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Child of God (1973), de Cormac McCarthy.


Child of God (1973), de Cormac McCarthy.


Cormac McCarthy


All the Pretty Horses (2000), adaptação de Billy Bob Thornton da novela de Cormac McCarthy publicada em 1992.


No Country for Old Men (2007), de Joel and Ethan Coen.


The Road (2009), de John Hillcoat.


The Counselor (2013), de Ridley Scott, com argumento de Cormac McCarthy

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O RETORNO DO ANIMAL. ABANDONAR E REGRESSAR A MCCARTHY: JAMES FRANCO ADAPTA CHILD OF GOD AO CINEMA



ANA BARROSO

2014-04-17




O RETORNO DO ANIMAL: ABANDONAR E REGRESSAR A MCCARTHY: JAMES FRANCO ADAPTA CHILD OF GOD AO CINEMA

ANA BARROSO
2014-04-17 


James Franco, um americano de ascendência lusa (as suas origens familiares estão radicadas na ilha da Madeira) tem desenvolvido uma carreira prolixa no mundo artístico norte-americano, sendo o seu trabalho como actor aquele que lhe tem dado mais visibilidade, mas aspirando a uma carreira de escritor e realizador mais consistente, começando o seu empenho e arrojo a conquistarem um merecido lugar descentrado na massiva cultura americana e, pela influência que lhe conhecemos, um pouco por todo o mundo. Isto arrasta uma responsabilidade maior perante o cânone, mas paradoxalmente, permite um distanciamento do mesmo, o que permite discutir possibilidades, contaminações, purismos e, cada vez mais fundamental, a necessidade de um pensamento crítico e centrado.

Franco é um ávido e apaixonado leitor dos clássicos da literatura norte-americana e, na sua inflamação literária, dispôs-se a fazer o aparentemente impossível: adaptar Faulkner e McCarthy ao cinema. E, da intenção em adaptar Blood Meridian ao cinema, recuou a William Faulkner para voltar a McCarthy, mas agora a Child of God (obra publicada em 1973). De Faulkner adaptou o romance polifónico e experimental As I Lay Dying (publicado em 1930), unanimemente considerado pela crítica como um dos melhores romances americanos do século passado. A sua técnica de stream of conscienceness tem-lhe valido a classificação de inadaptável ao grande ecrã, mas Franco não se deixou intimidar e insolentemente fez o impossível. O filme fez o circuito dos festivais e tem recebido críticas pouco entusiastas, mas essa não terá sido a razão que levou Franco a abandonar Blood Meridian.

Embora vago nas razões apresentadas, não será de menosprezar a violência da obra como o entrave mais duro de resolver e, até ao momento, impossível de ultrapassar. Vários realizadores já o tentaram fazer: Todd Field, Michael Hanneke e Ridley Scott são alguns deles. Ridley Scott disse numa entrevista que chegou a escrever o argumento, mas “o problema é que é muito selvagem.”
A prosa violenta de McCarthy tem fascinado imensos realizadores e Todd Field explicou porquê: “Os seus romances analisam o nosso íntimo, os dois lados da violência que coexistem em cada acto selvagem: a força brutal que acompanha um objectivo e o medo e desespero da fraqueza. Adam Lee Davies, crítico do jornalThe Guardian apontou as dificuldades maiores da adaptação da prosa de McCarthy ao cinema, quer ao nível da produção, quer da recepção: “Os seus romances há muito que intrigam e fascinam os realizadores pela evocação lírica do imaginário cinematográfico assente nas paisagens míticas, na violência selvagem e aleatória e nos diálogos curtos e informais. No entanto, por essas mesmas razões, os seus livros são considerados como demasiado descomprometidos, densos e moralmente complexos para uma adaptação fácil (…) são demasiado literários e negros para um público generalista.” Apesar destas contigências, 4 romances [1] foram já adaptados ao cinema: Pretty Wild Horses (em 2000), de Billy Bob Thornton; No Country for old Men [2] (em 2007), de Joel e Ethan Cohen; The Road (de 2009) de John Hillcoat e Child of God, de James Franco.

Exceptuando o filme dos irmãos Cohen, os outros dois não foram nem sucesso de crítica, nem de público, mas o sucesso comercial de No Country for Old Men (o filme recebeu também 4 óscares, incluindo o de Melhor Filme) tornou McCarthy num dos escritores mais interessantes e requisitados pelos produtores de Hollywood e, talvez por essa razão, McCarthy tenha decidido escrever um argumento cinematográfico, quando os seus leitores estavam à espera de mais um romance. McCarthy tornou-se num autor com possibilidades comerciais, porque, como apontou Joe Penhall, acontecimentos como o 11 de Setembro parecem ter preparado o público para aceitar melhor cenas de violência arbitrária e extrema, e ainda, desprovida de qualquer reflexão moral. As consequências do imperialismo Americano tornaram-se visíveis e reconhecíveis para todos nós. No entanto, apesar desta disponibilidade do público, o filme The Counselor foi um fracasso comercial e a recepção crítica bastante ambivalente. Não podemos esquecer que o público leitor não é necessariamente o mesmo que vai ver o filme. No entanto, e cada vez mais, existe uma migração do público leitor para o público espectador e vice-versa.

Os leitores de um determinado livro têm quase sempre a curiosidade de ver a adaptação desse mesmo livro ao cinema e, cada vez mais frequentemente, depois de se ver um filme adaptado, os espectadores correm às livrarias para lerem o livro que deu origem ao filme. James Franco confessou que, como realizador interessa-lhe ter uma fonte prévia, preferencialmente literária, e com a qual tenha uma relação de empatia muito forte, permitindo-lhe seguir em direcções que a sua imaginação não permite. Relativamente à complexidade da fonte literária, Franco reconhece que a maioria das adaptações cinematográficas empobrecem a riqueza estrutural e estilística do original, pois muitos realizadores e produtores tendem a desvalorizar o papel activo do espectador na construção de sentidos, em detrimento de um facilitismo comercial.
Ao desconsiderar a importância do espectador na criação do mundo fílmico (e o espectador, como defende Rushton [3], “forma-se com o filme”), o filme fecha-se num processo de autocomiseração artística, cuja finalidade é apenas o entretenimento fácil e a veiculação de mensagens previamente codificadas. No entanto, Franco admitiu também que o seu estado de paixão por Child of God lhe dificultou o processo de criatividade e autonomia necessárias à adaptação cinematográfica, pois queria “pôr no filme tudo o que estava no romance”.

Perante esta dificuldade inultrapassável, viu-se obrigado a solicitar a colaboração do editor Curtis Claydon. O filme estreou no último Festival de Veneza e foi exibido em festivais importantes, como o de Nova Iorque e Toronto. A crítica tem sido favorável, embora não esteja rendida a este retrato de desvio moral e sexual. O livro de Mccarthy retrata a vida de Lester Ballard - “a child of God much like yourself perhaps” - na sua degradação social e humana, afastando-se cada vez mais da sociedade para se refugiar na sua perversidade sexual e moral, uma existência animalesca e desprezível, cujas entranhas são o Mal em carne viva, sem qualquer possibilidade de redenção. A sensibilidade dos temas da pedofilia e da necrofilia foram, certamente, um dos entraves mais difíceis à adaptação do livro ao cinema.

Quando questionado sobre as razões que o levaram a adaptar um livro de uma incomensurável tristeza e desumanidade, Franco disse que não sabia responder, mas que iria perguntar ao autor porque é que ele escreveu este livro. E McCarthy, na sua atitude lacónica disse que teria sido por uma “qualquer razão parva”. Para os leitores fiéis do autor, a adaptação de Franco pode gerar alguma desconfiança e indiferença, mas também para os seus leitores fiéis, esta ousadia pode ser uma rara oportunidade de vislumbrar no grande ecrã toda a maldade intrínseca do ser humano que, um dia, já foi descrita através de uma bela e arrepiante prosa poética. 

O filme aguarda ainda distribuição comercial na Europa. 


Ana Barroso 
Doutoranda e investigadora na Universidade de Lisboa. Tem publicado em vários livros e revistas nacionais e estrangeiros sobre arte e cinema. 


>>>>>> 

Notas 

[1] McCarthy nunca se envolveu na adaptação cinematográfica das suas obras, com excepção da adaptação para televisão da sua única peça de teatro The Sunset Limited, realizado por Tommy Lee Jones, em 2011. 

[2] Originalmente um guião cinematográfico e, mais tarde, transformado num romance. Alguns apontam ser esta a razão principal do sucesso do filme. No entanto, isso não se verificou com o filme The Counselor. 

[3] Rushton, Richard. The Reality of Film: Theories of Filmic Reality. Manchester: Manchester University Press, 2011.