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ENTREVISTA



ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


O programa “Próximo Futuro” inaugurou dia 20 de Junho na Fundação Calouste Gulbenkian e das suas actividades vão fazer parte conferências, música, cinema e outros projectos diversos. Dedicado em particular à investigação e à criação na Europa, América Latina, Caraíbas e África, este programa será mais uma das contribuições da Fundação Calouste Gulbenkian para a reflexão sobre a contemporaneidade. António Pinto Ribeiro, programador do “Próximo Futuro” falou-nos de alguns dos desafios que este projecto tem pela frente.
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O ESTADO DA ARTE



AUGUSTO M. SEABRA


A SÍNDROME DOS COCHES
Referi na crónica anterior que, há meses, e dado a morosidade, os incríveis atrasos mesmo que se registavam, por oportuna iniciativa de um partido político, o CDS, o plenário da Assembleia da República tinha aprovada por unanimidade a chamada do Ministro da Cultura à comissão especializada, a fim de prestar esclarecimentos sobre o indefinição da representação portuguesa na Bienal de Veneza, bem como da falta de apoio à presença de galerias na ARCO de Madrid. Devo acrescentar que foi uma intervenção rara, pouco mais que única, no plenário do órgão-sede da democracia representativa. O facto é tanto mais de lamentar quanto, ao ponto a que as coisas chegaram, era mais que justificado um debate parlamentar sobre política cultural.
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Ana Leonor - Quando uma cozinha sonha II - Pintura

21 MAIO - 25 JULHO
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PERSPECTIVA ACTUAL

SÍLVIA GUERRA


ART 40 BASEL | Parte II | IL TEMPO DEL POSTINO
Chego ao teatro de Basileia para a estreia suíça de “Il Tempo del Postino” com a expectativa e a excitação que a descoberta de novas experiências na arte supõe. Esta é a exposição em que a arte promete ocupar tempo e não espaço. Concebida por Hans Ulrich Obrist e Philippe Parreno para o Festival de Teatro de Edimburgo, em 2007, o espectáculo terá contado apenas com uma sessão para privilegiados já que não teve lugar na temporada parisiense do Théâtre de la Ville. Entro na sala e começo a trautear instintivamente uma melodia que de tão familiar me parece uma canção de embalar… O palco tem a cortina encarnada corrida e um piano de cauda, negro, em boca lateral de cena. Vejo o teclado a ser percorrido por dedos invisíveis; a melodia que canto em surdina difunde-se pela sala com uma chuva de neve artificial a seu lado… não me apercebo imediatamente que se trata de Grândola, Vila Morena de Zeca Afonso; vislumbro na assistência Mathew Slotover e Amanda Sharp da Frieze, Suzanne Pagè da Fundação Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH) e, entre outros, o comissário português Alexandre Melo.
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SANDRA LOURENÇO


UMA PERSPECTIVA SOBRE ART HONG KONG 09
O Hong Kong Convention and Exhibition Centre, um edifício multifuncional onde se realizou a cerimónia da passagem para a China, acolheu entre os dias 13 e 17 de Maio o segundo ano da feira internacional de arte contemporânea. Após uma primeira edição mais conservadora no que diz respeito à qualidade das obras e com um menor número de galerias – um ano experimental que seguramente não incentivou a organização da feira a arriscar mais – a segunda edição está longe de ter sido um evento local e conservador. O reforço em termos de qualidade e diversidade produziram mudanças significativas no evento. Art Hong Kong 09 correspondeu, em certa medida, às expectativas locais relativamente ao seu internacionalismo pela presença de coleccionadores e de um maior número de galerias internacionais, mas, sobretudo, pela qualidade da sua organização, satisfazendo assim muitos intervenientes culturais que acreditaram nessa capacidade de afirmação internacional.
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OPINIÃO

LUÍSA SANTOS


O LIVRO COMO MEIO
“O livro pode ser arte em si e sobre si”. Em 1985, Joan Lyons lançava esta afirmação num tom de desafio. O livro como meio. Tal como o vídeo, a pedra, a fotografia, também o livro é um meio usado por artistas contemporâneos. Nos tempos de hoje, na primeira década do século XXI, começa também a ser meio para curadores, em exposições de livros de artista. Catálogos de exposições fazem comissões de obras apenas em formato impresso para, mais do que documentar e perpetuar a exposição, continuá-la no meio bidimensional.
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ARQUITECTURA E DESIGN

PEDRO MACHADO COSTA


DA HESITAÇÃO DE HANS, OU SOBRE O MEDO DE EXISTIR
Hans-Jürgen Commerell vacila por um momento. Provavelmente embaraçado com a pergunta. Possivelmente acanhado pela resposta que irá dar, sabendo que nada acrescentará à vulgaridade. E depois, pausadamente, lá vai dizendo: Siza. E para além de Siza? Poucos nomes: Souto de Moura, Aires Mateus… enumera o alemão, ainda hesitante com um engasgo que lhe servirá de pretexto para rapidamente mudar o rumo da conversa que está a ter com Alexandra Prado Coelho. Hans-Jürgen Commerell pode, claro, ter sido simplesmente traído pela memória. Porque citar, assim, repentinamente, nomes de arquitectos portugueses não é, ao contrário do que se possa pensar, coisa fácil. Poderia até dizer-se que Hans se saiu bem na sua resposta, demonstrando uma atenção e um aceitável conhecimento do que se passa em Portugal no que se refere à arquitectura recente.
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DESTAQUE

Colectiva

Wallpaper - Desenhos do inicio do século

3+1 ARTE CONTEMPORÂNEA, Lisboa
03 JUL- 12 SET 2009

AGORA LUANDA - Kiluanje Liberdade e Inês Gonçalves

21 MAIO - 25 JULHO

Entrada Livre
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EXPOSIÇÕES ACTUAIS

JOÃO MARIA GUSMÃO + PEDRO PAIVA

Experiments and Observations on Different Kinds of Air


Pavilhão Português, Veneza
Se o trabalho de laboratório pareceu sedutor a Joseph Priestley que dele se serviu na tarefa de isolar ares diversos, dos ácidos aos alcalinos, dotando de materialidade substâncias invisíveis e indiscerníveis, o mesmo fascínio por aquilo que não se vê (mas apenas se induz e depreende) parece continuar a mover a dupla de artistas João Maria Gusmão (n. 1979) e Pedro Paiva (n. 1977). Aqui a ideia de laboratório é alargada a vários espaços e localizações, dessacralizada e posta ao serviço da criação de transcendências, simulacros, ficções, metafísicas e outras poéticas de uma quase ciência que explora os seus próprios limites e fronteiras. Através de uma metodologia de trabalho aparentemente para-científica, JMG e PP desafiam postulados científicos fazendo do cepticismo romântico o seu principal aliado. Nesse sentido, pode-se estabelecer um paralelo entre os trabalhos de João Maria Gusmão e Pedro Paiva e o estudo do “éter”, a substância hipotética que até ao início do século XX explicava a inexistência do vácuo na natureza e que permitia conceber, em certa medida, os meios de transmissão pelo ar.
Joana Lucas

FABRIZIO MATOS

Ao Quilómetro Seis


MCO Arte Contemporânea, Porto
O trabalho que Fabrizio Matos (1975, Figueira da Foz) nos mostra com a exposição “Ao Quilómetro Seis”, constituído por pintura, fotografia e vídeo, possui vários elementos que quando apreciados na sua totalidade descrevem um topos (encontro) dialéctico onde a paisagem natural emerge em desarticulação com o indivíduo (sujeito). A natureza, quer em abundância de escala com o sujeito, quer nas soluções plásticas de Fabrizio; realça o sujeito como elemento inintegrável. Surge a dimensão da falta, mas sem a densidade psicológica do termo ou as derivações platónicas acerca do desejo. Ela surge mais, por uma visível desarticulação topológica e que é criada para que entre em cena a ordem do suspenso e da suspeição (suspense). Fabrizio Matos descobre numa escarpa da cidade do Porto (à medida de seis quilómetros) uma paisagem que lhe possibilita uma abordagem pictórica evocativa de algumas pinturas românticas. Gaspar Friedrich é um dos nomes que, num texto explicativo da exposição, Fabrizio diz encontrar vários referentes. E de facto existem muitos pontos em comum, com o mestre do romantismo e autor do célebre quadro: “O Caminhante em frente ao mar de nevoeiro” (1818).
LER MAIS Rui Ribeiro

JORGE MOLDER

Pinocchio


Espaço Fidelidade Mundial Chiado 8 - Arte Contemporânea, Lisboa
O universo literário de Jorge Molder (Lisboa, 1947) é, desde há muito, intensamente povoado por agentes “peritos no conhecimento profundo das aparências” (J.M. em “Uma conversa entre Jorge Molder e John Coplans”, Luxury Bound, Assírio & Alvim, 1999, p.188), como sejam o jogador ou o mágico. A aparência e a superfície ou a ilusão e o trompe l´oeil são alguns dos conceitos e mecanismos operativos importados, da literatura ou da filosofia, para a generalidade da obra de Jorge Molder, e que ganham especial relevância na apresentação expositiva da série “Pinocchio” agora proposta para o espaço Chiado 8 sob a curadoria de Bruno Marchand. “Pinocchio” apresenta, ao nível da sua materialização fotográfica, um branco luminoso que se distingue inequivocamente do cinzento suave dos primeiros anos de produção e dos negros violentos das grandes séries temáticas que consagraram a obra de Jorge Molder. A anterior abstracção do plano de fundo, sequência depuradora de um longo período com evidentes preocupações no detalhe cenográfico, é agora aprofundada em crua ausência de cenário, deliberadamente acentuada através do recorte técnico do motivo rejeitando, por essa via, a possibilidade da sua interferência na leitura clara e unívoca do objecto. Mãos e cabeças mutiladas alinham-se em jeito de catálogo de uma exposição arqueológica de escultura clássica, reificando (e aqui reside a fundamental dissidência com relação a obras anteriores) a fotografia como suporte documental e confundindo-lhe, por conseguinte, a sua natureza narrativa habitual.
LER MAIS Lígia Afonso

JOHN WOOD e PAUL HARRISON

Some words. Some more words


Ikon Gallery, Birmingham
Onde é a saída de um mundo perfeito? Um mundo com que o meio artístico sonhou nos anos 80, encerrado num cubo branco, entre quatro paredes e onde circulam dois personagens que parecem depurados sósias dos personagens Vladimir e Estragon de Beckett. Dois personagens, porém mudos. Um mundo horizontal pode ser uma longa prateleira, um paralelo terrestre onde num travelling sem início nem fim, camiões TIR, refrigerantes, maçãs azuis e gira-discos com girafas miniatura passam frente aos nossos olhos hipnotizados. Tudo sem som, mas por vezes, com algumas palavras. John Wood e Paul Harrison trabalham como dupla artística há cerca 10 anos. Conheceram-se quando eram colegas da mesma escola superior de belas artes e confessaram-me que só agora, durante a realização de “Night and Day” (2008) é que atingiram o momento em que a colaboração artística funciona de forma empática, sem palavras.
LER MAIS Sílvia Guerra

ALEXANDRE ESTRELA

Deserto Acéfalo


IN.TRANSIT, Porto
No contexto dos 10 anos_10 exposições, do projecto IN.TRANSIT, comissariado por Paulo Mendes, pode ser vista até dia 26 deste mês, “Deserto Acéfalo”, de Alexandre Estrela. “Deserto Acéfalo” (1997/2009) é constituído por uma impressão digital, “Acéfalo” (1997) e por uma vídeo instalação “Sound Escape” (2003). O observador quando entra na sala depara-se com a instalação montada no chão: um projector emite a imagem vídeo que é projectada e coincide com a impressão (40 x 60 cm). As dimensões, o facto de o observador ter de olhar para baixo, para o conjunto da peça e a sua percepção de todo o dispositivo que a compõe, evitam, desde logo, que esta se confunda com um vídeo comum.
LER MAIS Alexandra Beleza Moreira

CAROLINA SILVA / MARIA JOÃO PACHECO

Vaivém sul


Convento dos Capuchos, Almada
Por uma série de características visuais e de problemática encontra-se no conjunto das obras de “Vaivém sul” a vontade de operativamente partir de um território específico. Ou, a bem dizer, de lá voltar. Refira-se aliás que esta exposição de Carolina Silva (n. 1983) e Maria João Pacheco (n. 1982), ocupando duas salas do Convento dos Capuchos, faz parte de um projecto criativo iniciado no ano passado entre Lisboa e os Açores, e portanto já assente noutros dois momentos exploratórios e interdependentes definidos pelas artistas: “Vaivém norte”, com os trabalhos então mostrados na Academia das Artes dos Açores (Ponta Delgada) a materializarem a premissa de estar num sítio, projectando-se para outro, e residência artística em São Miguel (durante Agosto de 2008), permitindo nos campos plástico e conceptual repegar agora, novamente do lado de cá, à distância, questões antes lançadas como hipóteses, intuições, mas que requisitam o conhecimento entretanto chegado na experiência in loco, vivencial, perceptiva, dessa mesma ilha.
LER MAIS Emanuel Cameira

COLECTIVA

Arquivo Universal – O documento e a utopia fotográfica


Museu Colecção Berardo, Lisboa
A exposição “Arquivo Universal – o documento e a utopia fotográfica”, co-produzida pelo MACBA e Museu Colecção Berardo, reúne um conjunto de fotografias, filmes e publicações de mais de cem autores, cobrindo um período histórico igualmente amplo, de 1851 a 1988. Se as perspectivas mais recentes sobre o documental ficaram, todavia, de fora desta mostra, ao contrário da versão de Barcelona, que se estendia até ao presente, tal não lhe vem retirar relevância nem tão pouco a destitui da sua problemática. A exposição, comissariada por Jorge Ribalta, propõe pensar a imagem fotográfica documental e analisar o modo como ela foi sendo constituída ao longo da própria história.
LER MAIS Sofia Nunes