NOTÍCIAS
EXPOSIÇÕES ACTUAIS
CHRISTIAN BOLTANSKI
MONUMENTA 10 - Personnes
Grand Palais, Paris
Um enorme muro obstrui a visão do interior do Grand Palais apenas ultrapassada a porta de entrada. Este muro construído como um longo arquivo, composto por latas (de bolachas) em metal enferrujado, alinhadas como tijolos, constitui o primeiro elemento desta instalação concebida por Christian Boltanski como uma “obra de arte total”. Circundamo-lo e deparamo-nos com uma gigantesca montanha de roupa no eixo da nave central do edifício, de um diâmetro gigantesco. Uma grua equipada com uma “mão” mecânica desce até esta montanha agarrando peças de roupa em intervalos regulares; as pausas são teatrais pois as roupas ficam alguns minutos suspensas no ar até a pinça as deixar cair de novo, no mesmo sítio. O corpo do edifício, no seu eixo diagonal, encontra-se geometricamente dividido em 69 rectângulos, de 3 por 5 metros, sobre os quais se encontram casacos, sobretudos, blusões usados, todos com a abertura virada para o chão. Vemos as costas de um objecto impregnado de memórias físicas. São casacos de homens e mulheres e de longe a longe, exaltando a sua evidência, agasalhos de crianças pequenas ou de bebés. Cada rectângulo é iluminado por uma luz fria, em néon, suspensa por um fio de metal. O visitante pode caminhar por entre este campo de casacos.Sílvia Guerra
COLECTIVA
É proibido proibir!
MUDE - Museu do Design e da Moda, Lisboa
Caetano Veloso grita numa sala do MUDE. Na verdade, Caetano grita num ecrã embutido numa parede do museu. Nesse ecrã, legendas amarelas dão forma a esta e outras frases de protesto que vão surgindo sobre uma fotografia do cantor enquanto jovem. Uma destas frases, gritadas como defesa às vaias, ovos e tomates com que ele e Os Mutantes foram recebidos no teatro TUC de São Paulo em 1968, onde estes gritos foram gravados, é “é proibido proibir”.
Inspirada numa das máximas da revolta estudantil de Maio de 68, esta canção de Caetano, o seu grito contra a ditadura brasileira tornado hino do movimento Tropicália, empresta o título à mais recente exposição temporária do museu do design e da moda de Lisboa.
Caetano grita no que é a antecâmara da exposição. Aqui, as paredes estão forradas a carpélio rosa-choque. Caixas de luz mostram imagens coloridas e pessoas felizes de cabelos compridos. O chão foi coberto por vinil brilhante às riscas pretas e brancas. O tecto é uma laje esventrada de cimento. A exposição “É proibido proibir!” ainda nem começou, mas os gritos de Caetano, o choque do carpélio, o psicadelismo das imagens e o cinzento do cimento manifestam já o desequilíbrio e o desconforto que se seguem. | LER MAIS | Frederico Duarte |
FEDERICO FELLINI
Fellini, la Grande Parade
Jeu de Paume (Concorde), Paris
“Fellini, la Grande Parade” é a mais recente exposição realizada sobre um dos maiores cineastas do século XX. Uma vasta exposição que ocupa os dois andares das galerias do Jeu de Paume, em Paris, e apresenta cerca de 400 documentos e 30 extractos de filmes. Foi realizada no âmbito das comemorações dos 50 anos do filme La Dolce Vita entre outros eventos promovidos nesse sentido pela Cinemateca Francesa. É também a mais recente tentativa de “fazer entrar o cinema no museu”, após a colectiva “Le Movement des Images” no Centre Pompidou (2006), ou de “Manoel de Oliveira” no Museu de Serralves (2008) e a par de iniciativas como o convite feito a Pedro Costa (não aceite) para representar Portugal na Bienal de Artes Visuais de Veneza de 2009. Todas estas diferentes experiências se subordinam ao mesmo princípio museográfico: tentar capturar o cinema fora da sala escura e mostrá-lo numa vitrina.
| LER MAIS | Sílvia Guerra |
JOÃO FONTE SANTA
Pintura para uma nova sociedade
Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira
Explorar como Marlon Brando (o Coronel Kurtz do Coração das Trevas de Joseph Conrad e em Apocalipse Now de Francis Ford Coppola) os espaços em branco num mapa, chamá-lo sociedade e preencher-lhe os interstícios com pintura cromada em vez de napalm foi a aventura encetada nos últimos anos por João Fonte Santa. Fazer e ouvir história, a partir de e contida nesse conjunto de trabalhos, como aquela que os Sex Pistols fizeram e apenas quarenta e duas pessoas testemunharam na “Madchester” de 1976, foi a tarefa que o Museu do Neo-Realismo soube, à escala de Vila Franca de Xira, invocar e cumprir com a exposição “Pintura para uma nova sociedade”, a única individual institucional e a mais importante do percurso artístico de Fonte Santa.| LER MAIS | Lígia Afonso |
JOÃO LOURO
The Hustler
CAV - Centro de Artes Visuais, Coimbra
O Diabo espreita a cada esquina. O que não é necessariamente mau. À entrada do Centro de Artes Visuais, João Louro (n. 1963) expõe, em néon vermelho, a palavra tridimensional “Diablo”, directamente saída do universo do jogo de Las Vegas. È neste universo que o artista nos convida a entrar. Bem-vindos ao casino. A curadoria é de Albano da Silva Pereira e de Miguel Amado.
“The Hustler” é igualmente o título do filme de Robert Rossen (1961), no qual o “pool player”, Eddie Felson/“Fast Eddie” – interpretado por Paul Newman –, pretende vencer o imbatível “Minnesota Fats” – Jackie Gleason –, a troco de glória e de um bom punhado de notas. Newman representa um “gambling man” obstinado com a vitória, porque só esta o faz sentir vivo. Nos trabalhos “Subtitles (The Hustler)”, João Louro apresenta precisamente diálogos – que funcionam como citações – do filme sobre um fundo negro, isto é, legendas ironicamente sem imagens para legendar.
| LER MAIS | Isabel Nogueira |
ANTÓNIO OLAIO
Brrrrain
Culturgest, Lisboa
A língua no Planeta Olaio é una e onomatopaica, dada a simultaneidade das suas dimensões sónicas, fonéticas, imagéticas e semânticas. Reveste-se de uma inventividade formal e expressiva que decorre da interdependência, programaticamente combinatória, entre performance, pintura, poesia, música e vídeo, suportes a partir do cruzamento dos quais protagoniza uma excêntrica revolução idiomática que ocorre ao nível do cérebro, o lugar arquétipo preferido de Olaio. Corporizado e arrastado “assim, com muitos erres”*, em deliberado artifício estilístico, “Brrrrain” esteve quase a ser um disco. Não se salvou, no entanto, de se tornar numa grande exposição, para visitar com muito tempo e com o corpo todo na Culturgest, em Lisboa.| LER MAIS | Lígia Afonso |
COLECTIVA
Amália, Coração Independente
Museu Colecção Berardo, Lisboa
Amália Rodrigues morreu há dez anos, pretexto que leva agora o Museu Colecção Berardo (em parceria com o Museu da Electricidade, o outro núcleo da exposição) a revisitar essa metonímica figura que, segundo João Lisboa, é indispensável para se atingir uma completa noção do que foi o espírito da música e do século e sem a qual qualquer balanço ficará irremediavelmente amputado. Na realidade, qualquer coisa a mais emana tanto da voz como da imagem de Amália, ambas investidas de um uso social que ainda hoje lhes acrescenta força mítica. Discutir a relação que dentro do espaço expositivo tal narrativa mantém com o seu modo de apresentação visual parece-me desde já um ponto de análise importante.| LER MAIS | Emanuel Cameira |
ARTECAPITAL RECOMENDA - EXPOSIÇÕES
06 FEV - KOENRAAD DEDOBBELEER ::: ASIER MENDIZABAL
CULTURGEST
04 FEV - SEBASTIÃO RESENDE - The Lying Chair
GALERIA QUADRADO AZUL (LISBOA)
04 FEV - COLECTIVA – ENCONTRO entre a paisagem e a abstracção
BES ARTE & FINANÇA




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