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PERSPETIVA ATUAL


“Cinq milliards d`années”: Mark Handforth, “Honda”, 2002, “Vespa”, 2001; Michel Blazy, “Patman 2”, 2006; Lang/Baumann, “Perfect 2”, 2006; Vincent Lamouroux, “Scape”, 2006. Fotografia: Marc Domage


“Cinq milliards d`années”: Mark Handforth, “Honda”, 2002, “Vespa”, 2001; Vincent Lamouroux, “Scape”, 2006; Philippe Decrauzat, “Fade In Out”, 2006. Fotografia: Marc Domage


"Cinq milliards d´années": Lang/Baumann, "Perfect 2", 2006; Gianni Motti, "HIGGS, A la recherche de l’anti-Motti", 2005. Fotografia: Marc Domage


"Une seconde une année": Roman Signer, “Valise”, 2006; Fernando Ortega, “Fly Electrocutor”, 2003; Alighiero e Boetti, “Lampada annuale”, 1966 ; Lara Favaretto, “Twistle”, 2003. Fotografia: Marc Domag


Renaud Auguste-Dormeuil. Vista da exposição “The Day Before”, 2006, Palais de Tokyo. Fotografia: Michael Prigent


Zilvinas Kempinas. Vista da exposição “Flying Tape”, 2006, Palais de Tokyo. Fotografia: Marc Domage

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“Cinco biliões de anos”: assim se intitula o programa de exposições actualmente em curso no Palais de Tokyo em Paris. Incluindo duas exposições colectivas (“Cinq milliards d’années” e “Une seconde une année”), três exposições individuais (Renaud Auguste-Dormeuil; Zilvinas Kempinas; Joachim Koester) e vários eventos paralelos (performances, encontros, concertos, etc.), “Cinq milliards d’années” assinala a chegada ao Palais de Tokyo de um novo director, o suíço Marc-Olivier Wahler. Vindo do Instituto Cultural Suíço em Nova Iorque, Wahler propõe-se repensar o conceito de “exposição” e a prática de programador. “Cinq milliards d’années” constitui assim o primeiro episódio de um programa anual mais vasto. Segundo Wahler, só uma concepção multiforme e articulada da noção de “programa expositivo” se pode adequar ao universo variável e em constante mutação da arte contemporânea. A inauguração do evento, que incluiu um ballet de motas miniatura e um surpreendente concurso de escultura com serra eléctrica, veio confirmar as expectativas.


A exposição colectiva “Cinq milliards d’années”, incluindo mais de duas dezenas de artistas, do eterno pioneiro Marcel Duchamp ao italiano Gianni Motti, constitui o principal manifesto das ideias do comissário. O ponto de partida é simples: se há cerca de cinco biliões de anos o universo conheceu um movimento inesperado de aceleração e crescimento, o mesmo se passa hoje com o universo da arte contemporânea. Como cartografar então esse território inconstante e sem fronteiras precisas? A exposição reúne obras muito distintas, desde as peças minimalistas de François Morellet (recordando o trabalho de Dan Flavin, cuja retrospectiva decorre apenas a alguns passos) às esculturas hiper-realistas e profundamente irónicas de Tony Matelli, passando por instalações vídeo (Gianni Motti, Joachim Koester) e intervenções no espaço da galeria (como os dois muros “futuristas”, convexos e cobertos de lâmpadas, do duo suíço Sabina Lang e Daniel Baumann). O fio condutor da exposição – globalmente equilibrada e menos sensacional do que se poderia esperar – parece ser a ideia de “passagem”: física, entre os muros da galeria, atravessados por uma gigantesca escultura em aço inoxidável (Vincent Lamouroux); e simbólica, entre as esferas artística e pública, ou mesmo científica (veja-se o vídeo de Gianni Motti, caminhando ao longo do acelerador de partículas do CERN, acção duplamente “experimental”) ou religiosa (a Vespa coberta de velas de Mark Handforth transforma-se numa espécie de relíquia vinda de um mundo paralelo). Passagens, pois, ou melhor ainda, mutações, numa época marcada pelos “intervalos” e os “entre” (“entre as imagens”, “entre as esferas de acção”, etc.), numa época, sobretudo, em que as fronteiras se dissipam e tudo se transforma em fluxo(s).


Por seu lado, a excelente exposição “Une seconde une année” desenvolve a ideia de instabilidade de uma forma radicalmente diferente. Ao incluir apenas peças activadas de forma aleatória, é a própria exposição que se encontra em constante mutação, ou “oscilação”, para utilizar um termo caro a Wahler. Entre outras peças, destaque-se, por exemplo, a “Lampada annuale” (1966) de Alighiero e Boetti, uma lâmpada que se acende somente uma vez por ano (e que se não se acender durante o tempo da exposição, permanecerá, “como um parasita”, no espaço da galeria); ou ainda a belíssima instalação vídeo “Fall” (1997-2006) de Graham Gussin (em função de um programa de computador, vemos uma enorme pedra cair num plácido lago, onde só a agitação ligeira das águas nos indica que se trata de uma imagem em movimento). Esta secção é claramente aquela que, devido à singularidade e dimensão poética das obras escolhidas, coloca o maior número de questões ao espectador. Questões desde logo relacionadas com a visibilidade e experiência das próprias peças e, logo, do objecto artístico contemporâneo. Se algumas delas se activam apenas uma vez por dia (ou mesmo uma vez por ano) que fazer? Como lidar com um objecto que voluntariamente nos escapa, inclusive nas suas condições de recepção e experiência? Que postura espectatorial e crítica assumir?


Duas outras exposições, desta feita individuais, acompanham neste momento o programa “Cinq milliards d’années”. Renaud Auguste-Dormeuil expõe a série fotográfica “The Day Before_ Star System”, uma reconstituição dos mapas estelares observados em diferentes cidades (Guernica, Londres, Bagdad, etc.) na noite anterior a serem bombardeadas. As fotografias de Auguste-Dormeuil constituem um estranho e melancólico inventário de eventos históricos cuja dimensão e horror desafiam a representação. Por seu lado, a lituana Zilvinas Kempinas criou para a sua primeira exposição em França uma instalação, “O” (2004). Uma exposição do artista dinamarquês Joachim Koester será inaugurada no próximo dia 2 de Novembro.


O ano anuncia-se assim movimentado – e espectacular – no Palais de Tokyo. A mudança de director coincide não só com uma alteração da política de programação, mas também com uma mudança de postura face ao universo artístico contemporâneo. À concepção mais categórica e “estetizante” dos anteriores responsáveis, Nicolas Bourriaud e Jérômes Sans (Bourriaud é o autor e principal teórico da famosa “estética relacional”), Wahler contrapõe uma abordagem mais aberta e dinâmica, ainda que igualmente clara: o único motor da arte é o seu “quociente esquizofrénico”. A seguir, pois, com atenção.


Teresa Castro
Historiadora de Arte