Links

PERSPETIVA ATUAL


Petrit Halilaj, “The places iI’mm looking for, my dear, are utopian places, they are boring and I don’t know how to make them real”, 2010. Vista da instalação.


Ferhat Özgür, “I Can Sing”, 2008. DVD, cor, som, 7'. Cortesia do artista.


Avi Mograbi, “Details 2&3”, 2004. DVD, cor, som, 9'23''. Cortesia do artista.


Roman Ondák, “Zone”, 2010.


Kohlfurter Strasse


Mohamed Bourouissa, “Le telephone”, 2006, da série “Peripheries”, 2005-2009. Impressão lambda. Cortesia do artista e sa galeria Les Filles du Calvaire, Paris.


Danh Vo, “Untitled”, 2009.

Outros artigos:

2017-11-12


HELENA OSÓRIO


2017-10-09


PAULA PINTO


2017-09-05


PAULA PINTO


2017-07-26


NATÁLIA VILARINHO


2017-07-17


ANA RITO


2017-07-11


PEDRO POUSADA


2017-06-30


PEDRO POUSADA


2017-05-31


CONSTANÇA BABO


2017-04-26


MARC LENOT


2017-03-28


ALEXANDRA BALONA


2017-02-10


CONSTANÇA BABO


2017-01-06


CONSTANÇA BABO


2016-12-13


CONSTANÇA BABO


2016-11-08


ADRIANO MIXINGE


2016-10-20


ALBERTO MORENO


2016-10-07


ALBERTO MORENO


2016-08-29


NATÁLIA VILARINHO


2016-06-28


VICTOR PINTO DA FONSECA


2016-05-25


DIOGO DA CRUZ


2016-04-16


NAMALIMBA COELHO


2016-03-17


FILIPE AFONSO


2016-02-15


ANA BARROSO


2016-01-08


TAL R EM CONVERSA COM FABRICE HERGOTT


2015-11-28


MARTA RODRIGUES


2015-10-17


ANA BARROSO


2015-09-17


ALBERTO MORENO


2015-07-21


JOANA BRAGA, JOANA PESTANA E INÊS VEIGA


2015-06-20


PATRÍCIA PRIOR


2015-05-19


JOÃO CARLOS DE ALMEIDA E SILVA


2015-04-13


Natália Vilarinho


2015-03-17


Liz Vahia


2015-02-09


Lara Torres


2015-01-07


JOSÉ RAPOSO


2014-12-09


Sara Castelo Branco


2014-11-11


Natália Vilarinho


2014-10-07


Clara Gomes


2014-08-21


Paula Pinto


2014-07-15


Juliana de Moraes Monteiro


2014-06-13


Catarina Cabral


2014-05-14


Alexandra Balona


2014-04-17


Ana Barroso


2014-03-18


Filipa Coimbra


2014-01-30


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2013-12-09


SOFIA NUNES


2013-10-18


ISADORA H. PITELLA


2013-09-24


SANDRA VIEIRA JÜRGENS


2013-08-12


ISADORA H. PITELLA


2013-06-27


SOFIA NUNES


2013-06-04


MARIA JOÃO GUERREIRO


2013-05-13


ROSANA SANCIN


2013-04-02


MILENA FÉRNANDEZ


2013-03-12


FERNANDO BRUNO


2013-02-09


ARTECAPITAL


2013-01-02


ZARA SOARES


2012-12-10


ISABEL NOGUEIRA


2012-11-05


ANA SENA


2012-10-08


ZARA SOARES


2012-09-21


ZARA SOARES


2012-09-10


JOÃO LAIA


2012-08-31


ARTECAPITAL


2012-08-24


ARTECAPITAL


2012-08-06


JOÃO LAIA


2012-07-16


ROSANA SANCIN


2012-06-25


VIRGINIA TORRENTE


2012-06-14


A ART BASEL


2012-06-05


dOCUMENTA (13)


2012-04-26


PATRÍCIA ROSAS


2012-03-18


SABRINA MOURA


2012-02-02


ROSANA SANCIN


2012-01-02


PATRÍCIA TRINDADE


2011-11-02


PATRÍCIA ROSAS


2011-10-18


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-09-23


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-07-28


PATRÍCIA ROSAS


2011-06-21


SÍLVIA GUERRA


2011-05-02


CARLOS ALCOBIA


2011-04-13


SÓNIA BORGES


2011-03-21


ARTECAPITAL


2011-03-16


ARTECAPITAL


2011-02-18


MANUEL BORJA-VILLEL


2011-02-01


ARTECAPITAL


2011-01-12


ATLAS - COMO LEVAR O MUNDO ÀS COSTAS?


2010-12-21


BRUNO LEITÃO


2010-11-29


SÍLVIA GUERRA


2010-10-26


SÍLVIA GUERRA


2010-09-30


ANDRÉ NOGUEIRA


2010-09-22


EL CULTURAL


2010-07-28


ROSANA SANCIN


2010-06-20


ART 41 BASEL


2010-05-11


ROSANA SANCIN


2010-04-15


FABIO CYPRIANO - Folha de S.Paulo


2010-03-19


ALEXANDRA BELEZA MOREIRA


2010-03-01


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-02-17


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-01-26


SUSANA MOUZINHO


2009-12-16


ROSANA SANCIN


2009-11-10


PEDRO NEVES MARQUES


2009-10-20


SÍLVIA GUERRA


2009-10-05


PEDRO NEVES MARQUES


2009-09-21


MARTA MESTRE


2009-09-13


LUÍSA SANTOS


2009-08-22


TERESA CASTRO


2009-07-24


PEDRO DOS REIS


2009-06-15


SÍLVIA GUERRA


2009-06-11


SANDRA LOURENÇO


2009-06-10


SÍLVIA GUERRA


2009-05-28


LUÍSA SANTOS


2009-05-04


SÍLVIA GUERRA


2009-04-13


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2009-03-23


PEDRO DOS REIS


2009-03-03


EMANUEL CAMEIRA


2009-02-13


SÍLVIA GUERRA


2009-01-26


ANA CARDOSO


2009-01-13


ISABEL NOGUEIRA


2008-12-16


MARTA LANÇA


2008-11-25


SÍLVIA GUERRA


2008-11-08


PEDRO DOS REIS


2008-11-01


ANA CARDOSO


2008-10-27


SÍLVIA GUERRA


2008-10-18


SÍLVIA GUERRA


2008-09-30


ARTECAPITAL


2008-09-15


ARTECAPITAL


2008-08-31


ARTECAPITAL


2008-08-11


INÊS MOREIRA


2008-07-25


ANA CARDOSO


2008-07-07


SANDRA LOURENÇO


2008-06-25


IVO MESQUITA


2008-06-09


SÍLVIA GUERRA


2008-06-05


SÍLVIA GUERRA


2008-05-14


FILIPA RAMOS


2008-05-04


PEDRO DOS REIS


2008-04-09


ANA CARDOSO


2008-04-03


ANA CARDOSO


2008-03-12


NUNO LOURENÇO


2008-02-25


ANA CARDOSO


2008-02-12


MIGUEL CAISSOTTI


2008-02-04


DANIELA LABRA


2008-01-07


SÍLVIA GUERRA


2007-12-17


ANA CARDOSO


2007-12-02


NUNO LOURENÇO


2007-11-18


ANA CARDOSO


2007-11-17


SÍLVIA GUERRA


2007-11-14


LÍGIA AFONSO


2007-11-08


SÍLVIA GUERRA


2007-11-02


AIDA CASTRO


2007-10-25


SÍLVIA GUERRA


2007-10-20


SÍLVIA GUERRA


2007-10-01


TERESA CASTRO


2007-09-20


LÍGIA AFONSO


2007-08-30


JOANA BÉRTHOLO


2007-08-21


LÍGIA AFONSO


2007-08-06


CRISTINA CAMPOS


2007-07-15


JOANA LUCAS


2007-07-02


ANTÓNIO PRETO


2007-06-21


ANA CARDOSO


2007-06-12


TERESA CASTRO


2007-06-06


ALICE GEIRINHAS / ISABEL RIBEIRO


2007-05-22


ANA CARDOSO


2007-05-12


AIDA CASTRO


2007-04-24


SÍLVIA GUERRA


2007-04-13


ANA CARDOSO


2007-03-26


INÊS MOREIRA


2007-03-07


ANA CARDOSO


2007-03-01


FILIPA RAMOS


2007-02-21


SANDRA VIEIRA JURGENS


2007-01-28


TERESA CASTRO


2007-01-16


SÍLVIA GUERRA


2006-12-15


CRISTINA CAMPOS


2006-12-07


ANA CARDOSO


2006-12-04


SÍLVIA GUERRA


2006-11-28


SÍLVIA GUERRA


2006-11-13


ARTECAPITAL


2006-11-07


ANA CARDOSO


2006-10-30


SÍLVIA GUERRA


2006-10-29


SÍLVIA GUERRA


2006-10-27


SÍLVIA GUERRA


2006-10-11


ANA CARDOSO


2006-09-25


TERESA CASTRO


2006-09-03


ANTÓNIO PRETO


2006-08-17


JOSÉ BÁRTOLO


2006-07-24


ANTÓNIO PRETO


2006-07-06


MIGUEL CAISSOTTI


2006-06-14


ALICE GEIRINHAS


2006-06-07


JOSÉ ROSEIRA


2006-05-24


INÊS MOREIRA


2006-05-10


AIDA E. DE CASTRO


2006-04-20


JORGE DIAS


2006-04-05


SANDRA VIEIRA JURGENS


share |

WHAT IS WAITING OUT THERE



ROSANA SANCIN

2010-07-28




6ª Bienal de Berlim
what is waiting out there
11.6.- 8.8.2010



A sexta Bienal de Berlim, comissariada por Kathrin Rhomberg, está espalhada por seis sítios diferentes, nos bairros de Mitte e Kreuzberg, e toma como ponto de partida a relação entre a arte e a realidade. A curadora refere-se ao escritor húngaro Imre Kertész e ao seu livro Liquidation, onde indica que a única certeza que podemos ter sobre a realidade é que esta se tornou “um termo problemático, e para além disso, sendo pior ainda, um estado problemático.”

As posições artísticas aqui representadas têm em comum uma forte postura em relação ao presente, mesmo que as perspectivas difiram entre o empenhamento mais analítico, especulativo ou associativo. As abordagens vão para além das questões formais ou estéticas, ou outras inerentes à arte. Trata-se acima de tudo de obras que literalmente produzem a nossa realidade e de alguma maneira nos devolvem ao título da bienal: “what is waiting out there”.

A presença de jovens artistas albaneses é particularmente visível, como também a inclusão de vários artistas turcos e israelitas, sob a luz do último incidente que ocorreu em Gaza. É preciso mencionar também a atitude eficaz dos artistas árabes, parisienses par excellence, na altura de debate frenético sobre a proibição do uso da burka em espaços públicos.

Na sede da bienal, em Kunst Werke(KW) , somos logo confrontados com a obra “ The places I’m looking for, my dear, are utopian places, they are boring and I don’t know how to make them real”, 2010, do artista Petrit Halilaj (n. 1986). Trata-se duma enorme instalação em madeira que penetra o tecto da sala expositiva, associada à reconstrução da casa dos avôs do artista, no Kosovo, que foi destruída durante a guerra da Jugoslávia. E, de facto, parece uma ruína, carregando a memória da catástrofe. O artista foi o único membro da sua família a escapar dos terrores da guerra, emigrando primeiro para Itália e a seguir para Berlim.

O vídeo do artista turco Ferhat Özgür “I Can Sing” (2008), mostra um país dividido entre o Oriente e o Ocidente. Os prédios altíssimos tocam o céu tradicionalmente dominado pelos minaretes. Em frente à sua casa reconstruída, a mulher, vestindo o “headscarf”, oscila entre o lamento e elogio.
A banda sonora, “Hallelujah” na versão amarga de Jeff Buckley, complica ainda mais a relação entre as duas partes do mundo, supostamente em conflito.

Avi Mograbi (Tel Aviv) diz que não se pode falar de violência sem dela ter experiência, seja como vítima ou perpetrador. No seu filme “Details 2&3” (2004) mostra, através de cenas documentais e encenadas, a impossibilidade de qualquer visão objectiva em relação ao assunto, afirmando em vez disso uma posição individual em confronto com as imagens sugeridas pelos mass media.

A série de fotografias “Çirçir” (2010) da artista Nilbar Güres foi especialmente produzida para a bienal na antiga casa da sua família nas margens de Istambul. Um lugar decididamente patriarcal representa um microcosmos de estruturas sociais. A artista trabalhou com mulheres das mais variadas origens culturais, orientações sexuais e níveis de educação, com o objectivo de ocupar temporariamente, segundo a autora, domínios normalmente considerados apanágio do sexo masculino. Uma posição interessante e não muito esperada vinda de uma artista de cultura muçulmana que supostamente (de acordo com as latest news) reprime as mulheres.

Provavelmente a mais bem conseguida obra da Bienal de Berlim é “Zone” (2010) de Roman Ondák (Bratislava) apresentada na Oranienplatz 17, outro grande espaço da bienal. O artista instalou um bengaleiro de tamanho desproporcional logo à porta de entrada. O visitante na melhor das opções acha estranho o tamanho do bengaleiro, mas como se trata de uma grande exposição internacional numa das capitais de arte, isto não surpreende tanto. Para quem viveu na Europa de Leste, o espaço remete imediatamente para o regime socialista. É o tamanho excessivo, o vazio e o desconforto ali associado. Talvez a repressão. Se bem que as pessoas mais velhas dizem que a repressão hoje em dia, sob um outro regime e sistema económico, é bem maior.

O artista vietnamita Danh Vo abre a porta do seu apartamento-atelier na Kohlfurter Strass 1, em Kreuzberg, aos visitantes da bienal. E para acabar este artigo gostava de publicar ainda a carta de despedida do missionário francês J. Théophane Vénard ao seu pai. Cada edição da obra “Untitled” (2009) é a cópia desta carta escrita à mão pelo pai de Danh Vo. O número exacto das edições vai ser definido após a morte do seu pai.


J. M. J
January 20, 1861

Dearest, honored and beloved Father,

Since my sentence is yet to come, I wish to adress you a new farewell, probably the last one. My days in prison are going by peacefully. Everyone around honors me, and many even love me. From the great Mandarin to the last soldier, all regret that the law of the kingdom condemns me to the death sentence. I have not endured any tortures, like many of my brothers. A slight strike of a sword will behead me, like a spring flower picked by garden Master for pleasure. We are all flowers growing on this earth, picked by God at some point, a little earlier for some, a little later for others. One is the crimson rose, another the virginal lilly, another the humble violet. Let us all try to please the Lord and Master, with the perfume or radiance we were given.
I wish you, dear Father, a long, peaceful and virtuous old age.
Bare your life cross gently, following the path of Jesus, till the calvary of a felicitous death. Father and son will meet again in heaven. I, a small transient being, am to leave first. Farewell.
Your devoted and respectful son.

J. Théophane Vénard




Rosana Sancin
Curadora e crítica de arte. Vive entre Liubliana e Lisboa.