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Lee, Sookyung. Exposição “Buscando la raíz: historias coreanas al desnudo” na sala Alcalá 31

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Independentemente da posição de cada um face às feiras de arte, das análises que se possam fazer em relação ao cenário de vida social que propiciam, do interesse cultural destas iniciativas dirigidas ao consumo de artigos de luxo, a ARCO continua a ser um espaço de referência do meio artístico e do mercado de arte. Este ano realizou-se até com um renovado optimismo, motivado pela nova direcção de Lourdes Fernández, que delineou um novo horizonte de crescimento do certame, com a afirmação da vertente profissional e da lógica de mercado, tendo em consideração os dados mais actuais da globalização e da concorrência neste sector, com o aparecimento de novas feiras, ou o desenvolvimento de outros espaços de mercado, caso das leiloeiras, das páginas da Internet ou das galerias virtuais que facilitam informação, bem como a gestão e a aquisição de obras artísticas.


Sem grandes detalhes ou aturados exercícios de compilação de dados estatísticos sobre as representações e as participações de galerias, quero destacar brevemente as novidades essenciais desta edição – a participação de 259 galerias, cerca de 50 novas galerias, 30 países representados, sendo a República da Coreia o país convidado desta edição – para de seguida salientar o que mais me chamou a atenção.


Se é certo que a Coreia do Sul foi o país convidado, tendo reunido 15 galerias no certame com a oferta de um panorama considerável sobre a arte do país, não restam dúvidas sobre quem foi a estrela desta celebração_ Damien Hirst, que exerceu grande atracção a nível mediático e um considerável impacte no público visitante, com a sua apresentação no stand da galeria Hilario Galguera do México. Um espaço que lhe foi inteiramente dedicado e onde se mostravam exemplares das suas cabeças de vaca em formol e o monumental modelo anatómico, que em qualquer situação garantiriam o efeito espectacular na audiência. Assim foi.
Muito impacte no público e nos media teve a obra “Black Heart” de Joana Vasconcelos, instalação escultórica e sonora de grande escala realizada com talheres de plástico, a qual foi apresentada na Galeria Mario Mauroner Contemporary Art da Aústria.


Em relação a outras participações de galerias foram paragens obrigatórias a Galería Toni Tàpies, a Helga de Alvear e ainda outra galeria espanhola, a Espacio Mínimo, que apresentava fotografia de Yeondoo Jung, considerado um dos artistas de referência da Coreia, que tem retratado estilos de vida familiares coreanos e asiáticos. Relacionada com a presença da arte asiática na feira foi patente o crescente peso da arte chinesa em galerias internacionais e no mercado da arte. A Galeria Lothar Albrecht, com instalações em Frankfurt e Beijing, mostrava obras de Ma Jun, diversas peças da “New China Series” como “Televisor”, “Coca Cola Bottles” ou “Coca Cola Cans” em porcelana, que nos dão conta das mudanças sociopolíticas e culturais que se estão a produzir na China contemporânea.


De entre a secção de “Proyectos” deste ARCO 07, dedicados à arte emergente, cabe destacar as propostas apresentadas pela galeria Filomena Soares, com uma intervenção de Costa Vece; da galeria Prometeo, de Milão, que mostrava “Plomo. Clases para aprender a disparar” de Regina José Galindo; e de Michael Cosar, que apresentava a instalação “The Klu Klux Klan Monument” de Werner Reiterer.


E como vem sendo habitual nestes grandes acontecimentos do meio artístico, ao longo dos dias de realização da ARCO ouviram-se muitas opiniões sobre quais seriam as tendências do mercado da arte verificadas nesta 26ª edição, e também sobre quais as linhas de produção artística que obtiveram maior visibilidade na feira, considerando a selecção trazida pelo conjunto de galerias representadas. Sem dúvida, a pintura esteve bastante representada nos stands, mas foi sobretudo a fotografia que teve um bom ano nesta edição da ARCO. O seu protagonismo foi inquestionável e verificou-se tanto no panorama da fotografia apresentada, que cobriu uma ampla selecção de obras, desde um grande número de vintages e de produções mais contemporâneas, maioritariamente de grande formato, de diferentes artistas com percursos consolidados ou emergentes, como na extrema qualidade de um grupo considerável de galerias que tem a sua actividade centrada na difusão e comercialização da fotografia. Caso da Galeria Johannes Faber de Viena; da Thomas Zander de Colónia; da Galeria Michael Hopper de Londres; da Ernst Hilger; Joan Prats; Oliva Arauna; da Johnen + Schöttle; ou a Laurence Miller de Nova Iorque.


A galeria La Fábrica assumiu-se como um dos espaços de referência não só do panorama da fotografia na feira, mas da própria ARCO 07. A par de Nobuyoshi Araki, Juan López, Matt Siber, Félix Curto e Antoni Muntadas, a galeria madrilena apresentou obras de extrema qualidade: os últimos trabalhos de Marina Abramovic, em fotografia e vídeo, e o notável vídeo de Chen Chieh-jen “The Route”, de Taiwan, em que se procede com sofisticação e subtileza poética à recriação de um conflito político, um episódio grevista ocorrido no período de governação de Margaret Thatcher.


Para além de “The Route”, e não obstante a reduzida representação nesta edição de obras realizadas em suporte vídeo, não posso deixar de mencionar uma das peças mais interessantes da feira, “Future” de Jordi Colomer, artista catalão que projectou a sua obra num pequeno espaço da galeria Carles Taché – também estava representado na galeria Juana de Aizpuru – que podia passar despercebido, mas que tinha o poder de contrastar com as apresentações mais monótonas e convencionais da maior parte dos stands.


Em relação ao espaço Black Box dedicado a projectos de arte audiovisual e electrónica, destaco as contribuições de Victor Burgin na Galeria Thomas Zander; de Christoph Girardet e Mathias Muller na Distrito Cu4tro; e de Jordan Wolfson na galeria T293 de Nápoles. Uma intervenção curiosa, que no espaço vazio apresentava uma folha que nos informava sobre esta instalação sonora simples e de efeito: no exterior do pavilhão da Ifema havia altifalantes que faziam ecoar o som dos corvos para atrair outros pássaros ao edifício.


De resto, com excepção desta representação, foi notória a ausência da videocriação no programa oficial desta feira, o que não deixa de ser paradoxal quando é grande a produção e a circulação de obras vídeo no meio artístico. Aliás, do programa “Coreia Ahora” fazia parte a exposição “Nam June Paik y Corea: de lo fantástico a lo hiperreal”, uma homenagem retrospectiva ao artista, um dos pioneiros da videoarte, que na Fundación Telefónica reunia obras como “Zen TV”, “TV Buddha” e outras, cuja concepção, devedora da espiritualidade e filosofia orientais, testemunhavam a influência da Coreia, seu país de origem, na sua obra.


Do programa galerístico de “Corea Ahora” cabe destacar a Kukje Gallery com sede em Seul, que apresentou a série de obras de Lee Sookyung - intitulada “Jarrones Transformados” (2006) e realizada com fragmentos e restos de peças de cerâmica de um mestre ceramista que fabrica ao estilo da dinastia Chosun –, artista que esteve igualmente representado num dos projectos paralelos dedicados à cultura artística coreana: a exposição “Buscando la raíz: historias coreanas al desnudo” que reuniu dez artistas coreanos na sala de exposições Alcalá 31 da Comunidade de Madrid.


Esta mostra surgiu como ampliação do tema e do conceito da VI Bienal de Gwangju 2006: “Fever Variations”, comissariada pelo seu director artístico, Kim Hong-hee, com a apresentação do estado actual da arte coreana através da presença de dez artistas. Muitos deles reinterpretam os valores da cultura artística do seu país, caso de Choi Jung Hwa, que mostra “Paraíso Plástico” (2007) uma grande instalação de cestos de plástico; e as intervenções de Lee Jong Sang, de Son Bong Chae, e de Whang In-kie, três artistas que utilizam o paisagismo tradicional e os efeitos da pintura oriental (tonalidades, sombreados e perspectivas aéreas) para recontextualizar a tradição desta cultura artística e produzir na sua obra uma aliança entre o passado e a modernidade, num contexto contemporâneo marcado por novas referências e identidades locais e globais.


Sandra Vieira Jürgens