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ENTREVISTA



MASBEDO


MASBEDO são uma dupla de artistas italiana, e trabalham juntos desde 1999. Iacopo Bedogni (1970) e Nicolò Massazza (1973) estiveram em Portugal por ocasião da 19ª Festa do Cinema Italiano. Abriram a exposição ‘Teorema da Falta’ no dia 10 de abril e estrearam o seu filme de 2024 em Portugal, ARSA, inseridos na programação do festival na categoria ‘Altre Visioni’. Nesta conversa também participou Federico Rudari, que fez a curadoria da exposição a par de Orsola Vannocci Bonsi. A exposição está patente na sala do primeiro andar da SNBA e conta com duas obras.
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O ESTADO DA ARTE



CLÃUDIA HANDEM


LIÇÃO DE ANATOMIA DE VIEIRA DA SILVA
Vieira da Silva não gostava de explicar a sua pintura, não o sabia como, achava-se “inútil e completamente estúpida†fora dela. Este sentimento de inaptidão aliava-se, paradoxalmente, ao desejo (e não à resolução) de abarcar tudo o que lhe era exterior, de ir a toda a parte, de assimilar toda a realidade. Não queria excluir nada do seu espanto nem do seu terror, não queria deixar escapar “nem a ligeireza dos pássaros, nem o peso das pedras, nem o brilho dos metais†nos seus quadros. Esta ambição desmesurada, rente a uma angústia que poderia tornar-se castradora da criação, fez de Maria Helena uma das grandes pintoras do século XX.
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PERSPETIVA ATUAL

CLÃUDIA HANDEM


METEORIZAÇÕES, DE FILIPA CÉSAR ET AL.
Naquela que é a sua primeira exposição antológica em Portugal, Filipa César reúne um conjunto de trabalhos com cerca de duas décadas de investigação e produção em torno de questões relacionadas com o colonialismo e as suas repercussões no pós-, movendo-se entre os meios do cinema e da instalação. Falar da sua prática implica abordar os processos colaborativos que a atravessam, interessados em expor e expandir a realidade da descolonização e da resistência a regimes fascistas e opressivos. Neles, a ativação da memória, a escuta e a partilha de experiências individuais e coletivas, desviantes das narrativas oficiais, tornam-se metodologias úteis para pensar húmus, humana e humildemente (2024) um presente que está em risco em várias frentes, por exemplo, com a crescente normalização de discursos de extrema-direita ao colapso ambiental.
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OPINIÃO

CRISTINA FILIPE


DARK SIDE OF IMAGINATION. JEWELLERY BY KADRI MÄLK
Tenho adiado escrever sobre esta exposição por ela parecer dispensar palavras que a interpretem. Precisei de esperar pelo seu encerramento — ontem, dia 5 de abril, domingo de Páscoa — para finalmente iniciar esta reflexão que, mais do que uma interpretação, pretende ser uma descrição: uma tentativa de fixar uma exposição que se quer irredutível. É uma estranha sensação imaginar que uma constelação tão imaculada de joias, desenhos, fotografias, design expositivo, som e filme tenha um fim. É como assistir à segunda morte de Kadri Mälk — como perdê-la duas vezes: primeiro, no dia 1 de janeiro de 2023, simbolicamente no dia de Ano Novo; agora, no dia seguinte à Ressurreição.
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ARQUITETURA E DESIGN

JOÃO ALMEIDA E SILVA


HABITAR PORTUGAL 1974-2024: O DIFÃCIL MAPA DA DEMOCRACIA
A exposição Habitar Portugal 1974-2024 parte de uma dificuldade rara: mostrar cinquenta anos de arquitectura em democracia sem os comprimir numa narrativa simplificada. Condensar, em 100 edifícios projectados entre 1974 e 2024, um retrato legível da arquitectura portuguesa produzida no continente, nas ilhas e no estrangeiro é, à partida, uma operação arriscada. A curadoria de Alexandra Saraiva, Célia Gomes e Rui Leão — com a participação de Gonçalo Furtado na definição do primeiro período, centrado em grande medida no último quartel do século XX — não tenta disfarçar esse risco. Assume-o. E é justamente dessa recusa da síntese fácil que a mostra retira uma parte decisiva da sua força.
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ARTES PERFORMATIVAS

LEONEL VENTORIM


O TEATRO DO ACONTECIMENTO TOTAL
Comecemos não com uma didascália mas com uma redundância, pelo princípio. “E no princípio era o verboâ€, Logos, o que dizer sobre Shakespeare em 2026 quando practicamente já tudo foi dito sobre o mesmo e o seu trabalho? Rei Lear é um excelente exemplo. É possível dissociar este texto teatral dos jogos de poder, política e natureza humana? E assim dessa maneira não escrever o mesmo que todos? Não, é impossível. A primeira, decididamente, a segunda, provavelmente. Decididamente porque vivemos tempos em que os valores morais se arrastam pelas ruas da amargura e em que a opinião substituiu o facto, o ruído substituiu o diálogo, o fanatismo substituiu a crítica. Rei Lear é sobre vaidade, intriga, ganância e traição.
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:: 2º momento da exposição Turn around. Um olhar sobre a Coleção de Arte Fundação EDP inaugura no MAAT

:: Candidaturas abertas - artes performativas: Bolsa Mariana Nobre Vieira 2026

:: Raphael Fonseca assume programação de artes visuais da Culturgest



PREVIEW

Retrospectiva João Penalva: Programa comemorativo 30 anos de trabalho | Abril a Julho, na Culturgest, Pavilhão Branco e Cinemateca Portuguesa


A exposição "Personagens e Intérpretes", com curadoria de Bruno Marchand, comemora os 50 anos de trabalho de João Penalva como artista plástico e 30 anos do início de uma categoria de obras singular. O programa estende-se às Galerias Municipais de Lisboa e à Cinemateca Portuguesa.
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EXPOSIÇÕES ATUAIS

COLECTIVA

O PODER DE MINHAS MÃOS


Sesc Pompeia, São Paulo

Se continuo céptica a “exposições de mulheres†ou “exposições que dão a ver o feminino†e variações destes mesmos testemunhos, a verdade é que não tenho como questionar a força que esta exposição ganha ao reunir num mesmo espaço abordagens artísticas que têm um mesmo horizonte. Diz Suzana Sousa em vídeo promocional da exposição que a origem geográfica das artistas se espraia pelas histórias e lutas e também pela partilha. Não seria por isso possível, na sua colocação, identificar nenhuma das artistas pela sua geografia individual, significando isto que a experiência de ser mulher é partilhada intrinsecamente, mesmo que marcada pela sua definição social e cultural, após o danosíssimo período colonial.
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HELENA VALSECCHI

VAMPATA


Galeria Pedro Oliveira, Porto
A exposição de HElena Valsecchi preza por uma narrativa de natureza-cultura, sustentada por uma cadeia de metamorfoses e relações: da árvore extrai-se a matéria para o papel, aqui parcialmente consumido pelas chamas; já a combustão, a altas temperaturas, forja o vidro. E, assim, o fogo apresenta-se como matéria paradoxal: que, por um lado, consome e destrói, e por outro fabrica e dá forma. Muitos dos materiais com que a artista trabalha revelam uma ecologia sensível de reaproveitamentos que, distantes do utilitarismo, são revelados como ações artísticas, poéticas e éticas que habitam fronteiras entre força e fragilidade, visibilidade e invisibilidade, inteiro e fragmento.
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ANNA MARIA MAIOLINO

TERRA POÉTICA


MAAT, Lisboa
Maiolino trabalha com grandes peças de argila, trazendo para o espaço expositivo obras de projeção dimensional ampla que não exigem que busquemos por elas, concentremo-nos nelas. Elas se impõem no espaço, vistas de longe ou perto, avistadas desde o início da exposição. Dadas as formas – espiralares, macarrônicas, enlaçadas – das esculturas, forjadas em argila, as suas dimensões sugerem, também, uma demora: pode-se quase ver a permanência da artista nas obras, as suas mãos a enrolar, a apertar, a compor umas peças nas outras, lidando com a sua organicidade, com a sua estabilidade possível, seu endurecimento posterior, sua eventual quebra.
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SILVESTRE PESTANA

COLAPSO


Galeria Municipal do Porto, Porto
A exposição Colapso, de Silvestre Pestana, inscreve-se numa linha de continuidade com a prática do artista, onde a experimentação tecnológica e a reflexão crítica sobre os sistemas de mediação se entrelaçam de forma persistente. Intensifica-se uma consciência de limite: limite dos sistemas, das imagens, da própria ideia de progresso que durante décadas sustentou a relação entre arte e tecnologia. A partir da poesia visual que constituiu o início do percurso artístico de Silvestre Pestana, na década de 1960, esta exposição, muitos anos depois, recupera e reinscreve esse momento inaugural numa gramática contemporânea.
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DANIEL BLAUFUKS

(AINDA) À ESPERA DE GODOT


Galeria Vera Cortês (Alvalade), Lisboa
Com um trabalho vasto e maduro no campo da fotografia, tendo-se dedicado à memória, ao exílio, à cidade de Lisboa, ao quotidiano — e tendo usado largamente sequências narrativas nas suas exposições – pode-se dizer que a exposição de Blaufuks na Vera Cortês é uma continuidade e uma abertura poética no seu trabalho. Se as suas fotografias distinguem-se, de maneira geral, por uma qualidade silenciosa e introspectiva, fortemente influenciado pela literatura e pelo cinema, Blaufuks, na exposição (Ainda) À espera de Godot, mantém a memória de soslaio, como tecitura da própria fotografia, abrindo um campo fértil de esperas naturais.
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AGNES ESSONTI LUQUE

HOTEL DEL ARTEFACTO EXPOLIADO


Museo Nacional de Antropología - Madrid, Madrid
Ao entrar no Museu Nacional de Antropologia de Madrid, a exposição de Essonti Luque é uma abertura – dentro das diversas ações e posicionamentos do museu – para se refletir em conjunto novas dinâmicas, através das perspectivas de existência e pesquisa da identidade afrodescendente. Não se trata de uma construção completamente fora dos mecanismos do museu, configura-se como um nicho do cérebro. Nesse diálogo, há paredes e chão pretos, assim como paredes de um avermelhado, alaranjado, de tons terra. Essa cor faz lembrar a areia vermelha característica de muitos países africanos, o óleo de palma e o tom do crustáceo camarão.
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ABEL RODRÃGUEZ

MOGAJE GUIHU: A ÃRVORE DA VIDA E DA ABUNDÂNCIA


MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo
A primeira escolha quanto a Mogaje Guihu: A árvore da vida e da abundância, exposição de Abel Rodríguez (1941-2025), é a porta de entrada e a consequente direcção da circulação no espaço expositivo. Circule-se a favor ou contra sentido horário, Mogaje Guihu - nome indígena do artista pertencente ao clã Gavilán, das comunidades Nonuya e Muinane da Amazónia colombiana, e cujo significado é “pena de gavião brilhante†- e respectivos conhecimentos e imaginação botânica são dados a ver com diferentes tonalidades anímicas.
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