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ENTREVISTA



MOACIR DOS ANJOS


Moacir dos Anjos é um dos curadores da 29ª Bienal de São Paulo. Em conversa com a ARTECAPITAL explica os fundamentos do evento; da ausência – ou talvez não – do trabalho de Lygia Clark; as relações entre arte e política e muitos outros pontos de interesse. Moacir dos Anjos (n. 1963, Recife) foi director geral do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM) no Recife, entre 2001 e 2006, e fez parte da equipa de coordenação curatorial do programa Itaú Cultural Artes Visuais, de 2001 a 2003. Também desenvolveu co-curadoria em 2007 na Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. Foi curador da Bienal “Panorama da Arte Brasileira” que decorreu em 2007 no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Entre vários projectos de curadoria realizados destacam-se também mostras individuais de Rosângela Rennó e Cildo Meireles ou ainda uma colectiva de Ernesto Neto e Rivane Neuenschwander. Publica regularmente artigos de teoria e história da arte e textos críticos sobre artistas em livros, catálogos e revistas. É autor da obra “Local/Global: Arte em Trânsito” (2005).
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O ESTADO DA ARTE



AUGUSTO M. SEABRA


MUSEUS PÚBLICOS, DOMÍNIO PRIVADO?
Os museus são por definição e História instituições de interesse público, abertos à comunidade, aos visitantes. Esse é desde logo o princípio dos museus de domínio público, no sentido de estarem na dependência do Estado central ou da administração local ou regional, como em certos países, por exemplo em Espanha, onde o florescimento de museus de arte contemporânea se deve em grande parte às instituições autonómicas, regionais. Há museus adquiridos pelo Estado a um coleccionador, ou família de coleccionadores como ainda em Espanha é o caso do Thyssen-Bornemisza, que espelham um gosto particular mas são do domínio público. Há museus privados, muitos nos Estados Unidos; há a Saatchi Gallery em Londres, as importantes colecções dos dois grandes magnatas franceses Bernard Arnault, detentor nomeadamente do grupo de luxo LVMT (Louis Vuitton - Moet Hennessy), com uma fundação a abrir no centro de Paris este ano, com projecto de Frank Gehry, e François Pinault, do grupo Printemps-La Redoute, com o museu na Île Seguin, nos arredores de Paris, e com o Palazzo Grassi e a Punta della Dogana em Veneza, o primeiro e o último com projectos de Tadao Ando, estes sendo privados também no sentido em que fortemente influem nos mercados e por essa via na valoração de certos artistas, o que por sua vez não deixa de ter repercussões na procura por outros museus, públicos.
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PERSPECTIVA ACTUAL

ROSANA SANCIN


what is waiting out there
A sexta Bienal de Berlim, comissariada por Kathrin Rhomberg, está espalhada por seis sítios diferentes, nos bairros de Mitte e Kreuzberg, e toma como ponto de partida a relação entre a arte e a realidade. A curadora refere-se ao escritor húngaro Imre Kertész e ao seu livro Liquidation, onde indica que a única certeza que podemos ter sobre a realidade é que esta se tornou “um termo problemático, e para além disso, sendo pior ainda, um estado problemático.” As posições artísticas aqui representadas têm em comum uma forte postura em relação ao presente, mesmo que as perspectivas difiram entre o empenhamento mais analítico, especulativo ou associativo. As abordagens vão para além das questões formais ou estéticas, ou outras inerentes à arte. Trata-se acima de tudo de obras que literalmente produzem a nossa realidade e de alguma maneira nos devolvem ao título da bienal: “what is waiting out there”.
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OPINIÃO

FILIPE PINTO


A PROPÓSITO DE LA CIENAGA DE LUCRECIA MARTEL (Sobre Tempo, Solidão e Cinema)
Começo por dizer que não vou aqui contextualizar o filme, isto é, falar do lugar cultural e político de onde provem; não me vou referir ao chamado cinema novo argentino, do qual aparentemente Lucrecia Martel faz parte, nem da decadência da classe média desse país, que supostamente é retratada neste Pântano, nem das tensões raciais que perpassam todo o filme. Também não me debruçarei sobre o assunto, sobre o tema do filme, seja ele qual for; na verdade, o movimento habitual pela procura do tema de um filme, como se fosse uma espécie de intriga policial em busca de um significado, foi sempre algo que me interessou pouco; por duas razões: Se admitirmos que uma obra de arte ou um filme tem um tema, não haverá melhor pessoa para o desvendar do que o próprio autor – e a palavra do autor aprisiona sempre a experiência, cria um escantilhão para percepção: ora, a demanda pelo assunto de uma obra pode ser sempre infrutífera, enganadora, frustrante.
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ARQUITECTURA E DESIGN

JOANA ASTOLFI


ATYPYK PRODUCTS ARE NOT MADE IN CHINA
A linha que adoptei para a secção de Design da Artecapital parte da transversalidade do design contemporâneo, o design conceptual, o design que combina o pensamento com uma dimensão verdadeiramente artística. A construção de cada um dos artigos baseia-se num ‘ping-pong’ de imagens – lanço uma selecção de imagens ao designer convidado, e este/a responde com uma imagem do seu trabalho (ou não), e um comentário ou link. ATYPYK é uma empresa criada em 1999 por uma dupla de designers franceses: Ivan Duval (1967) e Jean Sebastien Ides (1967). Juntos desenvolvem objectos extraordinários que se destacam pelo seu humor e 'twist' conceptual. www.atypyk.com
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MÚSICA

ANABELA DUARTE


YOKO PLASTIC ONO BAND – BETWEEN MY HEAD AND THE SKY: MÚLTIPLA FANTASIA EM MÚLTIPLOS ESTILOS
Yoko Ono, a Japa ou a bruxa má que dividiu os Beatles (Yes I’m a witch, 2007), se dermos voz às más línguas, regressou em Setembro do ano passado, aos 77 anos de idade, pela mão de Sean Lennon, seu filho e produtor, com um belíssimo álbum de rock vanguardista e uma panóplia de sonoridades funk blitzkrieg, death metal, electropop, punk cabaret, mélodie, e alguns desvios operáticos no seu tom arty muito particular, digno da maior unanimidade da crítica inglesa e norte-americana.
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DESTAQUE

Colectiva

Obras Gráficas

Galeria 111 (Porto), Porto
05 JUN- 31 JUL 2010

Joana da Conceição - Australia

25 JUNHO - 31 JULHO
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EXPOSIÇÕES ACTUAIS

COLECTIVA

Para o cego no quarto escuro à procura do gato preto que não está lá


Culturgest, Lisboa
A minha primeira visita à exposição (fui lá duas vezes) foi importunada por uma inesperada visita guiada; à entrada não me apercebi que aquele grupo me iria perseguir no meio da arte – por muito que apressasse o passo e a atenção, que descurasse salas atrás de salas para depois lá voltar, acabava sempre acompanhado, de perto, por uns fugitivos, de longe, pela voz da guia, que se interpunha na experiência, e que, digamos, como uma lanterna, ia iluminando a escuridão peça a peça. Acontecer uma visita guiada numa exposição com este carácter parece ser paradoxal, pois o pressuposto conceptual do comissário era o de querer proporcionar uma experiência que não fosse espartilhada pela informação. Quer dizer, Anthony Huberman, defende que a informação constrange a liberdade do espectador, e que, ao contrário, a confusão e o não-conhecimento estimulam a curiosidade e a mudança, como se pode ler no ensaio solteiro do catálogo da exposição (objecto muito elogiado, mas quanto a mim algo maneirista, com demasiados tiques inconsequentes); confusão e não-conhecimento estimulam, diria eu, a potência de cada peça. E a guia, como é suposto e bem, ia debitando informação sobre peças e artistas, e por proximidade e convivência, a escuridão ia-me sendo negada.
Filipe Pinto

Colectiva

This is my Condition


Galeria Filomena Soares, Lisboa
Numa altura em que já não cremos em meta narrativas (ou talvez sim) e já depois do choque inicial com aquilo que se pode denominar de modos culturais dominantes, a Galeria Filomena Soares apresenta uma exposição que vive e apresenta um tipo de pós existência que é o contexto em que questionamos valores absolutos mas em que sabemos não ser possível viver totalmente sem os mesmos. A exposição intitula-se “This is my Condition” e é uma colectiva com os artistas Slater Bradley, Ryan McGinley, Ryan McNamara, Jack Pierson e Ryan Trecartin, com curadoria de Alexandre Melo. A mostra divide-se em dois momentos. Na primeira sala apresenta uma enorme blackbox com um vídeo de Slater Bradley que é antecedido por fotografias sobre as quais o artista interveio graficamente e na segunda sala expõem-se vários trabalhos de McGinley, McNamara, Pierson e Trecartin e também de Slater.
LER MAIS Bruno Leitão

Vasco Araújo e Javier Téllez

Mais que a Vida


CAMJAP - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, Lisboa
Identidade. É de identidade que nos fala “Mais que a Vida”. A nossa identidade como espectadores/voyeurs das obras expostas, a identidade das personagens retratadas por Vasco Araújo e Javier Téllez. É esse um dos pontos em comum nos dois artistas: as questões que levantam sobre a identidade, o género, a normalidade ou o nosso lugar na sociedade. Em “Far de Donna” Vasco Araújo apresenta-nos o mito edipiano através de uma mãe muda e de um filho contratenor que emprestam corpo e história ao mito. Em “Mulheres de Apolo” o artista invade a sala dos Alunos de Apolo para construir uma história sobre os desejos das mulheres e o que pensam dos homens com quem se relacionam, explorando o estereótipo da mulher de meia-idade solteira ou divorciada de classe média que deseja acima de tudo voltar a casar. Se em “Far de Donna” Vasco Araújo questiona a identidade familiar e os seus laços, em “Mulheres de Apolo”, põe em causa a identidade de género e de classe social. Em ambos, apropria-se de uma linguagem semelhante à do documentário para, na realidade, construir uma ficção, baralhando o espectador e cruzando as fronteiras entre os dois géneros cinematográficos.
LER MAIS Bárbara Valentina

COLECTIVA

Les Promesses du passé, Une histoire discontinue de l’art dans l’ex-Europe de l’Est


Centre Pompidou - Musée National d’Art Moderne, Paris
Após a queda do Muro em Berlim, que levaria à dissolução da União Soviética e, por consequência do Bloco de Leste, à desintegração da Jugoslávia e às guerras devastadoras, surgiram várias exposições que trataram os assuntos relacionados com as novas relações geopolíticas e tentaram captar o espírito da mudança. Entre elas, a ambiciosa “After the Wall: Art and Culture in post-Communist Europe”, comissariada por Bojana Pejic na Moderna Museet em Estocolmo ou a mais apreciada em termos críticos, “Blood and Honey: The Future’s in the Balkans” de Harald Szeeman (The Essl Collection, Viena). Se a primeira explorava as problemáticas e supostamente obsoletas dicotomias políticas (a divisão da Europa na região de Leste e Oeste) , a segunda apresentava-se como uma das maiores e mais abrangentes exposições a incluir as Balcãs nas suas margens mais imperceptíveis, sugerindo a forte relação entre a arte e o contexto sociopolítico e cultural da região. Aliás, como o artista turco Huseyin Alptekin disse uma vez: “Balkan is a bloody honey, good for Western hungover after a completion party of over-cooked cartographic folklore crime symposium, recommended with yogurt.” Creio que a frase não necessita de tradução.
LER MAIS Rosana Sancin

JOÃO PENALVA

Pavlina e o Dr. Erlenmeyer


Espaço Fidelidade Mundial Chiado 8 - Arte Contemporânea, Lisboa
João Penalva tem trabalhado ao longo da sua carreira muitas vezes sobre os ambientes e sobre a memória de uma forma que poderíamos considerar quase antropológica ou arqueológica nas sua pulsão primeira. Mas há muito pouco de pulsão e muito de trabalho árduo, pensamento aprofundado e investigação na sua obra. Em “Pavlina e o Dr. Erlenmeyer”, apresentada na Chiado 8, Penalva fá-lo novamente conseguindo um ambiente sensorial extraordinariamente envolvente e perturbador. Nesta exposição, Penalva consegue uma coerência formal e de significado brilhante, através de uma associação de ideias entre todos os objectos expostos e o filme apresentado, partindo da personagem do Dr. Erlenmeyer. É quase um jogo. O Dr. Erlenmeyer foi um químico nascido em 1825 que entre outras coisas, estudou o conceito de valência que é a base do naftaleno. O naftaleno ou naftalina, é a base daquelas bolas que podemos encontrar nos armários dos nossos pais cujo cheiro afasta as traças. Traças de que fala o filme “Pavlina” e que come os tecidos. A partir daí todos os objectos existentes no espaço expositivo se relacionam entre si sob este tema.
LER MAIS Bárbara Valentina

ALEXANDRE ESTRELA

Viagem ao Meio


Galeria ZDB, Lisboa
“Viagem ao Meio” é o título da nova exposição individual de Alexandre Estrela e o resultado de uma série de residências concretizadas em diferentes pontos geográficos, ao longo de dois anos, com a produção da Galeria Zé dos Bois. Locais tão distintos como Timor, Bretanha ou Açores fizeram então parte do itinerário desta longa viagem, partilhada com o curador Natxo Checa, servindo também de “paisagens” para a realização de cinco instalações que constituem a presente mostra. Quem visitar a exposição há-de encontrar, logo à entrada da ZDB, colado na parede junto à bilheteira, um poster de médio formato que apresenta um desenho sob fundo branco. Cinco circunferências concêntricas, cada uma desenhada dentro da outra, formam uma moldura, que enquadra um espaço preenchido até à exaustão por uma série de outras circunferências não concêntricas, sobrepostas e a escassa distância entre si.
LER MAIS Sofia Nunes

ANDRÉ CEPEDA

André Cepeda


Galeria Pedro Oliveira, Porto
Os últimos trabalhos de André Cepeda convergem para um desvio formal e processual do corpo de imagens que tem vindo a apresentar nas exposições que vem realizando nos últimos dez anos: o preto e branco, até aqui inédito, para começar; o instantâneo da Polaroid, como base. No decorrer do seu projecto anterior, recentemente apresentado em livro (Ontem), Cepeda embrenhou-se num nível habitualmente oculto de um tecido urbano que lhe é familiar – a cidade que habita, o Porto – na procura de um aprofundamento de relações de reconhecimento e identificação daquele meio, quer pela cartografia visual do território, quer pela sua contextualização social. Fotografou lugares e pessoas que, tendo estado sempre tangenciais ao seu próprio quotidiano, lhe escapavam, resistentes a um olhar mais atento, exploratório, sem que por isso se pretendesse invasivo. As imagens que registou e apresenta em livro preservam a cada momento a dignidade de quem consentiu partilhar a intimidade com o fotógrafo. A sensibilidade do registo superando a crueza do contexto e a dureza das vidas, anulando-se, assim, um potencial voyeurista que uma abordagem deste tipo facilmente exploraria. Este projecto implicou por parte do artista uma deambulação concentrada e sistemática por áreas menos expostas e tradicionalmente menos favorecidas da cidade do Porto. O processo seria, como lhe é habitual, o de um tempo distendido que lhe permitisse aproximar-se e, ao mesmo tempo, olhar sóbria e distanciadamente o seu objecto de estudo.
LER MAIS Gisela Leal




Em parceria com o Museu Colecção Berardo