NOTÍCIAS
EXPOSIÇÕES ACTUAIS
COLECTIVA
Para o cego no quarto escuro à procura do gato preto que não está lá
Culturgest, Lisboa
A minha primeira visita à exposição (fui lá duas vezes) foi importunada por uma inesperada visita guiada; à entrada não me apercebi que aquele grupo me iria perseguir no meio da arte – por muito que apressasse o passo e a atenção, que descurasse salas atrás de salas para depois lá voltar, acabava sempre acompanhado, de perto, por uns fugitivos, de longe, pela voz da guia, que se interpunha na experiência, e que, digamos, como uma lanterna, ia iluminando a escuridão peça a peça.
Acontecer uma visita guiada numa exposição com este carácter parece ser paradoxal, pois o pressuposto conceptual do comissário era o de querer proporcionar uma experiência que não fosse espartilhada pela informação. Quer dizer, Anthony Huberman, defende que a informação constrange a liberdade do espectador, e que, ao contrário, a confusão e o não-conhecimento estimulam a curiosidade e a mudança, como se pode ler no ensaio solteiro do catálogo da exposição (objecto muito elogiado, mas quanto a mim algo maneirista, com demasiados tiques inconsequentes); confusão e não-conhecimento estimulam, diria eu, a potência de cada peça. E a guia, como é suposto e bem, ia debitando informação sobre peças e artistas, e por proximidade e convivência, a escuridão ia-me sendo negada.
Filipe Pinto
Colectiva
This is my Condition
Galeria Filomena Soares, Lisboa
Numa altura em que já não cremos em meta narrativas (ou talvez sim) e já depois do choque inicial com aquilo que se pode denominar de modos culturais dominantes, a Galeria Filomena Soares apresenta uma exposição que vive e apresenta um tipo de pós existência que é o contexto em que questionamos valores absolutos mas em que sabemos não ser possível viver totalmente sem os mesmos.
A exposição intitula-se “This is my Condition” e é uma colectiva com os artistas Slater Bradley, Ryan McGinley, Ryan McNamara, Jack Pierson e Ryan Trecartin, com curadoria de Alexandre Melo.
A mostra divide-se em dois momentos. Na primeira sala apresenta uma enorme blackbox com um vídeo de Slater Bradley que é antecedido por fotografias sobre as quais o artista interveio graficamente e na segunda sala expõem-se vários trabalhos de McGinley, McNamara, Pierson e Trecartin e também de Slater.| LER MAIS | Bruno Leitão |
Vasco Araújo e Javier Téllez
Mais que a Vida
CAMJAP - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, Lisboa
Identidade. É de identidade que nos fala “Mais que a Vida”. A nossa identidade como espectadores/voyeurs
das obras expostas, a identidade das personagens retratadas por Vasco Araújo e Javier Téllez. É esse um dos pontos em comum nos dois artistas: as questões que levantam sobre a identidade, o género, a normalidade ou o nosso lugar na sociedade.
Em “Far de Donna” Vasco Araújo apresenta-nos o mito edipiano através de uma mãe muda e de um filho contratenor que emprestam corpo e história ao mito. Em “Mulheres de Apolo” o artista invade a sala dos Alunos de Apolo para construir uma história sobre os desejos das mulheres e o que pensam dos homens com quem se relacionam, explorando o estereótipo da mulher de meia-idade solteira ou divorciada de classe média que deseja acima de tudo voltar a casar. Se em “Far de Donna” Vasco Araújo questiona a identidade familiar e os seus laços, em “Mulheres de Apolo”, põe em causa a identidade de género e de classe social. Em ambos, apropria-se de uma linguagem semelhante à do documentário para, na realidade, construir uma ficção, baralhando o espectador e cruzando as fronteiras entre os dois géneros cinematográficos. | LER MAIS | Bárbara Valentina |
COLECTIVA
Les Promesses du passé, Une histoire discontinue de l’art dans l’ex-Europe de l’Est
Centre Pompidou - Musée National d’Art Moderne, Paris
Após a queda do Muro em Berlim, que levaria à dissolução da União Soviética e, por consequência do Bloco de Leste, à desintegração da Jugoslávia e às guerras devastadoras, surgiram várias exposições que trataram os assuntos relacionados com as novas relações geopolíticas e tentaram captar o espírito da mudança. Entre elas, a ambiciosa “After the Wall: Art and Culture in post-Communist Europe”, comissariada por Bojana Pejic na Moderna Museet em Estocolmo ou a mais apreciada em termos críticos, “Blood and Honey: The Future’s in the Balkans” de Harald Szeeman (The Essl Collection, Viena). Se a primeira explorava as problemáticas e supostamente obsoletas dicotomias políticas (a divisão da Europa na região de Leste e Oeste) , a segunda apresentava-se como uma das maiores e mais abrangentes exposições a incluir as Balcãs nas suas margens mais imperceptíveis, sugerindo a forte relação entre a arte e o contexto sociopolítico e cultural da região. Aliás, como o artista turco Huseyin Alptekin disse uma vez: “Balkan is a bloody honey, good for Western hungover after a completion party of over-cooked cartographic folklore crime symposium, recommended with yogurt.”
Creio que a frase não necessita de tradução.| LER MAIS | Rosana Sancin |
JOÃO PENALVA
Pavlina e o Dr. Erlenmeyer
Espaço Fidelidade Mundial Chiado 8 - Arte Contemporânea, Lisboa
João Penalva tem trabalhado ao longo da sua carreira muitas vezes sobre os ambientes e sobre a memória de uma forma que poderíamos considerar quase antropológica ou arqueológica nas sua pulsão primeira. Mas há muito pouco de pulsão e muito de trabalho árduo, pensamento aprofundado e investigação na sua obra. Em “Pavlina e o Dr. Erlenmeyer”, apresentada na Chiado 8, Penalva fá-lo novamente conseguindo um ambiente sensorial extraordinariamente envolvente e perturbador.
Nesta exposição, Penalva consegue uma coerência formal e de significado brilhante, através de uma associação de ideias entre todos os objectos expostos e o filme apresentado, partindo da personagem do Dr. Erlenmeyer. É quase um jogo. O Dr. Erlenmeyer foi um químico nascido em 1825 que entre outras coisas, estudou o conceito de valência que é a base do naftaleno. O naftaleno ou naftalina, é a base daquelas bolas que podemos encontrar nos armários dos nossos pais cujo cheiro afasta as traças. Traças de que fala o filme “Pavlina” e que come os tecidos. A partir daí todos os objectos existentes no espaço expositivo se relacionam entre si sob este tema. | LER MAIS | Bárbara Valentina |
ALEXANDRE ESTRELA
Viagem ao Meio
Galeria ZDB, Lisboa
“Viagem ao Meio” é o título da nova exposição individual de Alexandre Estrela e o resultado de uma série de residências concretizadas em diferentes pontos geográficos, ao longo de dois anos, com a produção da Galeria Zé dos Bois. Locais tão distintos como Timor, Bretanha ou Açores fizeram então parte do itinerário desta longa viagem, partilhada com o curador Natxo Checa, servindo também de “paisagens” para a realização de cinco instalações que constituem a presente mostra.
Quem visitar a exposição há-de encontrar, logo à entrada da ZDB, colado na parede junto à bilheteira, um poster de médio formato que apresenta um desenho sob fundo branco. Cinco circunferências concêntricas, cada uma desenhada dentro da outra, formam uma moldura, que enquadra um espaço preenchido até à exaustão por uma série de outras circunferências não concêntricas, sobrepostas e a escassa distância entre si. | LER MAIS | Sofia Nunes |
ANDRÉ CEPEDA
André Cepeda
Galeria Pedro Oliveira, Porto
Os últimos trabalhos de André Cepeda convergem para um desvio formal e processual do corpo de imagens que tem vindo a apresentar nas exposições que vem realizando nos últimos dez anos: o preto e branco, até aqui inédito, para começar; o instantâneo da Polaroid, como base.
No decorrer do seu projecto anterior, recentemente apresentado em livro (Ontem), Cepeda embrenhou-se num nível habitualmente oculto de um tecido urbano que lhe é familiar – a cidade que habita, o Porto – na procura de um aprofundamento de relações de reconhecimento e identificação daquele meio, quer pela cartografia visual do território, quer pela sua contextualização social. Fotografou lugares e pessoas que, tendo estado sempre tangenciais ao seu próprio quotidiano, lhe escapavam, resistentes a um olhar mais atento, exploratório, sem que por isso se pretendesse invasivo.
As imagens que registou e apresenta em livro preservam a cada momento a dignidade de quem consentiu partilhar a intimidade com o fotógrafo. A sensibilidade do registo superando a crueza do contexto e a dureza das vidas, anulando-se, assim, um potencial voyeurista que uma abordagem deste tipo facilmente exploraria. Este projecto implicou por parte do artista uma deambulação concentrada e sistemática por áreas menos expostas e tradicionalmente menos favorecidas da cidade do Porto. O processo seria, como lhe é habitual, o de um tempo distendido que lhe permitisse aproximar-se e, ao mesmo tempo, olhar sóbria e distanciadamente o seu objecto de estudo.| LER MAIS | Gisela Leal |
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VÁRIOS LOCAIS
Em parceria com o Museu Colecção Berardo






















