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:: CONHECIDOS OS CINCO FINALISTAS DO SALAVISA EUROPEAN DANCE AWARD

Artecapital

2026-02-11



 

 

São cinco os finalistas do prémio Salavisa European Dance Award (SEDA) que distingue artistas de todo o mundo que demonstrem talento ou qualidades especiais na área da dança.

Criado em 2023 pela Fundação Calouste Gulbenkian e outras instituições culturais europeias, com o intuito de homenagear o legado do bailarino, professor e diretor artístico português Jorge Salavisa (1939-2020), o Salavisa European Dance Award (SEDA) é atribuído a artistas de qualquer parte do mundo que demonstrem ter talento ou qualidades especiais que merecem extravasar as suas fronteiras nacionais.

Atribuído de dois em dois anos, este prémio europeu de dança, no valor de 150 mil euros, quer afirmar-se como um incentivo a artistas com maturidade artística, sem categoria etária estritamente definida e que ainda não tenham alcançado grande visibilidade no circuito europeu devido ao seu discurso artístico ou à sua origem social e cultural.

A italiana Chiara Bersani, o australiano Dan Daw, o neerlandês Jefta van Dinther, o mexicano Lukas Avendaño e a sul-africana Mamela Nyamza foram selecionados por um Comité de Nomeação composto por um representante escolhido por cada uma das nove instituições europeias que constituem o SEDA – Dansehallerne (Dinamarca), Fondazione Fabbrica Europa per le arti contemporanee ETS (Itália), Fundação Calouste Gulbenkian (Portugal), Joint Adventures (Alemanha), KVS (Bélgica), Maison de la Danse/Biennale de la Danse (França), Mercat de les Flors (Espanha), Sadler's Wells (Reino Unido) e Tanzquartier Wien (Áustria).

O trabalho dos cinco finalistas vai ser agora avaliado por um júri independente, recentemente constituído por três conceituados especialistas de dança – Ilgaz Gurur Ertem, La Ribot e River Lin. O vencedor do prémio de 150.000€ será anunciado em novembro, numa cerimónia na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

 

 

 

OS NOMEADOS

 

Chiara Bersani

Artista, coreógrafa e ativista italiana, Chiara Bersani trabalha sobre o tema da acessibilidade de artistas com deficiência nas artes performativas, explorando a dimensão política do corpo e de que forma as imagens que criamos podem interagir com as narrativas da sociedade. Vencedora de vários prémios, foi uma das cofundadoras da associação Al.Di.Qua.Artists e é cocuradora da temporada 2025/2026 do Spazio Kor (Asti, Itália) e curadora convidada da edição de 2025 do festival internacional de artes performativas Bastards (Trondheim, Noruega). É artista associada da Trienal de Milão (2025-2027).

A prática coreográfica de Chiara Bersani é definida pela precisão radical, pela profundidade conceptual e pela urgência política. O seu trabalho propõe uma reformulação profunda da relação entre corpo, tempo, visão e poder, desafia as estéticas dominantes de virtuosismo, velocidade e produtividade, propondo, em alternativa, uma prática ancorada na duração, na atenção e numa presença radical.

 

Dan Daw

Artista e produtor australiano, começou a trabalhar como intérprete no Restless Dance Theatre (Austrália) em 2002, tendo prosseguido carreira trabalhando com vários coreógrafos e companhias internacionais. É um artista associado da Sadler’s Wells, em Londres. Curador e cocurador de diversos festivais, fundou a Dan Daw Creative Projects, uma companhia com sede no Reino Unido liderada por pessoas com deficiência, que se destaca pela criação de obras acessíveis, esbatendo as fronteiras entre teatro, dança e ativismo. Paralelamente, promove mudanças sistémicas nas instituições e no setor para artistas e públicos surdos e/ou com deficiência, através de parcerias e residências de longo prazo.

Dan Daw tem sido reconhecido como um artista cuja contribuição para a performance contemporânea está a transformar o campo tanto a nível estrutural como estético. A sua prática incorpora uma combinação rara de acuidade conceptual, inteligência emocional e necessidade política, expandindo o que representação, autonomia e intimidade podem significar em cena. A sua prática artística é inseparável do seu ativismo: ambos insistem no acesso, autoria, complexidade e dignidade.

 

Jefta van Dinther

Coreógrafo, bailarino e professor neerlandês. No centro da sua criação está a questão do que significa ser humano, examinada na sua relação com a sociedade, a comunidade e o ambiente, mas também com outras formas de vida. Igualmente central na sua prática atual é um compromisso crescente com a acessibilidade e a diversidade no campo da dança contemporânea. Ensina coreografia em diversos centros e programas educativos. Foi Professor Sénior e Diretor Artístico do programa de Mestrado em Coreografia da Uniarts Stockholm. Desde 2024, é membro do Conselho Consultivo do HZT, em Berlim, onde dirige, desde 2022, o espaço de trabalho DIORAMA.

Jefta van Dinther é considerado um dos coreógrafos mais visionários da sua geração. O seu trabalho aborda questões profundas e universais – como o que significa ser humano em relação aos outros, à história e ao mundo –, e revela como os corpos são moldados por forças sociais, culturais e atmosféricas. Apresentando o humano como simultaneamente biológico e relacional, físico e psicológico, tem desenvolvido uma linguagem coreográfica em que o corpo nunca está sozinho. Move-se dentro de constelações imersivas de luz, som, objetos e materiais que transformam radicalmente a perceção.

 

Lukas Avendaño

Artista, coreógrafo, antropólogo, ativista e escritor. Formado em Dança e Antropologia, e inspirado na muxeidad – o sistema social e de género zapoteca que desestabiliza a dicotomia colonial homem/mulher e que existe desde antes da chegada dos europeus às Américas –, encena explorações intensas de sexualidade, indigeneidade e poder. Já apresentou o seu trabalho amplamente no México e no estrangeiro. Como ativista, enfrenta uma das crises mais urgentes nas Américas: o desaparecimento e assassinato de pessoas, entre os quais o seu irmão.

O seu trabalho emerge num espaço liminar onde a dança se torna uma tecnologia de memória, de sobrevivência (survivance) e de imaginação coletiva, com potencial para moldar a forma como a dança contemporânea global compreende ritual, identidade e ativismo – oferecendo novas metodologias, novos imaginários e novas possibilidades para o futuro do campo.

 

Mamela Nyamza

Bailarina, professora, coreógrafa e ativista. Alvo de rejeição e críticas por parte dos seus professores de Ballet clássico no ensino superior devido à sua estrutura corporal, Nyamza acabou por ser inevitavelmente atraída para a temática da política do corpo. Formou-se na Tshwane University of Technology com um Diploma Nacional em Ballet e, posteriormente, estudou na Alvin Ailey International School for Dance, em Nova Iorque. Vencedora de vários prémios, criou a organização sem fins lucrativos MAMELAS ARTISTIC MOVEMENT, que oferece um espaço criativo a bailarinos desempregados e marginalizados devido às políticas do corpo.

Explorando uma prática enraizada no feminismo, na crítica decolonial, na investigação autobiográfica e num compromisso inabalável com a justiça social, Mamela Nyamsa tem vindo a remodelar os panoramas africano e internacional da performance, demonstrando como o movimento pode funcionar como catalisador de transformação cultural e institucional. A desconstrução do cânone ocidental da dança é central na sua obra: Nyamza expõe as exclusões históricas inscritas nas suas estruturas e reclama espaço para corpos negros, queer e femininos há muito marginalizados.

 

 

SOBRE O JÚRI

 

Ilgaz Gurur Ertem

Enquanto académica interdisciplinar, socióloga, curadora e educadora na área do movimento somático e dança, Ilgaz Gurur Ertem explora as intersecções entre as artes, a teoria social e o pensamento político. As suas publicações abordam a dança e a performance contemporâneas, políticas culturais e curatoriais, redes artísticas europeias e as intersecções entre teoria social e práticas corporais e incorporadas.

La Ribot

Coreógrafa, bailarina e artista. O seu trabalho, que emergiu no final da transição democrática em Espanha na década de 1980, mudou profundamente o campo da dança contemporânea. Ela desafia os enquadramentos e formatos dos espaços, apropriando-se livremente dos vocabulários do teatro, das artes visuais, da performance, do cinema e do vídeo para deslocar o panorama conceptual da coreografia.

River Lin

Artista e curador taiwanês baseado em Paris, River Lin dedica-se à performance e trabalha com arte ao vivo, dança e cultura queer. O seu trabalho curatorial tem-se centrado no envolvimento comunitário, na produção de conhecimento intra-asiático, na criação de infraestruturas culturais e na queerização das agendas institucionais.

 

 

 

FONTE: Fundação Calouste Gulbenkian




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