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RÚSSIA PROCURA CLASSIFICAR PUSSY RIOT COMO ORGANIZAÇÃO EXTREMISTA

2025-12-02




Nadya Tolokonnikova, fundadora das Pussy Riot, manifestou-se contra os esforços da Rússia para classificar o coletivo artístico feminista como uma organização extremista. "Cantar nas ruas não é extremismo, fazer protestos de rua não é extremismo", disse ela, ao terminar a performance ao vivo de longa duração “Police State” no Museu de Arte Contemporânea de Chicago.

Os procuradores do Ministério da Justiça russo apresentaram uma ação no Tribunal de Tverskoy, em Moscovo, procurando classificar as Pussy Riot como uma organização extremista. Uma audiência está marcada para 15 de dezembro.

Entretanto, Tolokonnikova ocupou uma cela simulada de prisão durante a performance “Police State”, que terminou no Museu de Arte Contemporânea de Chicago no domingo. Durante os cinco dias da performance, costurou uniformes policiais sob uma torre de vigia com slogans como “sem problemas no paraíso, nós prendemo-los” e “grande sorriso para a câmara, está sempre ligada”. Tolokonnikova descreveu a obra como um alerta “sobre o autoritarismo da vigilância que se espalha pelo mundo como um vírus”, numa nova declaração que destaca a ironia da denúncia dos procuradores russos.

“Será coincidência eu estar a receber a notícia de que [a Pussy Riot] foi adicionada à lista de organizações extremistas na Rússia, ou a obra de arte está mais uma vez a fundir-se com a realidade?”, questionou. “Estou a rir incrédula.”

Tolokonnikova cofundou as Pussy Riot com vários outros artistas russos em 2011, com a intenção de que fosse um grupo amorfo e internacional, aberto a todos. No ano seguinte, ela e outros dois membros foram detidos por cantarem canções anti-Putin na Catedral de Cristo Salvador, em Moscovo. Foram presas durante dois anos por “vandalismo”.

Na sua declaração, Tolokonnikova escreveu: “Alguém precisa de ser a voz do bom senso. E neste mundo distorcido, essa voz precisa agora de vir de punks, artistas, brincalhões, tolos sagrados”.

Esta não é a primeira vez que as autoridades russas reprimem as Pussy Riot. Em 2021, Tolokonnikova foi listada como “agente estrangeira” pelo Ministério da Justiça e, em 2023, entrou para a lista dos mais procurados da Rússia. Outras organizações rotuladas como extremistas pela Rússia incluem o movimento LGBT internacional, as Testemunhas de Jeová, as plataformas Meta e a Fundação Anticorrupção do falecido líder da oposição Alexei Navalny.

Atualmente a viver no exílio, Tolokonnikova continua a expor internacionalmente. No ano passado, ela teve a sua primeira retrospetiva num museu, abrangendo o seu ativismo passado e presente, no OK Linz, na Áustria. “É muito invulgar um museu não tentar censurar o conteúdo político da arte, mas sim incentivá-lo”, disse ela à Artnet News na altura. “Tive muitas conversas privadas com representantes de várias instituições [ocidentais] e disseram-me que apoiam a minha missão, mas, infelizmente, não é para eles”.

Em junho deste ano, ela apresentou uma versão anterior da sua performance “Police State” no MOCA Geffen, em Los Angeles. A atuação continuou mesmo com o museu temporariamente encerrado a 8 de junho, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou que a Guarda Nacional ocupasse a cidade no meio de protestos contra as rusgas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) no distrito de confeção de Los Angeles.

“A performance de longa duração é algo assustador: uma vez que se diz que se vai comparecer, não se pode simplesmente ir embora só porque a Guarda Nacional decidiu ocupar a cidade, por isso a minha escolha foi ficar e continuar a fazer o meu trabalho como artista”, disse Tolokonnikova num comunicado divulgado pelo museu.


Fonte: Artnet News