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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Ban Shigeru/Jean de Gastines, Centre Pompidou Metz, Metz, Lothringen, França, 2006-2008 (imagem 3D, vista geral, 2005) © CA2M, Shigeru Ban Architects Europe com Jean de Gastines Architect, Artefactory


Studio Daniel Libeskind com a Davis Partnership, PC, Ampliação do Denver Art Museum, Denver, CO, EUA, 2003-2006, Vista de nordeste da expansão (simulação por computador), 2001 © Studio Daniel Libeskin

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ARQUIVO:


COLECTIVA

Museus do Século XXI - conceitos, projectos, edifícios




CULTURGEST
Edifício Sede da Caixa Geral de Depósitos, Rua Arco do Cego
1000-300 Lisboa

08 DEZ - 03 FEV 2008


A Culturgest apresenta a exposição itinerante, vinda da Suiça, denominada “Museus do Século XXI - conceitos, projectos, edifícios”, uma sequela da exposição “Museus para um Novo Milénio”, que passou (e integrou) o CCB em 2001. Suzanne Greub é a comissária que nos apresenta a ideia de Museu que esta exposição ilustra e é também directora do Art Centre Basel, entidade privada dedicada à conceptualização de exposições para itinerância em museus de prestígio.

A instituição Museu é hoje um caleidoscópio de possibilidades: à medida que os museus se especializaram por áreas de conhecimento, por períodos históricos, se tornaram públicos e, posteriormente, de novo, privados, se criaram centros de exposição sem colecções, ou centros de criação com exposição, se repensaram critérios de colecção e conservação, se identificaram estratégias de afirmação de cidades através da cultura, se articularam em redes internacionais e se afirmam pela sua programação (e não pelas suas colecções), as instituições foram repensando e (re) integrando funções. De “edifícios” sem colecção, a programações de grande prestígio sem mesmo possuir edifício próprio, existe uma pluralidade e diversidade de museus e instituições culturais cada vez mais híbridas, dividindo as grandes colecções do mundo Ocidental o protagonismo com as novas colecções que surgem na Ásia e no Médio Oriente.

Reacesa, no campo da arte, está também a polémica crítica das instituições /crítica institucional, através da qual alguns museus se vêm repensando como instituições, seja o seu papel cultural, social, educacional, a colaboração com organizações externas e com artistas, a produção e alojamento de projectos externos e também a capacidade de intervenção e sustentabilidade do estado, o seu papel na mercantilização e consumo da cultura. Desta reflexão surgem experiências de modelos institucionais mais ágeis e flexíveis, em que o objecto preservado perde centralidade para o debate e a reflexão com estratégia de renovação.

Hoje, a construção de um edifício de Museu é porventura um dos programas mais apetecíveis para muitos arquitectos do star system internacional e é uma grande oportunidade autoral para os arquitectos que os desenham: aliados a estratégias de branding de cidades, estes edifícios exploram plasticamente morfologias e criam imagens fortes que se oferecem para mediatização das cidades, das instituições, dos coleccionadores e, no caso dos EUA é flagrante, dos mecenas que os financiam e geram.

A presente exposição centra-se na Arquitectura contemporânea de Museus. Dominam edifícios que espelham o forte efeito pós-Bilbao: intimamente ligado à mediatização globalizada (especialmente no caso da arte contemporânea), o Museu-edifício-cultura é a estrela das revistas. Os projectos apresentados estão, na sua maioria, indiferentes aos conteúdos que conservam, reservam e expõe, ficando representados unicamente pela imagem dos seus edifícios (e espaços de exposição).

Os 27 museus seleccionados para integrar a mostra estão localizados em 11 países, sendo 17 deles distribuídos pela Alemanha e Estados Unidos da América, 10 pelo resto da Europa, 4 pelo Japão e um na Austrália. Esta distribuição geográfica leva, de imediato, a pensar: como evitar a China no século XXI? e os Emiratos Árabes Unidos?
A lista de autores participantes alinha-se no mesmo eixo EUA/Europa/Japão, reúne ateliers importantes, com obra reconhecida, não arriscando novidades: Anamorphosis, Tadao Ando, Jun Aoki, Atelier Brückner, Shigeru Ban, Mario Botta, Stephan Braunfels, David Chipperfield, Heinz Tesar, Oswald Mathias Ungers, Hilmer & Sattler, Brad Cloepfil / Allied Works Architecture, Coop Himmelb(l)au, Denton Corker Marshall Group, Diller Scofidio + Renfro, Frank O Gehry, Gigon Guyer, Zaha Hadid, Steven Holl, Kisho Kurokawa, Daniel Libeskind, Fumihiko Maki, Jean Nouvel, Renzo Piano, Peter Cook / Colin Fournier, Taniguchi and Associates, Bernard Tschumi, UN Studio (Ben van Berkel / Caroline Bos), Rafael Viñoly, Wood / Marsh Pty Ltd.

Mas o que nos diz esta exposição sobre os Museus do século XXI? Que conceitos de Museu nos estão a ser apresentados? O que despoletou a sua criação/construção e com que posicionamento crítico se nos apresentam agora esta exposição? Usando a definição crítica de museu oferecida por George Bataille, para conhecer um museu é necessário atentar em três componentes, o edifício e a colecção (estes dois indivisíveis) em conjunção com a cidade que o atravessa e que nele circula.

Os “Museus do Século XXI” apresentam-nos uma visão muito parcial das alterações radicais que esta instituição está a sofrer no século XXI, para além de oferecer matéria insuficiente para conhecer os Museus que expõe. Reduzidos sobretudo a painéis bidimensionais com representações do projecto, ou da obra acabada, acompanhados por uma maquete tridimensional, para fácil itinerância e bom acolhimento pelos museus internacionais, a exposição não equaciona questões que nos parecem fundamentais: “O que é um Museu no século XXI?”, nem “O que está em curso nos Museus no século XXI?”. Não apresenta material suficiente para que se formulem possíveis respostas.

Na primeira impressão verifica-se uma escassez de informação para compreender para além do invólucro e do espaço arquitectónico (cujas questões técnicas estão pouco desenvolvidas). Poder-se-ia compreender tratando-se de uma exposição generalista, para público não especializado. Porém, ao longo da exposição não encontramos nenhuma informação genérica fundamental para compreender cada um dos Museus: a que área do conhecimento se dedica (arte, arqueologia, antropologia, automobilismo?): Trata-se de um museu público ou privado?; Que tipo de colecção alberga?; Quem a constituiu?; Que tipo de acesso permite ao público?; É um museu aberto ou reservado, destina-se a grande público, a estudiosos, a especialistas?; Como se relaciona com a cidade, e com o turismo?; Como o vê e o habita a população local?

O catálogo de “Museus do Século XXI - conceitos, projectos, edifícios”, traduzido e publicado em várias línguas pela Prestel, oferece um conjunto de leituras destes museus em retrospectiva, analisando questões nacionais dos EUA, Japão e Austrália, mas também dividindo por grupos dominantes e enquadrando a diversidade na história dos museus. No texto “Museus no Início do Século XXI: Especulações”, Thierry Greub, colaborador da exposição, refere: “A arquitectura do próprio museu, o edifício ancorado no tecido urbano juntamente com os seus espaços funcionais e administrativos, devem funcionar no diálogo entre o edifício e a arte, entre a arquitectura e os seus utilizadores (os funcionários e os visitantes do museu). No fundo, é a experiência de cada visitante individual do museu que determina se a definição do espaço, no qual se encontra e onde observa artefactos culturais, é um sucesso ou um fracasso”. Este apontamento crítico vem sublinhar o antagonismo entre (alguma, pouca) reflexão crítica no catálogo e os conteúdos técnicos da exposição. Fica a questão: Como superar o paradigma painel/maquete que domina e torna estéreis muitas das exposições de Arquitectura?

Para além da divulgação e da comunicabilidade da obra, seria especialmente importante que se expusessem outras matérias que estão implicadas: históricas, sociais, económicas, culturais, etc. Contrariamente ao que título sugere, somos confrontados com os projectos de edifícios, ficando escondidos os conceitos e o projecto por detrás de cada um dos Museus, bem como o seu contexto, situação, história, debate em que participa, etc. Tratando-se de uma exposição de edifícios construídos ou em vias de construção, seria fundamental analisar ou inscrever a arquitectura na esfera cultural, as colaborações disciplinares envolvidas, da arte e da história de arte, e especialmente que tipo de estruturas sociais conformam estas arquitecturas, que comportamentos institucionais (o) conformam e albergam os seus espaços.

O Museu é um produto e um catalizador de desenvolvimento económico e cultural, mas também de actividade, de memória colectiva, de educação e de conhecimento. Com a projecção no tempo e no espaço ambicionadas, esta exposição pediria a inclusão de outra documentação (e de mais informação), que permitisse reflectir aberta e profundamente sobre o que pode ser um Museu hoje.



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www.culturgest.pt/actual/museus_sec_xxi.html

www.artecapital.net/estado_arte.php?ref=4


Inês Moreira