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ARQUITETURA E DESIGN




Apple I, apresentado em 1976 no Homebrew Computer Club em Palo Alto, California (no Silicon Valley).


O primeiro iMac de 1998 em azul Bondi (Bondi é uma praia de Sidney). Seguiram-se modelos em mirtilo, morango, tangerina, uva, limão, grafite, rubi, sálvia, neve, indigo, azul Dálmata e Flower Power.


Steve Jobs apresentou o iPod em 2001.


Marca por detrás do OS X. Desde 2002.


Campanha Get a Mac de 2006: I’m a PC, I’m a Mac


McIntosh Apple

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A MARCA QUE TEM O MEU NOME

ANTÓNIO COXITO


 

 

Diz-se entre os copywriters que uma marca (brand) deve ser clara, sóbria. Não deve criar equívocos, deve ter um som inteligível e, na era da Internet (ainda) sem caracteres latinos, não deve conter acentuação. Evitar expressões longas e nunca criar confusão com outras marcas.

A fusão de duas marcas é frequentemente uma questão delicada. Cada uma delas traz consigo um universo de significações.
O caso da fusão entre a ZON e a Optimus deu preponderância à sigla ZON espelhando-a em NOS mas criando uma nova marca. O caso do Santander-Totta é menos criativo; mais valia Sandrinelo, a papelaria do meu bairro que era da Sandra e do Nelo.

 

Contudo a Apple, ou a Macintosh como queiram, parece não padecer deste problema.

Esta marca foi criada como Apple e chama-se de facto Apple. Lançou o Apple I em 1976 a 666 dólares e 66 cêntimos piscando um olho ao diabo. O Apple I corria o sistema BASIC.

Mas no que diz respeito ao Macintosh, nenhum dos actuais equipamentos desta marca são de facto Macintosh. Esse sistema operativo proprietário, um dos que Steve Jobs criou, foi introduzido em 1984 e teve como última versão o 9.2.2. em 2001.

O sistema operativo desde então, o X, é um sistema UNIX, um sistema aberto.

No entanto, ninguém diz "o meu Apple"; todos dizem "o meu Mac"!

A verdade é que já não se encontra impresso o termo Macintosh em parte alguma do seu corpo exterior, bem podem procurar [1]. Apenas Mac.

Para demonstrar que já não existem Macintosh, o domínio de internet www.macintosh.com... não existe!

Macintosh é um termo afectivo. 

 

Quem conheceu os Macintosh sabe que eram máquinas únicas. Não só o seu interface era usado por menos de 4% dos utilizadores do planeta (mais de 90% eram Windows) como a sua distinção começava cá fora. Primeiro o design do equipamento (da responsabilidade de Jonathan Ive desde 1992), depois o design do interface Macintosh, depois o design das aplicações (antes de elas serem idênticas em qualquer plataforma, sejam Windows ou LINUX) até voltar a emergir e se estender ao design da comunidade que os utilizava. T-shirt original e sapatilhas com um fato de 300 dólares, enquanto que os dos PCs vestiam fatos de 99 dólares com gravata incluída e sapatos Brooks Brothers. Yuppies e nerds.

 

Um fenómeno ocorrido com os produtos desta marca (apesar de não ser uma situação exclusiva), foi o facto de quando se deu o boom dos leitores de mp3, a sigla iPod se ter generalizado com o significado de "leitor de mp3". A maioria dos utilizadores de iPod desconheciam o termo Apple ou Mac quando nomeavam o seu leitor.

O mesmo aconteceu mais tarde em relação aos Tablets, aos quais muitas pessoas passaram a chamar iPad, mesmo que não o fossem.
Esta recorrência com os produtos desta marca revelou logo a sua capacidade intimidatória (de intimidade).

Mas no fundo no fundo, nenhuma destas siglas se incrusta na nossa memória como o prefixo "i", que antecede todos os produtos desta marca desde o primeiro iMac em 1998. Essa sim é a verdadeira marca desta minha marca. O "i" é um euzinho mas que me liga ao resto do mundo. É egótico mas sou eu.

É Apple, é Macintosh, é Mac, é UNIX ou é iPhone? É meu!
 

 


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Notas

[1] No interior de alguns computadores Apple ainda encontram discos Macintosh HD.

 

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[O autor escreve de acordo com a antiga ortografia]