PERSPECTIVA ACTUAL


Oliver Mosset e John Armleder


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Oliver Mosset


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John Armleder


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A programação de Anthony Huberman, comissário recém-chegado ao Museu de Arte Contemporânea de Saint Louis, no Missouri, começa por mostrar uma relação histórica - a de Oliver Mosset e John Armleder.

Huberman foi comissário no Palais de Tokyo em Paris e, anteriormente, no P.S.1 e no Sculpture Center em Queens. A programação inicial para St. Louis propõe a apresentação de algumas exposições a dois – relação artística assente em diferentes formas de colaboração.

Quando cheguei ao Museu de Arte Contemporânea, para a inauguração de Mosset e Armleder, tive a agradável surpresa de encontrar um espaço moderno e vibrante, contíguo ao edifício da Pulitzer Foundation for the Arts (desenhado por Tadao Ando e também surpreendente). Até 4 de Outubro, The Pulitzer Foundation for the Arts mostra “Dan Flavin: Constructed Light”, uma antologia em dois volumes do artista da iluminação fluorescente. A Fundação Pulitzer cedeu o terreno e financia o Museu de Arte Contemporânea. Uma escultura monumental de Richard Serra habita o jardim zen e modernista, entre os dois espaços. A inauguração no museu da exposição comissariada por Anthony Hubermann levou a St. Louis artistas, galeristas e comissários nova-iorquinos. Para além da exposição dos trabalhos de Mosset e Armleder, a inauguração contou com uma performance de Ei Arakawa, no Front Room – pequeno espaço à entrada do museu que, durante o tempo da exposição principal, apresentará artistas que confrontam ideias e pontos de vista. Paralelismo e sobreposição são as palavras-chave duma concepção ideal, que Huberman começa a desvendar no seu programa, inevitavelmente em torno de ideias como colaboração e participação.

Mosset e Armleder são um bom exemplo de paralelismo e divergência, colaboração e individualidade. Ambos desenvolveram carreiras e modos de produção bastante diversos, com percursos que se cruzaram em vários momentos durante mais de vinte anos. Por um lado, a amizade e admiração mútuas, por outro os anos iniciais onde colaboraram por razões iguais ou distintas.

A escolha das peças foi definida por ambos. Mosset apresenta sobretudo peças históricas, Armleder apresenta obras mais recentes. As esculturas e pinturas de Mosset têm um carácter político essencial. As pinturas e instalações de Armleder mostram um fascínio pop e estético pelo banal. A sua conceptualização da arte é objectual. Ambos usam a abstracção como um romantismo social divergente e provocador (no seu vazio omnipresente), em modos diferentes: Mosset usa-a o menos possível, Armleder o mais possível (uma das suas frases é: “demasiado não é suficiente”).

John Armleder, suíço a viver na Suíça, invade as áreas da decoração e do design. O trabalho de Oliver Mosset, suíço a viver no Arizona, é mais convencional, limitado pelos materiais característicos da pintura ou da escultura. A forma como ambos instalam os seus trabalhos é de uma leveza entre o humor e a provocação - na sala onde estão instaladas as esculturas em cartão de Mosset, repetitivas e compactas, cuja forma foi copiada dos anti-tanques de betão deixados pelo exército suíço, as pinturas na parede mal se conseguem ver. As esculturas são literalmente obstáculos. Como dizia Ad Reinhardt, “a escultura é aquilo em que tropeçamos quando nos afastamos para tentar observar uma pintura”. Assim, a série de pinturas de zeros de Mosset fica barricada. Os “zeros”, repetidos durante várias décadas e agora resgatados aos diferentes donos, todos iguais, não fossem as diferentes alterações que o passar dos anos operou na tinta branca e as ligeiríssimas diferenças de formato, fazem a passagem de uma a outra sala. Nesta, as pinturas “polka” de Mosset estão diante de um amontoado de árvores de natal artificiais, instaladas a um canto. As paredes com as pinturas foram forradas por Armleder com listas de diferentes papéis de parede, brilhantes e espelhados. Na terceira galeria, virada para o jardim, Armleder pintou a parede principal de cor-de-laranja com um padrão de círculos prateados e colocou sobre ela sete pinturas recentes, onde escorrem purpurinas – entre o mau gosto e o deslumbrante.

É interessante perceber, como disseram na conferência os dois artistas e o comissário, que Armleder e Mosset, através de um formalismo pop ou minimal, insistem em tentar subverter as velhas normas do mercado e as tendências da arte. Há uma resistência activa no trabalho constitutivo de ambos, sempre explicada historicamente. Mosset mostra de menos, Armleder mostra demais. Mosset produz actualmente obras monocromáticas e minimais, já ensaiadas nos sinais gráficos vazios e vagos e no conceito de morte da pintura, que o obriga a trabalhar fora dos campos consensuais e da busca do novo.

A primeira mostra no Front Room foi de Ei Arakawa, artista de origem japonesa que vive em Nova Iorque, e para quem a performance é o meio de eleição. Inclui dança, música, pintura e muito mais. As performances de Ei são sempre inesperadas, interpelam o público e diversos sectores culturais. Em St. Louis vimo-lo produzir e pendurar nas paredes pinturas em papel craft, enquanto conversava com os amigos e pedia opiniões sobre a disposição, através de um megafone, enquanto ia espalhando objectos de artistas nova-iorquinos pelo chão da sala. O efeito fechado das suas performances, o inesperado, calculado e blasé das acções, associam-se aos objectos inventados que, apesar de efémeros, ganham uma presença extraordinária.
O trabalho destes três artistas - o minimal, o belo e a crítica de mercado - tem perspectivas diferentes. Elas raiam a marginalidade e são mentalmente estimulantes porque não chegam a ser marginais e jogam nessa fronteira o poder da arte.


Ana Cardoso


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www.pulitzerarts.org
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