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CÍRCULO DE ARTES PLÁSTICAS RENOVA-SE AOS 60 ANOS A PARTIR DA BIENAL DE COIMBRA

2018-12-14




O Círculo de Artes Plásticas de Coimbra era, há 60 anos, "uma associação de pintores de cavalete", transformou-se, nos anos 1970, num espaço de exposição de arte contemporânea e hoje revitaliza-se a partir da bienal Anozero.
Em 1958, um conjunto de quatro estudantes da Universidade de Coimbra decidiu criar o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), na sequência de uma exposição da Queima das Fitas, em maio daquele ano.

Sem Faculdade de Belas Artes na cidade, os estudantes procuravam ocupar esse espaço em falta, criando aquilo que na altura seria "um ateliê coletivo" e convidando professores e artistas, contou à agência Lusa Emílio Rui Vilar, um dos quatro estudantes fundadores da instituição.

Para Emílio Rui Vilar, o CAPC era também um espaço que apresentava "alguma componente de rebeldia política, num em tempo em que as limitações eram muitas, por causa da censura".

Na altura, já havia uma grande atenção à arte contemporânea, mas Emílio Rui Vilar não tinha ideia de que a iniciativa de uns estudantes pudesse "durar 60 anos".

No entanto, a perspetiva de futuro "era sempre de um grande entusiasmo naquilo que fazíamos". "Creio que o Círculo de Artes Plásticas nasceu com os ingredientes certos e a verdade é que durou", frisou.

Para o atual diretor do CAPC, Carlos Antunes, a instituição sofreu várias alterações ao longo de 60 anos de atividade.

"Começou por ser um ateliê coletivo de uma classe de estudantes esclarecida e culta. A partir dos anos 70, surgem professores como Ângelo de Sousa e Alberto Carneiro, que cria uma transformação e permite fazer as coisas mais extraordinárias. Transforma-se completamente uma associação de pintores de cavalete, num espaço cada vez mais de exposição", salienta.

Carlos Antunes nota ainda que foi na direção da década de 1990, que o CAPC acabou por frisar a sua identidade como um espaço de exposição, que se mantém desde então, tendo hoje dois lugares, no Jardim da Sereia e junto às Escadas Monumentais.

Ao longo do tempo, criou-se também uma coleção, "que não é muito grande, mas que marca um tempo e permite leituras da história da arte contemporânea" em Portugal, frisa à Lusa, considerando que é na nos anos 1990 que a coleção do CAPC é mais forte.

Para Carlos Antunes, para uma instituição que tem o peso da história, a bienal, que arrancou em 2015, foi uma oportunidade para o CAPC "se revitalizar".

"Havia a escala local do CAPC, que dificilmente se conseguiria alterar e não quero alterar essa dimensão, mas tem de haver um outro momento de maior escala, que chegue a mais público e que dê à cidade uma dimensão e visibilidade que ela não tinha", salienta.

Nesse sentido, a bienal Anozero, que em 2019 vai para a sua 3.ª edição, permite a Coimbra "ganhar um lugar de centralidade" na arte contemporânea, sustenta.

De dois espaços com "250 metros quadrados", o CAPC trabalha agora, na bienal, com o Convento de Santa Clara-a-Nova, um espaço de "15 mil metros quadrados", que passou a ter uma parte afeta ao funcionamento da Anozero.

As celebrações dos 60 anos do CAPC arrancam com uma exposição no Círculo Sede, que vai ser inaugurada este sábado, terminando com a 3.ª edição da bienal, que começa em novembro de 2019.



Fonte: RTP