Nádia Duvall
DE 8 MAIO A 14 JUNHO
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ENTREVISTA

ANDREW HOWARD
Andrew Howard é designer gráfico, curador e crítico de design. Vive e trabalha em Portugal desde 1989, onde tem desenvolvido uma colaboração intensa com diversas instituições culturais, entre as quais a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação de Serralves e o Centro Português de Fotografia, e mantido uma colaboração permanente com a ESAD – Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos. O pretexto para esta entrevista é a aproximação do fim da última temporada dos Personal Views um ciclo de conferências sobre design gráfico iniciado em 2003 e que trouxe a Portugal alguns dos mais importantes designers da actualidade. Ao longo da entrevista, Andrew Howard expõe os seus pontos de vista sobre a teoria, a prática e o ensino do design.
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O ESTADO DA ARTE

AUGUSTO M. SEABRA
ARTE DO ESTADO?A intervenção do Estado na área da cultura é (ainda) objecto de reticências e refutações. Todavia, na complexidade das sociedades contemporâneas, e no relevo nelas acrescido dessa área cultural, essa intervenção é justificada pela defesa da diversidade, pela necessidade de mecanismos de redistribuição territorial e social, pelo apoio à criatividade nas suas mais variadas manifestações e processos e pela promoção da imagem externa de um país.
A associação de um ministério da Cultura – ou mais genericamente da intervenção do Estado nesse campo - a uma entidade de propaganda é assim uma comparação que não colhe, porque o seu campo de regulação e intervenção se funda nos princípios fundamentais do Estado democrático, na tripla vertente da universalidade (o conjunto das políticas destina-se ao conjunto dos cidadãos), do respeito pela soberania individual e de representação externa. Aliás, não deixa de ser irónico, mas também sintomático, que o principal veiculador dessa tese no espaço público em Portugal, Pacheco Pereira, seja ele mesmo um caso ímpar (e mesmo insólito) de interventor obsessivo no sentido de condicionamento da agenda política e mediática – ou, dito de outro modo, um caso ímpar de especialista em propaganda própria.
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PERSPECTIVA ACTUAL
FILIPA RAMOS
5ª BIENAL DE BERLIM
Parece ser um título irónico, o desta 5ª edição da Bienal de Berlim. Como pode uma cidade profundamente marcada pelo passado – com os seus edifícios, estradas, praças e monumentos inevitavelmente associados à conturbada história da Alemanha moderna – ser anfitriã de um projecto curatorial intitulado “When Things Cast No Shadow?”.
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PEDRO DOS REIS
NOVA IORQUE - UMA APROXIMAÇÃO CARTOGRÁFICA
Embora se descreva, na maioria das vezes a vida artística na cidade de Nova Iorque como um todo, os factos históricos demonstram que a cidade não é assim tão homogénea – para mais a cidade ampliou-se (ou absorveu) para lá dos limites de Manhattan, ocupando as margens entre o Norte e o Este, respectivamente Bronx, Queens e Brooklyn, sendo actualmente constituída por 5 boroughs (incluindo ainda a remota Staten Island).
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OPINIÃO
PEDRO PORTUGAL
SOBRE A ARTICIDADE (ou os artistas dentro da cidade)Há 2300 anos, Platão, na sua utopia “A República”, excluía os poetas, os artistas e os políticos da fundação da cidade. Dizia que, para começar uma cidade, só eram necessários 4 homens: o lavrador, o pedreiro, o tecelão e o sapateiro. Mas: “Portanto, temos de tornar a cidade maior. A que era sã não é bastante, mas temos que a encher de uma multidão de pessoas, que já não se encontram na cidade por ser necessária, como os caçadores de toda a espécie e imitadores, muitos dos quais são os que se ocupam de desenho e cores, muitos outros da arte das Musas, ou seja, os poetas e os seus servidores, rapsodos, actores, coreutas, empresários, artífices que fabriquem todas a espécie de utensílios, sobretudo adereços femininos.”
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ARQUITECTURA E DESIGN
PEDRO BAÍA
A PROPÓSITO DA DEMOLIÇÃO DO ROBIN HOOD GARDENSNo momento em que se discute a possível demolição do histórico complexo habitacional Robin Hood Gardens, dos arquitectos Alison e Peter Smithson, aproveitamos para abordar alguns temas em torno do mítico grupo Team 10, ao qual pertenceram.
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DESTAQUE
Eugénio de Andrade

Centro Cultural de Belém, Lisboa
21 MAI-
25 MAI 2008
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CRÍTICA DE EXPOSIÇÕES
JOÃO SERRA
Sem Título
Vera Cortês – Agência de Arte, Lisboa

“Sem Título” é a mais recente exposição de João Serra, patente na Galeria Vera Cortês, até Junho. Trata-se de um conjunto de fotografias que representa vistas frontais ou centradas de estruturas arquitectónicas e habitacionais, na sua maioria em condições de precária solidez e avançada degradação. Na melhor das hipóteses, encontramos edifícios urbanos cuja delimitação com ermos expectantes de uma anunciada nova vaga de construção em betão parece iminente. É o que nos é proposto pelo alçado sem janelas de um edifício confluente com um aterro que resiste ainda, com o seu prado, rodeado por outros edifícios cuja tipologia sugere uma localização suburbana e periférica de uma cidade maior. Numa outra fotografia, é justamente a aridez de um terreno já aplanado que indicia estarem iniciados os trabalhos que homogeneizarão a paisagem, subtraindo-lhe o pouco que de natural ainda lhe resta.
PAUL CHAN
The 7 Lights
New Museum, Nova Iorque
“The 7 Lights” é um conjunto de textos, desenhos, colagens e projecções digitais de luz e sombra. A série foi iniciada em 2005 e completada em 2007. As projecções – animações digitais de silhuetas negras sobre fundos de luz e cor – sugerem elementos identificáveis ou não, e a sua projecção não ortogonal imita a luz directa que passa por uma janela. As projecções, “Lights” (Luzes), submergem-nos poeticamente, num universo estilhaçado ou em amena desintegração. As Luzes simbolizam os dias. De repente silhuetas de pessoas caem, estandartes, bandeiras, folhas e bandos de aves passam, um garfo aproxima-se demais e flutua uma metralhadora que entretanto se desfaz, aparecem e desaparecem fios, cabos de alta tensão, postes eléctricos, carros, árvores, computadores…
COLECTIVA
Revolução Cinética
Museu do Chiado - MNAC, Lisboa
“Revolução Cinética” é o título da exposição que o Museu do Chiado, com o mecenato da Caja Duero, tem patente até ao dia 15 de Junho. Emmanuel Guigón, o comissário (director do mais antigo museu francês - Beaux-Arts et d’Archéologie de Besançon - cidade dos irmãos Lumière), realizara já este projecto para Sevilha e Palma de Maiorca, mas sob a designação de “La Utopia Cinetica”. Em Lisboa, o novo título corresponde também a uma reformulação do projecto, no sentido de o amplificar em número de artistas representados e de lhe introduzir ainda referências específicas do panorama artístico português.
MICHAËL BORREMANS
Weight
CAV - Centro de Artes Visuais, Coimbra
Tendo iniciado a sua carreira como fotógrafo e designer gráfico, Borremans acabaria por dedicar-se intensamente ao desenho e à pintura figurativos e, mais recentemente, ao filme, numa construção de “quadros vivos” inquietantes e enigmáticos, elaborados a partir de um ponto de vista fixo, por vezes trabalhando o plano da imagem em aproximações hipnóticas ao objecto e em repetições.
Estas imagens, aliadas à ausência de som, colocam o primado dos filmes do artista precisamente no objecto e no ponto de vista, que podemos entender essencialmente como o lugar – real ou imaginário – a partir do qual é produzida a representação, o modo particular como uma problemática é abordada, assim como o próprio quadro/enquadramento da imagem, que se nos revela esteticamente depurada e conceptualmente polissémica.
GREGOR SCHNEIDER
Süsser Duft
La Maison Rouge - Fondation Antoine de Galbert, Paris
A obra de Gregor Schneider faz apelo ao imperceptível sensorial. No seu trabalho integram-se diversos layers de matéria, uma esfera verde pode estar inserida num muro e ninguém a vê, mas é sentida pelos visitantes; é difícil sair incólume de uma das suas construções que não são um labirinto que temos que percorrer para encontrar a Arca de Noé como num velho filme de Indiana Jones (como pensava o público adolescente na Bienal de Veneza), a viagem faz-se pelo percurso que ele constrói para nos encontrarmos a nós próprios.
DUCHAMP, MAN RAY, PICABIA
Duchamp, Man Ray, Picabia – The Moment Art Changed Forever
Tate Modern, Londres
Estes são três dos artistas de quem mais se fala, cita e alude em qualquer discurso sobre as práticas contemporâneas. São incontornáveis. É impossível pensar nas primeiras vanguardas sem referir o urinol de Duchamp, falar da fotografia surrealista sem evocar “Le Violon d’Ingres” ou a “Glass Tears” de Man Ray ou do Dadaísmo sem aludir aos ‘desenhos mecânicos’ de Picabia. Contudo, e por mais fundamentais que elas sejam, estas constantes referências acabam por colocar um peso demasiadamente grande em algumas obras, condenando uma importantíssima parte da produção destes artistas ao esquecimento ou, na maioria dos casos, ao seu quase total desconhecimento. Este é precisamente um dos grande méritos desta exposição, o de dar a conhecer e de articular obras que são praticamente desconhecidas e ignoradas pela grande maioria das pessoas. O seu resultado é tão mais surpreendente quanto nos dá a ver e a descobrir uma produção de tal modo profícua e original que acaba por construir um novo significado na percepção destes três artistas.
JULIÃO SARMENTO
Julião Sarmento
Cristina Guerra Contemporary Art, Lisboa
Naquela que é a sua segunda exposição na galeria Cristina Guerra Contemporary Art, Julião Sarmento apresenta um núcleo de sete serigrafias sobre tela acompanhadas de uma escultura que convocam certos aspectos recorrentes do seu trabalho, nomeadamente alguns procedimentos técnicos de natureza indexativa, o recurso à linguagem do cinema e à literatura, a representação do corpo feminino ou ainda o desejo e seus movimentos. No entanto, estamos, como veremos, perante um processo que se organiza a partir da repetição para produzir singularidades e diferentemente se manifestar.
SCOPE (Imagem em Movimento, Fotografia e Arte Digital)
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