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Serpentine Gallery Pavillion. Foto: John Offenbach


Serpentine Gallery Pavillion. Foto: John Offenbach


Serpentine Gallery Pavillion. Foto: John Offenbach


Maison Tropicale na Tate Modern. Foto: The New York Times


Maison Tropicale na Tate Modern. Foto: Reuters Pictures


Maison Tropicale vista da Tate Modern. Foto: Flickr


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Observatory, Air-Port-City na Hayward Gallery


Observatory, Air-Port-City na Hayward Gallery

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TEMPORADA DE PAVILHÕES: LONDRES, VERÃO 2008



INÊS MOREIRA

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Diversos pavilhões foram montados na cidade de Londres desde o inicio de 2008. Temporários ou itinerantes, concebidos por arquitectos, artistas e designers, apresentados isoladamente no espaço público, ou montados como peças em exposição, ou ainda como encomenda programática, os pavilhões de Londres são estruturas espectaculares expostas e visitáveis que oferecem uma experiência espacial de “vanguarda”. É pois oportuno elencar e pensar este itinerário. Destacam-se o Serpentine Gallery Pavillion, uma peça desconstrutivista de Frank Gehry; a exibição da casa pré-fabricada modernista Maison Tropicale, de Jean Prouvé na Tate Modern; e o pavilhão lúdico-utópico Observatory, Air-Port-City, uma re-interpretação das arquitecturas visionárias dos anos 60 pelo artista Tomas Saraceno, montado na Hayward Gallery na exposição Psycho Buildings.


E o que é um pavilhão? Usualmente com dimensões físicas reduzidas e tempo de utilização curto, projectam uma outra dimensão temporal e experiencial, o pavilhão é um espaço-tempo de excepção, uma fuga da realidade, uma para-arquitectura. Os pavilhões condensam no tempo a concepção, a construção e a duração da sua visita e existência. Proporcionam experiências físicas e sensoriais intensas aos visitantes: seja visual, acústica, térmica ou climatérica, existindo uma atmosfera de intimidade e de descoberta na visita a um pavilhão. Usualmente peças únicas, com linguagem autoral, não têm programas complexos e desenvolvem temas como a protecção interior, a luz/sombra, a relação com o ar livre, o percurso de ligação ao exterior, explorando a experiência da visita e a fisicalidade do visitante. A sua particularidade lúdica e semi-pública difere de outras pequenas construções, como a cabana de abrigo ou o módulo residencial replicável. A questão sensorial e simbólica é extremada, e a responsabilidade social de um pavilhão muito reduzida. Podem ser pavilhões de jardim, pavilhões de chá, pavilhões de exposição ou de feira, descomprometidos e vocacionados para a dimensão lúdica ora explorados como “laboratório de experimentação” espacial ou de soluções técnicas; ora são ensaios simbólicos, ora são ainda oportunidade de início de carreira ou reconstruídos como memorial de consagração da própria obra, como no caso do pavilhão de Barcelona de Mies van der Rohe, ou ainda um reaparecimento celebratório, como o Cabanon de Le Corbusier reproduzido pela Cassina.

Os pavilhões que se sucedem, em Londres, com proveniências distintas, foram apresentados seguindo a tradição francesa das “folie” e das “maisons de plaisance”, construções de veraneio construídas nos séc. XVII a XIX pela burguesia para diversos encontros e prazeres nos jardins, como entretenimento, com algum exotismo e discrição.


O novo: pavilhão de Verão

A cidade semi-esvaziada de actividades, dá lugar às massas de turistas que chegam e consomem a programação de actividades que museus e galerias preparam para um público flutuante e pouco especializado. Uma das pequenas excepções de programação de eventos ocorre na Serpentine Gallery: a inauguração mais aguardada do Verão, o novo pavilhão da Serpentine Gallery criado por Frank Gehry com Arup no programa de encomendas a arquitectos iniciada em 2000.

O mais famoso pavilhão de Londres celebra o Verão no exterior, na tradição de parques e jardins públicos, aproveitando o período de tempo em que o sol brilha e as noites são amenas. O pavilhão da Serpentine é sempre mais que um pequeno edifício: incorpora a expectativa da sua selecção e construção, e estende-se pelo programa de eventos nocturnos que alberga.

A encomenda deste pavilhão é breve: o pavilhão é uma encomenda-consagração, um reconhecimento pela carreira de uma estrela internacional da arquitectura que até à data do convite não tenha construído no Reino Unido. É concedida a oportunidade de construir com grande visibilidade e meios cada vez maiores, um pequeno pavilhão temporário usufruindo da centralidade dos Kensigton Gardens. O programa é também simples: sombra, estadia, cafetaria e fruição do parque durante o dia; palco de eventos durante a noite. O pavilhão é um espaço público aberto e gratuito durante o dia, as suas noites são programadas por Hans Ulrich Obrist, num ciclo de eventos denominado Park Nights, culminando numa maratona em Outubro. É um pavilhão-evento.

Em 2008, o primeiro projecto de Frank Gehry em Inglaterra oferece uma sombra e duas bancadas laterais para repouso. A sombra é criada por uma topografia de vidros gravados, suspensos por estruturas metálicas em quatro pilares de madeira gigantes (1x1m de base), que se entrecruzam num sistema de vigas cobrindo as bancadas. No centro um amplo corredor deixa uma praça para eventos nocturnos.

A linguagem do pavilhão é indubitavelmente Gehry compondo com matérias naturais: uma complexa amálgama de vidro, madeira e sub-estruturas de metal fazem elevar e suspender a cobertura sobre o solo. Não existem formas sensuais, curvas ou concavidades, apenas planos secos e quebrados, com metais espetados conformando os planos interceptados. O conjunto assemelha-se a uma obra por terminar, e as representações da obra performam o edifício. A expressividade e a escala do pavilhão sobrepõem-se à galeria-mãe tomando todo o protagonismo. A exuberância das formas e o volume dos materiais empregues é desmedido relativamente ao espaço útil que oferece, assemelhando-se a uma grande montanha de materiais empilhados no parque. Gehry refere no desenho das estruturas de madeira dos seus pilares a influência formal dos desenhos da estrutura de uma catapulta de Leonardo da Vinci. Para a cobertura, cita um bando de borboletas. Contudo, parece ter sido o potencial destruidor dos mecanismos da catapulta que se plasmou na cobertura. É o maior, o mais caro e o mais hostil dos nove pavilhões. Mas à noite, quando o parque escurece, o interior do pavilhão ilumina-se criando uma atmosfera íntima, através da forma da cobertura, dos ângulos com as bancadas e da iluminação quente que reflecte o tom da madeira, fazendo por momentos esquecer a exibição técnica e todo o excesso que suportam aquele pequeno espaço.

No evento “Park Nights: Pavilions & Practices”, na noite de 25 de Julho, Sou Fujimoto um jovem arquitecto japonês que apresentava o seu portfolio comentou os aspectos logísticos e ecológicos do pavilhão de Gehry: “with the wood of this Gehry pavillion I would build 20 of my pavillions!”. A simples quantificação do esforço é uma aproximação interessante a este pavilhão: valerá a pena? Não é esta “folie” um impúdico espectáculo de consagração da autoria e da cultura material e tecnológica? A vida temporária do pavilhão está a ser discutida. O mesmo coleccionador que adquiriu os pavilhões de Oscar Niemeyer (2003), Álvaro Siza, Eduardo Souto de Moura e Cecil Balmond (2004), Rem Koolhaas e Cecil Balmond (2006), Olafur Eliasson e Kjetil Thorsen (2007) considera adquirir também o de Gehry e remontar todo o conjunto nos Kensington Gardens, como um parque de folies.


Retro: de casa a pavilhão

Admirável, hiper-perfeita e dolorosamente espectacular, a famosa Maison Tropicale de Jean Prouvé, uma das três casas construídas como protótipo para produção massiva e exportação para África, esteve montada na esplanada da Tate Modern entre 5 Fevereiro e 13 Abril 2008. Este ícone do design construído em França nos anos 50, num sistema modular de alumínio optimizado para o transporte para as colónias francesas, não teve a produção em massa prevista, a sua linguagem não agradou aos colonos. Recentemente, a Maison foi adquirida no Congo, restaurada em França e tornada em objecto de culto - a casa foi vendida num leilão da Christie\' s por 4.97 milhões de dólares à companhia americana Andre Balazs.

Sublinhando a modularidade e a reprodutibilidade, a casa está a itinerar como um pavilhão desmontável, pelas principais cidades Ocidentais: Londres, Nova Iorque, existindo um outro exemplar no Centro Georges Pompidou, Paris. A casa é apresentada isolada como um extraordinário pavilhão metálico, sobre os pilotis, acima de um podium bordeado por um tapete de relva com cercadura, numa extensão da exposição Jean Prouvé – The Poetics of the Technical Object do Design Museum. Celebra à escala 1:1 e a adaptabilidade a diferentes locais.

A apresentação da Casa Tropical no final do Inverno Londrino atenuou drasticamente a sua relação com o exterior, a sua dimensão temporal com a luz e o calor, e a importância que os factores climatéricos tiveram no desenho de um sistema de refrigeração e circulação de ar quente. A humidade e o nevoeiro do inverno de Londres subtraem também a importância das varandas coloniais e o sentido do descolamento do chão. A casa surge como um magnífico objecto de design retro.

Há uma total despolitização da casa e apagamento do seu papel como instrumento burocrático para a colonização do Congo. O período entre a concepção nos anos 50 e a actualidade está apagado. A apresentação como pavilhão itinerante e a exclusiva celebração das virtudes técnicas modulares modernistas implicam esquecer que esta mesma casa foi concebida e enviada da metrópole e montada no local como proposta para hospedar burocratas Franceses durante a colonização da África Ocidental. A pavilhonização desta casa, confirmada na montagem na Tate, apaga a história que a fez nascer: a história da colonização e descolonização de África.

Touchaleaume, o marchant que a comprou e restaurou, conta que quando no Congo a casa estava maracada pelas três guerras civis do Congo: “It was dented, torn, punctured, and full of bullet holes: There were three civil wars in 10 years in Congo”. Um requintado restauro resgatou-a da experiência africana e apagando a história dos últimos 50 anos, numa operação conduzida por um grupo de 10 pessoas, que durante um ano e meio o restauraram tal como um carro de coleccção dos anos 50 “a Rolls-Royce, Jaguar or Ferrari”. O pavilhão corporaliza um objecto de luxo, a objectificação da casa e a revogação da história da colonização e descolonização do Congo. Na sua divulgação, a montagem e desmontagem dos módulos, a movimentação das gruas e dos trabalhadores ocupa a atenção dos interessados. Continuando a circular, a Maison poderá regressar ao 3º Mundo, “The idea is it will eventually end up as the centerpiece of some sort of environmentally sound resort”, conta o seu proprietário, experimentando um novo continente, eventualmente um resort turístico a criar na América Central onde será maison de plaisance.


Neo: maison de plaisance visonária

Sobre a arquitectura brutalista da galeria Hayward destaca-se uma esfera geodésica iridescente estruturada em película plástica e insuflada de ar. Como se Buckminster Fuller ou Coop Himmelb(l)au aterrassem sobre o conjunto de betão do South Bank Centre. Observatory, Air-Port-City é uma estrutura de paredes tensionadas, criada pelo artista argentino Tomas Saraceno. Faz parte da exposição Psycho Buildings, comemorando os 40 anos da galeria Hayward.

Observatory, Air-Port-City é um pavilhão-bubble, uma materialização revivalista, formal e conceptualmente próxima do histórico OASIS Nr. 7 que o colectivo Haus Rucker and Co, formado em 1967, apresentou em 1972 na documenta 5 de Kassel: uma esfera translúcida acoplada a um edifício icónico, à qual se acede por uma estrutura de tubo e braçadeira dando acesso a uma membrana e a uma bubble interior. No actual pavilhão, a espacialidade total da esfera reúne dois níveis transparentes e totalmente interligados: no segundo nível, o pavimento é transparente provocando uma dupla sensação de flutuação e vertigem em queda para o vazio da esfera. No nível inferior, um pavimento espelhado reflecte o céu, o visitante vê-se a si, às nuvens e aos corpos flutuantes dos visitantes do segundo nível, que o sobrevoam. Esta peça tem uma forte componente lúdica, uma ideia de jogo que a aproxima do entretenimento, a sua experiência assemelha-se à aventura num grande insuflável na praia popular.

Saraceno explora em estruturas flutuantes, suspensas e tensionadas as mesmas ideias de anti-gravidade, de atmosfera individual e de construção fluida que nas décadas de 60 e 70 foram exploradas por artistas e arquitectos visionários, revisitando quase arqueologicamente as formas, as técnicas e a energia optimista desse período. O artista declara numa promessa retro-futurista a criação de um aeroporto onde os corpos flutuam próximos das nuvens, conquistando novo espaço para a sociedade (?). O pavilhão propõe a fuga para o espaço, a expansão da extensão da terra, a experiência individual do corpo, num requentamento das fugas visionárias, das experiências alucinogéneas ou do neo-futurismo expansionista dos programas lunares.

Há uma ambiguidade neste pavilhão sublinhada pela celebração dos 40 anos deste período histórico - 1968 a 2008. É esta peça uma atmosfera submersiva unicamente dirigida à experiência sensorial e à aventura física? É uma nova proposta visionária? É a enunciação das mesmas propostas visionárias, agora repropostas e ainda válidas 40 anos mais tarde? Ou uma excêntrica proposta utópica tornada maison de plaisance?


O que são estes pavilhões experimentados por milhares de visitantes? Uma rapsódia de consagração, celebração, entretenimento, aventura, cultura e política foi gerada na apresentação dos três pavilhões na Serpentine, na Tate Modern e na Hayward, resumindo o objecto, desligando as suas conexões e abafando as ressonâncias. Como relacionar objecto de design, pós-colonialismo, mercado de arte, engenharia de ponta, autoria heróica, utopia política e sensorial?

A ambiguidade faz questionar a profundidade da reflexão exigível a um pavilhão: são estes pavilhões propostas visionárias, exercícios sarcásticos sobre o capitalismo, a história, a política e a cultura material, ou entretenimentos com uma divertida ironia?



Inês Moreira
Doutoranda em Curatorial/knowledge no Goldsmiths College, Londres. Arquitecta (FAUP) e Mestre em Arquitectura e Cultura Urbana (UPC-Barcelona)



LINKS

www.serpentinegallery.org/2008/03/forthcoming_summer_2008serpent.html

www.serpentinegallery.org/2008/04/park_nights_at_the_serpentine.html

www.youtube.com/watch?v=ANuimkRfGiw

www.youtube.com/watch?v=w_UFh5wsszc&feature=related

www.guardian.co.uk/theguardian/2008/jul/19/5

www.tate.org.uk/modern/exhibitions/maisontropicale/default.shtm

www.lamaisontropicale.com/www/

www.designmuseum.org/exhibitions/2007/jeanprouve

www.bloomberg.com/apps/news?pid=newsarchive&sid=azynZdbj5jO4

www.youtube.com/watch?v=rpDGmKhcurU&feature=related

www.lamaisontropicale.com/www/images/pdf/MT_NYT_email.pdf

www.haywardgallery.org.uk/

www.ortnerundortner.com/hr_oa1e.html