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AS ESCOLHAS DE...


BEATRIZ ALBUQUERQUE

Artecapital

2019-10-18



 

 

Beatriz Albuquerque

Artista

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Qual a última boa exposição que viu?

Engraçado perguntar-me, porque a última boa exposição que vi em Portugal foi por coincidência uma em que participo. O nome da exposição é Fuck Art, Let's Eat na Galeria Fernando Santos (21 Setembro a 02 Novembro), que nos mostra a sinergia entre a arte e a comida. Recomendo-a.
Na minha outra vida em Nova Iorque a melhor exposição que vi estava relacionada com o começo do activismo e as manifestações LGBTQ “Stonewall riots” com a exposição “Art After Stonewall, 1969-1989“ na Grey Art Gallery (NYU).
 

Beatriz Albuquerque, instalação Food Porn XXX.

Grey Art Gallery (NYU), exposição Art After Stonewall, 1969-1989.

 

 

Que livro está a ler?

Neste momento estou a ler 3 livros ao mesmo tempo. É uma forma simples de deixar uma obra literária respirar na minha cabeça. Começo normalmente a ler 5 páginas do livro “Blink If You Love Me” de David Moscovich (Adelaide Books), “Fragmentos” de Novalis (Assírio & Alvim) e "Uma falha nos dentes" de João Gesta (Porto Editora).


Que música está no topo da sua playlist actual?
 
Na minha playlist atual está no topo a música “Ain't Got No, I Got Life “de Nina Simone. Deve-se ao facto de em 2017, em Nova Iorque, ter visto um documentário e o concerto de tributo a Nina e de ter conhecido o seu irmão Waymon, que contou diversas histórias acerca dela e de como foi uma força da natureza na sua luta pelos direitos civis (The Civil Rights Movement), no feminism e activismo.
 

Um filme que gostaria de rever…
 
Em criança via repetitivamente na televisão através de um leitor Beta da Sony uma gravação de um espectáculo de ópera – A Flauta Mágica de Mozart. Sei agora que a gravação é dos anos 70 e a versão em filme é de Ingmar Bergman. Esse enredo mágico é-me inesquecível porque sempre que via a história parecia-me ser sempre diferente. Poderá ser porque quando comecei a ver era bastante nova e ainda não sabia ler nem escrever. Infelizmente o leitor deixou de funcionar passado alguns anos e ficou-me guardado na memória essa fragmentação.


O que deve mudar?

Nunca imaginei que em 2016, após Obama ser eleito para Presidente dos Estados Unidos, que sucedesse Trump. Como tenho vivido entre Nova Iorque e Portugal nestes últimos 10 anos acredito que a maioria da política implementada por esta figura ditatorial deveria não ter existido. O lado positivo é que cria espaço para a arte combater.


O que deve ficar na mesma?

A arte, as memórias e a memória da arte.


Qual foi a primeira obra de arte que teve importância real para si?

Existiu muito cedo na minha vida essa primeira obra de arte importante. Era bastante nova e vi a primeira performance “Estou-me nas tintas” de Gerardo Burmester. Fez-me perceber que a arte era mais que um objecto ou uma pintura, que também poderia ser uma ação, um momento no tempo e espaço.


Qual a próxima viagem a fazer?

Portugal para Nova Iorque e Nova Iorque para Portugal.


O que imagina que poderia fazer se não fizesse o que faz?

Não consigo imaginar. O processo de criação de uma obra artística é viciante. Se não fizesse o que faço não seria “Eu” e isso abre um conjunto de novas questões e entrávamos na filosofia.


Se receber um amigo de fora por um dia, que programa faria com ele?

Já recebi diversos amigos até no dia de Natal e é simples. Levei-os a conhecer a cidade do Porto. Normalmente o programa é o seguinte: passear na marginal e ficar a conhecer a piscina das marés e a casa de Chá da Boa Nova do arquitecto Siza Vieira. Como passear a pé abre o apetite, almoçar umas sardinhas assadas em Matosinhos. Para fazer a digestão subir a Av. da Boavista para ver a escultura do Angelo de Sousa, a Casa da Musica, as Galerias da Miguel Bombarda e acabar a tarde no Museu Soares dos Reis com arte portuguesa (desde a Aurélia de Sousa a Fernando Lanhas). Conhecer e visitar a Torre dos Clérigos, Estação de S. Bento e Igrejas adjacentes enquanto se caminha para uma cave dos vinhos do Porto e o estaleiro naval dos barcos rabelos. Acabar a noite com um copo de vinho do Porto e aproveitar para dar um salto à Livraria Lello, se tiver algum evento especial, ou ir dançar nos Maus Hábitos.
Em Nova Iorque, passear em Time Square de manhã, depois MoMa, Morgan Library, almoço em K-Town. Descer a pé para ver a ponte de Broklyn e Chinatown. Dar um salto ao New Museum. Acabar o final de tarde nas inaugurações das Galerias de Chelsea e jantar no Moonstruck Diner. À noite ir para os bares de Alfabet City e dançar no “The Pyramid Club” que continua a ser o mesmo desde os anos 80. De madrugada ir a um bar de Jazz “Cleopatra's Needle” perto de onde vivo.
 

Harlem Renaissance, 2016. 

 


Imaginando que organiza um jantar para 4 convidados, quem estaria na sua lista para convidar? Pode considerar contemporâneos ou já desaparecidos.

Se o jantar fosse para 4 convidados almoçarem ou jantarem comigo, seriam sem dúvida: Siddhartha Gautama (Buda), Mohandas Karamchand Gandhi, Martin Luther King (movimento dos direitos civis) e Millicent Fawcett (sufragista, direito das mulheres).


Quais os seus projetos para o futuro?

Neste futuro próximo em Outubro realizo uma performance/manifestação na continuidade do meu projeto de Revolução ativista no qual convido as pessoas a se juntarem a mim na Praça dos Poveiros para se fazerem ouvir. Este activismo está inserido no Festival Family Film Project.
Em Novembro participo com a instalação da minha série “Food Porn” e performatividade na Alfandega do Porto no “Melting Gastronomy Summit”.

 

Beatriz Albuquerque, Performance Revolução, 2019.

 

 




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