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Miguel Garcia


Fotografia: Miguel Garcia


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Fotografia: Cortesia Metropolitan Museum of Art

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MIGUEL GARCIA


Miguel Garcia é conservador no Metropolitan Museum of Art, no departamento de Conservation and Scientific Research, o maior dos Estados Unidos. Miguel Garcia trabalha na área de conservação de objetos, dedicando-se especificamente ao estudo e conservação de um conjunto de 8 peças inglesas do terceiro quartel do séc. XVIII, que fazem parte das British Galleries do MET. Sérgio Parreira conversou com o conservador sobre o seu trabalho nesta instituição e sobre as condições e o futuro desta profissão.

 

Por Sérgio Parreira

 

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Sérgio Parreira (SP): Foi extremamente curioso e inesperado conhecer-te na visita que fiz ao Metropolitan Museum (MET). Queres começar por me descrever um pouco o local em que nos conhecemos e qual é o teu trabalho no Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque?

Miguel Garcia (MG): Foi igualmente agradável ver uma cara portuguesa dentro do MET, o que raramente acontece nos dias de hoje. As condições de trabalho dentro do departamento de conservação do MET são excelentes. Eles tentam sempre com o máximo critério de qualidade obter os melhores resultados de estudo e tratamento das obras de arte. Este departamento em que me encontro (The Metropolitan Museum of Art - Conservation and Scientific Research) é o maior dos Estados Unidos, dentro de um Museu que alberga cerca de 77 conservadores em várias áreas dentro do mesmo teto. Na área onde estou em particular, no departamento de conservação de objetos, eu dedico-me ao estudo e conservação de um conjunto de 8 pecas inglesas do terceiro quartel do séc. XVIII, que fazem parte das British Galleries (do MET), agora encerradas para renovação. É um projeto de dois anos onde se faz o tratamento de consolidação da estrutura deste “set” bem como a consolidação da frágil folha de ouro de lei, neste caso particular chamada Crimson Tammy, que é uma técnica de douradura típica inglesa do séc. XVIII onde o bole (o filme de argila que recebe a folha de ouro) tem um tom característico entre rosa claro e vermelho claro, portanto o tal termo Crimson. Felizmente já passei pelo MET em mais dois projetos anteriores a este, portanto voltar ao departamento de conservação é sempre uma forma rejuvenescedora de reencontrar colegas com quem aprendemos imenso, e também a possibilidade de trabalhar com obras de arte inéditas e valiosíssimas.


SP: Podes descrever um pouco como esta tua paixão por conservação começou?

MG: Eu até estava a querer seguir medicina veterinária durante o ensino secundário, mas o conhecimento súbito de uma escola profissional no Cacém (agora em Odrinhas, Sintra) ligada à recuperação do património, suscitou-me curiosidade. Da curiosidade, surgiu alguma motivação, e daí a paixão por trabalhar e estudar os materiais nobres que compõem as obras de arte foi sempre crescendo. Esta escola era inovadora naquela altura, no que respeita à instrução prática que era oferecida aos alunos, e isso era extremamente estimulante para um adolescente.


SP: Durante os anos em que trabalhaste em Portugal, quais foram os projetos em que estiveste envolvido e que gostarias de destacar?

MG: Tive o imenso prazer e sorte em poder participar em inúmeros trabalhos de conservação e restauro de obras portuguesas emblemáticas, tais como as tábuas pintadas seiscentistas da charola do Convento de Cristo em Tomar; o presépio da Estrela, do escultor Machado de Castro, o políptico da vida da Virgem, do museu de Évora (também seiscentista e único no mundo pela sua composição e integridade), entre tantas outras...


SP: Pelo que entendi também criaste uma empresa de conservação aqui em Nova Iorque (Heartwood Restorations). Como te surgiu essa ideia? Seguramente que um pouco no espírito do país (Estados Unidos) de fazer florescer e “investir” nos sonhos pessoais e torná-los em projetos de sucesso? Concordas com este meu palpite/afirmação?

MG: Sim concordo. O primeiro projeto com o MET foi de dois anos e quando acabou não foi renovado. Isto foi em 2009 quando a crise económica afetou os EUA, e consequentemente, os orçamentos dos museus para este tipo de projetos. Foi aí que senti necessidade de fazer tudo para não me afastar da área para a qual tinha estudado e investido tantos anos. Reparei também que muitas pessoas ainda tendem a querer preservar peças de mobiliário de qualidade e outros objetos de afeto pessoal ou de herança familiar. E os estados de NJ (New Jersey) e NY (New York) têm muitas famílias que gostam de colecionar itens antigos e que de uma forma ou de outra, outrora trouxeram dos seus países de origem quando emigraram para os Estados Unidos. Por outro lado, a área de mobiliário traz-me uma facilidade maior na fluidez de trabalhos, mais do que outras especialidades artísticas como é o exemplo da pintura de cavalete, ou azulejo, ou metais. Com isto quero exemplificar que, um cliente deseja preservar com mais impulso aquela cadeira de baloiço, onde há décadas foi embalado pela sua avó quando era bebé, e que tem estado guardada na arrecadação da casa por tempos infindos. Daí haver uma preocupação quase inconsciente do cliente em querer preservar aquela peça que lhe traz recordações familiares mas também por ser uma peça com valor utilitário, que poderá um dia vir a servir outros membros da sua família. Isto acontece muito também com máquinas antigas de costura, que passam pelo meu atelier para ganharem “nova alma”.


SP: Da experiência que tens tido aqui nos Estados Unidos como “expert” em conservação, qual é a tua opinião no que respeita à especialização em áreas como é o teu caso, ou outras também no espetro artístico? Ou seja, eu dou-te a minha opinião; eu considero que a educação aqui é extremamente deficiente, ou seja, quando um estudante termina um curso de especialização artístico, não tem qualquer tipo de expertise porque o ensino é extremamente incompleto. Depois, esses mesmos estudantes/profissionais tem que se colocar à disposição de instituições por alguns anos para efetivamente se especializarem, nos típicos estágios não remunerados que acabam por fazer o trabalho que o sistema de educação não fez. Qual é a tua opinião no que respeita à especialização artística nos Estados Unidos e pelo que conheces aqui na zona de Nova Iorque?

MG: Sim, concordo com o que dizes em relação à deficiente especialização. O Americano chama-lhe o “Catch 22”, é uma expressão paradoxal que ilustra exatamente a situação de um estudante que não tem trabalho porque o empregador exige que ele tenha experiência... Mas em contrapartida, a experiência é somente obtida após realizar vários trabalhos. É uma contradição e uma batalha para quem quer iniciar a sua vida profissional. Por isso é que me fascinou a existência daquela escola técnico-profissional, que compreendia um curso de três anos com uma componente prática, que em muito falta mesmo no ensino superior em vários cursos. No meu caso, a minha vida profissional tem sido bafejada pela sorte em ter tido a experiência dupla de conservação e restauro de museu, por um lado, e de sector privado, por outro. No museu existe o que eu costumo chamar a conservação do mundo ideal, onde há tempo para tudo e se fazem as coisas com calma e rigor e onde se seguem as linhas éticas num expoente máximo. No sector privado, a experiência de lidar com muito mais peças e diferentes problemas dão-te o “calo” e a destreza mental que te faz desembaraçar com mais facilidade daqueles casos extremos que chegam ao atelier,… há um leque maior de soluções para o mesmo problema. Essa é a conservação no mundo real, que necessita a maior parte das vezes de operações concretas de restauro.


SP: Por outro lado, qualquer curso/diploma adquirido em Nova Iorque acaba por ter um valor que eu considero desproporcionado com o nível de educação. Concordas? Gostava de entender a tua visão.

MG: Sim, sem dúvida, penso que nós (europeus) ficamos muito mais bem preparados a nível de ensino superior técnico do que os alunos americanos. Os cursos superiores nos EUA são ridiculamente caros, algo que em vez de melhorar está aliás a agravar-se. Também por essa razão muitos jovens americanos têm a vontade de ir praticar para fora do país, pois lá fora é onde acabam por ganhar experiência. No meu parecer, se analisarmos nao só os núcleos das artes, mas principalmente a esfera global da diversidade de profissões no Mundo, estamos num declínio de formação técnica e profissional. Por um lado, há sobrelotação de determinadas profissões, como por exemplo médicos, engenheiros e técnicos de IT. Por outro, a robotização e a super crescente impressão em 3D, áreas excitantes de desenvolvimento científico, estão a exterminar a valiosa essência do trabalho manual e expressão humana. Dou-te um exemplo muito prático: imagina hoje, uma obra de arte em talha dourada acaba por perder um fragmento importante, agora irrecuperável. Será muito mais fácil reproduzi-lo em plástico numa impressão em 3D, do que um mestre entalhador perder dias a entalhar uma réplica a partir de uma reprodução fotográfica da obra original. Existirão sempre prós e contras em qualquer uma das escolhas.


SP: Quais são os tipos de trabalhos ou projetos de restauro que mais te estimulam?

MG: No sector privado, gosto de grandes desafios de restauro: quanto mais danificada a peça estiver, mais me fascina; isso estimula a capacidade de resolver o problema de forma a preservar a originalidade da peca o mais possível, tentando contudo trazer de volta a sua integridade e função, se for esse o caso. Por vezes, a solução mais simples é a mais eficaz e o feedback de outras pessoas leigas na profissão muitas vezes dão-te uma nova perspetiva para a solução do problema. Gostaria de trabalhar e estudar mais pintura sobre madeira, em particular nos suportes, que foi outra especialidade que aprendi em Portugal.
No sector museológico, a atitude é diferente: uma obra de arte é rigorosamente documentada e toda a conjuntura estética, material, documental e histórica (na vertente da própria intervenção em conservação), nada se remove e (quase) nada se adiciona à obra, ou seja, nada se introduz que não se possa remover mais tarde, se entretanto o for desejável – o tal conceito de reversibilidade. Mas, a meu ver, a reversibilidade é um tópico muito permeável e discutível, e nem sempre adaptável ao que se possa considerar como “mundo ideal”. O conceito de reversibilidade conflitua com a própria necessidade de salvar a materialidade de uma peça em vias de se perder.


SP: Também dás formação? Onde encontras os teus colaboradores?

MG: Curiosamente, há muitos anos dei umas aulas curtas de tecnologias de madeiras, na própria escola profissional onde tinha estado anteriormente enquanto aluno. Mais tarde, aqui no atelier nos EUA, ainda tive alguns jovens a colaborar em alguns restauros, mas os mais jovens não têm muita paciência para esta área. Querem resultados rápidos e horários de trabalho curtos. A paciência nesta profissão e uma virtude.


SP: Consideras que existe uma diferenciação em termos de especialidade, entre restauro e conservação. Podes explicar um pouco os dois processos? Creio que o teu trabalho se foca mais em restauro, correto?

MG: Nao, são os dois termos encapsulados um no outro. Dentro de uma formação profissional em conservação de arte, existe formação prática em tarefas de restauro. O restauro é sempre a ultima operação a realizar, e a maior parte das vezes vem em resposta a uma insuficiente conservação. Aqui podemos incluir outro termo, o da Preservação, que abarca os dois conceitos; em suma, os três incluem-se num diagrama bastante análogo, o logotipo da ecologia/reciclagem, “recolher – reutilizar – reciclar”.


SP: No que respeita ainda à tua especialização, madeiras, já fizeste algum restauro de obras modernas ou mesmo contemporâneas? Tens particular interesse por alguns artistas contemporâneos cujas técnicas e materiais te pudessem desafiar em termos de restauro?

MG: No meu atelier, as peças menos antigas que entraram para restauro foram móveis dos anos setenta, alguns com materiais compósitos e polímeros sintéticos, usados por vezes na estrutura da peça ou/e no filme de acabamento (por exemplo, um acabamento brilhante de poliéster) que são muito difíceis de disfarçar e restaurar. Pessoalmente prefiro lidar com peças mais antigas.


SP: Em termos de evolução profissional, eu diria que para um restaurador, estar a trabalhar no MET poderia ser considerado o topo de carreira. Estarei certo?

MG: Sim e não. Quem gosta mais de fazer investigação na área de conservação, e consequentemente escrever publicações alusivas aos seus estudos, um museu como o MET oferece melhores condições de trabalho, pois está munido de equipamentos “state of the art” que podem proporcionar as mais meticulosas e rigorosas análises. Mas acaba por se tornar num ofício de “conservação de computador”, e consequentemente muito sedentário; na minha opinião. Eu gosto mais de pôr “as mãos à obra”, de atuar, em vez de contemplar. Na realidade, e por fim, agrada-me combinar o bom dos dois mundos.


SP: Para terminar, creio que seria sensato reformular a questão que te coloquei anteriormente: O que consideras que virá a ser o teu topo de carreira? O cargo ou projeto ideal em que gostarias inevitavelmente de estar envolvido e participar?

MG: Uma posição permanente no MET é um sonho para qualquer conservador ou curador de arte, mas é extremamente difícil entrar como quadro para esta organização/instituição, a não ser por substituição de outro membro que termina a carreira e vai para a reforma. 
Simultaneamente, gostava de expandir a minha empresa com mais sucursais, quem sabe noutros Estados; abrir por exemplo outro atelier gémeo na costa ocidental, e mais tarde fazer até uma pareceria com antigos colegas meus de Portugal que ainda trabalham na área de restauro. Gostaria muito de um dia voltar a Portugal e aprofundar mais os meus estudos em conservação da pintura portuguesa em madeira, a qual nunca foi estudada convenientemente e sistematicamente. A enigmática pintura de Frei Carlos é um bom exemplo do que me refiro. Em tempos fiz um pequeno acervo informal com o MNAA (Museu Nacional de Arte Antiga) sobre algumas pinturas em tábua guardadas nas reservas do Museu, e há tanto para aprender!
Por outro lado também gosto imenso de arqueologia; mais um sonho e uma vertente que desejo aprender e aprofundar.

 


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Links:

 

Metropolitan Museum
Instagram: @metobjectsconservation
www.heartwoodrestorations.com