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SNAPSHOT. NO ATELIER DE...




Vista do atelier. © Pedro Batista


Vista do atelier. © Pedro Batista


Vista do atelier. © Pedro Batista


Vista do atelier. © Pedro Batista


Vista do atelier. © Pedro Batista


Vista do atelier. © Pedro Batista


Vista do atelier. © Pedro Batista


Pedro Batista no seu atelier. © Pedro Batista


Vista da exposição O monstro está cheio de fome, Ulisseia. © Cortesia do artista e Ulisseia


Vista da exposição O monstro está cheio de fome, Ulisseia. © Cortesia do artista e Ulisseia

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PEDRO BATISTA

OLIVIER GARCÉ


 


Pedro Batista nasce em 1980 em Lisboa. Depois de se licenciar em Design de Comunicação, candidata-se ao programa de residências de arte na New York School of Visual Arts, onde pôde explorar e desenvolver uma nova direção no seu trabalho. Em 2010, muda-se para Berlim por um período de 6 meses, onde consolida a sua paixão por pintura. Mais tarde, em 2015, viaja para Medellín na Colômbia onde completa uma residência de arte nos Campos de Gutierrez, que precede uma outra residência em 2020, na Villa Lena em Itália. Pedro Batista participou de várias exposições individuais e coletivas em Lisboa, Medellín, Málaga, Estocolmo e Nova Iorque. Atualmente reside e trabalha em Lisboa.

Neste momento, Pedro Batista apresenta até 18 de março o seu mais recente trabalho na exposição individual intitulada “O monstro está cheio de fome”, no espaço Ulisseia, em Marvila. O conjunto de treze obras, produzidas entre o final de 2022 e o início de 2023, oferece uma visão íntima do processo criativo do artista onde se revela o seu interesse por criar imagens enraizadas numa narrativa biográfica. Pedro Batista não separa a prática do significado, e o seu processo de trabalho funde-se com a narrativa das suas pinturas.

A Artecapital publica aqui a entrevista conduzida pelo curador Olivier Garcé, que conversou com o artista sobre o seu percurso criativo e a actual exposição.

 


Por Olivier Garcé

 


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Qual o teu background?

Como artista fui muito influenciado pela cultura do skate e do surf dos anos 90 em Portugal, especialmente onde vivi em Carcavelos, perto do mar.
Estudei Design Gráfico em Lisboa, seguido de uma residência artística na SVA em Nova Iorque. Mais tarde mudei-me para Berlim por 6 meses, e mais recentemente  participei noutras residências em Medellín e na Toscana.


Estavas a viver no estrangeiro, porque decidiste regressar a Portugal?

Portugal é a minha casa, onde estão a minha família e amigos. É onde posso ter o estilo de vida que gosto e onde sou mais feliz. Tenho uma relação muito forte com o mar, e por isso preciso de estar perto da praia. Faz parte do meu dia a dia, juntamente com ir para o estúdio trabalhar. Foi também aqui que formei família, por isso Portugal (com todos os seus defeitos e virtudes) é onde me sinto em casa.


O que define a paleta cromática dos teus trabalhos?

A minha paleta de cores varia constantemente de acordo com meu humor, as minhas influências e o que me inspira. Eu uso a cor para encontrar lugares diferentes dentro da minha pintura, mas não penso demais sobre ela. Deixo a pintura fluir naturalmente. Às vezes funciona, às vezes não.


Como é o teu processo criativo?

Estou sempre a colecionar fotos, desenhos e imagens que me inspiram. Esses são geralmente o ponto de partida para esse processo. Durante o processo, adoto uma abordagem quase aleatória e deixo os estímulos, imagens e cores conduzirem o trabalho até sentir que cheguei a um resultado interessante.


Qual a tua relação com o surf no dia a dia?

O surf desempenha um papel muito importante na minha vida, por isso tento incorporá-lo na minha rotina diária o máximo possível. O surf é único porque exige uma adaptação constante ao mar, às ondas, às condições. É movido pelo instinto e não apenas pela técnica. O surf remete-me para os meus tempos criança, despreocupado e feliz.


Quais os teus sítios preferidos em Portugal?

Tenho uma ligação especial com a costa de Cascais, desde a praia do Guincho até Carcavelos. Carcavelos é a minha praia preferida porque foi onde cresci e aprendi a surfar.


Qual é a tua percepção da arte contemporânea em Portugal neste momento?

Acho que estamos a viver um momento significativo de transição. Portugal mudou muito nos últimos 5-10 anos com investimento estrangeiro que trouxe novos compradores e colecionadores de arte para o mercado. As galerias e instituições estão mais abertas para apoiar uma nova geração de artistas, mas sinto que ainda há um aspecto conservador na cena artística, onde os decisores são muito avessos a correr riscos.
Por outro lado, o setor da cultura em Portugal continua subfinanciado e negligenciado pelo governo. Há poucos incentivos à produção artística e uma total falta de estratégia de apoio ao desenvolvimento intelectual e cultural do país. É de extrema importância investir neste setor e evidenciar a relevância da arte e da cultura como meio para uma sociedade mais esclarecida e educada.

 

Vista da exposição O monstro está cheio de fome, Ulisseia. © Cortesia do artista e Ulisseia

 


Fala-nos um pouco desta nova exposição "O monstro está cheio de fome".

Esta coleção de pinturas foi produzidas entre o final de 2022 e o início de 2023. Sinto que foi um processo criado de atelier e para atelier. Ou seja, tudo tem um lado biográfico e indissociável com o processo físico da pintura. Durante esse processo são encontrados links emocionais que relacionam aspectos pessoais no âmbito da pintura. 
Não tinha e não tenho um tema, e continuo a trabalhar sobre uma intenção apenas. As pequenas descobertas diárias no atelier mostram-me o caminho, às vezes o tema, outras vezes nenhum dos dois. Mas o tempo é sempre amigo a posicionar as nossas intenções.
Este título foi criado pelo meu filho mais novo, inconscientemente. Depois de já ter alguns quadros produzidos andava à procura de um título sugestivo e descobri na mesa da sala um desenho feito pelo Vasco. Nesse desenho estava um monstro e acompanhado da frase "o monstro está cheio de fome." E senti nesta frase o carácter sugestivo que procurava. 


Como foi o desafio para expores num espaço, que revela o oposto à norma,  das paredes rectas e brancas, para escolheres um espaço de paredes de ferro escuras e redondas?

A ideia da leitura das pinturas ser feita em círculo, agrada-me. O projecto deste espaço criado para um alojamento local, dentro de um armazém rectangular de 350m2 e com um pé direito de 7 metros, numa estrutura dividida em 3 círculos que se ligam entre si, é bastante imponente e com um carácter escultórico. Isso permite atribuir características cénicas à leitura das pinturas pois do mesmo ponto conseguimos ter perspectivas significativamente diferentes das obras.

 

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Site: www.pedrobatista.com | Instagram: @pedrocbatista