NOTÍCIAS
EXPOSIÇÕES ACTUAIS
JOÃO MARIA GUSMÃO + PEDRO PAIVA
Experiments and Observations on Different Kinds of Air
Pavilhão Português, Veneza
Se o trabalho de laboratório pareceu sedutor a Joseph Priestley que dele se serviu na tarefa de isolar ares diversos, dos ácidos aos alcalinos, dotando de materialidade substâncias invisíveis e indiscerníveis, o mesmo fascínio por aquilo que não se vê (mas apenas se induz e depreende) parece continuar a mover a dupla de artistas João Maria Gusmão (n. 1979) e Pedro Paiva (n. 1977).
Aqui a ideia de laboratório é alargada a vários espaços e localizações, dessacralizada e posta ao serviço da criação de transcendências, simulacros, ficções, metafísicas e outras poéticas de uma quase ciência que explora os seus próprios limites e fronteiras. Através de uma metodologia de trabalho aparentemente para-científica, JMG e PP desafiam postulados científicos fazendo do cepticismo romântico o seu principal aliado. Nesse sentido, pode-se estabelecer um paralelo entre os trabalhos de João Maria Gusmão e Pedro Paiva e o estudo do “éter”, a substância hipotética que até ao início do século XX explicava a inexistência do vácuo na natureza e que permitia conceber, em certa medida, os meios de transmissão pelo ar. Joana Lucas
FABRIZIO MATOS
Ao Quilómetro Seis
MCO Arte Contemporânea, Porto
O trabalho que Fabrizio Matos (1975, Figueira da Foz) nos mostra com a exposição “Ao Quilómetro Seis”, constituído por pintura, fotografia e vídeo, possui vários elementos que quando apreciados na sua totalidade descrevem um topos (encontro) dialéctico onde a paisagem natural emerge em desarticulação com o indivíduo (sujeito). A natureza, quer em abundância de escala com o sujeito, quer nas soluções plásticas de Fabrizio; realça o sujeito como elemento inintegrável. Surge a dimensão da falta, mas sem a densidade psicológica do termo ou as derivações platónicas acerca do desejo. Ela surge mais, por uma visível desarticulação topológica e que é criada para que entre em cena a ordem do suspenso e da suspeição (suspense). Fabrizio Matos descobre numa escarpa da cidade do Porto (à medida de seis quilómetros) uma paisagem que lhe possibilita uma abordagem pictórica evocativa de algumas pinturas românticas. Gaspar Friedrich é um dos nomes que, num texto explicativo da exposição, Fabrizio diz encontrar vários referentes. E de facto existem muitos pontos em comum, com o mestre do romantismo e autor do célebre quadro: “O Caminhante em frente ao mar de nevoeiro” (1818).| LER MAIS | Rui Ribeiro |
JORGE MOLDER
Pinocchio
Espaço Fidelidade Mundial Chiado 8 - Arte Contemporânea, Lisboa
O universo literário de Jorge Molder (Lisboa, 1947) é, desde há muito, intensamente povoado por agentes “peritos no conhecimento profundo das aparências” (J.M. em “Uma conversa entre Jorge Molder e John Coplans”, Luxury Bound, Assírio & Alvim, 1999, p.188), como sejam o jogador ou o mágico. A aparência e a superfície ou a ilusão e o trompe l´oeil são alguns dos conceitos e mecanismos operativos importados, da literatura ou da filosofia, para a generalidade da obra de Jorge Molder, e que ganham especial relevância na apresentação expositiva da série “Pinocchio” agora proposta para o espaço Chiado 8 sob a curadoria de Bruno Marchand.
“Pinocchio” apresenta, ao nível da sua materialização fotográfica, um branco luminoso que se distingue inequivocamente do cinzento suave dos primeiros anos de produção e dos negros violentos das grandes séries temáticas que consagraram a obra de Jorge Molder. A anterior abstracção do plano de fundo, sequência depuradora de um longo período com evidentes preocupações no detalhe cenográfico, é agora aprofundada em crua ausência de cenário, deliberadamente acentuada através do recorte técnico do motivo rejeitando, por essa via, a possibilidade da sua interferência na leitura clara e unívoca do objecto. Mãos e cabeças mutiladas alinham-se em jeito de catálogo de uma exposição arqueológica de escultura clássica, reificando (e aqui reside a fundamental dissidência com relação a obras anteriores) a fotografia como suporte documental e confundindo-lhe, por conseguinte, a sua natureza narrativa habitual. | LER MAIS | Lígia Afonso |
JOHN WOOD e PAUL HARRISON
Some words. Some more words
Ikon Gallery, Birmingham
Onde é a saída de um mundo perfeito? Um mundo com que o meio artístico sonhou nos anos 80, encerrado num cubo branco, entre quatro paredes e onde circulam dois personagens que parecem depurados sósias dos personagens Vladimir e Estragon de Beckett. Dois personagens, porém mudos. Um mundo horizontal pode ser uma longa prateleira, um paralelo terrestre onde num travelling sem início nem fim, camiões TIR, refrigerantes, maçãs azuis e gira-discos com girafas miniatura passam frente aos nossos olhos hipnotizados. Tudo sem som, mas por vezes, com algumas palavras. John Wood e Paul Harrison trabalham como dupla artística há cerca 10 anos. Conheceram-se quando eram colegas da mesma escola superior de belas artes e confessaram-me que só agora, durante a realização de “Night and Day” (2008) é que atingiram o momento em que a colaboração artística funciona de forma empática, sem palavras.| LER MAIS | Sílvia Guerra |
ALEXANDRE ESTRELA
Deserto Acéfalo
IN.TRANSIT, Porto
No contexto dos 10 anos_10 exposições, do projecto IN.TRANSIT, comissariado por Paulo Mendes, pode ser vista até dia 26 deste mês, “Deserto Acéfalo”, de Alexandre Estrela.
“Deserto Acéfalo” (1997/2009) é constituído por uma impressão digital, “Acéfalo” (1997) e por uma vídeo instalação “Sound Escape” (2003). O observador quando entra na sala depara-se com a instalação montada no chão: um projector emite a imagem vídeo que é projectada e coincide com a impressão (40 x 60 cm). As dimensões, o facto de o observador ter de olhar para baixo, para o conjunto da peça e a sua percepção de todo o dispositivo que a compõe, evitam, desde logo, que esta se confunda com um vídeo comum.| LER MAIS | Alexandra Beleza Moreira |
CAROLINA SILVA / MARIA JOÃO PACHECO
Vaivém sul
Convento dos Capuchos, Almada
Por uma série de características visuais e de problemática encontra-se no conjunto das obras de “Vaivém sul” a vontade de operativamente partir de um território específico. Ou, a bem dizer, de lá voltar. Refira-se aliás que esta exposição de Carolina Silva (n. 1983) e Maria João Pacheco (n. 1982), ocupando duas salas do Convento dos Capuchos, faz parte de um projecto criativo iniciado no ano passado entre Lisboa e os Açores, e portanto já assente noutros dois momentos exploratórios e interdependentes definidos pelas artistas: “Vaivém norte”, com os trabalhos então mostrados na Academia das Artes dos Açores (Ponta Delgada) a materializarem a premissa de estar num sítio, projectando-se para outro, e residência artística em São Miguel (durante Agosto de 2008), permitindo nos campos plástico e conceptual repegar agora, novamente do lado de cá, à distância, questões antes lançadas como hipóteses, intuições, mas que requisitam o conhecimento entretanto chegado na experiência in loco, vivencial, perceptiva, dessa mesma ilha.| LER MAIS | Emanuel Cameira |
COLECTIVA
Arquivo Universal – O documento e a utopia fotográfica
Museu Colecção Berardo, Lisboa
A exposição “Arquivo Universal – o documento e a utopia fotográfica”, co-produzida pelo MACBA e Museu Colecção Berardo, reúne um conjunto de fotografias, filmes e publicações de mais de cem autores, cobrindo um período histórico igualmente amplo, de 1851 a 1988. Se as perspectivas mais recentes sobre o documental ficaram, todavia, de fora desta mostra, ao contrário da versão de Barcelona, que se estendia até ao presente, tal não lhe vem retirar relevância nem tão pouco a destitui da sua problemática. A exposição, comissariada por Jorge Ribalta, propõe pensar a imagem fotográfica documental e analisar o modo como ela foi sendo constituída ao longo da própria história. | LER MAIS | Sofia Nunes |
ARTECAPITAL RECOMENDA - EXPOSIÇÕES
04 JUL - SALLA TYKKA
SOLAR - GALERIA DE ARTE CINEMÁTICA
02 JUN - COLECTIVA - La Mirada en el Otro
GALERIA DE PINTURA DO REI D. LUÍS I



![[ kamera photo ]](../uploads/0_kamera_photo.gif)


















