilidade e que mais uma vez se ficou pelo convencionalismo. Mas vejamos então de perto o caso destes dois artistas belgas, que até há bem pouco tempo era praticamente desconhecido fora do seu país.
LER MAIS

ARQUITECTURA E DESIGN

D. SANTOS E P. BANDEIRA


PARA UMA ARQUITECTURA SWISSPORT
Nos dias 24 e 25 de Setembro de 2009, reuniram-se mil pessoas na Casa da Música do Porto para participar no seminário Swissport’09, um evento que, surpreendendo as expectativas de todos, teve lotação esgotada. A participação das estrelas Siza Vieira, Jacques Herzog ou Souto de Moura (entre outros) fizeram deste seminário o acontecimento mediático do ano. A arquitectura de Rem Koolhaas acolheu e enfatizou o carácter social e glamoroso da festa. Vestimo-nos de preto e de prata e para não minorar qualquer expectativa decidimos, agora, produzir um “Manifesto” com a vontade de sintetizar o que foi dito e defendido. Adverte-se o leitor que este “Manifesto” não tem qualquer ambição de rigor científico. Concebeu-se a partir da recolha e análise subjectiva de dados cujos critérios de composição são emocionalmente falíveis; dados esses que se camuflam num tempo verbal infinitivo impessoal procurando uma coerência e convicção onde ela não existe nem poderia existir.
LER MAIS

DESTAQUE

Carlos Noronha Feio

Snow wall, will you show me the way to restart it all?

Museu Nogueira da Silva, Braga
06 FEV- 28 FEV 2010

Objet Perdu

28 JANEIRO - 13 MARÇO
(+)


EXPOSIÇÕES ACTUAIS

CHRISTIAN BOLTANSKI

MONUMENTA 10 - Personnes


Grand Palais, Paris
Um enorme muro obstrui a visão do interior do Grand Palais apenas ultrapassada a porta de entrada. Este muro construído como um longo arquivo, composto por latas (de bolachas) em metal enferrujado, alinhadas como tijolos, constitui o primeiro elemento desta instalação concebida por Christian Boltanski como uma “obra de arte total”. Circundamo-lo e deparamo-nos com uma gigantesca montanha de roupa no eixo da nave central do edifício, de um diâmetro gigantesco. Uma grua equipada com uma “mão” mecânica desce até esta montanha agarrando peças de roupa em intervalos regulares; as pausas são teatrais pois as roupas ficam alguns minutos suspensas no ar até a pinça as deixar cair de novo, no mesmo sítio. O corpo do edifício, no seu eixo diagonal, encontra-se geometricamente dividido em 69 rectângulos, de 3 por 5 metros, sobre os quais se encontram casacos, sobretudos, blusões usados, todos com a abertura virada para o chão. Vemos as costas de um objecto impregnado de memórias físicas. São casacos de homens e mulheres e de longe a longe, exaltando a sua evidência, agasalhos de crianças pequenas ou de bebés. Cada rectângulo é iluminado por uma luz fria, em néon, suspensa por um fio de metal. O visitante pode caminhar por entre este campo de casacos.
Sílvia Guerra

COLECTIVA

É proibido proibir!


MUDE - Museu do Design e da Moda, Lisboa
Caetano Veloso grita numa sala do MUDE. Na verdade, Caetano grita num ecrã embutido numa parede do museu. Nesse ecrã, legendas amarelas dão forma a esta e outras frases de protesto que vão surgindo sobre uma fotografia do cantor enquanto jovem. Uma destas frases, gritadas como defesa às vaias, ovos e tomates com que ele e Os Mutantes foram recebidos no teatro TUC de São Paulo em 1968, onde estes gritos foram gravados, é “é proibido proibir”. Inspirada numa das máximas da revolta estudantil de Maio de 68, esta canção de Caetano, o seu grito contra a ditadura brasileira tornado hino do movimento Tropicália, empresta o título à mais recente exposição temporária do museu do design e da moda de Lisboa. Caetano grita no que é a antecâmara da exposição. Aqui, as paredes estão forradas a carpélio rosa-choque. Caixas de luz mostram imagens coloridas e pessoas felizes de cabelos compridos. O chão foi coberto por vinil brilhante às riscas pretas e brancas. O tecto é uma laje esventrada de cimento. A exposição “É proibido proibir!” ainda nem começou, mas os gritos de Caetano, o choque do carpélio, o psicadelismo das imagens e o cinzento do cimento manifestam já o desequilíbrio e o desconforto que se seguem.
LER MAIS Frederico Duarte

FEDERICO FELLINI

Fellini, la Grande Parade


Jeu de Paume (Concorde), Paris
“Fellini, la Grande Parade” é a mais recente exposição realizada sobre um dos maiores cineastas do século XX. Uma vasta exposição que ocupa os dois andares das galerias do Jeu de Paume, em Paris, e apresenta cerca de 400 documentos e 30 extractos de filmes. Foi realizada no âmbito das comemorações dos 50 anos do filme La Dolce Vita entre outros eventos promovidos nesse sentido pela Cinemateca Francesa. É também a mais recente tentativa de “fazer entrar o cinema no museu”, após a colectiva “Le Movement des Images” no Centre Pompidou (2006), ou de “Manoel de Oliveira” no Museu de Serralves (2008) e a par de iniciativas como o convite feito a Pedro Costa (não aceite) para representar Portugal na Bienal de Artes Visuais de Veneza de 2009. Todas estas diferentes experiências se subordinam ao mesmo princípio museográfico: tentar capturar o cinema fora da sala escura e mostrá-lo numa vitrina.
LER MAIS Sílvia Guerra

JOÃO FONTE SANTA

Pintura para uma nova sociedade


Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira
Explorar como Marlon Brando (o Coronel Kurtz do Coração das Trevas de Joseph Conrad e em Apocalipse Now de Francis Ford Coppola) os espaços em branco num mapa, chamá-lo sociedade e preencher-lhe os interstícios com pintura cromada em vez de napalm foi a aventura encetada nos últimos anos por João Fonte Santa. Fazer e ouvir história, a partir de e contida nesse conjunto de trabalhos, como aquela que os Sex Pistols fizeram e apenas quarenta e duas pessoas testemunharam na “Madchester” de 1976, foi a tarefa que o Museu do Neo-Realismo soube, à escala de Vila Franca de Xira, invocar e cumprir com a exposição “Pintura para uma nova sociedade”, a única individual institucional e a mais importante do percurso artístico de Fonte Santa.
LER MAIS Lígia Afonso

JOÃO LOURO

The Hustler


CAV - Centro de Artes Visuais, Coimbra
O Diabo espreita a cada esquina. O que não é necessariamente mau. À entrada do Centro de Artes Visuais, João Louro (n. 1963) expõe, em néon vermelho, a palavra tridimensional “Diablo”, directamente saída do universo do jogo de Las Vegas. È neste universo que o artista nos convida a entrar. Bem-vindos ao casino. A curadoria é de Albano da Silva Pereira e de Miguel Amado. “The Hustler” é igualmente o título do filme de Robert Rossen (1961), no qual o “pool player”, Eddie Felson/“Fast Eddie” – interpretado por Paul Newman –, pretende vencer o imbatível “Minnesota Fats” – Jackie Gleason –, a troco de glória e de um bom punhado de notas. Newman representa um “gambling man” obstinado com a vitória, porque só esta o faz sentir vivo. Nos trabalhos “Subtitles (The Hustler)”, João Louro apresenta precisamente diálogos – que funcionam como citações – do filme sobre um fundo negro, isto é, legendas ironicamente sem imagens para legendar.
LER MAIS Isabel Nogueira

ANTÓNIO OLAIO

Brrrrain


Culturgest, Lisboa
A língua no Planeta Olaio é una e onomatopaica, dada a simultaneidade das suas dimensões sónicas, fonéticas, imagéticas e semânticas. Reveste-se de uma inventividade formal e expressiva que decorre da interdependência, programaticamente combinatória, entre performance, pintura, poesia, música e vídeo, suportes a partir do cruzamento dos quais protagoniza uma excêntrica revolução idiomática que ocorre ao nível do cérebro, o lugar arquétipo preferido de Olaio. Corporizado e arrastado “assim, com muitos erres”*, em deliberado artifício estilístico, “Brrrrain” esteve quase a ser um disco. Não se salvou, no entanto, de se tornar numa grande exposição, para visitar com muito tempo e com o corpo todo na Culturgest, em Lisboa.
LER MAIS Lígia Afonso

COLECTIVA

Amália, Coração Independente


Museu Colecção Berardo, Lisboa
Amália Rodrigues morreu há dez anos, pretexto que leva agora o Museu Colecção Berardo (em parceria com o Museu da Electricidade, o outro núcleo da exposição) a revisitar essa metonímica figura que, segundo João Lisboa, é indispensável para se atingir uma completa noção do que foi o espírito da música e do século e sem a qual qualquer balanço ficará irremediavelmente amputado. Na realidade, qualquer coisa a mais emana tanto da voz como da imagem de Amália, ambas investidas de um uso social que ainda hoje lhes acrescenta força mítica. Discutir a relação que dentro do espaço expositivo tal narrativa mantém com o seu modo de apresentação visual parece-me desde já um ponto de análise importante.
LER MAIS Emanuel Cameira