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ENTREVISTA



LUCAS CIMINO, GALERISTA


Este mês publicamos uma entrevista a Lucas Cimino, galerista da Zipper Galeria, de São Paulo. Conduzida por Juliana Arruda, a entrevista foi publicada originalmente na publicação digital Blouin Artinfo em Maio de 2013. A Zipper Galeria está no mercado brasileiro há apenas quatro anos, porém sob o comando de Fabio Cimino, marchand com experiência de mais de 30 anos dentro do mercado da arte. O que pouca gente sabe é que Fabio conta com um braço direito ativo e apaixonado pela arte. Lucas Cimino, o seu filho de 24 anos, largou o emprego na área da administração e assumiu junto ao pai todo o processo de concepção da Zipper em 2009.
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O ESTADO DA ARTE



MONTSE BADIA


TRABALHAR EM ARTE
Harald Szeemann dizia que os artistas eram como uma espécie de sismógrafos do que estava a acontecer na sociedade, porque detectavam ou refletiam (de maneira consciente ou inconsciente) as mudanças que estavam a ter lugar. A afirmação continua a ser válida também a um nível mais global.
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Luís Alegre ::: [NO AUDIO]
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PERSPETIVA ATUAL

MARIA JOÃO GUERREIRO


WEIWEI-ISMS, DE AI WEIWEI
Poderíamos com ousadia afirmar que Ai Weiwei é hoje um fenómeno global. Cada comentário, vídeo, trabalho, expressão de todo o género do artista que é, atualmente, o rosto da resistência na China é alvo imediato de notícia nos media e de aparato contagiante nas redes sociais. Ai Weiwei é, sem dúvida, uma personalidade contagiante, entusiasmante até, devido ao seu caráter criativo e politicamente fervilhante. De opiniões francas, é o homem que faz da sua prática artística uma batalha e que traz para o discurso artístico o discurso do quotidiano, indissociando-os. “Everything is art. Everything is politics”, afirma num dos muitos apontamentos compilados neste Weiwei-isms, livro que pela forma, organização e conteúdo chega a recordar os grandes manuais de pensamentos, máximas e aforismos de tradição oriental.
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OPINIÃO

JOSÉ GOMES PINTO (ECATI/ULHT)


ARTE E INTERACTIVIDADE
A realidade da intersecção entre arte e media é hoje algo inegável. Indústria e academia trabalham em separado, mas sobre problemas e objectos comuns. A realidade é dual, mais uma vez, mas trata-se apenas de uma distinção de razão. Muito daquilo a que se tem chamado Media Art (conceito para o qual a língua portuguesa felizmente ainda não encontrou um vertido fiel), ou seja, muitos dos objectos que surgem das chamadas indústrias culturais e da indústria artística, vivem hoje sobre um fantasma: a interactividade.
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ARQUITETURA E DESIGN

CARLOS MACHADO


VÍTOR FIGUEIREDO: A MISÉRIA DO SUPÉRFLUO
Conheci Vítor Figueiredo na revista l’Architecture d’Aujourd’hui sobre Portugal (n.º 175, Maio/Junho de 1976), onde foram publicados dois pequenos artigos, de Duarte Cabral de Mello e de Nuno Portas, que lhe eram dedicados sob o título comum “Vítor Figueiredo, La misère du superflu” (“A miséria do supérfluo”), acompanhados dos seguintes projectos: o Conjunto Habitacional de Peniche (1968), o Conjunto Habitacional em Chelas (1973) e o Conjunto Habitacional no Alto do Zambujal (1975). Eram obras estranhas e fascinantes, sobretudo o Conjunto de Peniche que me fazia lembrar outra descoberta mais ou menos da mesma época: a arquitectura de Giorgio Grassi, que encontrei pela primeira vez num número da mesma revista chamado “Formalismo/Realismo” (Abril de 1977), onde no meio de projectos, bons ou menos bons (não interessa), mas muito vistosos, com maravilhosos desenhos a cores de Aldo Rossi, apareciam três projectos a preto e branco (desenhos e maquetas) que eram, tal como os de Vítor Figueiredo, estranhos, ou perturbadores, pelos menos para mim que lhes dei atenção.
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MEMÓRIAS DO FUTURO

RUI MIGUEL ABREU


GENESIS P-ORRIDGE: ALMA PANDRÓGINA (PARTE 1)
Genesis Breyer P-Orridge é uma pessoa especial, complexa, diferente, única. Pioneiro britânico do som industrial, nasceu homem, fundou os Throbbing Gristle e Psychic TV e já no novo século embarcou num projeto que designou como pandroginia depois de conhecer a pessoa que descreve como o grande amor da sua vida, Lady Jaye. Genesis e a sua esposa decidiram submeter-se a uma série de cirurgias que os aproximasse em aparência, o que implicou que o líder dos Pyschic TV colocasse implantes mamários e que passasse a referir-se a si mesmo no género feminino. Outra particularidade deste músico passa pelo facto de usar a primeira pessoa do plural quando se refere apenas a si, um hábito que deriva do facto de acreditar que ele e Lady Jaye são hoje um só.
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BLOGSITE EM RESIDÊNCIA

Walking Through Rain Without Getting Wet - Rain Room at MoMA




Jeremy Deller’s English Magic at Venice Biennale







PREVIEW

O Consumo Feliz: o século XX pelos “olhos” da publicidade


A publicidade, como hoje a conhecemos, é resultado de um longo percurso...
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EXPOSIÇÕES ATUAIS

SALOUA RAOUDA CHOUCAIR

Saloua Raouda Choucair


Tate Modern, Londres
Passaram-se mais de seis décadas desde que Saloua Raouda Choucair, a artista pioneira da arte abstrata do Líbano, apresentou a que é considerada a primeira exposição abstrata no mundo árabe. No entanto, hoje é a primeira vez que a sua obra é exibida segundo uma visão retrospectare num museu de arte moderna no Ocidente, este é o caso da exposição Saloua Raouda Choucair na Tate Modern, que abriu em abril e estará patente até outubro de 2013. O Líbano, provavelmente sempre fora um dos países Árabes mais liberais, onde o contacto e influências entre Ocidente e Oriente provocaram uma contaminação mútua. A maioria dos pioneiros libaneses da arte moderna, como Daoud Corn ou Yusuf Howayyek, viajaram para a Europa, para cidades como Londres, Paris ou Roma, onde estudaram e absorveram as tendências da altura. No entanto, é somente durante a segunda metade do século XX que se observa no Líbano um florescimento da participação de artistas mulheres na arena pública. Choucair, nascida em 1916, é uma das artistas mais inovadoras destas primeiras gerações de artistas que exploraram e experimentaram novas técnicas e materiais dentro na sua prática artística. Esta é uma artista cujo trabalho combina o abstracionismo ocidental com a estética islâmica, simultaneamente refletindo os seus interesses pela arte, poesia e arquitetura islâmica bem como, pela ciência e matemática.
Inês Valle

COLETIVA

apesar de tudo, nunca se sentia só ou triste, o futuro fazia-lhe companhia ou Le petit Lenormand (cartomancia e probabilidade)


Vera Cortês - Agência de Arte, Lisboa
A exposição que está patente na agência Vera Cortês, comissariada por Luís Silva, tem um título enigmático, repartido em dois subtítulos ou, se quisermos, em duas entradas de leitura: apesar de tudo, nunca se sentia só ou triste, o futuro fazia-lhe companhia ou Le petit Lenormand (cartomancia e probabilidade). Enquanto a primeira entrada sugere um certo estado de reconforto proporcionado pelo tempo futuro, a segunda cita o nome de um baralho de tarot inventado por Marie-Anne Lenormand, uma famosa cartomante de finais do século XVIII e inícios do século XIX, que, segundo consta, chegou a ser consultada por Marat, Robespierre e Saint-Juste, tendo previsto a ascensão e a queda do império napoleónico. Porém, esta não é uma exposição sobre futurologia ou práticas divinatórias, nem sobre uma crença ou promessa de futuro estruturadas por uma razão sustentada no cálculo, na objetividade ou na estatística. Pelo contrário, o futuro que o campo discursivo da exposição parece tratar é da ordem do acontecer, desse terreno propício à emergência de fenómenos imprevisíveis, que escapam à ordem estável do conhecimento e que, graças à sua natureza ambígua, são difíceis de nomear e classificar. Neste sentido, a exposição dá conta de uma área de investigação que tem ocupado o trabalho de alguns dos artistas mais jovens do nosso panorama, incluindo os seis artistas aqui reunidos, nascidos na década de 1980: Diogo Evangelista, Pedro Henriques, Joana Escoval, Catarina de Oliveira e Musa paradisiaca (projeto formado por Eduardo Guerra e Miguel Ferrão). Refiro-me, concretamente, à procura de modelos e estratégias de resistência face aos processos de totalização e enclausuramento do sentido e, por correlação, à exploração das margens de incerteza que aí tomam lugar.
LER MAIS Sofia Nunes

DOR GUEZ

40 Days


The Mosaic Rooms, Londres
The bride is beautiful but she is married with another man, foi assim que os dois rabis enviados em 1896 descreveram a Palestina, uma afirmação que traduz o quão determinados os sionistas estavam em concretizar os seus ideais, independentemente das consequências que poderiam advir para o povo palestiniano. Os planos para a implementação dos Estado de Israel provêm (pelo menos) desde o final do século XIX, no entanto é somente durante os anos 30, altura em que a Palestina estava sob o controlo dos ingleses, que se verifica um créscimo exponencial do número de imigrantes judeus, legais ou ilegais, para este território. Somente entre 1931 e 1935 o número anual de imigrantes judeus passou de 4 mil para 62 mil. Com a aplicação de ideologias que apadrinhavam o movimento sionista, testemunhamos uma imolação extremamente discriminatória e radical neste território, que culmina numa limpeza étnica de árabes que ‘incentiva’ os restantes a fugirem para países adjacentes, como a Jordânia, acabando por substituir árabes por judeus. Por tal, não é surpreendente que após os eventos de 1948, quando o Estado de Israel é oficialmente estabelecido, que os judeus fossem a preponderante maioria e quaisquer outros neste território, independentemente da sua religião ou etnia, fossem uma pequena minoria sem direitos ou poderes.
LER MAIS Inês Valle

COLETIVA

A Ilha


Livraria Sá da Costa, Lisboa
Miguel Bonneville é o mentor da exposição que podemos ver na Livraria Sá da Costa e a sua intenção segundo a folha de sala foi chamar a atenção para o livro A Ilha de Aldous Huxley que considera de leitura essencial. Foi assim que contactou Cláudia Varejão, Sofia Arriscado, Edvinas Grin, Bárbara Assis Pacheco, Vicky Sabourin, Lara Torres & Diogo Melo, Joana Linda, José Miguel Vitorino, Frauke Frech, Sara Pazos e Sónia Baptista. Tal como na sua obra mais conhecida O Admirável Mundo Novo, em A Ilha Huxley retrata uma civilização ideal e feliz (embora não de forma futurista como na obra anterior). Conhecendo um pouco a biografia de Aldous Huxley é curioso, que todos os artistas expostos tenham optado por se debruçarem sobre o tema do livro, a felicidade, o mundo ideal e principalmente a natureza, sem que nenhum tenha abordado um contexto mais biográfico do autor que o terá levado a idealizar estes mundos: as suas experiências com drogas alucinogéneas e o seu interesse por religiões orientais e outros modos de vida mais espirituais. A Ilha é uma coletiva que reúne artistas nascidos nos anos 80 ou finais de 70. Este grupo de artistas de diferentes áreas, optou por utilizar suportes diversos, nalguns casos até distanciados do tipo de meios em que estamos habituados a vê-los trabalhar, uma característica dos artistas desta geração, mais ecléticos e menos complexados no uso dos meios artísticos disponíveis.
LER MAIS Bárbara Valentina

COLETIVA

Realism in Rawiya – photographic stories from the Middle East


New Art Exchange, Nottingham
Nos dias que correm vulgarizou-se mundialmente uma ideia sobre a região do Médio Oriente, na qual é reduzida a um território de conflito, violência e miséria; lugares que acolhem ou refugiam aqueles que são hoje a imagem banalizada do terrorista, do agressor ou opressor. Infelizmente, esta é mais uma conceptualização extremamente limitada gerada por uma visão ocidentalizada, que com o 11 de Setembro e as recentes revoluções árabes se tem tornado cada vez mais vincada. Com estes últimos eventos, esta região tem obtido uma visibilidade incomparável nos mais diversos meios de comunicação internacional mas também, se observou um exponencial acréscimo de interesse por parte dos vários atores do mundo da arte, que incitaram a produção, reflexão e exibição de arte contemporânea do Médio Oriente, uma nova fonte de rendimento agora em voga.
LER MAIS Inês Valle

NUNO CERA

Dérive Noire


Galeria Pedro Cera, Lisboa
Nuno Cera apresenta, na Galeria Pedro Cera, o seu mais recente trabalho, Dérive Noire, um projeto descrito entre Lisboa e Berlim, uma série de imagens onde ressurgem alguns elementos recorrentes do seu trabalho. Lembro, recuando a 2005 e 2006, as propostas de LOST, LOST, LOST #9 ou Unité d’habitation #5, que agora se vêem repensadas através de novos dispositivos e de outras “narrativas”. Dérive Noire é o resultado de deambulações, de um vaguear noctívago. Nuno Cera assume-se como flâneur noturno, entre cidades onde se encontra, se perde e cria imagens com os espaços. Através de Nuno Cera, os espaços criam imagens, que por sua vez, criam novos espaços.
LER MAIS Patrícia Trindade

ALLAN SEKULA

The Dockers’ Museum


Lumiar Cité - Maumaus, Lisboa
Mais do que uma mostra, a exposição patente na Lumiar Cité até ao dia 31 de março é o sumário de um projeto artístico eminentemente centrado nas consequências da economia globalizada. Sekula apresenta como peça nuclear o filme The Forgotten Space (co-realizado pelo veterano do cinema documental Noël Burch), onde questiona o impacto do sistema neoliberal, como hoje o conhecemos, no contexto particular da vida portuária. De acordo com o fotógrafo, ativista, historiador e professor na CalArts (Califórnia), o mar tornou-se um elemento esquecido na nossa memória simbólica, recordado apenas quando os media noticiam as catástrofes ecológicas ou os cataclismos naturais impelidos pela sua força. Mas, nesta era de crise generalizada e de submissão a uma lógica regida pelo capitalismo, Sekula procura registar as dinâmicas sociais, financeiras e políticas do espaço marítimo, ao ressalvar que ainda é pelas águas que se opera a maior parte das transações de mercadorias.
LER MAIS Maria João Guerreiro