Links

PERSPETIVA ATUAL


Richard Phillips, “Engelbert”, 1997. Óleo s/linho (276,5 x 200 cm). © Colecção Berardo, Lisboa.


Julian Schnabel, “Untitled (Boni Lux)”, 1993. Óleo e gesso s/veludo (304,8 x 304,8 cm). © Colecção Berardo, Lisboa.


Damien Deroubaix, “World Downfall”, 2007. Técnica mista s/papel (268 x 410 cm). © Colecção Berardo, Lisboa.


Julião Sarmento, “Patterns of a Nuclear Family Life”, 2002. Técnica mista s/tela (194 x 217 cm). © Colecção Isabel e Julião Sarmento, Estoril.


Paula Rego, "The Barn", 1994, Acrílico sobre tela (270x190 cm). © Colecção Berardo, Lisboa

Outros artigos:

2017-09-05


PAULA PINTO


2017-07-26


NATÁLIA VILARINHO


2017-07-17


ANA RITO


2017-07-11


PEDRO POUSADA


2017-06-30


PEDRO POUSADA


2017-05-31


CONSTANÇA BABO


2017-04-26


MARC LENOT


2017-03-28


ALEXANDRA BALONA


2017-02-10


CONSTANÇA BABO


2017-01-06


CONSTANÇA BABO


2016-12-13


CONSTANÇA BABO


2016-11-08


ADRIANO MIXINGE


2016-10-20


ALBERTO MORENO


2016-10-07


ALBERTO MORENO


2016-08-29


NATÁLIA VILARINHO


2016-06-28


VICTOR PINTO DA FONSECA


2016-05-25


DIOGO DA CRUZ


2016-04-16


NAMALIMBA COELHO


2016-03-17


FILIPE AFONSO


2016-02-15


ANA BARROSO


2016-01-08


TAL R EM CONVERSA COM FABRICE HERGOTT


2015-11-28


MARTA RODRIGUES


2015-10-17


ANA BARROSO


2015-09-17


ALBERTO MORENO


2015-07-21


JOANA BRAGA, JOANA PESTANA E INÊS VEIGA


2015-06-20


PATRÍCIA PRIOR


2015-05-19


JOÃO CARLOS DE ALMEIDA E SILVA


2015-04-13


Natália Vilarinho


2015-03-17


Liz Vahia


2015-02-09


Lara Torres


2015-01-07


JOSÉ RAPOSO


2014-12-09


Sara Castelo Branco


2014-11-11


Natália Vilarinho


2014-10-07


Clara Gomes


2014-08-21


Paula Pinto


2014-07-15


Juliana de Moraes Monteiro


2014-06-13


Catarina Cabral


2014-05-14


Alexandra Balona


2014-04-17


Ana Barroso


2014-03-18


Filipa Coimbra


2014-01-30


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2013-12-09


SOFIA NUNES


2013-10-18


ISADORA H. PITELLA


2013-09-24


SANDRA VIEIRA JÜRGENS


2013-08-12


ISADORA H. PITELLA


2013-06-27


SOFIA NUNES


2013-06-04


MARIA JOÃO GUERREIRO


2013-05-13


ROSANA SANCIN


2013-04-02


MILENA FÉRNANDEZ


2013-03-12


FERNANDO BRUNO


2013-02-09


ARTECAPITAL


2013-01-02


ZARA SOARES


2012-12-10


ISABEL NOGUEIRA


2012-11-05


ANA SENA


2012-10-08


ZARA SOARES


2012-09-21


ZARA SOARES


2012-09-10


JOÃO LAIA


2012-08-31


ARTECAPITAL


2012-08-24


ARTECAPITAL


2012-08-06


JOÃO LAIA


2012-07-16


ROSANA SANCIN


2012-06-25


VIRGINIA TORRENTE


2012-06-14


A ART BASEL


2012-06-05


dOCUMENTA (13)


2012-04-26


PATRÍCIA ROSAS


2012-03-18


SABRINA MOURA


2012-02-02


ROSANA SANCIN


2012-01-02


PATRÍCIA TRINDADE


2011-11-02


PATRÍCIA ROSAS


2011-10-18


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-09-23


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-07-28


PATRÍCIA ROSAS


2011-06-21


SÍLVIA GUERRA


2011-05-02


CARLOS ALCOBIA


2011-04-13


SÓNIA BORGES


2011-03-21


ARTECAPITAL


2011-03-16


ARTECAPITAL


2011-02-18


MANUEL BORJA-VILLEL


2011-02-01


ARTECAPITAL


2011-01-12


ATLAS - COMO LEVAR O MUNDO ÀS COSTAS?


2010-12-21


BRUNO LEITÃO


2010-11-29


SÍLVIA GUERRA


2010-10-26


SÍLVIA GUERRA


2010-09-30


ANDRÉ NOGUEIRA


2010-09-22


EL CULTURAL


2010-07-28


ROSANA SANCIN


2010-06-20


ART 41 BASEL


2010-05-11


ROSANA SANCIN


2010-04-15


FABIO CYPRIANO - Folha de S.Paulo


2010-03-19


ALEXANDRA BELEZA MOREIRA


2010-03-01


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-02-17


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-01-26


SUSANA MOUZINHO


2009-12-16


ROSANA SANCIN


2009-11-10


PEDRO NEVES MARQUES


2009-10-20


SÍLVIA GUERRA


2009-10-05


PEDRO NEVES MARQUES


2009-09-21


MARTA MESTRE


2009-09-13


LUÍSA SANTOS


2009-08-22


TERESA CASTRO


2009-07-24


PEDRO DOS REIS


2009-06-15


SÍLVIA GUERRA


2009-06-11


SANDRA LOURENÇO


2009-06-10


SÍLVIA GUERRA


2009-05-28


LUÍSA SANTOS


2009-05-04


SÍLVIA GUERRA


2009-04-13


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2009-03-23


PEDRO DOS REIS


2009-03-03


EMANUEL CAMEIRA


2009-02-13


SÍLVIA GUERRA


2009-01-26


ANA CARDOSO


2009-01-13


ISABEL NOGUEIRA


2008-12-16


MARTA LANÇA


2008-11-25


SÍLVIA GUERRA


2008-11-08


PEDRO DOS REIS


2008-11-01


ANA CARDOSO


2008-10-27


SÍLVIA GUERRA


2008-10-18


SÍLVIA GUERRA


2008-09-30


ARTECAPITAL


2008-09-15


ARTECAPITAL


2008-08-31


ARTECAPITAL


2008-08-11


INÊS MOREIRA


2008-07-25


ANA CARDOSO


2008-07-07


SANDRA LOURENÇO


2008-06-25


IVO MESQUITA


2008-06-09


SÍLVIA GUERRA


2008-06-05


SÍLVIA GUERRA


2008-05-14


FILIPA RAMOS


2008-05-04


PEDRO DOS REIS


2008-04-09


ANA CARDOSO


2008-04-03


ANA CARDOSO


2008-03-12


NUNO LOURENÇO


2008-02-25


ANA CARDOSO


2008-02-12


MIGUEL CAISSOTTI


2008-02-04


DANIELA LABRA


2008-01-07


SÍLVIA GUERRA


2007-12-17


ANA CARDOSO


2007-12-02


NUNO LOURENÇO


2007-11-18


ANA CARDOSO


2007-11-17


SÍLVIA GUERRA


2007-11-14


LÍGIA AFONSO


2007-11-08


SÍLVIA GUERRA


2007-11-02


AIDA CASTRO


2007-10-25


SÍLVIA GUERRA


2007-10-20


SÍLVIA GUERRA


2007-10-01


TERESA CASTRO


2007-09-20


LÍGIA AFONSO


2007-08-30


JOANA BÉRTHOLO


2007-08-21


LÍGIA AFONSO


2007-08-06


CRISTINA CAMPOS


2007-07-15


JOANA LUCAS


2007-07-02


ANTÓNIO PRETO


2007-06-21


ANA CARDOSO


2007-06-12


TERESA CASTRO


2007-06-06


ALICE GEIRINHAS / ISABEL RIBEIRO


2007-05-22


ANA CARDOSO


2007-05-12


AIDA CASTRO


2007-04-24


SÍLVIA GUERRA


2007-04-13


ANA CARDOSO


2007-03-26


INÊS MOREIRA


2007-03-07


ANA CARDOSO


2007-03-01


FILIPA RAMOS


2007-02-21


SANDRA VIEIRA JURGENS


2007-01-28


TERESA CASTRO


2007-01-16


SÍLVIA GUERRA


2006-12-15


CRISTINA CAMPOS


2006-12-07


ANA CARDOSO


2006-12-04


SÍLVIA GUERRA


2006-11-28


SÍLVIA GUERRA


2006-11-13


ARTECAPITAL


2006-11-07


ANA CARDOSO


2006-10-30


SÍLVIA GUERRA


2006-10-29


SÍLVIA GUERRA


2006-10-27


SÍLVIA GUERRA


2006-10-11


ANA CARDOSO


2006-09-25


TERESA CASTRO


2006-09-03


ANTÓNIO PRETO


2006-08-17


JOSÉ BÁRTOLO


2006-07-24


ANTÓNIO PRETO


2006-07-06


MIGUEL CAISSOTTI


2006-06-14


ALICE GEIRINHAS


2006-06-07


JOSÉ ROSEIRA


2006-05-24


INÊS MOREIRA


2006-05-10


AIDA E. DE CASTRO


2006-04-20


JORGE DIAS


2006-04-05


SANDRA VIEIRA JURGENS


share |

UM NOVO PERCURSO PELA COLECÇÃO BERARDO



ISABEL NOGUEIRA

2009-01-13




O Museu Colecção Berardo propõe-nos um novo percurso expositivo, sob responsabilidade de Eric Corne. Com um título provocatório e elucidativo, portanto, bem conseguido – “Não Te Posso Ver Nem Pintado” –, convida-nos a participar num trajecto da figuração na pintura dos últimos cinquenta anos. Vamos aceitar o desafio e reflectir precisamente sobre esta questão.

Por definição, o termo figurativo opõe-se ao conceito de abstracto, no que diz respeito à possibilidade de reconhecimento de figuras ou de objectos. Desde logo, o campo de acção nesta mostra está conceptualmente reportado aquele binómio.

Nos anos sessenta, a arte ocidental conheceu um intenso debate, inclusivamente no nosso país, em torno da abstracção e da figuração, mais concretamente, da nova figuração. Eduardo Lourenço publicava no suplemento “Cultura e Arte” do jornal O Comércio do Porto (Nov. 1962 - Mar. 1963) um ensaio intitulado “Pintura antipintura não pintura ou a nudez do rei” e, referindo-se à pintura moderna, observava que o seu fio condutor era o “repúdio da imitação do real” e que se viviam tempos de insegurança, não só por parte dos artistas mas, sobretudo, por parte dos críticos. E o autor conclui: «A arte abstracta e informal morre-se de boa-consciência e de facilidade, mas não há outra. Ela é a arte do nosso tempo como as de Monet e Van Gogh eram as do tempo deles. O Rei vai nu pela simples razão de que não pode ir vestido. Se fosse vestido ia mais nu ainda».

Em 1973, seria apresentada em Barcelona, Salamanca e Lisboa uma exposição que teria precisamente o título “Pintura Portuguesa de Hoje: Abstractos e Neofigurativos”. Neste evento, reuniram-se obras de 1960 a 1972, numa encruzilhada plural do abstraccionismo/nova abstracção e da nova figuração. Também no sentido de averiguar o estado da arte e de reflectir sobre algumas das suas problemáticas do momento, a Sociedade Nacional de Belas-Artes organizou, em 1975, três exposições-inquérito: “Figuração-Hoje?” (Janeiro), “Abstracção-Hoje?” (Abril/Maio) e “Colagem e Montagem” (Julho).

De facto, depois do expressionismo abstracto de Jackson Pollock, a segunda escola das vanguardas – vanguarda tardia ou neovanguarda – desenvolve-se na sequência da pop art, colocando em evidência não a vontade de revolucionar mas de assumir a possível decadência da arte, ou seja, o fim da jornada unívoca e unidireccional da arte.

A arte descentralizara-se, pulverizara-se e tornara-se establishment, contudo, apesar de desligada de uma certa utopia, continuaria a revolucionar as gramáticas artísticas. Arthur Danto refere-se do seguinte modo à importância da pop art (1997): «A causa da mudança, no meu ponto de vista, foi a emergência de algo infelizmente chamado de pop art, que considero ser o movimento artístico mais crítico do século. (…) Na minha narrativa, a pop art marcou o fim da grande narrativa da arte ocidental pelo facto de ter tornado autoconsciente a verdade filosófica da arte».

Na verdade, ao longo dos anos sessenta e no correr da década seguinte, tornar-se-ia visível tanto o incremento da arte como ideia – conceptualismo –, como da arte enquanto acção, num certo espírito de revisitação do dadaísmo e de Marcel Duchamp. A arte conceptual, como movimento – distinta do conceptualismo enquanto adjectivo qualificativo de diversas manifestações artísticas que incorporam vídeo, performance, instalação, etc. –, desenvolveu-se entre meados dos anos sessenta e inícios dos anos setenta e, na sua característica antiobjectual – mais do que de antiarte –, abriu a possibilidade de desaparecimento do objecto artístico.

O desaparecimento do objecto não é o mesmo que o desaparecimento da forma concreta, uma vez que este pressuposto atingira um momento determinante já nos anos dez do século XX, quando, entre 1913 e 1915, Malevitch pintava “Quadrado negro sobre fundo branco”, assumido como um “manifesto do suprematismo”.

A grande narrativa formalista no caminho da abstracção – baseada na eliminação gradual da ilusão da tridimensionalidade, a ideia de pintura plana, anti-ilusionista, bidimensional, autónoma no seu medium – preconizada por Clement Greenberg chegaria ao seu final. E, nas palavras de Matei Calinescu (1987): «Quando, simbolicamente, nada mais existe para destruir, a vanguarda é compelida pelo seu próprio sentido de consistência a cometer suicídio».

A arte conceptual articulou os limites da arte formalista com a sua própria crítica, conferindo primado ao processo mental. A arte era trabalhada essencialmente como ideia, proclamando-se a morte do objecto e a primazia de meios, como a escrita, para suscitar a atenção do espectador, para explicar o (não)objecto: a arte do “fim da arte” e o questionar das instituições que a sustêm. Na opinião de Luc Ferry (1990) a este respeito: «Com as exposições sem quadros e os seus concertos de silêncio, as vanguardas moribundas ridicularizaram a arte e prepararam, sem o saber, o eclectismo pós-moderno».

O próprio Clement Greenberg, na conferência proferida na Universidade de Sydney (1980), observaria que qualquer desvio do modernismo estaria na origem de uma corrupção dos padrões estéticos. O pós-modernismo evidenciava o “relaxamento” da arte depois da pop art, e justificava a existência de formas artísticas, na sua opinião, menos exigentes.

Nesta senda, o crítico de arte italiano Achille Bonito Oliva publicava, em 1982 na revista Flash Art International, que a transavanguardia era a única vanguarda, não fraudulenta, possível na presente condição histórica, fora do conceito de progresso unilinear, representativa de um regresso aos valores individuais, subjectivos, fragmentados, nacionalistas, assim como à iconografia clássica.

A transavanguardia correspondeu ao neo-expressionsimo em Itália. A denominada transvanguarda internacional identifica-se com o movimento neo-expressioinsta, o qual inclui uma série de tendências como, por exemplo, além da transavanguardia italiana, a bad painting norte-americana ou o neo-expressionismo alemão. Estava-se perante o designado “regresso à pintura”, mais precisamente, o regresso à imagem da pintura, que volta a confrontar o rigor da fotografia, agora sem a pretensão de competir pela verosimilhança, mas assumindo uma vontade de discutir pictoricamente a imagem, centímetro a centímetro. De um modo absolutamente descomplexado.

Estas novas tendências foram acompanhadas por exposições determinantes, de que são exemplos “New Image in Painting” (Nova Iorque, 1978), “Bienal de Veneza” (1980), “A New Spirit in Painting” (Londres, 1981), “Zeitgeist” (Berlim, 1982) ou “Documenta 7” (Kassel, 1982), organizada por Rudi Fuchs.

O neo-expressionismo implementa-se de um modo particularmente consistente em Itália e na Alemanha – contra as regras da arte conceptual e como espelho da apreensão face a um país dividido, respectivamente –, por exemplo na obra de Carlo Maria Mariani, Francesco Clemente, Sandro Chia, Anselm Kiefer, ou Jorg Immendorff, conhecendo também notável impacte nos Estados Unidos da América da era conservadora de Ronald Reagan, com David Salle, Eric Fischl, Julian Schnabel, Ross Bleckner, entre outros.

No Reino Unido, talvez de um modo mais contínuo, o neo-expressionismo destaca-se com a obra de Christopher Le Brun ou Steven Campbell. Ao nível da divulgação destes artistas e correntes estéticas foi igualmente notória a acção de galerias, tais como a Galeria Michael Werner – primeiro em Berlim, tendo-se posteriormente transferido para Colónia – e a Galeria Mary Boone (Nova Iorque), cuja empreendedora acção levou a que alguns dos seus artistas ficassem conhecido por “boonies”.

Na cena nova-iorquina, em especial no novo bairro ocupado por artistas – East Village –, começavam a florescer galerias dirigidas pelos próprios artistas e locais considerados mais alternativos e acessíveis a jovens, nomeadamente aqueles que se dedicavam ao “grafitismo”, lançado de modo visível por Tom Otterness, organizador da exposição “Time Square Show” (Nova Iorque, 1980), na qual expôs o jovem Jean-Michel Basquiat – “SAMO”, como assinava nos tags.

Em “Não Te Posso Ver Nem Pintado” é possível trilhar um caminho, ao longo do qual nos vamos cruzando com tendências e artistas participantes neste complexo e fascinante movimento que, no fundo, reflecte principalmente sobre o próprio conceito de representação.

www.coleccaoberardo.com