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COLECTIVA50 Anos de Arte Portuguesa![]() FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN Av. de Berna, 45 A 1067-001 Lisboa 05 JUN - 09 SET 2007 ![]() ![]() “50 Anos de Arte Portuguesaâ€, ocupa as duas galerias do edifÃcio principal da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), prolongando-se também ao hall do auditório, bar do museu e zona exterior, junto à entrada principal. O projecto reúne 120 artistas nacionais e 150 peças expositivas, entre obras da colecção de arte da FCG e documentação referente a projectos artÃsticos que a mesma apoiou ao longo do tempo de existência do seu Serviço de Belas Artes (SBA). Assim, e apesar da responsabilidade que o tÃtulo parece reclamar, importa sublinhar que se trata de uma exposição sobre processos de produção artÃstica e não sobre a arte produzida e/ ou representativa dos últimos 50 anos, o que evidencia ainda mais o carácter incontornável da exposição, comissariada por Raquel Henriques da Silva, Ana Ruivo e Ana Filipa Candeias. Numa primeira análise, a área ocupada pelos vários núcleos apresentados parece invulgarmente grande e aparentemente dispersa. O percurso organiza o visitante, convidando-o a uma fruição cultural que engloba também o edifÃcio evocativo da presença institucional da FCG junto do panorama cultural e artÃstico nacional e, mais concretamente, na atribuição continuada e persistente de bolsas e subsÃdios artÃsticos de artes plásticas para projectos de investigação e experimentação, a realizar em Portugal e no estrangeiro. Mas a dimensão do projecto deverá ser analisada partindo da compreensão de toda a estratégia curatorial, assente numa investigação que parte do SBA enquanto facilitador e gerador de processos criativos. O piso 01 desenvolve-se segundo uma lógica cronológica de alguns dos projectos apoiados e integrados na colecção. Pontuam-se momentos fundamentais do trabalho da FCG (a criação do SBA e o inÃcio da concessão de bolsas e subsÃdios, as exposições de artes plásticas enquanto incentivo artÃstico e execução de uma polÃtica de aquisição e constituição da colecção FCG, a inauguração do CAMJAP ou ainda a criação da mostra “7 Artistas ao 10º Mêsâ€). Encontram-se aqui algumas obras mais conhecidas do grande público, seja porque integram a colecção e cumprem diversas solicitações curatoriais, seja porque se trata de obras cujas datas de produção e primeira apresentação pública são ainda recentes. O piso 0 constitui um acesso privilegiado aos arquivos do SBA e a toda uma primeira apresentação pública de material que, produzido num contexto de memória descritiva da “obra de arte†(projectos e relatórios de bolseiros), não cumpria inicialmente objectivos expositivos. Todavia, e perante a singularidade do exposto (a justificar que o critério expositivo não sobrevalorizasse as obras de arte existentes na colecção), importará reflectir sobre a continuação do trabalho agora iniciado e sobre a validação de uma segunda existência para a selecção apresentada; A de objectos que transgridem o carácter meramente documental e invadem o território artÃstico por excelência das obras de arte. Nesta sala, a ordenação faz-se segundo cinco zonas temáticas, de acordo com as questões que a própria investigação curatorial levantou (Corpo/ identidade; Signos/ códigos; Meios/ processos; Espaços/ lugares e Tempo/ histórias), mas onde a distribuição geracional dos artistas é transversal. Obras e documentação ladeiam, entre paredes, zonas de projecção, mesas expositoras e a possibilidade de navegar em pequenos ecrans digitais, numa solução que minimiza, mas não anula, a impossibilidade de aceder fisicamente ao material exposto (a sua reprodução em papel), folheando-o livremente. Uma futura abordagem dos arquivos do SBA permitirá continuar a divulgação de um conjunto de testemunhos do trabalho da FCG junto dos artistas, enquanto apoiante à criação, mas também enquanto cúmplice de uma atitude experimental que se abre em cada novo projecto de possibilidades e dúvidas processuais e artÃsticas, num perÃodo tão significativo de Portugal e para o qual é tão importante a notÃcia da descoberta de documentação da época (neste caso, de âmbito artÃstico). Leia-se também, nas entrelinhas, o esforço da FCG para libertar alguns artistas (tantos!) de um Portugal “orgulhosamente sóâ€, atolado em 48 anos de estagnação artÃstica e cultural. www.gulbenkian.pt ![]()
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