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MUSEU REINA SOFÍA INAUGURA NOVA DISPOSIÇÃO DA COLEÇÃO PARA MOSTRAR ARTE ESPANHOLA DOS ÚLTIMOS 50 ANOS

2026-02-23




A nova apresentação das coleções do Museu Reina Sofía ocupa todo o quarto andar do Edifício Sabatini para contar a história da arte espanhola dos últimos cinquenta anos através de 403 obras de 224 artistas. Esta nova narrativa, que procura destacar a contribuição da arte contemporânea espanhola, leva-nos de volta à turbulenta década de 1970, um período através do qual podemos compreender o presente como uma construção coletiva: um espaço democrático forjado desde os primeiros dias da Transição espanhola para a democracia até aos dias de hoje.

"Coleção. Arte Contemporânea: 1975–Presente" desenvolve-se ao longo de vinte e um capítulos, abrangendo a exibição de peças conhecidas das Coleções do Reina Sofía, bem como aquisições recentes e obras contemporâneas de jovens artistas emergentes, com ênfase também em como o panorama artístico espanhol se refletiu nas diferentes transformações sociais e institucionais nos últimos anos do século XX e no início do século XXI. A exposição destas obras está estruturada em torno de três percursos expositivos que regressam, em numerosas ocasiões, à década de 1970 e com espaços geográficos que não são um contexto fechado, mas sim uma intersecção e um local de circulação de manifestações culturais.

Os três percursos apresentam uma história afetiva — uma leitura emocional — destes cinquenta anos, uma revisão da escultura e da cultura material da arte contemporânea e uma narrativa de institucionalização gradual, contando, pela primeira vez, a história do Museu como parte do seu acervo. A intenção do Reina Sofía é divulgar estas narrativas como possibilidades e enquadramentos para futuras apresentações, tornando assim as coleções continuamente abertas à revisão.

O passado é o caminho que conduz ao presente, ou a sua memória oferece erros e caminhos sem retorno quando confrontados com um futuro ainda por construir? Ou melhor ainda, como se viaja do presente para o passado? O trabalho de um museu nacional não é reinterpretar o passado em busca de um espelho para a sociedade atual, mas sim permitir que as preocupações do presente encontrem uma infinidade de respostas no passado, a fim de compreender que o presente não é algo a ser tomado como um dado adquirido, mas sim como um devir que é indispensavelmente construído como um coletivo. Em tempos incertos, não se trata de imaginar futuros, mas de tentar reconhecer no presente aqueles futuros desejáveis que já estão aqui.


Fonte: e-flux