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PERSPETIVA ATUAL


Chris Burden, Samson, 1985. Inhotim. Fotografia: Téo Pitella.


Tunga, Galeria True Rouge, 1997. Fotografia: Téo Pitella.


Som da Terra. Inhotim. Fotografia: Téo Pitella.

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CUBOS BRANCOS E VERDES



ISADORA H. PITELLA

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Sansão, após ser traído por Dalila, destruiu as paredes festivas de um palácio filisteu, levando todos os presentes, e a si próprio, a morte. Nas paredes da Galeria Lago do Inhotim, Samson, peça de Chris Burden, hoje ignora a destruição e permanece imaculada em um dos cenários mais incríveis que a arte contemporânea poderia desejar. Entre 100 hectares de muito verde, o Jardim Botânico do parque quase que abafa a beleza das obras de arte que lá estão. Quase. Talvez para um público menos apreciador de arte o charme das belas plantas convide para um piquenique (que é teoricamente proibido no parque), mas para quem vai com sede de arte, o bem planeado paisagismo não passa de uma série de labirintos orgânicos que levam sempre a uma nova experiência, digna de uma Disneylândia para apreciadores. Se a questão da sacralização da arte começou a ser debatida com Duchamp e sua fonte, em Inhotim, ela sofre um novo paradigma, de evidência e de ignorância. Na corda bamba entre perceber o cubo branco que tudo transforma em arte ou desfrutar das belíssimas peças que lá se encontram, há público para todos os lados.

A minha experiência em Inhotim tenta ignorar o facto de Samson estar desativado (a roleta de entrada está desconectada dos macacos hidráulicos e diz o monitor do espaço “É, a partir da compra da peça, o museu faz o que quiser, né?”) com o objetivo de focar no(s) surpreendente(s) do instituto. E são muitos. Surpreendente um: em plena terça-feira de Carnaval de 2013, o instituto registou, às 16h, mais de 7 mil visitantes. Tinha fila na Galeria Cildo Meireles de mais de 40 minutos de espera para experimentar o Desvio Para o Vermelho. Tinha tanta gente dentro da instalação de Doug Aitken que o som da terra estava mais para um som de salão de beleza, de tanta falação que se ouvia. A piscina de Jorge Macchi estava parecendo uma praia, com gente de roupa, gente de biquíni, gente sentada ao redor comendo, conversando. Uma festa. A capacidade de Inhotim em diversificar o público da arte contemporânea é um ponto que vale por dez. Vi crianças endoidecidas nos fuscas [carochas] do Troca-Troca de Jarbas Lopes, vi adultos fazendo dos painéis de John Ahearn e Rigoberto Torres pontos turísticos, vi a equipe do instituto feliz em ajudar as pessoas a fazerem os seus próprios Parangolés. É facto que ir a Inhotim é uma experiência. Em sete horas de imersão, eu e meu grupo (éramos quatro) esquecemos de comer, de beber, de fumar. Todo o cenário, da última terça-feira, era digno de peça de Hélio Oiticica. A imersão, o popular, o marginal.

Surpreendente dois: a grandiosidade das peças. Chris Burden, Janet Cardiff, Giuseppe Penone, Lygia Pape, apenas para citar alguns nomes. É tudo mega, é tudo impressionante, tudo incrivelmente montado e pronto para ser degustado. Um festival de obras megalomaníacas, que dizem muito e que nos colocam contra a parede. O acervo do Inhotim é algo a ser analisado com calma, com dias para pensar, ver, ler, estudar. Níveis semânticos densos, que pareceram fazer o público citado acima estranhar e se distanciar, apesar da presença física na piscina e na sombra das árvores. Em conversa com os monitores surgem evidências de que eles não estão muito longe do público: para tornar-se monitor basta um dia de “curso”. O resultado dessa não imersão aparece logo na entrada. Questionei se o Samson estava aberto ao público e a resposta foi “hum, não lembro bem qual é a peça, mas acho que não”, mas estava. No final do passeio, já com poucos minutos para o parque fechar, questionei como estava a Galeria Tunga, quais peças tinha lá e a resposta foi “olha, só sei que ele trabalha com imãs”. Um textinho decorado, um sorriso – todos eram muito, muito simpáticos – e só. É o que sabe a maioria dos monitores. O processo de consumo da arte, em Inhotim, se mostrou diferente do que costumo ver em galerias com verba para as obras expostas: nada de público especializado, o que é ótimo, mas também, por conta de um despreparo da equipe, pouca absorção. Pouca gente lendo os textos de parede, pouca gente questionando, pouca gente tentando entender. Muita gente olhando, deslumbrada. E uma senhora, muito curiosa, perguntando a um monitor se o Paul McCarthy era o mesmo que escreveu “Let It Be”.

Surpreendente três: a notícia de que Inhotim irá criar um número X de bungalows dentro do parque para quem quiser se hospedar lá é um surpreendente do lado negativo da força. Brumadinho, cidade onde fica Inhotim, no interior de Minas Gerais, é o “Ó”. Ao redor de Inhotim há não sei quantas minas de extração de minério, toda Brumadinho é avermelhada de terra e Inhotim coloca-se como um oásis neste terreno. A discrepância é imensa. E daí, para o público mais acostumado com galerias que podem pagar por peças como as expostas no instituto, Inhotim fará um hotel, que segundo uma pessoa da equipe, já está em construção. A ideia parece ser: chega de helicóptero, não vê nada do que há ao redor e pronto, tudo resolvido. Fica só beleza, arte e gente bonitinha passeando. Uma obra a ser pensada.

A lista de surpreendentes é grande e continua, mas deixo uma brecha, sem mais spoilers, para que vá conhecer. É realmente, uma experiência. Se escolher uma terça gratuita então, vai se admirar com o poder que a arte tem de envolver, mesmo quando o cubo branco parece não querer ninguém lá dentro.



Isadora H. Pitella