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OPINIÃO


Cartaz anti-sufragistas s/data


Cartaz, Barbara Kruger, 1989


Zoe Leonard, “s/título”, 1992


Martha Rosler, “Bringing the war home”, 1969


Sarah Lucas, “Bitch”, 1995

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2018-01-25
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2017-12-23
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MARZIA BRUNO

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2016-11-08
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NATÁLIA VILARINHO

2016-10-03
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MARIA LIND

2016-08-31
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LUÍS RAPOSO

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2016-03-18
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VICTOR PINTO DA FONSECA

2016-02-16
CORAÇÃO REVELADOR

MIRIAN TAVARES

2016-01-06
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CONSTANÇA BABO

2015-11-28
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2015-10-31
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MARIBEL MENDES SOBREIRA

2015-09-17
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RENATO RODRIGUES DA SILVA

2015-07-22
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LUÍS RAPOSO

2015-07-02
PATRIMÓNIO CULTURAL E OS MUSEUS: VISÃO ESTRATÉGICA | PARTE 2: O PRESENTE/FUTURO

LUÍS RAPOSO

2015-06-17
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IVO MESQUITA E ANA PAULA COHEN

2009-05-03
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PAULO REIS

2008-07-16
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ROGÉRIO RIBEIRO (1930-2008): O PINTOR QUE ABRIU AO TEXTO

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RUY DUARTE DE CARVALHO: pela miscigenação das artes

DANIELA LABRA

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O edifício como “BLOCKBUSTER”. O protagonismo da arquitectura nos museus de arte contemporñnea

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A ARTE NO MERCADO – SEUS DISCURSOS COMO UTOPIA

ALBERTO GUERREIRO

2007-03-16
GestĂŁo de Museus em Portugal [2]

ANTÓNIO PRETO

2007-02-28
ENTRE O SPLEEN MODERNO E A CRISE DA MODERNIDADE

ALBERTO GUERREIRO

2007-02-15
GestĂŁo de Museus em Portugal [1]

JOSÉ BÁRTOLO

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CULTURA DIGITAL E CRIAÇÃO ARTÍSTICA

MARCELO FELIX

2007-01-16
O TEMPO DE UM ÍCONE CINEMATOGRÁFICO

PEDRO PORTUGAL

2007-01-03
ArtĂłria - ARS LONGA VITA BREVIS

ANTÓNIO PRETO

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CORRESPONDÊNCIAS: AproximaçÔes contemporĂąneas a uma “iconologia do intervalo”

ROGER MEINTJES

2006-11-16
MANUTENÇÃO DE MEMÓRIA: Alguns pensamentos sobre MemĂłria PĂșblica – Berlim, Lajedos e Lisboa.

LUÍSA ESPECIAL

2006-11-03
PARA UMA GEOSOFIA DAS EXPOSIÇÕES GLOBAIS. Contra o safari cultural

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AS IMAGENS DO QUOTIDIANO OU DE COMO O REALISMO É UMA FRAUDE

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O ESTADO DO DESIGN. ReflexÔes sobre teoria do design em Portugal

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

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BAS JAN ADER, TRINTA ANOS SOBRE O ÚLTIMO TRAJECTO

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UM PERCURSO POR SEGUIR

SÍLVIA GUERRA

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A MOLDURA DO CINEASTA

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BIO-MUSEU: UMA CONDIÇÃO, NO MÍNIMO, TRIPLOMÓRFICA

COLECTIVO*

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NEM TUDO SÃO ROSEIRAS

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VICTOR PALLA (1922 - 2006)

JOÃO SILVÉRIO

2006-04-12
VIENA, 22 a 26 de Março de 2006


BREVE CARTOGRAFIA DAS CORRENTES DESCONSTRUTIVISTAS FEMINISTAS



PAULA TAVARES

2008-04-22




Breve cartografia das correntes desconstrutivas feministas na produção artística da segunda metade do século XX


“Esta nĂŁo Ă©, nem serĂĄ, uma revolução de veludo. A paisagem humana da libertação feminina estĂĄ repleta de cadĂĄveres de vidas destruĂ­das, como acontece em todas as verdadeiras revoluçÔes. Entretanto, apesar da violĂȘncia do conflito, a mudança da consciencialização da mulher e dos valores sociais, que ocorreu em menos de trĂȘs dĂ©cadas em quase todas as sociedades, Ă© impressionante e traz consequĂȘncias fundamentais para toda a experiĂȘncia humana, desde o poder polĂ­tico atĂ© Ă  estrutura da personalidade.” (1)

“Ainda que o que continua a conhecer-se como o movimento das mulheres tenha – na sua encarnação mais recente – apenas trĂȘs dĂ©cadas de antiguidade, jĂĄ foi descrito alternativamente como triunfante, superado e reemergente, e isto apesar de que, desde uma perspectiva mais contida, se possa afirmar claramente que ainda nĂŁo começou a sua materialização em todo o seu potencial.” (2)


De saltos altos de sapatos vermelhos, cabelos ao vento, olhando por cima do ombro para o passado (3), as artistas deste sĂ©culo verificam que o mundo da arte moderna foi dominado pelo mito do herĂłi vanguardista: Francis Picabia afirmava que a mulher era uma mĂĄquina animada, os surrealistas foram assumidamente sexistas e os futuristas no seu manifesto de 1909 gritavam “Queremos glorificar a guerra – o Ășnico acto de limpeza do mundo –, o militarismo, o patriotismo, o acto destrutivo dos anarquistas, as ideias bonitas que matam e o desprezo pela mulher. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, combater o moralismo, o feminismo e todos aqueles actos oportunistas e utilitĂĄrios da covardia.” (4) Teixeira de Pascoaes dizia que AntĂłnio Nobre era “a nossa maior poetiza”, menosprezando e minorando a poesia feminina.(5) Hans Hoffman (6) comentando a obra de Lee Krasner afirmava que a sua pintura era tĂŁo boa que nĂŁo parecia feita por uma mulher, e Clement Greenberg costumava caracterizar como “efeminado” as obras que considerava ornamentais. A “condição” feminina foi considerada por Freud (7) e Jung como “energia natural” – o inconsciente, o irracional, frente Ă  racionalidade masculina e lĂłgica varonil...

Apesar da luta sufragista que inaugurou o século XX, os pensadores da modernidade, dando continuidade ao reforço do patriarcado, não deixaram espaço nem para a produção, nem para a recepção de obra feminina.

Em 1949, Simone de Beauvoir perguntava: “Mas Ă© suficiente mudar as leis, as instituiçÔes, os costumes, a opiniĂŁo pĂșblica e toda a estrutura social para que mulheres e homens se convertam em semelhantes?” (8) A resposta apenas chegaria algumas dĂ©cadas mais tarde, com as feministas da chamada “segunda vaga” (considerando como primeira a das sufragistas), com um ‘sim’ e um ‘no entanto’... Resultado da consciencialização e consequente problematização do desejo de (real) igualdade, de paridade, ou antes e afirmativamente o desejo pelo respeito da diferença. As mulheres, as feministas, descobriram hĂĄ mais de trĂȘs dĂ©cadas que definitivamente nĂŁo queriam ser homens (9).

Desde a sua gĂ©nese, lado a lado com outras minorias designadas como alteridade (10), o feminismo funcionou (e funciona) como uma variante na luta pelos direitos humanos, especificamente pelos direitos das mulheres. Foi no momento em que o pop galopava para o Maio de 68, culturalmente identificado como posmodernidade e economicamente situado no capitalismo tardio, que ressurgiram as questĂ”es (aparentemente) adormecidas das mulheres. Inspiradas pelas revoluçÔes culturais protagonizadas por estudantes, mulheres reunidas em grupos, principalmente do mundo acadĂ©mico, começaram a trabalhar no reposicionamento e reconstrução da sua “condição”. Uma dessas mulheres, Griselda Pollock, partilha connosco a sua experiĂȘncia (11), na tentativa de localização e caracterização da “segunda vaga” feminista, apresentando-a de forma evolutiva - do activismo (dos anos 70, suas campanhas e conferĂȘncias, propiciadas pelo Movimento de Libertação das Mulheres) Ă  institucionalização acadĂ©mica (dos anos 80, com a teoria feminista). Como estudante de histĂłria da arte, muito motivada pela constatação da ausĂȘncia de nomes femininos na “grande narrativa” da arte, Pollock auto propĂŽs-se reformular e repensar a histĂłria da arte a partir da histĂłria das mulheres: “Havia jĂĄ muito tempo que lĂ­amos sistematicamente a obra de Michel Foucault, e muitas mulheres reconheciam que o saber Ă© tambĂ©m uma articulação de poder. Aquilo que ele decreta e aquilo que veta, afecta muitas artistas cuja obra Ă© simplesmente ignorada pelo facto de serem mulheres, termo que a histĂłria de arte tornou antagonista com o de artista. Assim, o meu projecto na histĂłria de arte era escrever histĂłrias de e para o presente, escrever na presença real e simbĂłlica das pessoas do sexo feminino que, existindo sob o signo Mulher numa cultura falocĂȘntrica, sofrem as ofensas reais e materiais de classe e raça atravĂ©s das configuraçÔes de gĂ©nero.” (12) É com o materialismo histĂłrico na perseguição da possibilidade de uma histĂłria social da arte que a autora começa; mas Ă© com Foucault, Althusser e Lacan que estrutura a sua linha de pensamento, a par com a maioria das suas congĂ©neres de entĂŁo (Europa).

No final dos anos 60, o impacto do estruturalismo em França servia de mote, tambĂ©m, para as norte-americanas, que apesar da “manta” da guerra fria e da consequente “castração” da tradição marxista na sociedade, desenvolviam teorias experimentalmente nos corredores da academia e das artes visuais. Nos Estados Unidos deve-se sobretudo ao Movimento de Libertação das Mulheres a reivindicação da urgĂȘncia do corte com a invisibilidade em que o gĂ©nero feminino estava cativo e a preparação do terreno que estabeleceria as condiçÔes para a reciprocidade crĂ­tica com a teoria europeia. AliĂĄs, as formas e fĂłrmulas teĂłricas mais radicais (feministas) acabaram por se desenvolver no mundo anglo-saxĂłnico (tanto nos EUA, como na GrĂŁ-Bretanha), entrando muitas vezes em colisĂŁo com as propostas de carĂĄcter essencialista oriundas de França.

Para um entendimento da desconstrução feminista na arte, directamente proporcional ao desenvolvimento da teoria (apesar de muitas vezes negado), hĂĄ que considerar as vĂĄrias tipologias dos movimentos feministas. NĂŁo constituindo um estilo, o feminismo nĂŁo pode ser arquivado como tal, a sua transversalidade (tambĂ©m geogrĂĄfica) traduz-se numa multiplicidade de identidades: “O feminismo nĂŁo estĂĄ para o gĂ©nero do mesmo modo que o marxismo estĂĄ para classe e a teoria pĂłs-colonial para raça.” (13) Como foi referido, distinguem-se claramente a partir da sua gĂ©nese diferentes linhas de acção, ideolĂłgica e interventivamente distintas. Por exemplo, o sociĂłlogo Manuel Castells (14) identifica em anĂĄlise seis categorias: o feminismo liberal e socialista (que apesar de ideologicamente divergentes centram a sua luta num mesmo objectivo – o direito Ă  igualdade, incluindo o direito de escolha sobre a reprodução); o feminismo cultural, que a partir da comunidade feminina pretende a revisĂŁo das instituiçÔes assentes historicamente nos valores patriarcais (esta forma de feminismo esteve na origem do movimento de “consciencialização” instituĂ­do atravĂ©s das academias e que esteve ligado ao feminismo radical); o feminismo essencialista, que advoga pela especificidade da mulher a partir da biologia (o qual sofreu fortes ataques dento do movimento feminista, sendo acusado de redutor, como veremos mais Ă  frente); o feminismo especĂ­fico, relacionado com as etnias e nacionalidades (como por exemplo as feministas lĂ©sbicas negras); o feminismo lĂ©sbico, que tinha como objectivo a abolição do gĂ©nero pelo separatismo; e o que o autor denomina como feminismo pragmĂĄtico, relativo aos movimentos de operĂĄrias e de mulheres agredidas, lutando pela conquista da dignidade e da sobrevivĂȘncia.

A relação, interface, que se estabeleceu entre a teoria feminista e a arte pretendeu-se dialogante e reflexiva, nĂŁo ilustrativa. Dentro da “segunda vaga” feminista aplicada Ă  arte, e para alĂ©m da amplitude da anĂĄlise de Castells, com o apoio das artistas Helena Cabello e Ana Carceller (15), identificam-se claramente duas grandes vertentes do movimento, suas teĂłricas e principais artistas, sĂŁo elas: a vertente essencialista (jĂĄ citada), e a vertente construcionista [prĂłxima (nĂŁo sĂł, mas tambĂ©m) ideologicamente do feminismo socialista]. Relativamente Ă  primeira, que parte do essencialismo na procura da edificação de um imaginĂĄrio e imagem da mulher prĂłprios e positivos, tanto na exploração literĂĄria - Ă©criture fĂ©minine (assunto que pela sua vastidĂŁo e especificidade nĂŁo desenvolveremos aqui) como nas artes visuais, definiu o feminino por oposição ao masculino, a partir da sua especificidade biolĂłgica. Que na sua variante mais ortodoxa, de carĂĄcter universalista, pecou pela reificação do estereĂłtipo que primeiro pretendia combater. Do outro lado do AtlĂąntico, a partir da especificidade do feminino, encontramos Lucy Lippard na interrogação e tentativa de definição do “imaginĂĄrio feminino” (16), lançando o debate que se tornaria intenso, frutĂ­fero e actual atĂ© hoje. Plataforma fundacional para o mundo da arte, onde sĂŁo paradigmĂĄticas as obras de Judy Chicago e Mirian Schapiro. Relativamente Ă  segunda vertente, caracterizada como construcionista, mas tambĂ©m “aproximada” por Griselda Pollock Ă  teoria da diferença, parte da afirmação fundacional de Beauvoir “NĂŁo se nasce mulher: tornamo-nos mulheres”, contradizendo e refutando o biologismo inerente Ă  vertente de carĂĄcter essencialista, opondo-se claramente a uma qualquer definição de feminilidade como categoria inalienĂĄvel Ă s mulheres. Propondo a construção social do gĂ©nero como resposta Ă  “natureza” inata dos seres, proposta que em muito ajudaria (tambĂ©m) na formulação das teorias queer. JĂșlia Kristeva, uma das mais influentes feministas francesas (17), afirmou numa entrevista com mulheres do grupo Psychanalyse et politique: “O acreditar que ‘se Ă© mulher’ Ă© quase tĂŁo absurdo como o acreditar que ‘se Ă© homem’” (18). Rejeitando a literatura feita por mulheres sob a denominação Ă©criture fĂ©minine, por considerĂĄ-la conivente com o mercado instituĂ­do patriarcalmente. A nĂŁo aceitação do ser feminino intemporal, senĂŁo construĂ­do com o envolvente, potenciou a atitude crĂ­tica dos modos de representação e presentação tradicionais do sistema artĂ­stico e da cultura dominante. A produção artĂ­stica “influenciada” por esta teoria afastou-se radicalmente da procura de imagens positivas das mulheres, concentrando-se na reflexĂŁo dos processos de produção e recepção da arte, assim como nas imagens “ocultas”, nĂŁo mostradas da mulher, sendo exemplos as obras de Martha Rosler e de Mary Kelly respectivamente.

Judith Butler (19), uma das teĂłricas mais relevantes para a produção artĂ­stica contemporĂąnea (relacionada com a alteridade), dizia no seu Gender Trouble que quando a cultura constrĂłi o gĂ©nero, apresenta-se em termos de lei (definitiva), convergindo facilmente para o determinismo tal como o “naturalismo” proposto pelo essencialismo. Para Butler, a substituição da biologia pela cultura funciona como uma nova divisĂŁo imposta (ou adoptada), redutora e perigosa que, no final, pode resultar em mais uma variante do exercĂ­cio de poder. TambĂ©m Ana Gabriela Macedo e LuĂ­sa Amaral na introdução do seu DicionĂĄrio da crĂ­tica feminista concluem “Se o apelo a uma identidade feminina homogĂ©nea Ă© cada vez mais impossĂ­vel de encontrar no feminismo, a mudança para uma polĂ­tica de diversidade serĂĄ uma alternativa inadequada, se ignorar desigualdades sistemĂĄticas entre as mulheres, no que diz respeito ao poder, ao saber e aos recursos materiais.” (20) Traduzindo-se esta diferença feminista integrada nas obras de artistas como Louise Bourgeois, Annette Messager, Valie Export, Adrian Pipper, Carrie Mae Weems, Nancy Spero, Hanna Wilke, Suzanne Lacy, Laurie Anderson, Dara Birnbaum, entre tantas outras,
 Efectivamente, nos primeiros anos de afirmativa actividade feminista na arte, as relaçÔes entre teoria e prĂĄtica artĂ­stica estabeleceram-se a partir da reacção Ă  exclusĂŁo feminina dos espaços institucionais artĂ­sticos. A parca representação como autoras (21) a que as mulheres estavam obrigadas impeliu um conjunto de artistas a rebelar-se e a reivindicar o seu espaço simbĂłlico. Neste contexto, a teoria fĂ­lmica elaborada a partir do uso polĂ­tico da psicanĂĄlise, assim como da semiĂłtica, desenvolvida por Laura Mulvey e Teresa de Lauretis (22) constituiu um dos campos mais frutĂ­fero da desconstrução feminista. A perspectiva crĂ­tica do prazer e da dor do cinema narrativo tradicional revĂȘ-se na tela, atravĂ©s da representação do feminino de Marguerite Duras em India Song (1974) e Chantal Akerman em News from home (1976) e Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerse, 1080 Bruxelles, assim como nos vĂ­deos de Martha Rosler, como por exemplo Vital Statistics of a Citizen Simply Obtained (1977), onde a artista associa a prĂĄtica performativa ao uso do corpo como espaço polĂ­tico. A obra, adoptando a metodologia das cĂąmaras de vigilĂąncia, mostra como um grupo mĂ©dico mede e analisa o corpo de quem entra em cena (a prĂłpria artista), comparando-o com fĂ­sicos standard. Reposicionando, desconstruindo e descontextualizando o “olhar” tradicional sobre o corpo da mulher, sujeito a uma normalização imposta por um poder patriarcal aparentemente cientĂ­fico. Esta obra, resultando como paradigmĂĄtica do exercĂ­cio do “desprazer do olhar” viria a influenciar grande parte das artistas feministas que trabalharam com vĂ­deo posteriormente. No entanto, as prĂĄticas feministas videogrĂĄficas tambĂ©m se ocuparam da construção de uma oposição alternativa do prazer visual instituĂ­do, Carolee Schneemann e a sua produção “porno” (praticamente desconhecida, em que a cĂąmara funciona como se fosse o seu gato observando/registando a artista com o seu companheiro) Ă© exemplo, assim como Meat Joy (1964), descrita pela artista como um “ritual erĂłtico, excessivo, indulgente, uma celebração da carne como material”.

Do pessoal para o polĂ­tico dos setenta, nos anos oitenta as mulheres “emergiram” no meio artĂ­stico por oposição Ă  revisitação masculina das grandes telas expressionistas, principalmente atravĂ©s da fotografia. O discurso de artistas como Sherrie Levine, Cindy Sherman, Louise Lawler e Barbara Kruger, alinhado com o posmodernismo, desconstruĂ­a em paralelo a autoria, a genialidade, a unicidade, a escala, assim como valores sociais e morais. ParadigmĂĄtica Ă© tambĂ©m a obra das Guerrilla Girls, que em 1987 invadiu Manhattan com cartazes anunciando “As vantagens de ser uma mulher artista”. O grupo feminista que, estabelecendo um duplo jogo semĂąntico com o seu nome e auto definindo-se como a ‘consciĂȘncia da arte’, apresentava com ironia cĂ­nica o desapossamento a que a mulher artista era (Ă©) submetida pelo mundo da arte e pela sociedade em geral, ao longo da prĂĄtica artĂ­stica: “Trabalhar sem a pressĂŁo do ĂȘxito; ter ‘escapadelas’ do mundo da arte devido ao pluri-emprego; ter a oportunidade de escolher entre a carreira artĂ­stica e a maternidade; nĂŁo ter de padecer do embaraço de ser chamada de gĂ©nio,
”

Na conservadora dĂ©cada de oitenta, a crĂ­tica ao paradigma social construĂ­do e reforçado no seio do patriarcado, constituiu motivo de associação - “luta” conjunta - reivindicativa de direitos e afirmação da obsolescĂȘncia dos estereĂłtipos, das feministas com outros grupos da alteridade. O progresso das teorias queer e do multiculturalismo, entre outras, serviu de plataforma de lançamento para a integração no sistema artĂ­stico. Exemplar e pioneira foi a exposição El arte y su doble (1986), comissariada por Dan Cameron, na FundaciĂł ‘la caixa’ em Madrid, que tĂŁo perto e tĂŁo longe abeirou a PenĂ­nsula IbĂ©rica da “movida” da arte contemporĂąnea feminista. Quando chegaram os noventa, com a viragem polĂ­tica, e a assunção do ‘politicamente correcto’, multiplicaram-se institucionalmente as exposiçÔes temĂĄticas ao serviço da alteridade; como a famosa Bienal de Withney (1993) em Nova Iorque, com aproximaçÔes Ă  arte de carĂĄcter polĂ­tico e aclamada por vĂĄrios crĂ­ticos (Nina Felshin, Hal Foster e Dan Cameron) como motor apaziguador do conservadorismo de atĂ© entĂŁo. Mas como assumidamente feminista destaca-se a exposição Bad Girls (1993), realizada em Londres no Institute of Contemporary Art, onde artistas como Nicole Eisenman, Sue Williams, Helen Chadwick, Nan Goldin, etc., reabilitando e reafirmando o espĂ­rito colectivista norte americano (Women Artist Coalition ou as Guerrilla Girls) e britĂąnico reafirmaram a ocupação feminina de territĂłrios antes masculinos, atravĂ©s do uso de materiais e representaçÔes tabus no mundo da arte. Bad Girls apresentou-se tambĂ©m em Nova Iorque, pela mĂŁo de MĂĄrcia Tucker, na qual foram integradas vĂĄrias artistas procedentes do WAC, que atravĂ©s de uma multiplicidade de meios – performance, fotografia, vĂ­deo, desenho, ilustração e BD- nas palavras de Tucker pretendiam “ajudar-nos a ver e a entender um novo conceito de gĂ©nero” (23)

As chamadas “radicalizaçÔes” dos noventa tiveram na sua origem o desejo transformador do gĂ©nero para alĂ©m da eterna oposição ao masculino. Profundamente influenciadas por Donna Haraway, as mulheres artistas, em conjunto com outros grupos que realizaram a desconstução da cultura dominante patriarcal, almejaram um corpo cibernĂ©tico, transformado e transformador, ora andrĂłgino, ora abjecta ou sublimemente sexuado, concebido segundo a vontade da(o) “portadora”: “As feministas cyborg tĂȘm de argumentar que “nĂłs” jĂĄ nĂŁo queremos uma matriz natural da unidade e que nenhuma construção Ă© completa. A inocĂȘncia a par da insistĂȘncia corolĂĄria na vitimização como Ășnica base para o entendimento, jĂĄ fez estragos suficientes.” (24) Se a Internet Ă© o campo privilegiado do “transgenĂ©rico”, tambĂ©m o meio artĂ­stico vem sendo conquistado, do que sĂŁo exemplos as exposiçÔes realizadas na vizinha Espanha El rostro velado (25) (1997) e TransgenĂ©ric@s (26) (1999), comissariadas, a primeira, por JosĂ© Miguel CortĂ©s e a segunda por JosĂ© Vicente Aliaga/ Mar Villaespesa. Numa escala completamente diferente, introduzindo (institucionalmente) e problematizando a prĂĄtica artĂ­stica feminista em Portugal, encontra-se a recente All My Independent Women comissariada por Carla Cruz (2005) (27).

Nos Ășltimos anos, foram mĂșltiplos os estudos e as obras que reflectiram sobre a presença das mulheres no meio artĂ­stico (28), assunto sempre presente na obra “reivindicativa” das Guerrilla Girls, como ficou patente na Ășltima Bienal de Veneza (2005), considerada pela imprensa da especialidade como a primeira bienal feminista. Depois e com as obras de Zoe Leonard (ex.: site specific apresentado na Documenta de Kassel em 92, onde ao lado de retratos de mulheres dos sĂ©culos XVII e XIX figuravam fotografias a preto e branco expondo vaginas), de Sarah Lucas (ex.: Bitch), de Tracey Emin (ex.: Psyco Slut), de Karen Kilimnik (ex: Battles or the Art of war), Catherine Opie (Chicken), Kara Walker (Camptown Ladies), Elija-Liisa Ahtila (If 6 was 9), das Zoina (colectivo portuguĂȘs) e tambĂ©m Paula Rego, entre tantas e tantas outras, terminamos este texto com a sensação de que na arte, depois do amparo teĂłrico feminista, queer e pĂłs-colonialista, o atrito do caminho tende a diluir-se na reinvenção de conceitos e possivelmente no eclodir de uma terceira vaga transgenĂ©rica, transmoderna, mas sobretudo em transformação. Queremos acreditar que sim.


Paula Tavares
Artista PlĂĄstica e Professora do Ensino Superior



NOTAS
(1) Manuel Castells, O Poder da identidade, A era da informação: economia, sociedade e cultura, volume II, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2003, p. 169.
(2) Dan Cameron, “Sobre feminismo: post-, neo-, e intermedio”, Zona F, Espai D’Art Contemporani de Castelló, 2000, pág. 117.
(3) Valha-nos o estereĂłtipo a nosso favor.
(4) Manifesto futurista, em AA.VV., El arte del siglo XX, 1900-1949, Salvat Editores, S.A. Barcelona, 1990, pĂĄg. 115.
(5) Ana Gabriela Macedo e Ana LuĂ­sa Amaral, sobre a anĂĄlise de Maria Irene Ramalho de Sousa Santos “O sexo dos poetas: A propĂłsito de uma nova voz na poesia portuguesa”, em DicionĂĄrio da crĂ­tica feminista, EdiçÔes Afrontamento, Junho de 2005, pĂĄg. 30.
(6) Witney Chadwick, Women, Art and society, Thomas and Hudson, London, 1990, pĂĄg. 302.
(7) Veja-se o estudo de Luce Irigaray – Speculun de l’autre femme, sobre as definiçÔes de mulher a partir de Freud e PlatĂŁo [a mulher como ser irracional e invisĂ­vel, como homem inacabado (sem o falo, castrado)].
(8) Simone de Beauvoir, El segundo sexo, Siglo Veinte, tomo II, Buenos Aires, s.d., påg. 511. Tradução livre.
(9) Contrariamente ao que aparenta ser denominador comum em vårias actividades profissionais até agora desempenhadas por homens, como por exemplo a política onde as mulheres são valorizadas perante as suas capacidades e atitudes masculinas no exercício da sua profissão, Margaret Tatcher, a dama de ferro funciona como paradigma da mulher masculinizada e racionalizada como homem.
(10) Tal como as noçÔes de orientalismo ou de homossexualidade foram polĂ­tica e semioticamente construĂ­das, tambĂ©m o conceito identitĂĄrio “mulher” esteve sujeito aos cĂłdigos patriarcais fundadores e fundacionais da HistĂłria. Sendo continuamente reificado, na contemporaneidade, atravĂ©s de contra investidas Ă  conquista da almejada “paridade”, de que Ă© exemplo a imagem da mulher na publicidade, ou mesmo o lugar ocupado pela mulher no mercado de trabalho (e seus direitos).
(11) Griselda Pollock, “A polĂ­tica da teoria: geraçÔes e geografias na teoria feminista e na histĂłria das histĂłrias de arte”, AA.VV., GĂ©nero, identidade e desejo, antologia crĂ­tica do feminismo contemporĂąneo, organização de Ana Gabriela Macedo, EdiçÔes Cotovia, Ltd., 2002, Lisboa, pp. 191-220.
(12) Griselda Pollock, idem, pĂĄg. 211.
(13) Griselda Pollock, IbĂ­d., pĂĄg. 193.
Manuel Castells, “O fim do patriarcalismo”, idem (especificamente pág. 235).
(15) Helena Cabello e Ana Carceller, “Sujetos imprevistos (Divagaciones sobre lo que fueron, son y serán)”, Zona F, Espai D’Art Contemporani de Castelló, 3 Febrero – 9 de Abril de 2000, Castelló, pág. 31. Tradução livre.
(16) O trabalho de Lippard, mais do que estabelecer fronteiras, ou muros Ă  volta de uma determinada teoria, levanta questĂ”es, fez e faz pensar, reflectir
 Como apontam Cabello e Carceller, Ă© exemplar a resposta de Linda Nochlin: “A minha primeira reacção Ă© de raiva pelo restritivo da expressĂŁo. Eu sou um ser humano, nĂŁo definido por concepçÔes prĂ©vias, andrĂłgino, nĂŁo programado para ilustrar nenhuma imagĂ©tica especĂ­fica. Mas a minha segunda reacção Ă© a de fazer um esforço e meditar. Vivo numa sociedade, e quem eu sou estĂĄ determinado pela estrutura vivencial que se supĂ”e duma mulher. A minha experiĂȘncia estĂĄ filtrada atravĂ©s de uma complexa interacção entre eu mesma e as expectativas que o mundo tem para mim.” Helena Cabello e Ana Carceller, citando a Nochlin em resposta a Lippard em “What is the female imagery?”, idem, pĂĄg. 51. Tradução livre.
(17) Juntamente com Cixous e Irigaray, apesar de discordar piamente do determinismo biolĂłgico proposto pelas primeiras.
(18) Julia Kristeva, citada por Helena Cabello e Ana Carceller, idem, påg. 63. Tradução livre.
(19) Judith Butler, Feminism and the subversion of Identity, Routledge, Nueva York, Londres, 1990.
(20) Ana Gabriela Macedo e Ana Luísa Amaral (org.), Dicionårio da crítica feminista, EdiçÔes Afrontamento, Junho de 2005.
(21) “Conhecemo-nos a nĂłs mesmas atravĂ©s das mulheres feitas pelos homens” Sheila Rowbotham, Woman’ s Consciousness, Man’ s World, Penguin Books, London, 1973, pĂĄg. 40. ApĂłs sĂ©culos e sĂ©culos de objecto de contemplação e desejo, de servilmente ser modelo do autor, masculino, equilibrado e bem resolvido, que com a sua pena-falo percorria, ora docilmente, ora febrilmente, as pĂĄginas em branco do corpo feminino, eis que o “sujeito” mulher reivindica criar, ou antes, o reconhecimento da sua criação. NĂŁo segundo o modelo dominante, mas ao lado da alteridade, em conjunto com os negros, os gays, o terceiro e quarto mundo, e todos os que nĂŁo tinham lugar cativo nos mais importantes museus e colecçÔes. Para este assunto veja-se a obra de Sandra Gilbert e Susan Gubar The Mad Woman in the Attic, de 1979, sobre a produção literĂĄria feminina no sĂ©culo XIX. Onde as autoras problematizam a autoria comparativa entre homens e mulheres, metaforizando e associando a pena ao pĂ©nis como elemento tradicionalmente associado Ă  criação.
(22) Laura Mulvey, “Placer visual y cine narrativo”, em EutopĂ­as vol.1, Ediciones Episteme, Valencia, 1998. Teresa de Lauretis, “EstĂ©tica y TeorĂ­a Feminista: Reconsiderando el cine femenino”, em Mar Villaespesa (ed.) 100% Instituto Andaluz de la Mujer / Museo de Arte ContemporĂĄneo, Sevilla, 1993.
(23) Marcia Tucker, “Preface”, Bad Girls, Nova York, New Museum of Contemporary Art, 1993, pág. 5.
(24) Donna Haraway, Ciencia, cyborgs y mujeres. La reinvenciĂłn de la naturaleza, Ediciones CĂĄtedra, S. A., Madrid, 1995, pĂĄg. 269.
(25) El rostro velado. Travestismo e identidad en el arte. Exposição realizada em San Sebastiån, Koldo Mitxelena Kulturenea, 12 de Junho a 6 de Setembro de 1997, com as e os artistas: Robert Gober, Nan Goldin, Michel Journiac, Zoe Leonard, Pierre Moliner, Cindy Sherman, Andy Warhol, entre outros.
(26) Transgenéric@s, Representaciones y experiencias sobre la sociedad, la sexualidad y los géneros en el arte español contemporåneo. Exposição realizada em San Sebastiån, Koldo Mitxelena Kulturenea, 3 de Dezembro de 1998 a 6 de Fevereiro de 1999, com as artistas: H. Cabello, A. Carceller, N. Canal, R. Cotanda, T. Fontalba, C. Navarrete, LSD, Ch. Matesanz, entre outras.
(27) Realizada na Galeria SMS do Museu Martins Sarmento em GuimarĂŁes, entre 10 de Setembro de 2005 e 11 de Outubro do mesmo ano.
(28) Citamos um exemplo: a estatĂ­stica de Jorge LuĂ­s Marzo, publicado no artigo “La revisiĂłn feminista de la historia del arte”, apontava: «“Informalismo en Catalunya”, Centre d’art Sta. MĂłnica, Barcelona, 1990 – 25 artistas, una mujer; “La vanguardia de la cultura catalana”, (Ă­dem) 1990 – 41 artistas, una mujer; etc.», demonstrando a precariedade da presença das mulheres na arte em relação aos homens, na revista LĂĄpiz, Revista Internacional de Arte, año IX, nĂșmero 78, Junho de 1991.