|
|
DAVID HOCKNEY (1937-2026)2026-06-12David Hockney, o icónico pintor britânico que lançou um olhar revolucionário sobre a arte do século XX, faleceu aos 88 anos. Ficou conhecido como artista pop durante os agitados anos 60 e era talvez mais famoso pelas suas pinturas de piscinas, que ajudaram a definir a estética de Los Angeles. Obras como «A Bigger Splash» e «Portrait of an Artist (Pool With Two Figures)» retratavam cenas hedonistas de amor, luxúria e perda, que se desenrolavam sob os céus ensolarados da cidade. Mas a carreira de seis décadas de Hockney não pode ser definida por uma única época. Produziu retratos com mudanças de perspetiva utilizando colagens fotográficas, experimentou a pintura de paisagens abstratas e, na sua velhice, investigou as possibilidades de criar obras de arte a partir da tecnologia 3D emergente. A artista Tracey Emin disse que se sentia privilegiada por ter conhecido Hockney, acrescentando: «Um grande artista e um homem maravilhoso, que com o poder da arte mudou a perceção do que é ser britânico. Um homossexual orgulhoso e fumador inveterado, que hasteou a bandeira mais alto do que qualquer outro artista britânico.» O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, também foi um dos primeiros a prestar homenagem a Hockney. «O primeiro-ministro está entristecido com a notÃcia da morte de David Hockney, um dos artistas mais célebres da Grã-Bretanha», afirmou um porta-voz. «O seu trabalho vÃvido e imediatamente reconhecÃvel influenciou gerações de artistas, e os pensamentos do primeiro-ministro estão com os seus amigos e famÃlia.» O rei Carlos afirmou que Hockney era um homem de «charme irreprimÃvel, talento e inovação constante». Numa publicação nas redes sociais, Carlos referiu que Hockney era «um gigante do mundo da arte e da pintura, um homem de Yorkshire de corpo e alma, e um amigo querido e fonte de inspiração para tantos». E escreveu: «David foi uma das verdadeiras figuras originais da vida; alguém que usava o seu génio com a mesma leveza com que usava os seus adorados Crocs amarelos, que ajudavam a alegrar os eventos no Palácio. Espero que eles o vejam caminhar em segurança para o além, enquanto choramos a perda de um homem cujo charme irreprimÃvel, talento e inovação constante farão muita falta, mas cuja criatividade deslumbrante continua viva em galerias e museus por todo o mundo.» Um comunicado dos representantes de Hockney afirmava: «O célebre artista britânico David Hockney, uma das figuras mais importantes da arte contemporânea tanto no século XX como no século XXI, faleceu tranquilamente em casa no dia 11 de junho de 2026, um mês antes de completar 89 anos.» Acrescentou ainda: «O legado duradouro de David Hockney reflete o seu entusiasmo pela vida, o seu notável sentido de humor, a sua imensa generosidade e a sua curiosidade investigativa, resumidos na sua frase caracterÃstica: Love Life.» Nascido em Bradford, West Yorkshire, em 1937, Hockney era o quarto de cinco filhos daquilo a que descreveu como uma «famÃlia da classe trabalhadora radical». Os seus pais incentivaram o talento artÃstico precoce do filho. Estudou arte no Bradford College e vendeu o seu primeiro quadro — um retrato do pai — por 10 libras na Exposição de Artistas de Yorkshire, em 1957. Com o seu caracterÃstico cabelo loiro descolorido, os óculos redondos de armação grossa e o cigarro pendurado no lábio, Hockney tornou-se uma figura incontornável no circuito festivo dos anos 60 em Londres e nos Estados Unidos. Depois de se mudar para Los Angeles em meados dos anos 60, as suas obras mais maduras e contidas foram aclamadas pela capacidade de transmitir emoções profundas e complexas na tela. Em «Man in Shower in Beverly Hills» (1964), o artista atingiu o seu auge à medida que evoluÃa para um estilo mais realista. Em novembro de 2018, a obra-prima de Hockney de 1972, Portrait of an Artist (Pool With Two Figures), foi vendida por 90,3 milhões de dólares (70,2 milhões de libras) na Christie’s, um recorde mundial para um artista vivo na altura. A obra, inspirada na separação de Hockney do seu amante, encantou os crÃticos, incluindo Jonathan Jones, do Guardian, que a descreveu nesse mesmo ano como «uma destilação serena de amor e tristeza». Nos últimos anos, Hockney experimentou muitas novas áreas, incluindo a cenografia e o figurino para óperas e balés. O desenvolvimento tecnológico fascinava o artista: à medida que a sua carreira evoluÃa, a sua arte passou a recorrer à fotocopiadora, ao fax, à impressora e ao iPad – este último permitindo-lhe criar inúmeras pinturas digitais que ele enviava, entusiasmado, por e-mail a amigos e conhecidos. Mas os seus interesses tecnológicos voltavam sempre a uma coisa: «Na verdade, só me interessa a tecnologia que tem a ver com imagens», disse ele à revista Interview em 2013. «Interessa-me tudo o que cria uma imagem.» FONTE: The Guardian |














