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ENTREVISTA


Elizabeth Protzamparc. Fotografia: Steve Murez

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ELIZABETH DE PORTZAMPARC


Quais os papĂ©is da arquitetura e do cinema hoje? Quais as suas funçÔes sociais? Elizabeth de Portzamparc, arquiteta nascida no Brasil e a residir em França, estarĂĄ em Portugal no final de setembro para debater estas questĂ”es em foco no “Ciclo de Cinema e Arquitetura”, um programa da segunda edição do CINECOA - Festival Internacional de Cinema de Foz CĂŽa, que inclui a exibição de filmes clĂĄssicos sobre a relação e contaminação entre esses dois eixos de criação. Nesta entrevista com o curador AntĂłnio Rodrigues, a arquiteta Elizabeth de Portzamparc fala do lugar e das funçÔes esquecidas da arquitetura.


Agosto de 2012
Por AntĂłnio Rodrigues, curador CINECOA


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P: Nesta segunda edição do Cinecoa, organizamos um colĂłquio sobre “Cinema e Arquitetura”, acompanhado por alguns filmes clĂĄssicos, em que a relação com a arquitetura moderna ou modernista Ă© evidente. Penso que isto pode ser um ponto de partida para uma reflexĂŁo sobre um tema que lhe interessa muito, o facto da arquitetura nĂŁo ser “fictĂ­cia”, dos edifĂ­cios terem uma função, o que Ă©, aparentemente, esquecido com uma certa frequĂȘncia.

R: É realmente necessĂĄrio atualmente insistir sobre a necessidade dos arquitetos terem em mente, na concepção das suas obras, a finalidade primeira da arquitetura: servir a civilização e o homem. E nĂŁo servir exclusivamente o poder financeiro ou reduzir a arquitetura a meros efeitos cenogrĂĄficos para imagens dos media. Esta moda atual da arquitetura expressar sobretudo o ego dos arquitetos, com efeitos formais gratuitos e caros, Ă© contraditĂłria com a ideia de uma disciplina socialmente Ăștil que reflita valores mais fundamentais em relação ao homem e ao meio ambiente.


P: Acha que esta procura de efeitos espetaculares gratuitos e a falta de atenção ao o aspecto funcional da arquitetura sāo influenciadas especialmente pelo cinema? JĂĄ nos anos 20, Mallet-Stevens, um ilustre arquiteto com laços com o cinema (fez parte dos cenĂĄrios de L’Inhumaine, de Marcel L’Herbier, em 1924), notava a influĂȘncia do cinema sobre alguma arquitetura moderna, na qual via alguns aspectos positivos (a depuração, a ausĂȘncia de pormenores decorativos exagerados), mas tambĂ©m negativos, que resultavam em “autĂȘnticas cenografias, agradĂĄveis Ă  vista, porĂ©m ridĂ­culas como arquitetura”. Nestes casos, tratam-se de cenĂĄrios ou de esculturas com pessoas dentro?

R: O cinema sĂŁo imagens em movimento. E o objeto primordial da arquitetura Ă© definido por um equilĂ­brio entre a forma (o volume e a sua imagem, o “belo” de VitrĂșvio), a função (o uso, a finalidade) e a solidez (duração no tempo). Esquecer um destes parĂąmetros Ă© desvirtuar a finalidade mesma da arquitetura.

O cinema, como outras artes, influencia e enriquece o nosso imaginĂĄrio estĂ©tico, Ă© claro. A difusĂŁo atravĂ©s do cinema dos cenĂĄrios de Mallet-Stevens foi importante para a divulgação das qualidades estĂ©ticas da arquitetura modernista, das suas formas puras e despojadas, como posteriormente imagens de cenĂĄrios de alguns filmes como 2001, [2001, Odisseia do Espaço, Stanley Kubrick, 1968] ou Blade Runner, [Blade Runner, Perigo Eminente, Ridley Scott, 1982] influenciaram o vocabulĂĄrio estĂ©tico dos anos 70 e 80. E isto foi e Ă© positivo. Os efeitos negativos das imagens de “cinema” surgem quando elas se tornam sinĂłnimos da intenção de produzir apenas efeitos estĂ©ticos cenogrĂĄficos, perdendo de vista o objetivo primeiro da arquitetura: servir o homem e a sociedade, esquecer as suas funçÔes simbĂłlicas e de uso.


P: No seu trabalho pessoal, como se manifesta a vigilùncia ou o combate contra o edifício que esquece que tem uma função? Uma solução é partir de um conceito geral sobre arquitetura ou/e levar em conta a especificidade de um projeto e das suas necessidades (se for um museu, um teatro, etc.)?

P: Dois aspectos sĂŁo determinantes para o projeto: o contexto e o uso. No que se refere ao contexto, duas hipĂłteses surgem no inĂ­cio da concepção de um projeto: o caso onde o contexto Ă© predominante ou, caso mais raro, o projeto deverĂĄ criar um contexto, como foi o caso do Guggenheim de Bilbao. Os conceitos de cada projeto meu sĂŁo Ășnicos, visto que cada lugar Ă© Ășnico e nascem no inĂ­cio da concepção, durante as anĂĄlises do entorno e da finalidade do edifĂ­cio.

Apesar das minhas pesquisas sobre a leveza dos volumes me levarem a adotar certos elementos recorrentes no meu vocabulĂĄrio arquitetural, como os jogos de deslocamento de volumes ou a utilização de formas depuradas e econĂłmicas, cada projeto Ă© Ășnico para mim pois foi pensado para ser construĂ­do num lugar Ășnico e bem determinado.


P: Pode-se supor que esta tendĂȘncia para esquecer a função de um edifĂ­cio se manifesta mais em obras pĂșblicas do que em projetos residenciais.

R: NĂŁo, pode parecer piada, mas temos visto esta tendĂȘncia absurda em ambos: museus imprĂłprios para exposiçÔes, escolas de dança onde os espaços das salas nĂŁo permitem as evoluçÔes das figuras de dança e residĂȘncias onde nĂŁo se podem ter armĂĄrios...


P: Esta questĂŁo da arquitetura como simples espetĂĄculo Ă© discutida abertamente entre profissionais da arquitetura ou Ă© cercada por algum tabu?

R: Começa a haver um debate sobre este assunto, liderado na Europa por crĂ­ticos como Françoise Fromonot, em França, e Vittorio Lampugnani, na Suíça. Estes crĂ­ticos vĂȘm denunciando o desprezo pelos aspectos funcionais ou a poluição estĂ©tica para as cidades que representam os excessos formais ou decorativos que vemos em vĂĄrias obras atuais realizadas por grandes escritĂłrios de arquitetura conhecidos. Mas este movimento de ideias aborda sobretudo os aspectos estĂ©ticos e nĂŁo denuncia, infelizmente, esta arquitetura recente concebida mais como um “logo” comercial, ao serviço do marketing e tĂŁo celebrada nos media atualmente, nem o que Ă© mais grave ainda, a perda da noção de utilidade social da arquitetura.

E um colóquio sobre arquitetura e cinema fornece uma excelente ocasião para denunciarmos esta confusão atual entre uma arquitetura meramente cenogråfica ou escultural que serve somente de marketing para uma instituição ou para o seu autor, em detrimento de uma arquitetura verdadeiramente a serviço do homem e da nossa civilização.


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CINECOA 2012
www.cinecoa.com