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MODA


Hussein Chalayan, Echoform, 1999


Hussein Chalayan, Afterwords, 2000


Hussein Chalayan, Afterwords, 2000


Hussein Chalayan, Kinship Journeys, 2003


Hussein Chalayan, Temporal Meditations, 2004


Hussein Chalayan, Anaesthetics, 2004


Hussein Chalayan, Absent Presence, 2005

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2008-07-07


HUSSEIN CHALAYAN, o filósofo
 

HUSSEIN CHALAYAN, o filósofo

ANABELA BECHO

2008-07-07




“A moda em si não me interessa.” Quem o afirma é Hussein Chalayan, curiosamente galardoado com o Prémio de Designer de Moda Britânico do Ano em 1999 e em 2000. Nascido em Nicósia, em 1970, filho de pais turco-cipriotas, abandonou a ilha de Chipre aos 12 anos para estudar em Inglaterra, formando-se em Moda na reputada Central Saint Martin’s de Londres, em 1993. Desde logo chamou a atenção dos profissionais do meio pela singularidade do seu trabalho. A sua obra, tal como a sua vida, tem sido marcada por uma procura de identidade e de pertença, sempre em busca de um espaço próprio. Desde o início da carreira, o seu campo de acção extravasou os domínios da moda, estendendo-se ao vídeo, à instalação e à performance. As apresentações das suas linhas de vestuário – Hussein Chalayan e Chalayan – são verdadeiros acontecimentos performativos, unindo diversas expressões como a cenografia, a música, o design, a arquitectura e as artes plásticas. As peças que desenha, de linhas simples e depuradas, sempre inspiradas no corpo e no contexto que o envolve, revelam-se plenas de intencionalidade e riqueza conceptual e os nomes com que intitula as suas colecções – Scent of Tempest (97 A/W), Echoform (99 A/W), Afterwords (00 A/W), Ambimorphous (02 A/W), Kinship Journeys (03 A/W), Temporal Meditations (04 S/S) ou Anthropology of Solitude (04 A/W) - simbolizam na perfeição a densidade e a maturidade do seu trabalho.

Os seus projectos de moda e de arte - reflexões sobre questões sociais, políticas e económicas universais partilhadas pelo Homem contemporâneo, bem como questões de ordem filosófica inerentes à condição humana - complementam-se, reflectindo as preocupações e inquietações do criador.

Os trabalhos em vídeo de Chalayan, tal como as suas propostas de vestuário, são exercícios de rigor técnico e conceptual, que combinam técnicas cinematográficas com técnicas experimentais de teatro, onde os figurinos assumem um papel preponderante.
Do seu percurso destacam-se a participação numa conversa sobre as ligações entre moda, arte e arquitectura, com Zaha Hadid e Michael Bracewell (Tate Gallery, Londres, 1997); exposições em reputados museus e galerias como o 21st Century Museum of Contemporary Art (Kanazawa), Central Museum (Utrecht), Palais du Tokyo (Paris), Centro de Arte Contemporânea de Génova e Galerist (Istambul), entre muitos outros.

Na colecção Echoform (1999), o criador questiona os limites do corpo humano, propondo a tecnologia como um meio de amplificar as capacidades do homem. Quando as imagens alarmantes da situação do Kosovo atravessavam o mundo, Hussein Chalayan apresentou a colecção Afterwords (2000), uma reflexão sobre a problemática dos refugiados e sua condição nómada: num cenário totalmente branco, recriou uma sala de uma casa com cadeiras e mesas de café redondas ao estilo da década de 50 do século XX; atrás de um ecrã semi-transparente, actuava um coro feminino búlgaro; modelos em roupa interior entravam compassadamente em cena, vestindo literalmente as peças de mobiliário, que se transformavam em saias e vestidos, deixando a sala despida e sem vida.

No projecto Anaesthetics (2004), um filme abstracto e alegórico, fala do modo como o horror e a violência são camuflados em diversas sociedades pela ritualização e pela estetização. Num espaço de carácter laboratorial, misteriosas experiências são levadas a cabo em 11 cenas diferentes, onde as metamorfoses são conseguidas através da utilização de peças de vestuário da colecção do criador.

Em Absent Presence (2005), filme (muito aplaudido pela crítica) que realizou para o Pavilhão Turco na Bienal de Veneza, apresentou uma história enigmática, protagonizada pela actriz britânica Tilda Swinton, baseada em questões de identidade, geografia, genética, biologia e antropologia.

Estes são apenas alguns exemplos da carreira de um criador que não se deixa espartilhar pelas convenções da moda e que acredita que a beleza reside na autenticidade.


Anabela Becho