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A EXPRESSÃO UMBIGUISTA



ZARA SOARES

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No dicionário e no seu sentido figurado, umbigo significa ponto central. Assim, e num sentido apenas figurado já que a palavra propriamente dita não existe, umbiguista é: aquele que toma a vida pelos acontecimentos do próprio umbigo; diferente do egoísta, que só pensa em si, e do egocêntrico, que acha que o mundo gira ao seu redor, o umbiguista crê que as verdades individuais da sua vida se aplicam ao universo.

Esta pequena introdução começa este artigo apenas porque foi uma das muitas impressões deixadas em mim pelas conferências de Augusto M. Seabra sobre História e Teoria da Crítica, na Culturgest. Augusto M. Seabra, ele também um crítico de renome mas um crítico profundo da crítica.

A contextualização histórica da crítica não me parece ser, desta vez, muito relevante. Século XVII, o Iluminismo, o aparecimento e consolidação da imprensa, os Salons, Corneille, o começo do conceito de público, Descartes, Kant, Étienne La Font de Saint-Yenne (um dos fundadores da crítica de arte), Erich Auerbach (critico literário de relevância), o jornal Mercure galant, os jornais The Spectator e o ainda ativo Guardian, o Romantismo, Baudelaire, Lessing, Bourdieu ou Charles Augustin Sainte-Beuve (um dos mais importantes críticos literários) são uma forma muitíssimo resumida de contextualizar historicamente o início da crítica. Que na sua essência, existe porque somos seres racionais e com a capacidade de escrita.

O que me parece ser bastante mais relevante é o significado de crítica a que me proponho neste texto: a reflexão, apreciação e discurso sobre objetos de arte. E a reflexão, apreciação e discurso sobre esta crítica.


História e Teoria da Crítica, por Augusto M. Seabra

Foi através de quatro conferências ao longo do mês de novembro, na Culturgest, que Augusto M. Seabra voltou a alertar para a situação da crítica de arte atual – internacional também mas principalmente focando-se no contexto português. O colunista e crítico tem vindo a alertar ao longo dos anos (ver os artigos publicados em 2006 com o título “A crítica” ainda existe?), para as vicissitudes do panorama contemporâneo desta que não é só uma profissão – um crítico só deve discursar sobre um objeto pelo qual nutre sentimentos de paixão, seja de amor ou de ódio. Tanto assim o é que a própria função da crítica é a de suscitar nos leitores o desejo, afirma Seabra.

Em 1966, Susan Sontag afirmava no seu ensaio Contra a Interpretação: “A transparência é o mais alto, mais libertador valor na arte – e na crítica (...). A função da crítica deve ser mostrar como é o que é, até que é o que é, em vez de mostrar o que significa. A melhor crítica, e é pouco comum, (...) dissolve considerações de conteúdo em considerações de forma”. O crítico não é assim apenas um enunciador de gosto, como acontece com as críticas através de estrelas ou pontos – às quais Augusto M. Seabra se opõe. A crítica é um discurso necessariamente; a base da reflexão é a forma como se apreende fisicamente uma obra e depois se interpreta e enuncia o discurso que se fez da obra. O que acontece então atualmente que o sociólogo tanto critica – com um discurso fundamentado nos seus gostos e desgostos, que o próprio faz questão de não esconder?

Nos seus artigos “A crítica” ainda existe?, Seabra aponta as seguintes razões: “1) uma marginalização informativa do espaço da cultura, 2) uma informação tantas vezes apressada e pouco trabalhada, que transmite com escasso tratamento os diversos discursos “oficiais” e 3), como corolário, uma secundarização da crítica, desde logo pouco considerada nos orçamentos, favorecendo agendamentos de diversas proximidades imediatas. Acontece que o último e delicado ponto orçamental, conjugado com a autêntica lei da precedência jornalística, pois nisso está erigida, produz uma situação assaz gravosa: em grande parte as “críticas” estão atribuídas a jornalistas”.

Apesar da crítica ter surgido com o aparecimento e consolidação da imprensa, é também a crise da imprensa atual que a está a modificar. Os jornais são hoje espaços onde a crítica foi aniquilada (com exceções, sendo uma delas o jornal New York Times), tendo esta transposto para a internet – criando uma deslegitimação da mesma porque qualquer cidadão pode emitir a sua opinião. Com o avanço das indústrias culturais, a crítica deixa de ser cada vez mais mediação para passar a ser intermediária do seu processo mercantil, perdendo o seu valor como espaço de reflexão livre de condicionamentos.

Outra das razões que o programador também aponta para esta crise é o “colapso das lógicas das vanguardas e dos modernismos” que levou a um caos conceptual nos diferentes campos artísticos. Assim, triunfa uma “estética do efémero e do paradoxo” e cria-se “uma confusão de estatutos perigosa” em que o comissário se torna artista e a quantidade de categorias/subcategorias (qual lista de supermercado) utilizadas na crítica se torna excessiva. O teoricismo nos campos nos quais a arte está encerrada dita o seu fim – “o fim da arte coloca-se na teoria artística”.

A crítica está portanto em crise profunda, sendo que a sua função primária está a perder “terreno” para a evolução atual das formas de comunicar contemporâneas. Se há soluções, Augusto M. Seabra não as explora – classificando mesmo esta situação como possivelmente irreversível e colocando a questão “A crítica ainda existe?”.


“Em qualquer caso, em matérias que mais ou menos conheço ou não, espero de uma crítica que ela me forneça possibilidades de entendimento e, em última análise, contributos para a formulação de uma opinião própria”, esclarece Augusto M. Seabra


Zara Soares